A Alagoas

Economia desacelera e o nível de desemprego pode aumentar nos próximos meses

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O mercado alagoano fechou o ano de 2016 com uma das mais altas taxas de desemprego do país com 14,8%, quando a média nacional é de 12% e a nordestina 14,4%. O reflexo do desemprego poderá aumentar nos próximos meses quando a economia sofre uma desaceleração devido ao ritmo lento que acompanhará os principais setores da economia estadual.

A frase popularmente dita por muitas pessoas de que “o ano só começa depois do carnaval” tem uma interferência não somente no comportamento da população, mas também no andamento da economia.

Para o economista Cícero Péricles, passado o carnaval o período será o menos dinâmico para economia estadual, levando em consideração alguns fatores específicos, como o final da safra da cana de açúcar, que movimento bem os municípios localizados na zona da mata.

Segundo o especialista, a economia sofre sim a interferência desse ditado e para um quadro de maior dificuldade. “Primeiro porque está terminando, agora no mês de março, tanto a alta estação do turismo, que movimenta os municípios do litoral, como a safra da cana de açúcar, que movimenta as localidades da zona da mata”, explicou Péricles.

Outros setores como a construção civil e o comércio também seguirão em ritmo lento depois da aquecida das vendas de final e início do ano. De acordo com o economista, a construção civil fica menos ativa sem a demanda aquecida da classe média por novos imóveis e sem obras públicas.

“As vendas de final de ano e as promoções de janeiro passaram e o comércio entra, também, nos meses de vendas menores, até o segundo semestre. O desemprego, portanto, deve se manter alto até o final deste ano”, enfatizou.

Mais de 190 mil alagoanos estão fora do mercado de trabalho

Esse índice de desocupação significa que 190 mil alagoanos com idade e condições de trabalhar estão fora do mercado do trabalho, o que, segundo o especialista reflete um momento de dificuldade da economia estadual. “Essa queda representa um impacto forte porque Alagoas cresceu muito seu número de trabalhadores empregados, entre 2003 e 2014, quando duplicou o número de contratos de trabalho, que chegou a 514 mil em 2014”, explica Péricles.

Ele acrescenta que a economia alagoana, neste período de 2003 a 2014, refletindo a economia nacional, cresceu todos os anos, no entanto o dado negativo do IBGE  revela um ritmo mais  lento na produção e consumo, situação que vem desde 2015. O impacto chega, primeiro, pela queda direta da renda, diminuindo as vendas dos setores de comércio e serviços, responsáveis por 72% da economia estadual.

“Estes dois setores estão acumulando 26 meses de vendas mensais menores, desde novembro de 2014. Essa queda de vendas, por sua vez, impacta negativamente nos setores produtivos, principalmente os voltados para a produção de bens de consumo populares, como alimentos, vestuário, móveis, etc”, avalia.

Apesar dos dados negativos, o desemprego alagoano não é significativo nos setores de ponta mais modernos, nos quais a mão de obra qualificada tem mais presença. A construção civil, comércio e a  agroindústria canavieira foram os grandes perdedores nos últimos dois anos de recesso.

Segundo o especialista, a mão de obra qualificada está mais centrada nas empresas de setores urbanos, a exemplo dos serviços de média ou alta complexidade, a exemplo de saúde e educação, que sofrem menos com a crise, pela forte demanda e pela presença do setor público, seu grande empregador.

“A construção civil pela falta de obras públicas, como o programa Minha Casa Minha Vida, e pela demanda menor dos segmentos de classe média por imóveis; o setor de comércio pela queda no consumo dos assalariados mais pobres, o grande público consumidor em Alagoas; e a agroindústria pela seca que assola o campo alagoano há mais de cinco anos, principalmente no agreste e sertão; e a queda na produção do setor sucroalcooleiro, decorrente da crise que este setor vem sofrendo há uma década”.

Contenção de gastos

E para quem está desempregado, a regra é apertar o cinto e evitar totalmente gasto desnecessários foram da sua realidade financeira. A dica do economista é que esta pessoa retire, nesse momento de dificuldade, todo e todo e qualquer consumo supérfluo, colocando suas finanças pessoais sob rigoroso controle, enquanto busca uma colocação.

 “Essa busca deve ser ativa, com o aproveitamento de qualquer oportunidade que surja, ao tempo que investe também em sua própria qualificação. Todas as profissões exigem um maior domínio profissional, uma atualização permanente e uma formação complementar de seus integrantes. Numa era de crise como atravessamos, esses elementos crescem de importância”. 

 

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