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Gustavo Guerreiro: Existe futuro sem Ciência?

 

"Ao que tudo indica, a criminosa interferência internacional já cumpriu seu papel de cooptação interna no Brasil. O corte das bolsas da Capes é somente uma etapa de um processo que representa muito mais do que o abandono de futuros pesquisadores e jovens promessas”.

Por *Gustavo Guerreiro

PORTAL BRASIL
"A dependência científica e tecnológica fere a soberania nacional"."A dependência científica e tecnológica fere a soberania nacional".
Uma crise sem precedentes (ainda maior que a atual) está para se abater neste país combalido desde o golpe de 2016. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) referente a 2019, que prevê o corte no orçamento global do MEC para despesas não obrigatórias em cerca de 11%, significará o fim da pesquisa científica básica no Brasil. Segundo o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), serão atingidos 200 mil bolsistas em todo país. Trata-se de uma etapa fundamental do projeto de desmonte sistemático do Estado brasileiro, objetivo do consórcio golpista do governo Temer e o PSDB, em sintonia com as teses de subordinação aos ditames do imperialismo. Mas qual é a importância de se investir em pesquisa?

A ciência e a tecnologia são a chave do progresso e desenvolvimento de qualquer nação. As duas áreas desempenham um papel fundamental na criação de riqueza, melhoria da qualidade de vida e crescimento econômico real e transformação em qualquer sociedade. A relação entre Ciência e Tecnologia (C&T) afeta decisivamente diferentes segmentos da vida, como alívio da pobreza, saúde, agricultura, energia acessível, abastecimento de água, gestão ambiental, crescimento econômico, desenvolvimento rural e educação. Na literatura política especializada, a lacuna entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos é amplamente atribuída ao nível de domínio tecnológico e à facilidade/dificuldade para sua aplicação.

Em 2017 a então presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, Helena Nader, durante palestra proferida na Universidade de Brasília (UnB), criticou duramente o corte de quase 50% do governo federal para orçamento da pesquisa científica. Ressaltou o desmonte da política de investimentos, que provoca dependência tecnológica e subordina o país a interesses externos, refletindo na tomada de importantes decisões estratégicas. A dependência científica e tecnológica fere, portanto, a soberania nacional.

Políticas públicas de investimento em pesquisa na área de C&Tsão fundamentais para estimular a demanda por conhecimento no setor privado contribuindo para um ambiente econômico estável, comércio, investimentos, políticas de crédito e de direitos de propriedade intelectual. Essas políticas podem incluir o aprofundamento da tecnologia, aumentar a vinculação entre indústria e universidades e parcerias público-privadas, estabelecer proteção para o conhecimento local e incentivos fiscais para empresas engajadas em pesquisa e desenvolvimento, além de estimular "clusters" de indústrias com base no conhecimento científico e tecnológico adquirido com essas pesquisas. A pesquisa científica é a base para o desenvolvimento.

No caso brasileiro, cerca de 30% das riquezas são geradas graças ao setor agroindustrial, que não se destacaria mundialmente sem o investimento em pesquisa nas áreas de biotecnologia e engenharia genética, especialmente com o protagonismo da Embrapa no âmbito do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária - SNPA, constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, empresas privadas e fundações que produzem pesquisas em todo o país em campos do conhecimento científico. Também a Embraer e a Petrobras, duas gigantes da indústria nacional, são fruto de investimento intensivo em pesquisa científica. Também se destaca o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq que, dentre outras iniciativas, foi criado para capacitar o Brasil para o domínio da energia atômica. O domínio do ciclo atômico é tema de importância estratégica. Hoje é relegado pelo consórcio golpista, inclusive com a prisão de um do principal cientista nuclear brasileiro, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, pela operação Lava Jato. Foi graças ao almirante Othon que Brasil passou a figurar entre os poucos países que dominam a tecnologia nuclear.

Ainda que precário, não fosse o investimento em pesquisa científica, o país estaria em patamares socioeconômicos ainda piores. Os Estados Unidos, a locomotiva da economia mundial, só conseguiram tal hegemonia mediante fortes investimentos públicos em C&T, principalmente em capital humano. A principal potência mundial se desenvolveu através da encomenda da indústria militar, química e aeroespacial aliada com importantes centros de pesquisa.

Ao que tudo indica, a criminosa interferência internacional já cumpriu seu papel de cooptação interna no Brasil. O corte das bolsas da Capes é somente uma etapa de um processo que representa muito mais do que o abandono de futuros pesquisadores e jovens promessas. Desenha-se, paralelamente, uma gigantesca fuga de cérebros, que resultará na subordinação de pesquisadores periféricos aos centros de pesquisa de países centrais: a chamada integração subordinada. O próprio poder judiciário, grandes conglomerados de mídia e amplas forças da direita reacionária, moralista, antipopular e antinacional, aparentemente desconectados do brutal jogo de interesses que celebra a derrocada do projeto nacional de desenvolvimento soberano e autônomo, assumiram a tarefa de sabotar o desenvolvimento científico nacional e, portanto, o futuro da nação.


*Gustavo Guerreiro é doutorando em Políticas Públicas e pesquisador do Observatório das Nacionalidades


Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.

Dieese aponta que custo da cesta básica caiu em 19 capitais em julho

Maiores quedas ocorreram em Cuiabá (-8,67%), São Luís (-6,14%), Brasília (-5,49%), Belém (-5,38%), Rio de Janeiro (-5,32%) e Curitiba (-5,12%)

↑ Preço do pão francês subiu em 16 das cidades pesquisadas pelo Dieese (Foto: Agência Brasil / Arquivo)

O custo da cesta básica de alimentos caiu em 19 capitais no mês de julho, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Conforme os dados divulgados nesta segunda-feira (6), as maiores quedas ocorreram em Cuiabá (-8,67%), São Luís (-6,14%), Brasília (-5,49%), Belém (-5,38%), Rio de Janeiro (-5,32%) e Curitiba (-5,12%). No sentido contrário, aparece Goiânia (0,16%).

Segundo a pesquisa, a cesta mais cara foi a de São Paulo (R$ 437,42), seguida pelas de Porto Alegre (R$ 435,02) e do Rio de Janeiro (R$ 421,89). Os menores valores médios foram constatados em Salvador (R$ 321,62), São Luís (R$ 336,67) e Natal (R$ 341,09).

Quando observados os preços entre julho de 2017 e 2018, os valores médios caíram em todas as cidades, com destaque para Salvador (-9,98%), São Luís (-8,41%) e Belém (-7,09%). Na avaliação do valor acumulado de janeiro a julho deste ano, o resultado só foi negativo em Florianópolis (-0,80%) – nas demais capitais pesquisadas, houve variação de 0,46%, em Belo Horizonte, e de 5,51%, em Vitória.

A pesquisa do Dieese revela ainda que, com base nos preços avaliados para a cesta básica, o salário mínimo necessário para manter um família de quatro pessoas no mês de julho deveria ser de R$ 3.674,77, ou 3,85 vezes o salário mínimo nacional (R$ 954). Em junho, a estimativa foi de R$ 3.804,06, ou 3,99 vezes o piso mínimo do país. Em julho do ano passado, o mínimo necessário era equivalente a R$ 3.810,36, ou 4,07 vezes o salário mínimo nacional de então, correspondente a R$ 937.

Conforme o levantamento, de junho a julho, aumentaram os preços do leite integral, da farinha de trigo, do pão francês e do arroz agulhinha. No caso do leite integral, as altas variaram entre 3,75% e 19,84%. A farinha de trigo teve alta em todas as capitais e ficou entre 1,19% e 8,50%. O valor médio do pão francês subiu em 16 cidades, com variações entre 4,53% e 3,84%. Já o valor médio do arroz agulhinha subiu em 15 cidades (entre 0,38% e 5,40%)

As reduções foram observadas no tomate, na batata, banana e carne bovina de primeira. O preço do tomate caiu em todas as cidades (entre -51,02% e -29,45%), e o da batata variou entre -40,76% e -4,03%, em todas as cidades onde foi feita a pesquisa (região centro-sul). A banana ficou mais barata em 19 capitais, com valor médio oscilando entre -14,52% e -0,48%. O quilo da carne bovina de primeira caiu em 15 capitais, variando de -4,88% a 0,42%.

Fonte: Agência Brasil / Texto: Flávia Albuquerque

MPE vai fiscalizar ações de políticas públicas de combate à violência nas escolas de Santana do Ipanema

EDUCAÇÃO

Por Redação  0

Compleco Educacional em Santana do Ipanema

Ministério Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria de Justiça de Santana do Ipanema, instaurou procedimento administrativo para fiscalizar ações de políticas públicas de combate à violência nas escolas, levando em conta o uso de drogas e o consumo de bebidas alcoólicas por menores no entorno das unidades de ensino. 

De acordo com informações do Diário Oficial do Estado (DOE), o Procedimento Administrativo é instrumento próprio da atividade-fim destinado ao acompanhamento e fiscalizações, de cunho permanente ou não, de fatos e instituições ou de políticas públicas e demais procedimentos não sujeitos a inquérito civil, instaurado pelo Ministério Público, que não tenham o caráter de investigação cível ou criminal de determinada pessoa, em função de um ilícito específico;
Na publicação também é considerado que denúncias foram encaminhadas a Promotoria de Justiça no que diz respeito ao uso de drogas ilícitas no entorno de escolas públicas municipais e estaduais e uso de bebida alcoólica por crianças e adolescentes em bares próximos a escolas públicas municipais e estaduais e que o uso de drogas ilícitas e bebidas alcoólicas repercutem direta ou indiretamente em violência escolar e evasão escolar.

Considerou também uma reunião realizada em 13.06.2018 entre membros do Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça, Conselho Tutelar, Secretaria Municipal de Educação e Polícia Militar.

Com base no apresentado o MPE/AL resolveu instaurar o procedimento administrativo de nº 09.2018.00000723-0, com escopo de organizar, acompanhar e fiscalizar a execução de políticas públicas de combate à violência nas escolas e evasão escolar,

A publicação do Diário Oficial foi assinada pelo promotor de Justiça da cidade, Dênis Guimarães de Oliveira.
 

Prefeitura de Teotônio suspende exigência de título de eleitor para atender pacientes

Assistência à saúde é assegurada pela Constituição

↑ Ministério Público Estadual (Foto: Sandro Lima / Arquivo)

Após recomendação expedida pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), por meio da promotoria de Teotônio Vilela, a prefeitura da cidade suspendeu a exigência para que os pacientes apresentassem comprovante de domicílio eleitoral como condição para realização de qualquer de atendimento por profissionais da rede pública de saúde do município. No documento, o promotor de justiça Ramon Formiga considerou o dever constitucional do estado em garantir tratamento médico a todo cidadão.

“É uma atitude inadmissível e o Ministério Público tinha de se manifestar. A assistência à saúde é assegurada pela Constituição e isso está bem claro no artigo 196º da Carta Magna. Ou seja, não permitiremos que haja qualquer exigência fora da legislação para que o cidadão tenha seu atendimento médico realizado, ou ainda, que o munícipe tenha seu tratamento suspenso por não se submeter a tais arbitrariedades”, afirma o promotor Ramon Formiga.

Na Recomendação, o promotor de Justiça considerou o disposto no artigo 196°, da Constituição Brasileira, em que afirma ser a saúde “direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”.

Em anexo à Recomendação nº 02/2018, Ramon Formiga enviou cópia de uma ficha de encaminhamento da Prefeitura Municipal de Teotônio Vilela ao cartório da cidade com dados pessoais a ser assistida com a seguinte orientação; “solicitamos que seja feito o título eleitoral da menor, para que seja feito o cadastro da gestante. Desde já agradecemos”.

Fonte: Redação com assessoria

Papa está preocupado com Lula, diz ex-chanceler Celso Amorim

Várias personalidades já pediram liberdade do ex-presidente brasileiro, preso desde abril e que lidera pesquisas para eleições de outubro

↑ Papa Francisco (Foto: AP)

O papa Francisco manifestou preocupação com a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso após uma condenação por corrupção, afirmou nesta quinta-feira em Roma o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim.

“O Santo Padre nos ouviu e manifestou sua preocupação com a situação do presidente Lula, sua prisão e julgamento. Fez perguntas e mostrou muito interesse”, disse Amorim, que foi o ministro das Relações Exteriores durante os oito anos de governo de Lula.

“Nos manifestou também sua preocupação com o que chamou de golpes de luva branca”, completou Amorim, que foi recebido pelo papa no Vaticano ao lado do argentino Alberto Fernández, que foi chefe de gabinete dos ex-presidentes Nestor e Cristina Kirchner.

Várias personalidades já pediram a liberdade do ex-presidente brasileiro, preso desde abril e que lidera as pesquisas para as eleições de outubro.

“Nos contou que foi uma decisão sua, muito pessoal, de enviar a Lula um rosário”, disse Amorim, que presenteou o papa com um livro de entrevistas do ex-presidente.

“Foi uma reunião afetuosa, franca e com muita liberdade”, disse Fernández.

“Está preocupado com as repercussões que o caso de Lula tem na América Latina”, afirmou.

O Partido dos Trabalhadores (PT) pretende lançar no sábado a candidatura de Lula à presidência. O ex-presidente cumpre desde abril uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção.

O ex-presidente (2003-2011), que tem outros cinco processos pendentes, defende sua inocência e considera que é vítima de um complô das elites para que não retorne ao poder.

Fonte: AFP

Funcionária de UBS morre após ser atropelada por trator na zona rural

  
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Um acidente fatal, ocorrido no início da tarde desta quinta-feira (2), vitimou uma motociclista que trafegava por uma estrada vicinal nas imediações do Sítio Serra dos Ferreiras, zona rural de Arapiraca.

De acordo com as primeiras informações, o trator fazia terraplanagem no local, quando atingiu a motociclista, que acabou caindo debaixo de uma das rodas do trator.

A vítima, identificada como Sineide de Oliveira, morreu no local antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela trabalhava como auxiliar administrativo na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Aparecida. 

O condutor do trator fugiu do local.

HH pede doação de “coragem” ao invés de dinheiro

  
Reprodução50862cf9 b48e 47e4 8f26 12a2c90d06a4Heloísa Helena

Pré-candidata a deputada federal, a ex-vereadora Heloísa Helena (Rede) contou que vem sendo questionada a respeito de uma possível vaquinha eleitoral, prática de financiamento coletivo já adotada por vários políticos este ano.

Por meio de suas redes sociais, HH pediu aos possíveis eleitores que, ao invés de ajudarem financeiramente, lhe doem a própria coragem.

“Estamos na estrada mais uma vez... A mais bela e valiosa colaboração que você pode me dar é a sua coragem... Você não me ajuda financeiramente, mas com a sua coragem, para que possamos enfrentar o exército de mercenários com seus tanques de guerras sujas, com dinheiro público roubado...", apelou.

Confira o vídeo:

 

Terça, 31 Julho 2018 22:09

Paulo Kliass: Economia para poucos

Paulo Kliass: Economia para poucos

 

"O debate eleitoral se apresenta como mais uma oportunidade para a discussão crítica dos efeitos desse tipo de política econômica, que agrada tanto a tão poucos e que provoca consequências nefastas para a absoluta maioria".

Por Paulo Kliass*

  
O avanço do calendário eleitoral e a maior clarificação dos campos no espectro político e partidário começam a conferir maior visibilidade às diferentes avaliações da difícil situação por que passa a nossa economia. Além disso, o momento permite a discussão de propostas para a superação da profunda crise que o Brasil vem atravessando ao longo dos últimos anos. Para além da denúncia da injustificada e arbitrária prisão do líder das pesquisas, as eleições permitem a reflexão coletiva a respeito do quadro dramático em que fomos encurralados.

Desde antes da deflagração da operação do “golpeachment” contra a Presidenta eleita, as forças aglutinadas em torno dos interesses do sistema financeiro se aliaram aos setores mais retrógrados do Congresso Nacional com o objetivo de mudar os rumos do País. O foco era retirar Dilma do Palácio do Planalto e abrir caminho para que o comando da economia fosse atribuído a quem pudesse promover a destruição dos avanços que haviam sido conquistados ao longo dos anos.

E assim foi feito. Mais uma vez ficou evidenciado que a economia não tem nada de isenção técnica ou de neutralidade. Afinal, a nomeação de Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn, dotados da mais completa autonomia para implementar o programa da economia de um governo absolutamente ilegítimo, foi uma decisão ponderada e amadurecida de Michel Temer. A continuidade da estratégia do “austericídio”, iniciada ainda por Joaquim Levy em 2015, já era esperada por quem tivesse um mínimo de experiência e contato com o assunto.

Porém, o núcleo duro do novo governo foi muito além de um “mero” aprofundamento radicalizado da estratégia de ajuste fiscal a qualquer custo. Temer decidiu por levar a cabo uma política de desmonte do Estado brasileiro e de destruição das bases das políticas sociais estabelecidas na própria Constituição. Para tanto, lançou mão de múltiplas estratégias, que iam desde o contingenciamento draconiano de verbas orçamentárias até reformas constitucionais redutoras de direitos, passando também por medidas de estrangulamento e extinção de programas de governo com foco na inclusão e no reforço da cidadania.

Economia política da desigualdade

A opção de política econômica praticada pelos banqueiros da Esplanada dos Ministérios foi cristalina: favorecimento dos setores do topo da pirâmide e penalização da grande maioria da população. A velha estória dos 99% versus 1%, ou ainda dos 0,1%. Com isso, fica evidente que não existe apenas a ”economia” como campo do conhecimento. Os pensadores clássicos desse ramo das ciências humanas e sociais já sabiam disso há muito tempo. Até mesmo os intelectuais mais conservadores usavam um termo que hoje seria considerado comuno-bolivariano pela maioria dos liberaloides de plantão. 

Por exemplo, Adam Smith e David Ricardo em suas obras mais famosas tratavam do objeto qualificado por eles como “economia política”. Sim, pois foi apenas no século XX que a tradição anglófona dos liberais neoclássicos fez uma sutil cirurgia e a antiga “political economy” virou apenas “economics”. Na versão para o português, a dominação ideológica fez com que tenhamos ficado apenas com a simplificadora “economia”. Esse reducionismo linguístico é totalmente revelador da opção por eliminar o adjetivo “política”, pois poderia provocar muita confusão no tratamento teórico e nas suas derivações para o uso do instrumental. 

Ao se reconhecer a natureza intrinsecamente política da economia, fica mais fácil a identificação da função que ela exerce no processo de organização e funcionamento do modo de produção e da sociedade capitalistas. Entre outros aspectos, o pensamento econômico dominante reproduz e reforça a própria desigualdade, um dos pilares do modelo que campeia em nossas terras.

Mas como nem tudo está perdido para sempre nesse mundo, sobrevive uma abordagem alternativa à dominação ortodoxa e conservadora. As universidades ainda resistem a esse pensamento e as análises críticas do modelo encontram espaço para florescerem. As instituições de pesquisa não aceitam passivamente as receitas de reprodução e validação da injustiça e da exploração.

Economia para muito poucos

Importante exemplo desse movimento é o livro “Economia para poucos – Impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil”, que foi lançado recentemente pela Editora Autonomia Literária. A obra foi organizada por Ana Luiza Matos de Oliveira, Esther Dweck e Pedro Rossi. Além da introdução e da conclusão, seus 15 capítulos oferecem ao leitor um amplo panorama da abordagem crítica da abordagem econômica convencional. Em sua maioria, os autores são integrantes de uma nova geração de economistas e pesquisadores, que não se conformaram com as simplificações de análises e de propostas reproduzidas à exaustão pelos grandes meios de comunicação.

Ao oferecer uma visão crítica dos programas de austeridade, o livro trata dos efeitos perversos do ajuste conservador em áreas tão amplas como educação, saúde, previdência social, direitos humanos, habitação, segurança pública, cultura, sustentabilidade e agricultura familiar, entre outras. A todo instante, a atenção do leitor é chamada para a sua natureza de manutenção e reprodução da desigualdade. Assim, o conjunto dos textos converge para uma análise crítica das recomendações de política econômica dirigida para poucos, na verdade para muito poucos.

Em suas páginas introdutórias, o livro se apresenta de forma objetiva e sem receios de tomar partido na chamada disputa de narrativas:

“O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e, sem dúvida, essa é uma das nossas características mais injustas. Apesar da recente melhora, as desigualdades se manifestam em diversos níveis; desigualdade de renda, de gênero e raça, de acesso a bens e serviços e de riqueza, sem falar nas desigualdades regionais e de condições de trabalho. Enfrentar esse problema deveria ser a agenda prioritária brasileira, e a política fiscal tem uma papel central nessa agenda. A Constituição de 1988 prevê diversos mecanismos que deveriam atuar nesse sentido, mas muitas das medidas aprovadas não saíram do papel até hoje, ou não foram totalmente aplicadas. Aquele projeto inclusivo de promoção de uma sociedade mais justa está ficando cada dia mais distante. Cada vez mais, adotam-se medidas que limitam a ação do Estado e promovem cada vez mais uma economia para poucos, justamente para aqueles que hoje se encontram no topo da pirâmide.”

É inegável que os riscos de continuidade de tal opção perversa de política econômica estão presentes. Apesar dos índices de popularidade rastejantes do governo em fim de feira, a capacidade de articulação do financismo não pode ser negligenciada. A grande imprensa não deixa de insistir na tecla da necessidade inarredável desse tipo de ajuste e os partidos nanicos da sopa de letrinhas não hesitam em se inclinarem a quem lhes oferecer mais recursos para sobrevivência no mar do fisiologismo.

Essa é uma das razões que reforçam a importância e a oportunidade da “Economia para poucos”. Incorporar mais luz e oxigênio ao debate de temas que são tratados pelo pensamento conservador como óbvios, recheado de soluções fáceis e propostas simplistas. Ainda na introdução deparamo-nos com o alerta:

“Essa nova forma de gestão do orçamento público tem consequências macroeconômicas e distributivas e condiciona a capacidade dos governos de induzir o crescimento econômico e de promover o bem-estar social. Tal mudança profunda na gestão fiscal afeta a vida das pessoas e tem, portanto, importantes impactos sociais. Quais os efeitos da austeridade na ponta? No acesso aos direitos sociais como saúde e educação? Na vida das pessoas do campo? Na preservação do meio ambiente? No acesso à cultura da população mais carente? Como fica o papel do Estado na garantia de direitos humanos básicos? Na redução do déficit habitacional? E como ficam os princípios básicos da Constituição Federal de 1988 nesse contexto de austeridade? Há alternativas a esse projeto?”

A nossa experiência atual e as opções de países que trilharam o mesmo caminho da austeridade apontam para a necessidade de superar esse modelo que reproduz a concentração e a desigualdade. O debate eleitoral se apresenta como mais uma oportunidade para a discussão crítica dos efeitos desse tipo de política econômica, que agrada tanto a tão poucos e que provoca consequências nefastas para a absoluta maioria. As alternativas existem. O que falta é a construção de uma maioria politica com vontade e disposição para implementá-las.




 * Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

Qual o futuro do sindicalismo? A dor da dúvida

 

Os que apagam o passado correm o risco de abolir o futuro também (Walter Benjamin)

Por Clemente Ganz*

Foto: Guilherme Santos/Sul21
  
 E tem futuro? Essa resposta, em forma de pergunta, aparece recorrentemente nos debates sobre os desafios que o movimento sindical enfrenta. A resposta-pergunta carrega um misto de angústia, ansiedade, perplexidade, incerteza e desânimo. Muitos estão deprimidos!

A angustia dói no peito e traz um cansaço mental e físico que decorre da quantidade e da complexidade dos problemas. Há uma sensação de tragédia e de impotência diante da necessidade de fazer algo.

Sensação de estômago vazio e coração acelerado, a ansiedade carrega o medo do que vem pela frente, porque não se sabe o que é que vem. Há dúvida sobre qual decisão tomar, de que maneira enfrentar e resolver cada um dos problemas. Incerteza diante da complexidade dos fenômenos e das dificuldades de encontrar saídas ou soluções.

Desânimo, falta de vontade para enfrentar o problema, ausência de coragem para encarar o desafio! Somos muitos aqueles que compartilham essas dores.

Essa situação anímica decorre dos problemas enfrentados pelos sindicatos, da crise econômica, do desemprego, das mudanças no mundo do trabalho, dos graves problemas políticos vividos pelo país. A lista segue longa, a tal ponto que um “oi, tudo bem?” tornou-se uma saudação estranha. Melhor cumprimentar dizendo “como vai?” e esperar, como resposta, um silêncio sepulcral.

E tem futuro?

O futuro do sindicalismo será decorrente daquilo que acontecerá no mundo do trabalho, da maneira como o sistema produtivo se organizará, da forma como as tecnologias serão usadas, de como a riqueza será distribuída, assim como dependerá das respostas que os trabalhadores darão às inúmeras questões colocadas.

Os sentimentos expressam, em cada um de nós, o grau da adversidade. A superação requer cuidados individuais e coletivos. Como diz o poeta, é preciso manter a coluna ereta, a mente aberta e o coração tranquilo.

A análise da complexidade da situação será um trabalho meticuloso, contínuo e cumulativo, cuja qualidade será incrementada se houver capacidade para compartilhar os resultados, se tempo for dedicado para ouvir e atenção dispensada para olhar e ver.

As soluções exigirão o desenho de novos projetos e a elaboração de novas estratégias de construção, trabalho a ser feito por muitas cabeças e mãos.

Para que o futuro se coloque como possibilidade de construção será preciso desgrudar do passado, abrir-se para novas possibilidades, imaginar o inédito, tecer redes, construir alianças, colar o que quebrou e cimentar o que trincou. O futuro é inédito, não existe ainda, e pode ser engravidado pela utopia daqueles que lutam para construir socialmente aquilo que ainda não existe.

*Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Dieese

Rádio Peão Brasil

Em Alagoas, 213,4 mil crianças devem receber vacina contra pólio e sarampo

Prioridade da campanha são crianças de um até menores de cinco anos

↑ Imagem ilustrativa

A nova Campanha Nacional de Vacinação Contra a poliomielite e sarampo começa na próxima segunda-feira, 6 de agosto, e vai até o dia 31/08. Em Alagoas, o público-alvo da campanha é de aproximadamente 213,4 mil pessoas. Em todo o país, 11,2 milhões de crianças devem ser vacinadas. Todas as crianças de um ano a menores de cinco do país devem se vacinar contra a pólio e sarampo, independente da situação vacinal. O dia D de mobilização nacional será sábado, 18 de agosto, quando os mais de 36 mil postos de vacinação no país estarão abertos ofertando as vacinas. A meta é vacinar, pelo menos, 95% das crianças para diminuir a possibilidade de retorno da pólio e reemergência do sarampo, doenças já eliminadas no país. A madrinha da campanha deste ano é a Xuxa, eterna rainha dos baixinhos.

A prioridade da campanha são as crianças de um até menores de cinco anos, público mais suscetíveis às doenças e suas complicações. Para atender a esse público, foram adquiridas 28,3 milhões doses das vacinas, um total de R$ 160,7 milhões. Todos os estados do país já estão abastecidos com 871,3 mil doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP), 14 milhões da Vacina Oral Poliomielite (VOP) e 13,4 milhões da Tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Para o estado de Alagoas foram distribuídas 538,6 mil doses das três vacinas.

A campanha de vacinação deste ano é indiscriminada, ou seja, pretende vacinar todas as crianças dessa faixa etária no país e para manter coberturas homogêneas de vacinação. Para a poliomielite, as que não tomaram nenhuma dose durante a vida receberão a VIP. Já os menores de cinco anos que já tiverem tomado uma ou mais doses da vacina, receberão a VOP, a gotinha. Em relação ao sarampo, todas as crianças receberão uma dose da vacina Tríplice viral, independente da situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos trinta dias.

Nos estados que registraram casos de sarampo, a vacinação foi antecipada como medida de bloqueio para interromper a circulação do vírus. Em Roraima, a campanha iniciou em março e envolveu pessoas de 6 meses a 49 anos. Já em Manaus (AM), aconteceu em abril e o público vacinado foi de 6 meses a 29 anos de idade. E, em Rondônia, a vacinação está em andamento para crianças de 6 meses a menores de cinco anos. Durante a mobilização nacional, esses estados devem convocar novamente as crianças de um a menores de cinco anos para receber a imunização.

O Ministério da Saúde oferta todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Calendário Nacional de Vacinação. Ao todo, são 19 para combater mais de 20 doenças, em todas as faixas etárias. Por ano, são cerca de 300 milhões de doses de imunobiológicos distribuídos em todo o país.

CAMPANHA PUBLICITÁRIA

Para mobilizar a população, o Ministério da Saúde aposta neste ano na Xuxa, a eterna rainha dos baixinhos. Não é a primeira vez que ela é madrinha de uma campanha de vacinação do Ministério da Saúde. Nos anos 1980, Xuxa também estrelou uma campanha de vacinação que bateu recordes e foi reconhecida até pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As peças para TV, rádio, impressos e redes sociais, serão exibidas de 1º a 31 de agosto. O filme, gravado em 3D, faz uma viagem ao passado, nas décadas de 80/90, quando nasceu o Zé Gotinha e também quando o Brasil assumiu o compromisso de eliminar o sarampo e a poliomielite. Xuxa e o Zé Gotinha contarão com o apoio da Galinha Pintadinha e dançarinos do game Just Dance.

QUEDA NAS VACINAS

Desde que observou redução nas coberturas vacinais do país, o Ministério da Saúde tem alertado sobre o risco da volta de doenças que já não circulavam no Brasil, como é o caso do sarampo. Entre as principais causas, pode-se apontar o próprio sucesso do Programa Nacional de Vacinação, que causou no país, a falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar. Outros fatores são: desconhecimento individual de doenças já eliminadas; horários de funcionamento das unidades de saúde incompatíveis com as novas rotinas da população; circulação de notícias falsas na internet e Whats App causando dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas; bem como a inadequada alimentação dos sistemas de informação.

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis. Outra orientação é reforçar as parcerias com creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolver professores e a família. A Pasta ainda alerta para a importância de manter os sistemas de informação devidamente atualizados.

SARAMPO

O Brasil recebeu, em 2016, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, e atualmente empreende esforços para manter o certificado, principalmente por meio do fortalecimento da vigilância epidemiológica, da rede laboratorial e de estratégias de imunização.

No mundo, há registros de casos de sarampo em alguns países da Europa e das Américas. Em 2017, foram 173.330 casos registrados. Em 2018 (até maio), 81.635 casos confirmados, a maioria em países do Sudeste Asiático e Europa. Atualmente, o Brasil enfrenta dois surtos de sarampo: em Roraima e no Amazonas. Além disso, alguns casos isolados foram identificados nos estados de Rio de Janeiro (14); Rio Grande do Sul (13); Pará (2), Rondônia (1) e São Paulo (1).

O reaparecimento da doença está relacionado às baixas coberturas e a presença de venezuelanos no país, comprovado pelo genótipo do vírus (D8) identificado, que é o mesmo que circula na Venezuela. Até o dia 17 de julho, foram confirmados 822 casos de sarampo no Amazonas e em Roraima.

POLIOMIELITE

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão). O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.

Dados da Campanha de Vacinação contra a Poliomielite por UF  
 
  Público-alvo Quantitativo de doses das vacinas  
UF TOTAL VIP VOP TRÍPLICE VIRAL TOTAL  
AL 213.391 15.750 266.800 256.100 538.650  
 BRASIL 11.213.278 871.320 14.019.000 13.457.100 28.347.420

Fonte: Redação com Agência Saúde

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