Manas exibe a perversidade contra crianças e adolescentes no Brasil
Filme de Marianna Brennand, rodado na Ilha de Marajó, expõe a violência sexual contra crianças e adolescentes e cobra mudanças urgentes na sociedade brasileira.
Publicado 02/10/2025 15:08 | Editado 02/10/2025 15:24
Tielle e o pai Marcílio rumo ao perigo | Foto: divulgaçãoManas (2024), de Marianna Brennand, impacta por um tema candente na sociedade brasileira: a violência e o abuso sexual de crianças e adolescentes. Tendo como cenário a Ilha de Marajó, no Pará, o filme, que pode ser alugado no streaming Prime Vídeo, mostra a hipocrisia da sociedade brasileira perversa com crianças e adolescentes, cega em relação à vida desses seres humanos em folrmação .
O filme – entre os seis candidatos à indicação ao Oscar pelo Brasil (perdeu para O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho) – conta a trajetória da adolescente de 13 anos Tielle (Jamilli Correa). Ela enfrenta em casa, com um pai (Marcílio, interpretado por Rômulo Braga) abusador e uma mãe submissa (Danielle, interpretada por Fátima Macedo) o que milhares de meninas, em sua maioria, enfrentam pelo país afora.
Em meio a uma natureza exuberante e a vida precária, parecem naturais também a exploração e o abuso sexual. Isso num país que maltrata terrivelmente crianças e adolescentes. O tema é pesado, mas o filme delicado. Com direção impecável, fotografia que reforça a força da trama, que não mitifica o tema e um elenco afiado – com Dira Paes como a delegada Aretha –, o filme vai além da denúncia pura e simples e leva a profundas reflexões sobre o que estamos fazendo com nossas crianças. (veja trailer abaixo)
É bom lembrar que isso ocorre num país onde mais de 60% das vítimas de estupro têm até 13 anos de idade. E, pior ainda, cerca de 80% dos crimes são cometidos por pessoas conhecidas das vítimas (pais, padrastos, tios…).
A opção por câmera de ângulo baixo dá um tom de denúncia de algo muito perverso escondido nos armários familiares. Algo que começa a vir à tona, mesmo com todas as dificuldades em enfrentar o círculo familiar e o religioso.
Quando Tielle acaba denunciando o pai de alguma forma – mas a polícia, inexplicavelmente, necessitava de uma denúncia da mãe da menina para prender o estuprador e ela se recusa –, a menina de 13 anos resolve o problema ao ver sua irmã mais nova sob a mesma condição de vida.
Fica a reflexão, pelo que se vê na mídia praticamente todos os dias, sobre a necessidade de atacar esse tema de todas as formas possíveis para que essa triste realidade venha a ser modificada de forma permanente. Alternativas como educação sexual nas escolas sem tabus como forma de combater a pedofilia e ensinar as crianças onde termina o carinho e começa o abuso.




