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Sabedoria popular e racismo em pauta no campus Arapiraca

Discussões da manhã de terça-feira (24) na SBPC Afro e indígena trouxeram os temas para o âmbito acadêmico

↑ Dona Maria de Fátima dividiu com o público suas experiências como mestra de saúde popular (Foto: Assessoria da Universidade Federal de Alagoas)

A manhã do último dia de realização da SBPC Afro e Indígena teve como destaque as discussões em torno da sabedoria popular e do racismo. Dessa forma, o evento trouxe para o espaço acadêmico temas que ainda são pouco explorados e discutidos pelos pesquisadores. As atividades do evento tiveram continuidade durante a tarde, com a professora colombiana Liliana Parra, numa mesa-redonda sobre as práticas intelectuais afro-indígenas na América Latina.

A sabedoria popular no tratamento de saúde

Na oficina Roda de cuidados das mulheres mestres populares em saúde da comunidade de Pau D’Arco, dona Maria de Fátima apresentou ao público suas vivências enquanto mestre de saúde popular, que fabrica remédios a partir de plantas para curar as mais diversas patologias.

Segundo dona Fátima, o saber sobre as propriedades das ervas e raízes curativas é transmitido oralmente entre as moradoras da comunidade do Pau D’Arco, que trocam suas experiências em conversas corriqueiras durante o dia a dia.

Questionada sobre o valor de seu trabalho, dona Fátima garante que o maior deles é a caridade. “Eu sou uma pessoa humilde, mas meu coração é enorme. Se alguém chega até mim sofrendo e não pode pagar, eu vou atender do mesmo jeito e a recompensa vai chegar depois”, explica.

Apesar de se tratar de um conhecimento que não é registrado em documentos, dona Maria de Fátima garante que ele permanecerá nas próximas gerações. “O nosso saber morre com a gente, mas renasce em outras pessoas que aprenderam com os seus antepassados”, conclui.

Relações afetivas e questões étnico-raciais

Comandado por Larissa Virgínia (UPE), Fátima Vieira (Ufal) e Raul Santos (Creas), o minicurso sobre afetividade negra promoveu a troca de experiências entre a mesa e a plateia, que teve a oportunidade de falar sobre suas próprias vivências.

Os integrantes da mesa tocaram em assuntos fundamentais, como o racismo estrutural que perpassa as interações sociais, a homoafetividade de negros e negras, as relações familiares e a necessidade de auto-aceitação. Assim, o campus Arapiraca foi palco de um debate acalorado que estimulou a participação da plateia.

Para Larissa, todos os temas que compuseram o minicurso devem ser pauta não somente no âmbito acadêmico, mas também no dia a dia. “O corpo e os afetos são posicionamentos políticos, por isso não devemos abrir mão deles em momento algum”, comentou.

Para o professor Antônio César (Ufal), que assistiu à atividade, abordar essa problemática dentro da Universidade é essencial. “O debate é importante para compreender de que forma a afetividade se relaciona com o racismo, gênero e diversidade sexual, compreender como ela é construída socialmente”, destacou.

Fonte: Assessoria da Universidade Federal de Alagoas / Texto: Renata Menezes

‘Lula defende recriação de Ministério da Ciência e Tecnologia’

Na SBPC, petista foi representado pelo ex-ministro, Sérgio Resende, que apresentou suas propostas para a comunidade científica

↑ Sérgio Resende representou o ex-presidente Lula no evento que trata sobre ciência na Universidade (Foto: Edilson Omena)

Teve início na quarta-feira (25), na 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sessões especiais com os candidatos à Presidência da República. O primeiro a apresentar suas propostas para a promoção do desenvolvimento científico no país foi o ex-presidente Lula (PT). Por estar preso, foi representado por Rafael Resende, ex-ministro de Ciência e Tecnologia (C&T) em seus governos.

Com o auditório da Reitoria lotado, Rafael Resende expôs as ações de Lula em C&T quando governou o Brasil e apresentou quatro propostas caso seja eleito em outubro.

As quatro propostas foram: Recriação do Ministério de C&T, hoje vinculado ao das Comunicações; Projeto de Lei que proíbe o contingenciamento de fundos formados por receitas de contribuições para a Ciência e Tecnologia; Alocação do Fundo Setorial do Petróleo ao Fundo Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), como anteriormente; e elaborar, em conjunto com a comunidade científica e tecnológica, e implantar no primeiro ano de governo, o II Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Informática, com contínua ampliação de recursos.

“Para mim é um orgulho muito grande representar Lula num espaço como esse, mas faço isso com enorme tristeza porque queria que ele estivesse aqui. Não me conformo com o fato do melhor presidente que o Brasil já teve estar na prisão atualmente. Isso é resultado de uma situação surreal que o Brasil vive. A mídia servindo a interesses do sistema financeiro e a Justiça articulada com isso faz que a gente tenha uma situação extremamente injusta”, diz o ex-ministro à Tribuna.

Sérgio Resende: ‘Lula foi o primeiro a responder à SBPC e, de pronto, mandou representante’ (Foto: Edilson Omena)

Ele garantiu que Lula defende uma política de Estado para a área.

“É preciso política de Estado, com continuidade, em C&T. Temos exemplos históricos de como essa continuidade gera frutos. Um deles é a Embraer, que este governo golpista quer vender. Quando ela foi fundada ninguém acreditava que daria certo, mas hoje concorre com grandes empresas internacionais. Recentemente, seu presidente disse que a venda à Boeing daria ‘robustez’ à Embraer. Vai dar para a Boeing. Isso sim”, afirma.

HADDAD VICE?

Durante sua explanação, o ex-ministro deixou a entender que Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, seria o vice de Lula. Ele disse: ‘Se Lula for eleito, junto ao Haddad, vai aprofundar investimentos”.

Questionado pela reportagem se Haddad seria o vice de Lula, ele respondeu: “Não posso responder isso. Muita gente tem perguntado, e nem Lula respondeu a isso. Mas sabemos que a probabilidade maior é que seja ou Fernando Haddad ou Jaques Wagner [ex-governador da Bahia]. É o natural porque são os políticos do PT mais próximos dele e que têm experiência para isso. Então, estamos acreditando que será um dos dois. E quem vier vai ser bom. Não tenha dúvida”.

CRITÉRIOS

Segundo Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC, os critérios para a participação dos candidatos – ou pré – na Reunião da entidade obedeceram à posição numa pesquisa de intenção de votos do Datafolha de junho. Devido ao tempo limitado, os três melhores colocados foram convidados e,  na medida em que, foram desistindo ou não dando resposta, os colocados subsequentes foram chamados.

“Lula foi o primeiro a responder e de pronto mandou representante”, comenta Sérgio Resende à Tribuna.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

‘Laços com avós precisam ser reforçados’

Comemoração do Dia dos Avós é importante porque incentiva respeito e demonstração de sentimentos entre avós e netos

↑ 26 de julho é dedicado ao Dia dos Avós; em uma escola particular da capital, data é comemorada com música, cartilha e muitos abraços (Foto: Adailson Calheiros)

Esta quinta-feira (26) é Dia dos Avós. E as comemorações alusivas à data são sempre recheadas de muitas emoções e lágrimas. Mas segundo especialistas cultivar o respeito e o afeto deve ser uma tarefa diária.

O psicólogo Carlos Gonçalves explica que os gestos e mensagens de carinho devem ir além. É preciso incentivar o respeito e inserir aspectos como o companheirismo e a dedicação nos relacionamentos.

“Uma coisa muito saudável e que nós estamos perdendo é a criança, principalmente ela, entender o idoso. Isso está se perdendo muito. A importância do respeito, porque se isso não vai sendo reforçado pelos pais, se perde. As pessoas não estão tendo tempo para sentar e dialogar. Eles merecem respeito e se não cobrar, no bom sentido, vai ficando essas ausências e isso é ruim. Abraçar, falar, perguntar como está, dedicar uns minutos. Mas muitos dos pais nem estão fazendo, e os filhos acabam reproduzindo. Aquela coisa de ouvir histórias, de conversar e o idoso vai ficando de lado”, pontua.

Os benefícios da relação entre avós e netos vão além dos laços familiares. Gonçalves ressalta que pontos como fortalecimento da saúde mental, equilíbrio, melhora da autoestima são ganhos para os dois lados.

“É totalmente saudável e indicada essa relação. Quem tem a sorte, o privilégio de desfrutar a companhia dos mais velhos traz um benefício muito grande para a auto estima, a ansiedade… Recebe um amor que não é o do pai ou da mãe, é ainda mais intenso, sem conflitos, que é o dos avós. Conversar, ouvir histórias. Isso é uma troca de experiências de vida e isto é um benefício para a saúde mental, para o equilíbrio. Quem tem, digo que aproveite, não só no dia dos avós”, afirma.

Para a educadora Valderez Barbosa, as comemorações do dia reforçam os laços e ajudam na integração dos avós com os netos.

“É muito importante ensinar a criança a valorizar os avós. Porque eles envelhecem a acabam ficando esquecidos. Então, os trazemos para a escola para integrar a família. E o contato é maravilhoso, tanto dos avós com os netos, como dos netos para os avós. Nós passamos a semana inteira trabalhando o tema, porque a família se você não cuidar como vai haver sociedade? A família é célula da sociedade. É graças aos avós que os netos estão aqui. É importante cultivar a família”, ressalta.

Músicas e abraços marcam celebrações

 

Em uma escola particular da capital, esta quarta-feira (25) foi dedicado a celebrações. Com músicas, cartinhas e muitos abraços, as crianças demonstraram o amor pelos avós. Dona Nilva Guimarães, de 78 anos foi prestigiar a apresentação dos netos Daniel de 8 anos e Beatriz de 4.

Para ela a relação entre eles é regada por muito carinho. “É um amor, é um entrosamento muito bom. Temos muito respeito uns pelos outros, eu ainda sou das antigas e a formação deles é muito importante para mim”, diz a avó.

Aydée Falcão, de 71 anos, tem três netos, de 15, 10 e 5 anos. Segundo ela, apesar do choque de gerações, respeitar deve ser a prioridade.

“Eu acho uma experiência maravilhosa. Embora as gerações sejam diferentes, eu combato, falo devagarzinho, porque esses meninos de hoje têm que falar devagarzinho, mas é tudo se ajustando. E as apresentações são maravilhosas me enchem de emoção, família é tudo né?”, diz emocionada.

O psicólogo Carlos Gonçalves explica ainda que vários perfis de avós têm surgido. Um deles, é o perfil dos avós cada vez mais participativos.

“Os avós estão se tornando cada vez mais jovens. Não são mais os avós apenas da cadeira de balanço. Eles são ativos, participam ativamente da vida da criança, faz questão de estar presente e quando a criança retribui isso, só temos pontos positivos. A troca de energias é muito positiva”, ressalta.

É o caso de Luzineide Guedes, de 54 anos. Ela é avó de Ian, de 6 anos. A amizade entre os dois é um fato destacado na relação, segundo ela. Mesmo assim o pequeno não escapa da disciplina em certos momentos.

“É ótima né, somos amigos. A gente se dá muito bem, nunca tive problema com ele. Nós brincamos, ele ri. Quando ele se apresenta, assim que chego eu choro, e ele fica rindo. Somos amigos, mas eu também imponho e ele me respeita, respeita a disciplina”, detalha a avó.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

População de Alagoas vai reduzir, aponta estudo do IBGE

  
Arquivo/Agência BrasilB156db52 0c24 4984 b0f7 fcc285d66f14População

A Revisão 2018 da Projeção de População realizada pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira, dia 25, aponta que antes de 2048, Alagoas deverá ter uma redução na sua população.

Já o mesmo estudo revela que  população do Brasil vai continuar em crescimento até atingir 233,2 milhões de pessoas em 2047. A partir deste ano, entrará em declínio gradual chegando a 228,3 milhões em 2060. A expectativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), faz parte da Revisão 2018 da Projeção de População, q, por sexo e idade para os próximos 42 anos.

Assim como Alagoas, antes de 2048,  os estados de Piauí, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Norte deverão também observar a redução na sua população.

Segundo o IBGE, a principal característica dessas unidades da federação é o saldo migratório negativo. No limite da projeção em 2060, oito estados (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Amapá, Roraima, Amazonas e Acre) não terão queda nas suas populações. O IBGE explicou que eles apresentam saltos migratórios positivos e/ou têm taxas de fecundidade total mais elevadas.

Fecundidade

O órgão acrescentou que o crescimento populacional é determinado pela combinação do perfil migratório, incluindo áreas de expulsão ou atração de pessoas; com taxas de fecundidade de uma unidade da federação. Os estados do Piauí e da Bahia apresentam quedas importantes de fecundidade nos últimos anos e, segundo o instituto, perdem população para outros estados do país. Apesar de não registrar altas quedas de fecundidade, atualmente, a situação já foi diferente para o Rio Grande do Sul, que é também um estado “emissor”. Na definição do IBGE, as três unidades da federação devem ser os primeiros a apresentar redução de população.

A taxa de fecundidade total para 2018 é 1,77 filho por mulher. Quando chegar a 2060, o número médio de filhos por mulher poderá cair para 1,66. Os estados de Roraima com 1,95; o Pará,  Amapá,  Maranhão,  Mato Grosso e  Mato Grosso do Sul, com 1,80, são os que deverão ter as maiores taxas de fecundidade. As menores poderão ser no Distrito Federal com 1,50; e em Goiás, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, esses com 1,55. A idade média de 27,2 anos em que as mulheres têm filhos em 2018, aumentará para 28,8 anos, em 2060.

Idade

A média de idade da população brasileira é  32,6 anos em 2018. Os estados da Região Norte, Alagoas e Maranhão têm a média em 30 anos. A explicação é que têm taxas de fecundidade total mais elevadas e se situam mais tardiamente na transição da fecundidade. O Acre tem a menor média (24,9 anos). Ao contrário, os estados das Regiões Sul e Sudeste registram média acima da projetada para o Brasil. O mais envelhecido é o Rio Grande do Sul com 35,9 anos. Para o IBGE, o avanço na idade populacional pode ser medido também com a comparação das pessoas com 65 anos ou mais e os menores de 15 anos, por meio do índice de envelhecimento da população.

Conforme o estudo, em 2060, um quarto da população (25,5%) terá mais de 65 anos. No total, para cada 100 pessoas com idade de trabalhar, que é a faixa compreendida entre 15 e 64 anos, o país teria 67,2 indivíduos acima desta idade ou abaixo de 15 anos. No nível do Brasil, o índice em 2018, indica que o país tem 43,2 crianças de até 14 anos para cada 100 idosos com 65 anos ou mais. Em 2039, a projeção aponta que o indicador vai passar de 100, o que representará mais pessoas idosas que crianças. O estudo mostra que, em 2029, o Rio Grande do Sul deverá ser o primeiro a ter uma proporção maior de idosos do que de crianças de até 14 anos. Mas em 2033, o Rio de Janeiro e Minas Gerais deverão ter relação semelhante. Com comportamento diferente, o Amazonas e a Roraima vão continuar com mais crianças e idosos até o limite da projeção em 2060.

Expectativa de vida

Com 79,7 anos, Santa Catarina, que, atualmente, tem a maior esperança de vida ao nascer para ambos os sexos, subirá para 84,5 anos em 2060. O Maranhão, com a menor expectativa de vida ao nascer (71,1 anos) em 2018, vai perder a posição para o Piauí que em 2060, terá a taxa de 77 anos.

Dependência

O IBGE estimou também que a razão de dependência da população brasileira em 2018 é 44%. Isso significa que 44 pessoas com idades menores de 15 anos e maiores de 64 dependiam de cada 100 indivíduos em idade de trabalhar. A proporção deve subir para 67, 2% em 2060.

 

O instituto chamou atenção que em 2010, a razão de dependência era 47,1% e atingiu o menor patamar em 2017, quando registrou 44%. Até 2028 a expectativa é crescer alcançando 47,4%, o mesmo do que foi anotado em 2010.

Eleitores

O IBGE informou que, em 2018, o Brasil tem 160,9 milhões potenciais eleitores, ou seja, pessoas com 16 anos ou mais. Em comparação com 2016 houve uma elevação de 2,5%, quando havia 156,9 milhões nesta faixa de idade.

Imigração

A Projeção de População avaliou os movimentos de migração internacional. A estimativa é que, entre 2015 e 2022, o número de venezuelanos imigrantes no Brasil chegue a 79 mil.

Estudo

A projeção detalha a dinâmica de crescimento da população brasileira, acompanhando suas principais variáveis: fecundidade, mortalidade e migrações. Além de projetar o número de habitantes do Brasil e das 27 unidades da federação no período entre 2010 e 2060. O estudo é uma parceria do IBGE com órgãos de planejamento de quase todos os estados brasileiros e segue as recomendações da Divisão de População das Nações Unidas.

*Com Agência Brasil

Marta é indicada mais uma vez ao prêmio de melhor jogadora do mundo

ESPORTES

Por gazetaweb.com /globoesporte.com  0

Marta é indicada mais uma vez ao título de melhor do mundo

Fifa divulgou nesta terça-feira (24) a lista com as 10 finalistas ao prêmio de melhor jogadora do mundo. Entre as selecionadas está Marta, vencedora do troféu por cinco vezes e indicada em 14 oportunidades. Lieke Martens, que ganhou em 2017, não aparece na lista. 

Além da alagoana, foram indicadas as jogadoras Lucy Bronze (Lyon e seleção inglesa), Pernille Harder (Wolfsburg e seleção dinamarquesa), Ada Hegerberg (Lyon e seleção norueguesa), Amandine Henry (Lyon e seleção francesa), Sam Kerr (seleção australiana e Sky Blue), Saki Kumagai (Lyon e seleção japonesa), Dzsenifer Marozsan (seleção alemã e Lyon), Megan Rapinoe (Estados Unidos e Seattle Reign) e Wendie Renard (seleção francesa e Lyon) são as escolhidas. Destaque para seis atletas do Lyon, que em maio garantiu seu quinto título da Champions League.

Presente na relação, Marozsan vem enfrentando um problema de saúde delicado. Vencedora da última edição da Champions com o Lyon, a jogadora da seleção alemã tem uma embolia pulmonar e está temporariamente fora dos gramados ainda sem previsão de retorno. 

O júri para a definição dos candidatos foi formado por notáveis do mundo do futebol. A brasileira Sissi, um dos ícones da modalidade no país e integrante do Fifa Legends, esteve entre as juradas. Definidas as finalistas, serão abertas agora as votações para definir cada eleito com participação do público (você pode acessar por esse link), dos capitães das seleções, dos treinadores e mais de 200 jornalistas. 

A festa de gala para anúncio da vencedora está marcada para 24 de setembro. O período de análise de desempenho foi de 7 de agosto de 2017 a 24 de maio de 2018.

Júnior Tigre/Blog do Tinho2a5f105d bf9d 46d4 8cd5 028ba4370260JHC

Como anunciado pelo Deputado Federal João Henrique Caldas JHC (PSB), durante a Audiência pública realizada em Maceió, que contou com mais de dois mil Professores, uma das medidas que estavam sendo tomadas para garantir a destinação correta dos precatórios, com o apoio do congressista João Caldas, presidente do PSC em Alagoas, era o ingresso da ADPF 528 (Descumprimento de Preceito Fundamental).

A ação, do Partido Social Cristão (PSC), com a colaboração dos argumentos e discussões extraídos da Comissão de Fiscalização do FUNDEF coordenados por JHC (PSB), questiona, no Supremo Tribunal Federal (STF), ato do Tribunal de Contas da União (TCU) que desobrigou estados e municípios de destinarem percentual mínimo (60%) de recursos complementados pela União, para pagamento de profissionais do magistério.

As verbas decorrem de erro de cálculo no repasse do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) reconhecido judicialmente. A questão é tema da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 528, distribuída ao ministro Alexandre de Moraes.

O PSC explica que vários entes federados acionaram o Poder Judiciário para obter a reparação de um erro no cálculo do valor do Fundef – atual Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – referente ao período de 1998 a 2006. A Justiça condenou a União a repassar a diferença aos estados e municípios que ingressaram em juízo, mediante o pagamento de precatórios. A matéria também foi submetida ao STF no julgamento das Ações Cíveis Originárias (ACOs) 648, 660, 669 e 700, quando foi decidido que a complementação da União ao fundo deve ser calculada com base no valor mínimo nacional por aluno extraído da média nacional.

Em agosto de 2017, o Plenário do TCU assentou que, embora os recursos recebidos a título de complementação devessem permanecer com aplicação vinculada à educação, não deveria persistir com relação a estas verbas a destinação de 60% para pagamento dos profissionais do magistério da educação básica, pois tal destinação poderia resultar “em graves implicações futuras quando exauridos tais recursos”. Ainda em dezembro do ano passado, lembra o partido, o presidente do TCU concedeu medida cautelar determinando que os recursos provenientes da diferença do Fundef/Fundeb fossem aplicados exclusivamente em ações de manutenção e desenvolvimento do ensino para educação básica pública, sob pena de responsabilidade dos gestores públicos.

Para a legenda, assim como aponta o Deputado JHC, a deliberação do TCU resulta em violação do direito fundamental à educação, à valorização dos profissionais da educação escolar e ao piso salarial profissional nacional, além de afrontar o objetivo constitucional de diminuir desigualdades sociais e regionais. Sustenta ainda que o ato questionado fere o artigo 60, inciso XII, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), ao desobrigar gestores públicos de cumprir a vinculação do mínimo de 60% dos valores para o pagamento de professores. “O acórdão do TCU extrapolou sua competência ao modificar a destinação constituição e legal dos recursos do Fundeb/Fundef” afirma o PSC.

O partido pede a concessão de liminar para suspender o ato questionado até o julgamento do mérito da ADPF, quando espera que o Supremo anule, com eficácia geral e efeito vinculante, a parte questionada do acórdão do TCU.

 

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@BlogdoTinho

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Morre aos 74 anos o Monsenhor Delorizano Marques da Rocha

GERAL

Por José Malta Fontes Neto-Jornalista MTE/AL 1740  0

 

Morreu na manhã desta segunda-feira (23), em Maceió, o Monsenhor Delorizano Marques da Rocha. O sacerdote sofreu um infarto do miocárdio e estava internado no Instituto do Coração no Hospital Arthur Ramos na Capital Alagoana havia vinte dias. Nesta segunda-feira (23) teve novas complicações cardíacas levando-o a óbito.

O corpo do monsenhor virá para Santana do Ipanema e será inicialmente velado na Igreja Matriz de São Cristóvão, onde acontecerá a Missa quando da chegada.O velório acontecerá durante toda a noite e madrugada. Às 05h30min desta terça-feira (24) será celebrada outra Missa.

As 6h30min desta terça-feira (24) o féretro será levado em cortejo fúnebre à Igreja Matriz de Senhora Sant´Ana, onde também será celebrada uma Missa às 07h.

Após as homenagens e celebrações em Santana do Ipanema o corpo seguirá para a cidade de Major Izidoro. Em sua terra natal será celebrada a Missa às 09h e na sequencia acontecerá o sepultamento no cemitério local.

Delorizano Marques da Rocha (*27/02/1944 +23/07/2018)

Delorizano Marques da Rocha nasceu em Major Izidoro aos 27 dias de fevereiro de 1944. Foram seus pais Benedito Jerônimo da Rocha e Maria Marques da Rocha. Fez curso primário nessa cidade, o ginásio no seminário de Nossa Senhora de Fátima em Penedo e o científico, no seminário de São José em Garanhuns. No seminário de Viamão no Rio Grande do Sul, estudou filosofia e teologia, na Universidade Católica de Porto Alegre.

D. Otávio Barbosa Aguiar ordenou-o, em 23 de janeiro de 1975, na matriz de sua terra natal, onde cantou a primeira missa no dia seguinte.

Em 1975, foi nomeado coadjutor do monsenhor Sebastião Alves Bezerras, homem de virtudes e dedicado à Igreja, em Água Branca. Dirigiu a Diaconia de Inhapi e, depois, foi o primeiro vigário, nomeado em 1976. A paróquia foi criada em 21 de junho de 1976, cuja padroeira é Nossa Senhora do Rosário. Paroquiou em Batalha. Em 31 de janeiro de 1980 foi nomeado pelo Bispo Diocesano D. Epaminondas José de Araújo, pároco da paróquia de São Cristóvão na cidade de Santana do Ipanema. 

Em 10 de fevereiro de 1989, assumiu o paroquiato de Senhora Sant´Ana. Recebeu o título de Monsenhor em 14 de dezembro de 2003. Para comemorar o início do século XXI, construiu o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, inaugurado em primeiro de janeiro de 2001. Foi transferido para Água Branca, em fevereiro de 2008. 
(A Freguesia da Ribeira do Panema – Tobias Medeiros – 2ª edição pg.149 - 2016)

Em maio de 2016 o Monsenhor Delorizano deixou a paróquia de Água Branca, indo para a cidade de Maceió gozar da sua aposentadoria.

Cidadão Santanense

No dia 23 de maio de 1984, por meio do Decreto Legislativo nº 03/84, de autoria do vereador Luciano Gaia Nepomuceno a Câmara de Vereadores de Santana do Ipanema concedeu o título de Cidadão Honorário do então Padre Delorizano Marques da Rocha.

 

 TV E JORNAL ENTREVISTAM ESCRITORES SANTANENSES
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.946
JORNALISTAS ENTREVISTAM B. CHAGAS. (FOTO: MARCELO FAUSTO).
 
A população de Santana do Ipanema foi ontem representada pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcelo Fausto em sua historiografia cangaceira. Já no cair da tarde – tendo como palco o Restaurante e Pousada Aquarelas – uma enxurrada de perguntas, por mais de duas horas, crivou a mente dos sertanejos na Távola Retangular daquele estabelecimento. A catapulta veio com satisfação dos jornalistas da Tribuna Independente e TV Cultura Wellington Santos, Adailson Calheiros e João Marcos Carvalho. Os cenários dos anos 20 e 30 foram rastreados na desenvoltura dos jornalistas no cerco aos bandos cangaceiros. Santana do Ipanema surgiu inúmeras vezes como núcleo de forças volantes e sede de batalhão formado para combater o cangaceirismo em Alagoas.
Santana do Ipanema começa a sua notoriedade na luta contra bandidos, a partir da implantação do 20Batalhão de Polícia com sede na cidade. Ocupando a Cadeia Velha e depois o prédio ocioso construído para ser hospital, os soldados tinham como comandante o, então, major José Lucena de Albuquerque Maranhão. Era daquele edifício que saíam as ordens para todas as volantes espalhadas em território alagoano. Dali também saíram as últimas ordens para o aperto final da polícia contra Lampião e seus asseclas. E para quem não sabe, partiu de Santana do Ipanema para o Brasil e para o mundo a primeira notícia da morte de Lampião, Maria Bonita e mais onze congaceiros. A igrejinha/monumento a Nossa Senhora Assunção, recebeu em seus degraus a exposição das onze cabeças dos sequazes trucidados na fazenda Angicos, em Sergipe, por três volantes alagoanas.
Este é apenas um resumo da entrevista à Tribuna Independente e a TV Cultura, diante das argutas indagações dos escolados jornalistas. A história do cangaço na compartimentação Santana do Ipanema é totalmente ignorada pela sua população de hoje, mas, rica em detalhes em nosso livro: Lampião em Alagoas,atualmente, única testemunha daquele tempo tenebroso.
Mas como essa geração pode saber de nada se a história do município não está nos currículos escolares. Enquanto isso o livro “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema, continua na gaveta”.
Onde estão os mecenas e as autoridades?
 TV E JORNAL ENTREVISTAM ESCRITORES SANTANENSES
Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.946
JORNALISTAS ENTREVISTAM B. CHAGAS. (FOTO: MARCELO FAUSTO).
 
A população de Santana do Ipanema foi ontem representada pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcelo Fausto em sua historiografia cangaceira. Já no cair da tarde – tendo como palco o Restaurante e Pousada Aquarelas – uma enxurrada de perguntas, por mais de duas horas, crivou a mente dos sertanejos na Távola Retangular daquele estabelecimento. A catapulta veio com satisfação dos jornalistas da Tribuna Independente e TV Cultura Wellington Santos, Adailson Calheiros e João Marcos Carvalho. Os cenários dos anos 20 e 30 foram rastreados na desenvoltura dos jornalistas no cerco aos bandos cangaceiros. Santana do Ipanema surgiu inúmeras vezes como núcleo de forças volantes e sede de batalhão formado para combater o cangaceirismo em Alagoas.
Santana do Ipanema começa a sua notoriedade na luta contra bandidos, a partir da implantação do 20Batalhão de Polícia com sede na cidade. Ocupando a Cadeia Velha e depois o prédio ocioso construído para ser hospital, os soldados tinham como comandante o, então, major José Lucena de Albuquerque Maranhão. Era daquele edifício que saíam as ordens para todas as volantes espalhadas em território alagoano. Dali também saíram as últimas ordens para o aperto final da polícia contra Lampião e seus asseclas. E para quem não sabe, partiu de Santana do Ipanema para o Brasil e para o mundo a primeira notícia da morte de Lampião, Maria Bonita e mais onze congaceiros. A igrejinha/monumento a Nossa Senhora Assunção, recebeu em seus degraus a exposição das onze cabeças dos sequazes trucidados na fazenda Angicos, em Sergipe, por três volantes alagoanas.
Este é apenas um resumo da entrevista à Tribuna Independente e a TV Cultura, diante das argutas indagações dos escolados jornalistas. A história do cangaço na compartimentação Santana do Ipanema é totalmente ignorada pela sua população de hoje, mas, rica em detalhes em nosso livro: Lampião em Alagoas,atualmente, única testemunha daquele tempo tenebroso.
Mas como essa geração pode saber de nada se a história do município não está nos currículos escolares. Enquanto isso o livro “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema, continua na gaveta”.
Onde estão os mecenas e as autoridades?

''Mais negros e mulheres falando de literatura é uma decisão política"

 

Pela segunda vez a jornalista Joselia Aguiar está na curadoria da Festa Literária Nacional de Paraty (Flip). Sob suas mãos, o evento se repaginou em 2017 a partir da maior presença de autoras mulheres e autores negros em relação as edições passadas. Neste ano não será diferente: a porcentagem se mantém, inclusive nos aspectos da presença de editoras de pequenos portes.

Por Mariana Gama Cubas para Carta Capital

João Bertholini
Josélia: "o fato de incluir mais negros e mais mulheres é uma decisão política. Só que é mais político ainda que essas pessoas falem de suas literaturas".Josélia: "o fato de incluir mais negros e mais mulheres é uma decisão política. Só que é mais político ainda que essas pessoas falem de suas literaturas".
As mudanças geraram polêmicas, mas ao final da edição passada foi conclamada pela imprensa, escritores e artistas. "Se você busca mais autores mulheres e mais autores negros você oferece um programa com menos pessoas conhecidas. Porque, em geral, os mais conhecidos são autores brancos", diz Joselia, que concluiu seu doutorado sobre o escritor baiano Jorge Amado.

Levar escritores com esse perfil não era suficiente para a curadora. Mais que ampliar a presença de setores minorizados da sociedade, Joselia conta que a literatura deles é o centro das conversas na mesas. "Os autores tem que ser tratados como autores e não como temas."

Outro ponto que reflete o êxito da curadoria é número de casas parceiras que promoverão encontros e debates com escritores, artistas, além de sociólogos, juristas e economistas: passou de 7 em 2017 para 22 na edição deste ano, que acontece de 25 a 29 de julho. "Alguma coisa mudou na paisagem da Flip", avalia.

Confira abaixo a entrevista de CartaCapital com Joselia Aguiar.

CartaCapital: Qual foi a sua sensação no encerramento da Flip 2017?

Joselia Aguiar: Foi um dos anos em que eu mais aprendi na vida, pelos bastidores, todas as conversas que tive, com muita gente, sobretudo as conversas com interlocutores negros.

Sendo baiana, tendo estudado autores que de alguma maneira trataram de racismo, como o Pierre Verger e o Jorge Amado, e sempre muito interessada nessa questão, eu achava que tinha uma compreensão do problema. Mas essa compreensão passou a ser outra. Passei por uma tomada de consciência em relação a questão racial. Isso foi incrível.

Outro ponto é que terminei com a sensação de ter feito alguma coisa que tinha sido relevante ao aumentar a quantidade de mulheres, de autores negros. E também da maneira como foi feito, a partir da literatura deles. Não eram mesas só sobre a questão negra, a questão feminina... Muita gente já estava fazendo esse tipo de debate.

Eu brincava dizendo que em todos os lugares você via uma mesa sobre empoderamento feminino, que acabava sendo uma espécies de uma “mesa de cota”. Você não via as mulheres distribuídas na programação, conversando sobre todos os assuntos nos eventos. 

Na Flip decidi que as autoras iriam pelas obras, protagonistas tanto quanto os homens. Os autores negros e as autoras negras da mesma maneira. Não uma mesa só de um determinado horário, de um determinado dia, como se o autor fosse um tema. O autor não é um tema.

CC: Acredita que a Flip se popularizou?

JA: Acho que popularizou de uma determinada maneira. Temos mais atores de editoras pequenas na programação principal. Isso fez com que várias editoras independentes se interessassem em ir à Flip nas programações paralelas.

E quando se abre essa pauta de mulheres e negros na programação, ela também traz grupos que não estavam tradicionalmente incorporados à Flip. Se pensarmos que vamos ter uma casa parceira chamada “Diálogos Insubmissos”, que é organizada por uma pessoa das Letras da Bahia, uma produtora negra, que vai reunir uma programação toda de autoras negras em torno da Conceição Evaristo, é uma coisa que antes não tinha.

Abrindo para mais mulheres e mais autores negros, você acaba trazendo, incorporando, atraindo setores que antes não se sentiam contemplados e com isso vem os leitores também. Quem está buscando essas pautas também se sente incluído. Alguma coisa mudou na paisagem da Flip.

CC: Hilda Hilst é a homenageada deste ano. Qual sua relação com a literatura dela?

JA: Eu era estudante em Salvador quando saiu O Caderno Rosa do Lori Lamby e tive contato com as primeiras notícias dela. Fiquei curiosa para saber que outros livros eram aqueles que haviam sido publicados e sobre mulher que eu nunca tinha ouvido.

Procurei nas livrarias de Salvador e realmente não encontrei. Então ficou um pensamento de que havia “um mundo que eu não conheço e que não está no meu alcance”.

Anos mais tarde, já em São Paulo e como editora da EntreLivros, a Globo lançou a obra da Hilda organizada por Alcir Pécora e comecei a receber a obra da Hilda. Agora é que a obra dela está circulando.

CC: Como foi o processo de escolha da Hilda como homenageada? 

JA: Depois que terminou a Flip do Lima Barreto e a organização me convidou para voltar eu coloquei um ponto meu de que precisava fazer a curadoria de uma autora mulher. E a ideia de ter uma mulher como a Hilda, nesse momento pós Lima Barreto, pareceu boa para os organizadores da festa. 

Assim como o Jorge Amado, ela trabalha a dimensão mística e erótica, mas de maneiras totalmente diferentes. Eu gosto muito dessa coisa de eles se recolherem para escrever. Ela tem a Casa do Sol, ele tem a Casa do Rio Vermelho, ambos acordavam cedo para escrever.

CC: Você diz que Flip gira em torno do literário. O que entende sobre o literário?

JA: Alguns programas em festas literárias incorporam debates de política, de economia, internacional. É possível você ver em uma festa literária um debate sobre Oriente Médio, sobre assuntos de sociologia, a superexposição dos indivíduos nas redes sociais… Isso não está errado. É uma escolha, uma opção, uma forma de desenhar o programa.

Tanto ano passado como este ano decidi não fazer desse modo, acho que as pessoas tem receio de colocar literatura em uma festa literária. Elas acham que as pessoas não vão ser atraídas. Quase que como se quanto mais o debate for de atualidades, mais vai ter pauta e audiência.

Eu quis fazer o contrário, quis pegar a literatura que seria uma coisa que está desaparecendo dos cadernos de cultura. O que leva um jornal a acabar com seu suplemento literário e transformá-lo em um caderno de variedades? A ideia de que não ter leitor para isso e que, se colocar outros temas e outras áreas haverá mais.

Para atrair audiências às vezes as pessoas investem em debates de atualidades e o que quis fazer foi justamente reforçar a literatura e as artes. Todas as mesas, com pequenas exceções, são de escritores falando do seus livros. A literatura está no centro por isso. A gente não pode tirar a literatura de uma festa literária. 

CC: Por isso optou por não chamar profissionais da economia, política ou judiciário?

JA: Queria colocar a literatura em primeiro lugar. Tem muita gente fazendo debate sobre esse temas e quis resguardar, seria uma resistência mesmo. A Flip do ano passado foi de temperatura altamente política. Todas as mesas têm autores que enfrentam temas extremamente graves.

Este ano temos uma homenageada que fez livro pornográfico e, na obra dela, há o que questionamento dos limites. Vamos mostrar que a arte tem que falar de liberdade, de sexo, de religião.

Temos vários autores que falam de religião quando o que está acontecendo no Brasil é um movimento de impedir as pessoas de terem liberdade religiosa. As religiões afro-brasileiras estão sendo atacadas. Vamos homenagear a editora Corrupio, que publicou um autor que escreveu um livro que chama Orixás, sobre deuses africanos no Brasil.

Temos uma mesa que chama Interdito e trata do momento que estamos asfixiado com a ideia de que não podemos falar de certos temas, um autor que fala o que é ser judeu. Esse mesmo autor escreve sobre homoafeto. Há também uma autora que escreve sobre sexualidade entre mulheres no Oriente Médio. São autores que enfrentam com muita liberdade temas tabus.

Do ponto de vista de composição de autores, o fato de incluir mais negros e mais mulheres é uma decisão política. Só que é mais político ainda que essas pessoas falem de suas literaturas. A crítica de que não há debates sobre a atualidade está muito relacionadas ao pessoal que está na grande imprensa, que funciona às vezes no automático. Que é o mesmo automático que diz que a Flip do ano passado era sobre o racismo.

CC: Tanto nesta edição como na anterior você tem priorizado um programa com mais autores de editoras de pequeno porte. Algum motivo especial?

JA: Existe um conceito já conhecido de bibliodiversidade, você consegue uma multiplicidade de olhares, de abordagens sobre muitas questões conforme você tem um leque maior de editoras participando.

Então essa decisão é para democratizar o acesso de editores de menor porte para o grande palco que é a Flip. Foi um dos gestos que contribuiu para deixar a Flip mais diversa sem, necessariamente, passar pela outra etapa que é de ter mais mulheres e mais autores e autoras negras.

CC: Essa decisão desagradou as grandes editoras?

JA: Não chegou a mim em forma de desagrado. Todos os editores querem, claro, colocar seu autores. E como são, obviamente, apaixonados pelos autores e livros que publicam querem muito, insistem. Isso é bem comum. E editores pequenos também são apaixonados pelos seus livros e querem muito.

Então o esforço para serem representados é grande e infelizmente a gente tem um espaço limitado e não consegue contemplar todas as sugestões. O que sinto também é que há um agrado muito grande de editoras menores que passaram a participar da Flip.

CC: O que você não quis repetir nesta edição da Flip em relação a anterior?

JA: Pelo meu jeito de trabalhar não gosto de fazer nada igual ao que fiz. Eu mantive esse programa plural e a literatura no centro por uma busca de maior complexidade dos debates, sem deixar de fora a questão política e social. Mas nesta edição eu tinha um outro tipo de autor para trabalhar.

Enquanto o Lima Barreto lidava diretamente com as questões sociais e políticas - ele tratou do racismo e do Brasil na Primeira República em sua obra -, a Hilda possibilitou fazer uma Flip com grandes temas: o amor, a morte, o sexo, a transcendência, Deus, a ideia de Deus. Era muito interessante ter esse programa plural com esse tipo de debate. Até para que a gente confirmasse que os autores têm que ser tratados como autores e não como temas

Confira a entrevista em vídeo com Josélia Aguiar:

Minha Casa, Minha vida Entidades: Globo ignora projetos bem-sucedidos

 

"As entidades e movimentos acima têm mais de 30 anos de experiência na construção de moradias por meio da autogestão, em que a família participante tem voz ativa em todo o processo de produção da moradia", afirma trecho de nota assinado por movimentos de moradia crítica à reportagem veiculada na rede Globo, na segunda-feira (19). O ataque foi contra o programa Minha Casa, Minha Vida Entidades. As entidades não foram ouvidas pela emissora.

  
Confira a nota na íntegra:

Movimentos repudiam ataques e criminalização do MCMV-Entidades pela Rede Globo

Na noite desta segunda-feira (16/7), o Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu reportagem extremamente superficial sobre o Minha Casa Minha Vida-Entidades (MCMV-E) com ataques ao programa a partir de um denuncismo vazio, abordando um caso de famílias que teriam investido recursos e não receberam a unidade habitacional, sem apresentar as causas do problema. A partir de um único caso de empreendimento apresentado e sequer contratado por uma das 1.861 entidades habilitadas no Ministério das Cidades, a reportagem desqualifica todo o programa. A Rede Globo, na sua tradição golpista e manipuladora, não apresentou nenhum caso bem sucedido, dentre os tantos desenvolvidos com financiamento do programa.

A reportagem ainda acrescenta que, nos últimos nove anos, sob coordenação das entidades, foram construídas pouco mais de 72 mil unidades contra mais de 1 milhão e 700 mil por empresas. Novamente, omite as causas da discrepância, uma vez que o governo determinou que mais de 97% dos recursos orçamentários são destinados para a modalidade de contratação de construtoras, e apenas 3% dos recursos para o MCMV-Entidades. 

A União Nacional por Moradia Popular (UNMP), a Central dos Movimentos Populares (CMP), a Confederação Nacional de Associações de Moradores (CONAM), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) repudiam veementemente mais esse ataque aos movimentos e associações que historicamente lutam pelo direito à moradia, e exigem retratação da Rede Globo. A reportagem induz o telespectador a entender o MCMV-E como ineficaz, sem sequer ouvir as organizações que participam do programa. É claro o interesse de defender a execução pelo mercado, uma vez que também omite informações sobre os problemas relacionados à atuação das construtoras, que entregam apartamentos de pior qualidade. Além disso, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, faz uma infeliz declaração ao condenar as cobranças de forma generalizada, pois sabe que a contrapartida é prevista na regulamentação do programa e as entidades, para obter a liberação de recurso da Caixa Econômica Federal para executar a obra, têm grandes gastos com a elaboração de projetos e todo trâmite burocrático que precede a seleção. Também podemos destacar toda fiscalização e controle dos projetos por parte da CAIXA e MCidades que muitas vezes chegam a cobrar da entidades coisas que não cobram do mercado.

As contratações do MCMV-Entidades estão praticamente paralisadas desde 2016. Os movimentos exigem a retomada dos investimentos no MCMV-E, com contratação de 100 mil unidades por ano. Após muita luta, um novo processo de seleção foi anunciado pelo Ministério, em julho, de apenas 10 mil unidades, número muito aquém, inclusive, das 30 mil previstas na proposta orçamentária de 2018 e de 2017. 

As entidades e movimentos acima têm mais de 30 anos de experiência na construção de moradias por meio da autogestão, em que a família participante tem voz ativa em todo o processo de produção da moradia. Já atuamos em programas habitacionais de diversos estados e municípios e do governo federal, com resultados exitosos, reconhecidos e replicados. Consideramos de extrema importância também ver essas experiencias retratadas em mídia nacional.

Seguimos também na luta pela aprovação de uma Lei Nacional da Autogestão e que programas como o Minha Casa Minha Vida Entidades se tornem política permanente. Dessa maneira o direito à moradia será efetivado com a garantia de participação popular.

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