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Sexta, 24 Agosto 2018 19:34

REPENTISTAS

REPENTISTAS

24 agosto 2018


Repentistas Clerisvaldo Braga e Zé Almeida, na Matriz. (Foto: Arquivo do autor)

Repentista filosofando sobre seca no Piauí:

 

 

“Eu tava me sustentando

De fruta de macaúba

Mas o galho ficou alto

Eu não conheço quem suba

De vara ninguém alcança

De pedra ninguém derruba”.

 

Repentista, após receber bom dinheiro de prostituta, na feira:

 

“Muito obrigado dona

Pela paga verdadeira

Mal empregado esse nome

Que lhe dão, mulher solteira

Rapariga é essas pestes

Que andam lisas na feira”.

 

Repentista recebendo no prato dinheiro mínimo de um pobre:

 

“Parece que seu Joaquim

Passou a noite no mato

Com uma faca amolada

Tirando couro do rato

Deixou o rato sem couro

Botou o couro no prato”

 

Repentista Zé de Almeida em Paulo Afonso:

 

“Já cantei com Manoel

Agora canto com Jó

Um é cobra caninana

Outro é cobra de cipó

Eu no mei me defendendo

C’um taco de mororó”.

 

Repentista de ganzá, cego Zequinha Quelé, do sítio Travessão, pedindo dinheiro na feira: “Perdoe, ceguinho”.

 

A bacia do perdoe

Deixei lá no Travessão

Sou homem não sou menino

Todo ser é assassino

Só meu padre Ciço, não.

 

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.971

Heloísa. E com quem ela disputa a última vaga de federal

  
Foto: Correio do Seridó2873ffb7 33be 4d81 a48d c326b03d61e2Heloísa Helena (REDE)

Cerca de 160 mil votos, este é o coeficiente para eleger um deputado federal em Alagoas, entre os 77 candidatos às nove vagas, duas coligações se destacam e devem ser as responsáveis por “quase todas” as vagas alagoanas na Câmara Federal.

A coligação de Renan Filho tenta fazer cinco deputados, entre os nomes mais fortes estão; Marx Beltrão, Sérgio Toledo, Carimbão, Ronaldo Lessa, Isnaldo Bulhões Jr, Nivaldo Albuquerque e Paulão, já a chapa da oposição, tem a pespectiva de fazer três deputados, estes são os mais fortes na disputa;Arthur Lira, JHC, Fernando James, Severino Pessoa e Pedro Vilela.

A nona vaga será disputada pela “sobra” das coligações e por uma candidata que está fora delas, Heloísa Helena. A disputa não é fácil. Heloísa tem que se aproximar ao máximo do coeficiente para ter chances na disputa. Será que ela consegue?

Foto: Ascom PC/Arquivo07571924 ac91 492e b5a0 b85f8bf5e14cPC

Uma megaoperação realizada nesta sexta-feira, dia 24, pela Polícia Civil em Alagoas e outros 16 estados para combater o feminicídio e homicídio (tentados e consumados) prendeu 13 pessoas em nosso Estado. Até o início da tarde cerca de 643 pessoas foram presas em todo o país e 61 adolescentes foram apreendidos. Quase 5 mil policiais civis em todo o país cumprem mandados de prisão. Um novo balanço deverá ser divulgado ainda nesta sexta-feira.

O presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícias Civis, delegado Emerson Wendt, informou que mais de mil prisões devem ser feitas até o final do dia. “O que estamos fazendo hoje é um esforço concentrado no combate ao feminicídio.”

A Operação Cronos tem o apoio do Ministério da Segurança Pública e é coordenada pelo Conselho Nacional dos Chefes de Polícias Civis. A ação foi definida em julho, durante reunião com o ministro Raul Jungmann.

Segundo o ministro, essa megaoperação é o exemplo, na prática, do funcionamento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) com a integração das polícias com o Ministério Público e o Poder Judiciário que, neste caso, tem o objetivo de combater a violência, especialmente, o feminicídio e garantir as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

As investigações também contaram com o apoio da coleta de material genético que deve chegar a um banco de dados até o fim do próximo ano com 130 mil DNAs coletados. “Quando ocorrer um estupro, um feminicídio, é possível fazer a comparação do material genético encontrado na cena do crime com os DNAs”, disse Jungmann. “Dá velocidade, precisão, e permite a elucidação de crimes.”

O nome da operação, Cronos, é uma referência à supressão do tempo de vida da vítima, reduzido pelo autor do crime.

*Com Agência Brasil

 
 
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Nove candidaturas são contestadas pela Procuradoria Eleitoral

Ministério Público Eleitoral pede impugnação, em ação encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral, por diversos crimes

↑ Arthur Lira é um dos acionados pelo Ministério Público Eleitoral (Foto: Fotos Públicas)

O Ministério Público (MP) Eleitoral divulgou ontem (23), a lista dos nove candidatos  os quais pediu impugnação. Em oito dos casos, o órgão alega a Lei da Ficha da Limpa. As ações foram assinadas pela procuradora regional Eleitoral em Alagoas Raquel Teixeira.

“Os motivos são condenações em segunda instância e contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União [TCU]. O caso que diverge dos demais relaciona-se à suspensão de direitos políticos por condenação criminal transitada em julgado”, explica a assessoria de comunicação do MP Eleitoral.

A Justiça Eleitoral tem até o dia 17 de setembro para julgar todas as ações.

“Nas ações de impugnação, o MP Eleitoral pede o indeferimento em caráter definitivo do pedido de registro de candidatura dos nove candidatos. Pede também a notificação prévia para que eles possam se defender e, se necessário, lhes seja dada a oportunidade para produzir todos os meios de provas legais, especialmente a documental”, completa a assessoria de comunicação do MP Eleitoral.

Os noves candidatos, os cargos que disputam e os respectivos motivos para a impugnação do MP Eleitoral são: Pastor João Luiz (PRTB), candidato a deputado estadual, condenação por abuso de poder político e econômico, em ação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE); Dudu Holanda (PSD), candidato a deputado estadual, condenação criminal transitada em julgado e suspensão dos direitos políticos; Ronaldo Lessa (PDT), candidato a deputado federal, condenação criminal pela prática de calúnia eleitoral; Jorge da Sorte (PRTB), candidato a deputado estadual, condenação criminal pela prática de uso de documento falso para fins eleitorais; Arthur Lira (PP) e Paulão (PT), candidatos a deputado federal,  condenação por ato de improbidade administrativa; Cícero Almeida (PHS) e João Caldas (PSC), candidatos a deputado estadual, condenação por ato de improbidade administrativa; João Caldas (PSC); e Jairzinho Lira (PRTB), candidato a deputado estadual, contas desaprovadas pelo TCU.

CONTESTAÇÕES

Os candidatos impugnados pelo MP Eleitoral contestam as ações do órgão ministerial. Dos ouvidos pela Tribuna, todos alegam que as causas dos pedidos não se sustentam juridicamente.

A assessoria da campanha do Pastor João Luiz afirma que “a motivação do MP Eleitoral para pedir a impugnação de sua candidatura não deve se sustentar, porque recurso contestatório da alegada condenação encontra-se para ser julgado no TSE, o qual o candidato tem total confiança de que a justiça será feita e a sentença que o condenou revogada”. Ele foi condenado por ter se beneficiado da condição de presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular em Alagoas em 2014.

Já o deputado Jairzinho Lira, que tenta a reeleição, disse à reportagem que o processo de suas contas no TCU ainda está em andamento. Ele teve as contas de sua passagem pela Prefeitura de Lagoa da Canoa rejeitadas pelo TCU em 2015.

Ações citam operação, calúnia e até agressão

Outros candidatos que constam na ação de impugnação do Ministério Público Eleitoral também foram contatados pela reportagem da Tribuna Independente. O deputado federal Arthur Lira, através de seu advogado, Fábio Ferrário, destaca uma decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), em abril deste ano, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após recurso do Ministério Público Estadual (MPE), em maio. Ambas as decisões também beneficiaram Cícero Almeida e Paulão. Os três foram condenados em segunda instância num dos processos da Operação Taturana.

“Então, não existem efeitos de improbidade a repercutir no processo eleitoral. Inclusive alguns deputados seguiram esse caminho, a exemplo do Paulão, conseguindo no STJ o mesmo efeito. Creio que a Procuradoria [Eleitoral] não atentou a esse fato. Além disso, o Arthur sequer foi citado no processo, o que o torna nulo”, diz o advogado.

Fábio Ferrário também representa o deputado estadual Dudu Hollanda, condenado por agressão ao – à época – vereador Paulo Corintho. “O caso dele [Dudu Hollanda] não há trânsito em julgado. Havia uma nulidade do processo que foi reconhecida. Ele nunca foi igualmente intimado de decisão condenatória e isso é obrigatório. Por isso, sua candidatura é deferida”, afirma o advogado.

OS CASOS

Ronaldo Lessa foi condenado por calúnia eleitoral após afirmar em entrevista que o principal suspeito de arrombamento à sede do PDT em Alagoas – em 2010 – ser o então governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). O Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou o caso pelo fato de Ronaldo Lessa ser deputado federal em 2015, manteve a decisão da Justiça Eleitoral do Estado.

Já João Caldas, pai do deputado federal JHC (PSB), foi condenado em 2016 pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) por participação no esquema conhecido como “Máfia das Sanguessugas”.

Jorge da Sorte foi condenado por falsificação de documento para fins eleitorais para o pleito de 2012. O caso foi parar no STF que, em 2015, negou recurso de decisão do TRE que o considerou culpado das acusações.

A reportagem contatou Cícero Almeida, Ronaldo Lessa, João Caldas, Paulão e Jorge da Sorte, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

Pesquisador de nova droga contra amputações e FioCruz chegam a Alagoas

Tribuna conversa com médico cubano José Esteban Saurí Chávez

↑ Médico cubano Saurí Chávez com parte da equipe alagoana que pesquisa e é responsável por fazer as aplicações da nova droga que deve revolucionar tratamento do diabetes (Foto: Sandro Lima)

Alagoas foi o primeiro Estado do país a receber, esta semana, o médico com experiência vivenciada em Cuba e outros países que traz uma boa nova para a área da medicina, especialmente para deter os estragos no corpo causados por um inimigo silencioso e avassalador: o diabetes.

Como a Tribuna Independente antecipou, com exclusividade, semana passada, Alagoas já detém o fármaco (remédio) que promete revolucionar a medicina no que pertine ao tratamento de diabéticos.  A droga —  chamada de “Fator de Crescimento Epidérmico Recombinante (FCEhr)” —   vem sendo testada para evitar o grande número de amputações no Estado, apontado em estatísticas recentes do DataSUS com um dos líderes em mutilações dos membros inferiores no Brasil, causadas pelas lesões de úlceras em pés diabéticos.

Pelos dados mais recentes do DataSUS, em 2015, Alagoas, Piauí e Sergipe lideram esse ranking dos que mais amputam per capita. Noventa por cento das amputações maiores e menores são decorrentes do diabetes.

Uma das boas notícias em relação a essa droga é que ela já vem sendo usada em mais de 20 países com resultados considerados pela comunidade médica  como “muito satisfatória”. No Brasil, porém, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige para sua liberação no país que o número de pessoas testadas com o produto seja maior do que os outros países, o que vem ocorrendo atualmente em 11 Estados, além de Alagoas.

Também com exclusividade, esta semana, a Tribuna Independenteconversou com  José Esteban Saurí Chávez — médico do  Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia do Instituto de Pesquisa de Havana, em Cuba, e um dos participantes pioneiros da pesquisa de eficácia e segurança da droga — que veio a Maceió acompanhar o ensaio clínico junto à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e à equipe multidisciplinar do Hospital Arthur Ramos, responsável pelo desenvolvimento da pesquisa no Estado.

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Em torno de 10% da população mundial acima de 19 anos de idade são portadores de diabetes” – José Esteban Saurí Chávez, médico e pesquisador desde o início dos estudos e aplicações da droga em Cuba e outros 20 países

“Um fator importante para que a gente afirme com segurança é que este remédio já está registrado em 20 países e testado em mais de 140 mil pacientes com resultados satisfatórios”, revela Chávez. E uma constatação ainda mais importante, completa o médico cubano.

Ao mesmo tempo em que traz esperanças aos que contraíram a doença, Chávez faz um alerta. Ele afirma que em torno de 10% da população mundial acima de 19 anos de idade são portadores de diabetes. “Temos nesses dados um  problema de saúde pública mundial”, revela.

Entre os benefícios do remédio apontados por Chávez estão o restabelecimento da condução nervosa motora, a atenuação e prevenção de alterações e degenerações nos membros atingidos e prevenção do aparecimento de úlceras plantares (pés) e necrose nos dedos.

“O percentual de aproveitamento terapêutico está entre 70 a 75% entre todos os pacientes submetidos ao tratamento com o fármaco, o que nos mostra um alto nível de resolutividade”, criva Chávez.

FioCruz destaca trabalho e estrutura de equipe alagoana nas pesquisas

O Estado também recebeu esta semana a médica Rosane Will, coordenadora da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), vinculada ao Ministério da Saúde e a mais destacada instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina.

Acompanhada do médico cubano José Esteban Saurí Chávez, Rosane veio fazer a chamada pesquisa clínica de supervisionamento do processo de capacitação da equipe multidisciplinar de Alagoas para o uso do medicamento. No Nordeste, os dois médicos seguem ainda para supervisionar os teste em Pernambuco e Paraíba.

A FioCruz será responsável após todo o processo de pesquisa e aprovação dos testes por distribuir no Brasil a droga por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos).

De acordo com a especialista, cerca de 300 participantes em todo país divididos em 12 centros irão colaborar com este estudo, cujo objetivo é avaliar a resposta dos pacientes brasileiros com diabetes e úlcera nos membros inferiores, caracterizando o quadro de pé diabético, ao medicamento cubano Heberprot-P.

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Representante da FioCruz, médica Rosane Will supervisionou os trabalhos esta semana em Maceió (Foto: Sandro Lima)

“Alagoas é um dos primeiros estados a receber esse supervisionamento e é importante a presença do doutor Chávez, que participou da experiência em Cuba e outros países, para balizar e fazer os ajustes necessários para que a gente possa ter um padrão único  no tratamento e aplicação com esta droga aqui no Brasil”, ressaltou Rosane, ao elogiar a organização dos trabalhos e estudos feitos pela equipe alagoana multidisciplinar que conta com médicos, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas e outros profissionais envolvidos no estudo e aplicação da droga cubana.

“Pela excelente organização do trabalho  e estrutura da equipe no estudo clínico, possivelmente teremos um paciente alagoano a ser incluído como primeiro do País a entrar no processo”, revela Rosane.

“É o início de um processo no sentido de melhorar bastante a qualidade de vida dos diabéticos e aqueles que têm úlceras no pé diabético. Importante frisar que esse produto cubano em sendo aprovado a Bio-Manguinhos (da FioCruz) irá distribuir o medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para que todas as pessoas tenham acesso ao produto”, completa Rosane.

Para o médico angiologista Guilherme Pitta, o angiologista e cirurgião vascular Guilherme Pitta — que coordena a equipe multidisciplinar do Hospital Arthur Ramos há mais de ano com pesquisas sobre pé diabético —  a presença de um dos médicos cubanos que participaram do princípio do estudo do fármaco e da Fiocruz representa prestígio ao Estado de Alagoas e apoio incondicional ao trabalho multidisciplinar e aos estudos realizados. “Isso é motivo de muita comemoração para os profissionais alagoanos envolvidos neste trabalho”, destaca Pitta.

Estado já selecionou dois pacientes para realização de testes

Com a presença do médico cubano Jose Esteban Saurí Chávez e da representante da FioCruz em Alagoas, Rosane Will, esta semana, a equipe multidisciplinar do Hospital Memorial Arthur Ramos aprovou ainda a inclusão do segundo paciente aprovado para os testes com o remédio. A pedido da equipe que coordena a pesquisa e por determinação da FioCruz,  a Tribuna Independente não pôde divulgar o nome nem a imagem dos pacientes voluntários selecionados para se submeter aos testes em Alagoas com a droga cubana.

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Cirurgião vascular Guilherme Pitta afirmou que “receber essas visitas foi prestígio para Alagoas” (Foto: Sandro Lima)

Envolvida na pesquisa do pé diabético em Alagoas está uma equipe multidisciplinar liderada pelo médico Guilherme Pitta, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros e por enquanto dois pacientes diabéticos selecionados com úlceras nos pés.

Hospital alagoano é referência no estudo de pés diabéticos

O Hospital Memorial Arthur Ramos integra um grupo seleto de 12 centros nacionais escolhidos pela FioCruz para participar da pesquisa “Avaliação da eficácia e segurança do Fator de Crescimento Epidérmico Recombinante” (FCEhr) intralesional em participantes com úlcera de pé diabético no Brasil”.

“Esta é uma pesquisa multicêntrica nacional acerca de um medicamento que pode revolucionar a assistência ao paciente portador de úlcera de pé diabético. É um estudo de extrema importância, pois trata-se de uma droga inovadora que permite cicatrizar a úlcera plantar, uma das principais causas de amputação maiores e menores em pacientes diabéticos”, ressalta o médico Guilherme Pitta, que além de coordenar a equipe multidisciplinar dos estudos sobre pés diabéticos, é cirurgião vascular e endovascular do Arthur Ramos.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Wellington Santos

Ifal oferece mais de 80 vagas para professores atuarem em cursos a distância

Inscrições podem ser feitas entre os dias 28 e 31 de agosto. Remuneração será feita por horas trabalhadas.

↑ Ifal Maceió (Foto: Divulgação)

O Instituto Federal de Alagoas (Ifal) lançou um edital para selecionar professores e tutores para atuarem em cursos a distância oferecidos pela instituição. As inscrições devem ser feitas entre os dias 28 e 31 de agosto.

Estão sendo disponibilizadas 81 vagas para contratação, mais 139 para cadastro reserva. Para o professor formador a remuneração por hora é de R$ 27. Já para os mediadores, a hora trabalhada é de R$ 13.

Para se inscrever, os candidatos devem possuir o diploma de graduação na área desejada e experiência miníma de um ano de magistério.

As vagas oferecidas são para disciplinas nas áreas de:

  • Administração
  • Análise e Desenvolvimento de Sistemas
  • Arquitetura
  • Banco de dados
  • Biblioteconomia
  • Ciências Biológicas
  • Ciências da Computação
  • Ciências Contábeis
  • Construção de Edifícios
  • Direito
  • Economia
  • Educação Artística
  • Educação Física
  • Enfermagem
  • Engenharia Civil
  • Engenharia de Alimentos
  • Engenharia Sanitária e Ambiental
  • Gastronomia
  • Geografia
  • História
  • Hotelaria
  • Letras – Espanhol
  • Letras – Inglês
  • Matemática
  • Nutrição
  • Pedagogia
  • Psicologia
  • Redes de Computadores
  • Segurança da Informação
  • Segurança no Trabalho
  • Sistemas de Informação
  • Tecnologia de Alimentos
  • Turismo

A seleção será composta por análise de titulações. O resultado final estará disponível a partir do dia 24 de setembro.

Fonte: Assessoria

Terça, 21 Agosto 2018 22:03

A Máquina

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Máquina

 

 
 
 
 
 
 
 
 
Teve um tempo, lá atrás. Muitos dias já se passaram desde então. À rua da casa da minha vó, matuto passava pra lá, e pra cá. Jegue tombando carga gigante de capim. Mulher equilibrando pote d’água na cabeça, ia e vinha. De repente um enorme carro preto parou a porta. Desceram homens de paletó e gravata, óculos escuros, em rostos carrancudos. Brutamontes, comparados aquele povo franzino e feio do sertão. Queriam saber da história de uma máquina de costura, que pertencia a minha vó. Com a paciência de Jó, convidou os homens a entrar. Ofereceu bancos pra que se abancassem. Serviu-lhes café.
 
A casa da vó paterna, a neta mais nova a achava bonita. Dizia que se tivesse que morar ali, não mudaria nada. De certo que estava muito velha. No entanto, achava que não mudaria muita coisa. O piso com sua estampa variada de cerâmica. Um tipo para cada cômodo, também os corredores. O pai esclarecia. Não se tratava de cerâmica, mas de mosaicos de alvenaria, grossos, antigos. Assentados sem espaços entre eles. As paredes de reboco irregular dividiam os cômodos, subiam sem alcançar o teto. A servir de apoio pras traves que sustinham os caibros e ripas. O sagrado coração de Jesus, inflamado dentro do peito de Cristo, pendido dum cordão marrom. Em moldura ovulada, a gravura já bem desbotada. O tanto de orações que subira por aquelas paredes, a se perder nos tempos. Quantas teriam alcançado o céu? Quanto de olhos pios volvera aos céus. Alguns em dias azulados, outros anuviados. Quantos medos atravessaram aqueles portões, de madeira velha, de trancas inseguras. Telhados altos, de telhas quadradas, um dia já foram ainda mais velhas, bem mais gastas que aquelas. Gatos quebravam o silêncio ao passar sobre a folha de zinco. Preferia pensar que realmente fossem eles, andando sobre a bica. Na escuridão da alma, de outras noites ainda mais frias.
 
Olhando assim, parecia uma máquina comum. Como diria Thomas, só que não, né vô?  Minha vó então iniciou sua história. Esta casa guarda segredos que só Deus conhece, de onde vem, pra onde vai. Aconteceram coisas por aqui seu moço. Coisas com essa máquina de costura, que correu o mundo. Vou contar. Uma vez estávamos todos na calçada, era uma bonita noite de lua nova, dum mês de agosto como este. Havia chegado a vizinhança um povo de Pernambuco. Eram como ciganos. Dentre eles tinham um tipo que não merecia confiança. E deu pra sumir uns objetos daqui de dentro de casa. Primeiro desapareceu um relógio de pulso, de Tomaz meu marido. Passou-se um bom tempo. Daí foi a vez duma corrente banhada a ouro, que ganhei no dia do meu casamento. Eu guardava uns trocados dentro de uma lata vazia de biscoitos de manteiga. A porta dos fundos, tenho a mania de deixar aberta. De repente, de lá da calçada, ouvimos um forte grito, bem aqui dentro da cozinha. Tomaz e outros amigos que estavam com a gente correu pra cá, pra ver o que era.
 
A cozinha da casa da vó paterna, tinha uma área verde. Na verdade uma adaptação que tomou metade do espaço. Assentada estrategicamente onde antes havia um balcão de muitas portinholas. Guarnecido de prateleiras também cheias de portinhas enxadrezadas. Uma parafernália de apetrechos de culinária tomava toda a bancada. Tigelas de vários tamanhos, terrinas, travessas, compoteiras, paliteiros, portas-guardanapos, bandejas, xícaras, talheres, copos, bules de café, jarras de leite, açucareiros, e pratos de porcelana. Tudo decorado com muito esmero. Um souvenir mexicano que servia pra coçar as costas, como uma pata de macaco. ali era intrusa. Teve um tempo que estava muito feio, àquele recanto verde. Agora tinha plantas vistosas e bem cuidadas. Pedras redondas chamadas de corisco, subiam até o alto iam ao encontro de vigas de concreto que evocavam cadeias. Trazendo ancestrais do tempo colonial que chegaram de navios. E desejaram ardentemente sobreviver, e outras vez pisar  terra firme. O céu, somente ele trazia a liberdade Pra dentro dos corações aflitos. Acalmando o espírito que dá vida a casa.
 
Vô, Deus tem asas? Creio que sim. Deve ser das bem grandes né vô? Deus come? Deus come o quê? Pão. A mãe falou que pão engorda. Deus não é gordo. Mas, é só se comer muito. Não, Deus não é guloso como o vovô, ele come pouco. Desisti de fazer a história em quadrinhos. Vou escrever histórias com palavras mesmo. Contar sobre homens que conseguem desaparecer. E aparecer de novo, onde e quando quiserem. E se quiser conseguem voar também. Para sumir eles precisam entrar numa máquina, vô. Isso, me fez lembrar, dum filme que assisti, faz muito tempo. A história se passava no final do século trasado. Contava a história de um homem e uma máquina que era uma espécie de trenó. Uma máquina de viajar no tempo. Dotada de uma cadeira, onde o único tripulante se assentava, sobre sua cabeça ficava uma espécie de sobrinha, e num painel de controle umas manivelas e mostradores onde apareciam números, que indicavam o ano a qual o navegante pretendia viajar no tempo. Ao acionar os mecanismos, a sobrinha girava freneticamente. E o piloto era levado pro passado, ou pro futuro.
 
Então Tomaz, e os amigos, ao chegarem aqui na cozinha, se depararam com uma cena de arrepiar.  Eu e algumas amigas chegamos logo atrás, a tempo de ver também. Esta máquina de costura que vocês estão vendo aqui, como que tomada de vida própria funcionava sozinha. E com força costurava a mão do ladrão que se esvaía em sangue. Era inacreditável, até pra quem via, imagine pra quem apenas ouve contar. A máquina de costura como que agia contra o homem prendendo sua mão. Até que chegasse alguém pra descobrir sua má ação. Se vocês me perguntarem de onde vinha aquilo. Sou sincera a dizer que não sei. Talvez seja preciso voltar mais no tempo. Eu porém, preciso saber qual o interesse de vocês, pela história desta máquina de costura.
 
A menina dos olhos azuis, dos cabelos galegos, não era bonita. Tinha rosto triste. Rosto ossudo, sofrido. Um que de rebeldia  havia naquele olhar. Tinha tantos irmãos que já perdera a conta. Um dia se enfezou com tanto sofrimento, resolveu ir morar com uma das irmãs mais velha. Uma que vivia com um homem que era metido a vaqueiro. Um tipo boçal que andava de vaquejada em vaquejada. Só pra sair de casa fez isso a menina. O companheiro da irmã tentou, em surdina, abusar dela. E sempre se esquivava. Tinha medo que a irmã pensasse que fosse ela a culpada. Procurou uns meios de fazer dinheiro. Resolveu plantar hortaliças detrás de casa. E vendia macaxeira, de porta em porta. Num carrinho de mão com a ajuda de um irmão mais novo. Vendia milho assado ao lado da bomba de gasolina. As roupas, ia lavar no riacho do bode. Feito criança que ainda era, brincava a tarde inteira. Outras meninas da sua idade, tinha vergonha de vender na feira, ou de porta em porta. O vaqueiro, um dia alcançaria seu intento, a obrigou fazer sexo com ele. Se não fizesse não teria mais direito de morar com eles. Pra piorar obrigava-a a dividir com ele o dinheiro que arrumasse com as vendas das hortaliças. Não demoraria a engravidar.
 
Os homens de paletó preto, que foram à casa de minha vó investigar a história da máquina de costura, eram do serviço de investigações científicas do governo. Eles receberam da Nasa, a missão de descobrir no sertão nordestino no Brasil, um fenômeno que estaria afetando todo tipo de maquinário. Fosse manual, a motor, a tração animal. Talvez uma força vinda de um campo magnético do subsolo para a atmosfera, que precisava ser localizado. Um campo de energia cósmica. Minha vó jamais ficou sabendo dessa história, soubera apenas que aqueles homens eram do governo. Sem sucesso os homens tentaram levar a máquina.
 
O vaqueiro não entendia o que lhe acontecia.  Estava perdido de amor. Perdera interesse por mulher dama, também por mulher senhora. E mesmo pela mulher que lhe servia. O coração, só, palpitava pela menina. A galega dos olhos azuis. Uma frangota de pouca beleza física. Puramente selvagem. A menina dos olhos azuis, teve um bebê. Um rebento varão cujo pai, era o caubói. O homão de quase dois metros de músculos e força, sucumbido a alguns quilos de loira paixão. Alguém que era pra ser só dele. Precisando de doma ainda. Um dia a menina chegou da cidade, na garupa dum motoqueiro. Ao ver a cena, o vaqueiro ficou possesso. O cuidador de gado tinha uma máquina, a invenção de Samuel Colt tinha uma guardada. Um protótipo invento do cão pra fazer buraco em gente. Misturado com álcool e marijuana, o sangue subiu-lhe a cabeça. Com a máquina satânica de Colt fez cinco buracos na galega. Nem sequer ouvia os estampidos. Como num filme de faroeste, que estivesse com problema de som, A queda em câmara lenta. Muito perturbador foi ver o pequeno no berço. Dormia inocente sono de anjo. O resto de sua vida, esperaria a mãe que nunca mais viria lhe dar de mamar. O boiadeiro selou o cavalo, doidamente. Tinha um plano urgente a executar. Parado, de pé na estrada encontrou um homem negro, chapéu preto, paletó preto, óculos escuros, luvas de couro. Sorriu, pondo a ver os dentes de ouro. Disse ao vaqueiro, só uma coisa havia a fazer. Que fizesse rápido. Cavalgou indiscriminadamente, até chegar a frondoso pé de cajarana. A beira do riacho do Bode. Um laço de corda alcançou um braço da árvore. Passou pelo pescoço, enxotou o animal com as esporas. Ficou pendurado, balançou, até ficar imóvel. Para sempre. 
 
Os vizinhos da minha vó. Depois do ocorrido voltaram pra Pernambuco. Pra região do Caetés, de onde vieram. O caboclo, consigo levaria, sequela pro resto da vida. O dedo mínimo da destra, decepado pela máquina de costura. A despeito do destino, aquilo tornar-se-ia um mal de família.

Ilustração feita por Aika Vieira Melo, de 6 anos de idade, neta do autor.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A Máquina

 

 
 
 
 
 
 
 
 
Teve um tempo, lá atrás. Muitos dias já se passaram desde então. À rua da casa da minha vó, matuto passava pra lá, e pra cá. Jegue tombando carga gigante de capim. Mulher equilibrando pote d’água na cabeça, ia e vinha. De repente um enorme carro preto parou a porta. Desceram homens de paletó e gravata, óculos escuros, em rostos carrancudos. Brutamontes, comparados aquele povo franzino e feio do sertão. Queriam saber da história de uma máquina de costura, que pertencia a minha vó. Com a paciência de Jó, convidou os homens a entrar. Ofereceu bancos pra que se abancassem. Serviu-lhes café.
 
A casa da vó paterna, a neta mais nova a achava bonita. Dizia que se tivesse que morar ali, não mudaria nada. De certo que estava muito velha. No entanto, achava que não mudaria muita coisa. O piso com sua estampa variada de cerâmica. Um tipo para cada cômodo, também os corredores. O pai esclarecia. Não se tratava de cerâmica, mas de mosaicos de alvenaria, grossos, antigos. Assentados sem espaços entre eles. As paredes de reboco irregular dividiam os cômodos, subiam sem alcançar o teto. A servir de apoio pras traves que sustinham os caibros e ripas. O sagrado coração de Jesus, inflamado dentro do peito de Cristo, pendido dum cordão marrom. Em moldura ovulada, a gravura já bem desbotada. O tanto de orações que subira por aquelas paredes, a se perder nos tempos. Quantas teriam alcançado o céu? Quanto de olhos pios volvera aos céus. Alguns em dias azulados, outros anuviados. Quantos medos atravessaram aqueles portões, de madeira velha, de trancas inseguras. Telhados altos, de telhas quadradas, um dia já foram ainda mais velhas, bem mais gastas que aquelas. Gatos quebravam o silêncio ao passar sobre a folha de zinco. Preferia pensar que realmente fossem eles, andando sobre a bica. Na escuridão da alma, de outras noites ainda mais frias.
 
Olhando assim, parecia uma máquina comum. Como diria Thomas, só que não, né vô?  Minha vó então iniciou sua história. Esta casa guarda segredos que só Deus conhece, de onde vem, pra onde vai. Aconteceram coisas por aqui seu moço. Coisas com essa máquina de costura, que correu o mundo. Vou contar. Uma vez estávamos todos na calçada, era uma bonita noite de lua nova, dum mês de agosto como este. Havia chegado a vizinhança um povo de Pernambuco. Eram como ciganos. Dentre eles tinham um tipo que não merecia confiança. E deu pra sumir uns objetos daqui de dentro de casa. Primeiro desapareceu um relógio de pulso, de Tomaz meu marido. Passou-se um bom tempo. Daí foi a vez duma corrente banhada a ouro, que ganhei no dia do meu casamento. Eu guardava uns trocados dentro de uma lata vazia de biscoitos de manteiga. A porta dos fundos, tenho a mania de deixar aberta. De repente, de lá da calçada, ouvimos um forte grito, bem aqui dentro da cozinha. Tomaz e outros amigos que estavam com a gente correu pra cá, pra ver o que era.
 
A cozinha da casa da vó paterna, tinha uma área verde. Na verdade uma adaptação que tomou metade do espaço. Assentada estrategicamente onde antes havia um balcão de muitas portinholas. Guarnecido de prateleiras também cheias de portinhas enxadrezadas. Uma parafernália de apetrechos de culinária tomava toda a bancada. Tigelas de vários tamanhos, terrinas, travessas, compoteiras, paliteiros, portas-guardanapos, bandejas, xícaras, talheres, copos, bules de café, jarras de leite, açucareiros, e pratos de porcelana. Tudo decorado com muito esmero. Um souvenir mexicano que servia pra coçar as costas, como uma pata de macaco. ali era intrusa. Teve um tempo que estava muito feio, àquele recanto verde. Agora tinha plantas vistosas e bem cuidadas. Pedras redondas chamadas de corisco, subiam até o alto iam ao encontro de vigas de concreto que evocavam cadeias. Trazendo ancestrais do tempo colonial que chegaram de navios. E desejaram ardentemente sobreviver, e outras vez pisar  terra firme. O céu, somente ele trazia a liberdade Pra dentro dos corações aflitos. Acalmando o espírito que dá vida a casa.
 
Vô, Deus tem asas? Creio que sim. Deve ser das bem grandes né vô? Deus come? Deus come o quê? Pão. A mãe falou que pão engorda. Deus não é gordo. Mas, é só se comer muito. Não, Deus não é guloso como o vovô, ele come pouco. Desisti de fazer a história em quadrinhos. Vou escrever histórias com palavras mesmo. Contar sobre homens que conseguem desaparecer. E aparecer de novo, onde e quando quiserem. E se quiser conseguem voar também. Para sumir eles precisam entrar numa máquina, vô. Isso, me fez lembrar, dum filme que assisti, faz muito tempo. A história se passava no final do século trasado. Contava a história de um homem e uma máquina que era uma espécie de trenó. Uma máquina de viajar no tempo. Dotada de uma cadeira, onde o único tripulante se assentava, sobre sua cabeça ficava uma espécie de sobrinha, e num painel de controle umas manivelas e mostradores onde apareciam números, que indicavam o ano a qual o navegante pretendia viajar no tempo. Ao acionar os mecanismos, a sobrinha girava freneticamente. E o piloto era levado pro passado, ou pro futuro.
 
Então Tomaz, e os amigos, ao chegarem aqui na cozinha, se depararam com uma cena de arrepiar.  Eu e algumas amigas chegamos logo atrás, a tempo de ver também. Esta máquina de costura que vocês estão vendo aqui, como que tomada de vida própria funcionava sozinha. E com força costurava a mão do ladrão que se esvaía em sangue. Era inacreditável, até pra quem via, imagine pra quem apenas ouve contar. A máquina de costura como que agia contra o homem prendendo sua mão. Até que chegasse alguém pra descobrir sua má ação. Se vocês me perguntarem de onde vinha aquilo. Sou sincera a dizer que não sei. Talvez seja preciso voltar mais no tempo. Eu porém, preciso saber qual o interesse de vocês, pela história desta máquina de costura.
 
A menina dos olhos azuis, dos cabelos galegos, não era bonita. Tinha rosto triste. Rosto ossudo, sofrido. Um que de rebeldia  havia naquele olhar. Tinha tantos irmãos que já perdera a conta. Um dia se enfezou com tanto sofrimento, resolveu ir morar com uma das irmãs mais velha. Uma que vivia com um homem que era metido a vaqueiro. Um tipo boçal que andava de vaquejada em vaquejada. Só pra sair de casa fez isso a menina. O companheiro da irmã tentou, em surdina, abusar dela. E sempre se esquivava. Tinha medo que a irmã pensasse que fosse ela a culpada. Procurou uns meios de fazer dinheiro. Resolveu plantar hortaliças detrás de casa. E vendia macaxeira, de porta em porta. Num carrinho de mão com a ajuda de um irmão mais novo. Vendia milho assado ao lado da bomba de gasolina. As roupas, ia lavar no riacho do bode. Feito criança que ainda era, brincava a tarde inteira. Outras meninas da sua idade, tinha vergonha de vender na feira, ou de porta em porta. O vaqueiro, um dia alcançaria seu intento, a obrigou fazer sexo com ele. Se não fizesse não teria mais direito de morar com eles. Pra piorar obrigava-a a dividir com ele o dinheiro que arrumasse com as vendas das hortaliças. Não demoraria a engravidar.
 
Os homens de paletó preto, que foram à casa de minha vó investigar a história da máquina de costura, eram do serviço de investigações científicas do governo. Eles receberam da Nasa, a missão de descobrir no sertão nordestino no Brasil, um fenômeno que estaria afetando todo tipo de maquinário. Fosse manual, a motor, a tração animal. Talvez uma força vinda de um campo magnético do subsolo para a atmosfera, que precisava ser localizado. Um campo de energia cósmica. Minha vó jamais ficou sabendo dessa história, soubera apenas que aqueles homens eram do governo. Sem sucesso os homens tentaram levar a máquina.
 
O vaqueiro não entendia o que lhe acontecia.  Estava perdido de amor. Perdera interesse por mulher dama, também por mulher senhora. E mesmo pela mulher que lhe servia. O coração, só, palpitava pela menina. A galega dos olhos azuis. Uma frangota de pouca beleza física. Puramente selvagem. A menina dos olhos azuis, teve um bebê. Um rebento varão cujo pai, era o caubói. O homão de quase dois metros de músculos e força, sucumbido a alguns quilos de loira paixão. Alguém que era pra ser só dele. Precisando de doma ainda. Um dia a menina chegou da cidade, na garupa dum motoqueiro. Ao ver a cena, o vaqueiro ficou possesso. O cuidador de gado tinha uma máquina, a invenção de Samuel Colt tinha uma guardada. Um protótipo invento do cão pra fazer buraco em gente. Misturado com álcool e marijuana, o sangue subiu-lhe a cabeça. Com a máquina satânica de Colt fez cinco buracos na galega. Nem sequer ouvia os estampidos. Como num filme de faroeste, que estivesse com problema de som, A queda em câmara lenta. Muito perturbador foi ver o pequeno no berço. Dormia inocente sono de anjo. O resto de sua vida, esperaria a mãe que nunca mais viria lhe dar de mamar. O boiadeiro selou o cavalo, doidamente. Tinha um plano urgente a executar. Parado, de pé na estrada encontrou um homem negro, chapéu preto, paletó preto, óculos escuros, luvas de couro. Sorriu, pondo a ver os dentes de ouro. Disse ao vaqueiro, só uma coisa havia a fazer. Que fizesse rápido. Cavalgou indiscriminadamente, até chegar a frondoso pé de cajarana. A beira do riacho do Bode. Um laço de corda alcançou um braço da árvore. Passou pelo pescoço, enxotou o animal com as esporas. Ficou pendurado, balançou, até ficar imóvel. Para sempre. 
 
Os vizinhos da minha vó. Depois do ocorrido voltaram pra Pernambuco. Pra região do Caetés, de onde vieram. O caboclo, consigo levaria, sequela pro resto da vida. O dedo mínimo da destra, decepado pela máquina de costura. A despeito do destino, aquilo tornar-se-ia um mal de família.

Ilustração feita por Aika Vieira Melo, de 6 anos de idade, neta do autor.
 

Prefeitura de Santana realizou 731 exames de mamografias entre os dias 9 e 18

SAÚDE

Por Ascom Santana do Ipanema  0

 

A Prefeitura de Santana do Ipanema, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Unidade Móvel de Mamografia Digital realizou 731 exames de mamografia em mulheres santanenses.

A carreta Amigo do Peito ficou instalada ao lado do Tênis Clube Santanense entre os dias 9 e 18. Em ação conjunta, uma equipe da SMS realizou 3.060 testes rápidos de HIV, Sífilis e Hepatite A/B, e ainda aplicou 121 vacinas contra Hepatite B e Tétano.

A continuidade dos trabalhos de prevenção ao Câncer de Mama no município aconteceu pela segunda vez em 3 meses. Em maio deste ano, a unidade móvel realizou 463 atendimentos e marcou a volta dos exames no município depois de 4 anos.

Nas duas ações, ao todo 1.194 mulheres com faixa etária acima de 35 anos foram atendidas de forma gratuita. 

"Estamos trabalhando e cuidando da saúde para as mulheres se sentirem mais prevenidas. Me dá um orgulho danado de ver o resultado deste trabalho", comentou o prefeito Isnaldo Bulhões.

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A jovem Jeane Rodrigues, 33 anos, moradora do município de Olivença, Sertão de Alagoas, está a espera de um transplante de córnea. Portadora da Ceratocone, uma doença ocular não inflamatória, bilateral e progressiva do olho, que afeta o formato e a espessura corneana, provocando a percepção de imagens distorcidas e embaçadas.A principal causa de transplante de córnea no Brasil.

O portal Minuto Sertão tem acompanhado o problema de Jeane, em Junho deste ano, divulgou uma matéria relatando a luta da jovem e a busca por ajuda. Diante da repercussão da matéria: Jovem de Olivença com grave problema de visão necessita de ajuda para realizar transplante que custa R$ 20 mil

Após a repercussão da matéria nas redes sociais, surgiu uma ajuda de fundamental importante para Jeane. O secretário de assistente social do município de Minador do Negrão: Gileno, ao obter conhecimento do problema dela, através de uma prima chamada: Sofia, que reside em Major Izidoro e teria mostrado a ele a matéria publicada no site, Gileno entrou em contato com Jeane e marcou no Estado de São Paulo uma cirúrgia de transplante de córnea pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ela. Em Alagoas esse tipo de cirúrgia não é realizada.

Atualmente Jeane é a 2000° na lista de espera para a cirúrgia de transplante em um Hospital ''Banco de Olhos'' da cidade de Sorocaba, em São Paulo, em menos de 30 dias 1000 pessoas tem sido atendidas. A previsão é de que em dois meses ela seja chamada, enquanto espera ser chamada, Jeane, se prepara para sua ida, porém a jovem vive um dilema, o de não ter condições financeiras para realizar os exames que serão necessários e que o SUS não cobre e além das despezas com as passagens e estadia em SP. Ela necessita conseguir pelo menos R$ 8 mil reais.

Diante desse dilema a jovem conta com a ajuda das pessoas que puderem colaborar com qualquer quantia. Quem puder colaborar, basta doar qualquer valor para a seguinte conta bancária:

Agência: 0712

Tipo de conta: 013

Número da conta: 00075389-3

Jeane Rodrigues Lima

 

Reprodução/ Tv GloboF7ea89a4 08df 4f1e ae5e 90bb71334138

Mais de um terço dos municípios de Alagoas está em emergência por causa da seca. Isso significa que não há água nem para o consumo básico nas casas de duzentas mil pessoas.

Açúdes sem água, chão rachado e vegetação sem cor. Esse é o retrato da seca em Alagoas que está com 38 dos 102 municípios em situação de emergência.

Para ter um pouco de água, o agricultor Izamar Derto gasta seis horas do seu dia em um carro de boi. “É pro gado, pro gasto, é pra tudo. Pra tudo, tudo mesmo”, diz.

Dentro de casa para lavar a louça a água é contada. “Fica difícil, muito difícil. Até pra gente beber. É porque não pode nem tá tomando água a vontade por causa que tem que economizar", fala a agricultora Marinalva Derto Rocha.

Na geladeira da dona de casa Maria José nenhuma garrafa de água. Ela usou tudo o que tinha para fazer o almoço. "É o que tem pra comer hoje. É o arroz cozinhado, por causa da água, que não tem água pra fazer a comida".

A cisterna é grande, tem capacidade pra dezesseis mil litros de água por dia, mas está seca a oito meses. Enquanto isso, os donos dela precisam se virar com apenas trinta litros de água por dia pra fazer de tudo na casa.

Cerca de 200 mil pessoas estão sofrendo com a falta d'água, segundo a Defesa Civil. Gente que sobrevive com um volume de água cinco vezes menor do que o necessário pra suprir as necessidades mais básicas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal seria 100 litros de água por dia e por pessoa.

"Não pode tomar banho. Se tomar banho a pessoa não cozinha e nem bebe. Os meninos vão pra escola, tem que ir tudo rajadinho, que não tem água", relata a dona de casa Iolanda Santos Lima.

Em todo Sertão, a média de consumo, 20 litros/dia é menor do que a média nacional 154 litros/dia. E quando tem água, como nesse açude, ela não serve para o consumo.

"Não serve pra beber. Ela serve pra lavar um prato, mas assim ela taia muito, sabão não espuma, a roupa a mesma coisa, prato", conta Rosineide Santos Lima.

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