Braskem fecha acordo de R$ 1,2 bi por desastre em Maceió
Companhia pagará indenizações ao longo de dez anos após desastre causado pela extração de sal-gema; acordo ainda depende de homologação judicial
Publicado 11/11/2025 10:58 | Editado 11/11/2025 11:54
Foto: reprodução/Mídia NinjaA Braskem anunciou um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas para compensar os danos provocados pelo afundamento do solo em bairros de Maceió, decorrente da extração de sal-gema. O desastre, iniciado em 2018, deixou mais de 60 mil pessoas sem moradia e transformou parte da capital alagoana em uma área de risco permanente.
Segundo comunicado divulgado pela empresa na noite de segunda-feira (10), o valor será pago em dez anos. “O saldo deverá ser quitado em dez parcelas anuais variáveis corrigidas, principalmente após 2030, considerando a capacidade de pagamento da Companhia”, informou a Braskem.
Leia também:
Diretor da Braskem admite culpa da empresa por danos em Maceió
CPI aprova indiciamento da Braskem por afundamento de parte de Maceió
O acordo estabelece compensação, indenização e ressarcimento ao Estado “para a reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial”. O pagamento de R$ 139 milhões já foi iniciado. A empresa destacou que “a celebração do acordo representa um significativo e importante avanço para a companhia em relação aos impactos decorrentes do evento geológico em Alagoas”.
A proposta ainda precisa de homologação judicial e extinguirá uma ação movida pelo governo estadual contra a empresa.
Tragédia urbana e consequências prolongadas
O caso começou em 2018, quando a exploração de sal-gema causou instabilidade no solo e o afundamento de cinco bairros de Maceió — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. O fenômeno obrigou a retirada de milhares de moradores e resultou na desvalorização total dos imóveis da região.
A Defesa Civil acompanhou o afundamento do solo por anos, e em novembro de 2023, a prefeitura decretou estado de emergência por risco de colapso em uma das minas. No mesmo período, a Polícia Federal indiciou 20 pessoas pelo desastre, e o inquérito foi encaminhado à 2ª Vara Federal de Alagoas.
Leia também:
Parte da mina da Braskem se rompe na Lagoa Mundaú, em Maceió
Maceió decreta estado de emergência por risco de colapso em mina da Braskem
Em julho de 2025, a Defensoria Pública de Alagoas pediu indenização de R$ 4 bilhões para cobrir as perdas de moradores de áreas vizinhas.
A Braskem, controlada pela Novonor (antiga Odebrecht), tem a Petrobras como acionista relevante, com 47% das ações com poder de voto.
__
com agências




