Novembro Azul: urologista alerta sobre riscos silenciosos do câncer de próstata e afirma: “O preconceito vem até da classe médica”

No mês de novembro, a campanha de conscientização sobre a saúde do homem (Novembro Azul), especialmente, a do câncer de próstata, vai além do exame: entre o preconceito e o diagnóstico, há também um silêncio, que pode esconder uma gravidade.
De acordo com o Ministério da Saúde, na fase inicial, o tumor costuma não apresentar sintoma algum. Além disso, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 77.920 casos novos de câncer de próstata por ano no Brasil para cada ano do triênio 2026 a 2028, o que corresponde a um risco de 74,62 casos a cada 100 mil homens. É a doença mais incidente entre homens em todas as regiões do país.
Segundo a Rede D’Or (maior grupo hospitalar privado da América Latina), o câncer de próstata, em fase inicial, costuma não provocar sintoma nenhum. Por isso não se pode esperar por um sinal para começar a investigação e prevenção, pois a demora em procurar o urologista é justamente o que atrasa o diagnóstico.
No entanto, quando aparecem, as manifestações podem incluir:
Dificuldade para iniciar a micção ou jato urinário fraco e interrompido;
Vontade frequente de urinar (inclusive durante a noite);
Sensação de que a bexiga não está completamente vazia;
Presença de sangue na urina ou no sêmen;
Dor na região lombar, na bacia ou nos ossos;
Disfunção erétil de surgimento recente.
Para falar sobre o tema, o CadaMinuto ouviu o urologista Humberto Montoro, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (FAMED/UFAL) e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
De acordo com o especialista, é recomendado que todo homem procure uma avaliação, pois é uma doença silenciosa e é nessa fase que pode conseguir a cura.
“Quando o cancro vai dar sintomas, a doença em mais de 90%, ela está avançada, então é bom que todos os homens, depois dos 50 anos, façam uma avaliação. Porém, se tem histórico na família de câncer de próstata, se é um indivíduo da raça negra – que costuma ter um cancro mais agressivo – obeso, então ele deve começar a fazer essa avaliação aí em torno dos 40, 45 anos de idade. Essa é a recomendação da Sociedade Americana, Européia, Brasileira…”, disse.
Sobre as diferenças dos tipos de exames, PSA (exame de sangue) e toque retal, o médico afirmou que o PSA elevado não é cancro específico, mas ele funciona como marcador. Enquanto que, cerca de 20% dos tumores são sentidos pelo exame de toque. Assim, os dois são complementares para um diagnóstico.
Em relação à silenciosidade dos sintomas, Humberto Montoro explicou que não há nenhum sintoma na fase inicial, por esse motivo há um perigo oculto.
“Quando o cancro da próstata cresce, ele vai dar o sintoma de obstrução da próstata semelhante à principal doença da próstata que é a hiperplasia benigna da próstata, que é muito comum no envelhecimento. No passar dos anos, a doença vai estar avançada, então você não vai conseguir curar mais.
Por isso que o homem não deve esperar nenhum sintoma para fazer a prevenção. E a prevenção não é para o indivíduo não ter cancro, muitos imaginam que vai fazer o exame de prevenção para não ter cancro. Contudo, a prevenção é para identificar a doença no início”, comentou.
O especialista falou sobre o preconceito entre os homens, mas afirmou que, muitas vezes, são os próprios médicos que iniciam com ele.
“O preconceito vem até da própria classe médica. Porque na verdade o toque retal faz parte do exame físico dos homens acima dos 50 anos de idade; vai prevenir tanto o câncer de próstata quanto a prevenção do câncer de reto.
É um exame que dura alguns segundos, não é um exame doloroso, é um desconforto normal, mas o exame é super rápido. Porém existe o preconceito tanto do médico em fazer quanto do paciente. Aí acaba um desejando uma coisa e não fazendo o exame”, afirmou.
Ele também falou da importância de ter um acompanhamento com um terapeuta, para ter um suporte psicológico após a descoberta da doença.
“Qualquer indivíduo quando recebe um diagnóstico de um cancro, inicialmente pode ficar deprimido, mas tem de levantar a cabeça e dizer que isso não é o fim do mundo não. Hoje tem terapias em que você pode curar, por isso é importante identificar a doença no início”, analisou.
Por fim, o médico falou sobre a importância dos hábitos saudáveis, como uma boa alimentação e das atividades físicas.
“Em termos de alimentação, os bons hábitos alimentares nós sabemos que é muito importante; evitar o uso excessivo de gorduras animais. Tem um trabalho interessante mostrando que os japoneses têm uma incidência baixa de cancro de próstata comparado com o americano.
Os japoneses que imigraram para os Estados Unidos, depois de alguns anos, começaram a ter cancro de próstata semelhante ao americano, porque mudou a dieta deles. Já que antes comiam muito peixes e derivados de soja, então passaram a comer mais gordura e alimentos processados. Logo houve um aumento de cancro de próstata nesse grupo, diferente dos familiares que ficaram lá no Japão.
Então nós somos o que comemos. Tem de ter bons hábitos alimentares, atividade física… isso previne não só o câncer de próstata, mas outras doenças”, concluiu.
*Estagiário sob supervisão da editoria




