Cúpula dos Povos responsabiliza capitalismo e cobra fim dos combustíveis fósseis
Declaração entregue à COP30 afirma que o capitalismo é a raiz da crise climática, repudia guerras, denuncia genocídio na Palestina e defende uma transição justa
Publicado 16/11/2025 21:06 | Editado 18/11/2025 11:46
Foto: Tânia Rêgo/Agência BrasilA Cúpula dos Povos encerrou neste domingo (16), em Belém, com a leitura e entrega da Declaração Final, construída ao longo de mais de dois anos e assinada por 1.109 organizações. No texto, os movimentos afirmam que “o modo de produção capitalista é a causa principal da crise climática crescente” e rejeitam o avanço de propostas consideradas falsas soluções para enfrentar a emergência ambiental.
Segundo a declaração, “somos bombardeados com supostas soluções climáticas, que, na verdade, são falsas soluções”, denunciando a financeirização de bens comuns, a captura corporativa das políticas climáticas e o fracasso do atual modelo de governança internacional. O conteúdo ecoa falas apresentadas durante o encontro: “Nós gritamos aqui que quem tem a solução são os povos. E os povos dizem: ‘nós somos a solução’”, afirmou Thauane Nascimento, integrante da Comissão Política da Cúpula.
O encontro reuniu mais de 20 mil pessoas na Universidade Federal do Pará, foi aberto com uma barqueata de 250 embarcações com 5 mil participantes e culminou em uma marcha com 70 mil pessoas pelas ruas de Belém, segundo os organizadores.
Documento denuncia guerras, imperialismo e genocídio na Palestina
A Declaração Final traz um posicionamento contundente contra conflitos armados e intervenções militares, afirmando que o avanço da extrema direita e das potências globais intensifica a crise climática. Um dos trechos afirma: “Nosso repúdio total ao genocídio praticado contra a Palestina.”
O texto condena bombardeios, deslocamentos forçados e a morte de civis, e manifesta solidariedade à resistência palestina. Também critica a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, citando a operação “Lança do Sul”, e expressa apoio à resistência de povos e nações como Venezuela, Cuba, Haiti, Sudão, Nigéria e países do Sahel. “Privatização e financeirização dos bens comuns são totalmente contrárias aos interesses do povo”.
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A crítica às soluções de mercado, considerada central pelos movimentos, aparece em diversos trechos. Para as organizações, a atual transição energética é implementada sob a lógica do lucro, sem redução real das emissões. O texto afirma que: “A privatização, mercantilização e financeirização dos bens comuns e serviços públicos contrariam frontalmente os interesses populares.”
Para a Cúpula, corporações de mineração, agronegócio, big techs, indústrias bélicas e empresas transnacionais compõem o núcleo de poder do sistema capitalista e são responsáveis por grande parte da destruição ambiental global.
Transição energética deve ser “justa, soberana e popular”
O documento exige ainda o fim dos combustíveis fósseis; aparticipação direta dos povos nas políticas climáticas; ademarcação e proteção de territórios indígenas; areforma agrária popular e fortalecimento da agroecologia; o financiamento público robusto e taxação de corporações e super-ricos.
Os movimentos também defendem que o financiamento climático internacional seja estruturado de forma democrática, sem intermediação de instituições que aprofundam desigualdades, como FMI e Banco Mundial. Para os povos, são as potências dominantes e suas empresas que devem “começar a saldar a dívida socioambiental acumulada por séculos”.
COP30: movimento social cobra respostas estruturais
A Declaração Final foi entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, que afirmou: “Espero que a COP30 seja a COP da virada”. Para Darcy Frigo, da Comissão Política da Cúpula, o encontro representou um grito coletivo diante da lentidão das negociações globais: “As pessoas viram nessa mobilização popular a possibilidade de gritar mais alto, de gritar coletivamente perante o processo que está acontecendo no espaço oficial da COP30, de onde nós não podemos esperar as soluções que estão demorando demais.”
A declaração se encerra com um chamado internacionalista e organizativo: “Povos do mundo: Uni-vos.”
Confira abaixo a íntegra do documento.
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com agências




