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Caixa libera saque do FGTS aos trabalhadores vítimas das enchentes em Santana do Ipanema

Defensoria Pública e Prefeitura atuaram para conseguir benefício para os trabalhadores vítimas das enchentes
Por: Redação Sertão na Hora  
 
 

A Prefeitura de Santana do Ipanema comunica que a Caixa Econômica Federal iniciou a liberação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores que foram vítimas das enchentes ocorridas em março desse ano na cidade de Santana do Ipanema.

Os trabalhadores santanenses que possuírem saldo de FGTS e interesse em sacar tais valores poderão, até o próximo dia 11 de julho, solicitar o levantamento do valor.

A solicitação poderá ser feita por meio do aplicativo FGTS sem a necessidade de comparecimento pessoal nas agências bancárias.

A ação se deu após uma recomendação feita pela Defensoria Pública do Estado de Alagoas e pela Defensoria Pública da União, contando com o apoio da Prefeitura e Defesa Civil Municipal, no levantamento das informações e documentos necessários.

 

Palestina:”Dia da Raiva” mobilizou milhares contra Israel

 

Protestos impediram plano israelense de anexar o Vale do Jordão, anunciado pelo primeiro ministro direitista Benjamin Netanyahu.

 

Protesto palestino contra anexação.

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupadas, houve protestos na quarta-feira (1º), o “Dia da Raiva”, contra o plano israelense de anexar o Vale do Jordão, anunciado pelo primeiro ministro direitista Benjamin Netanyahu. Há algumas semanas, Netanyahu havia indicado que o início da anexação seria no primeiro dia de julho.

Milhares de manifestantes de várias facções palestinas, alguns portando bandeiras nacionais e cartazes contra o presidente Donald Trump, dos EUA, juntaram-se na Faixa de Gaza ocupada para dizer não aos planos expansionistas de Israel, que implicam em perda de cerca de um terço do território ocupado da Cisjordânia. Na verdade, trata-se de roubo desse território palestino.

Um manifestante disse à imprensa que “é preciso reativar a resistência” e outros concordaram, chamando a atenção para a possibilidade de uma terceira intifada. Protestos semelhantes, marcando o “Dia de Raiva”, ocorreram em Ramallah e Jericó, na Margem Ocidental, ocupada por Israel.

A coligação que governa Israel, liderada pelo radical de direita Benjamin Netanyahu, havia anunciado a data de arranque para impor a “soberania” de Israel sobre 30% da Cisjordânia ocupada, incluindo a região fértil do Vale do Jordão.

No entanto, dada a resistência e a oposição despertadas, o esquema não saiu do papel. Por enquanto, o regime deixou à mostra que tem paus nas rodas: designadamente, há divisões no seio da coligação governantes, entre Netanyahu e os ministros da Defesa, Benny Gantz, e dos Negócios Estrangeiros, Gabi Ashkenazi.

O gabinete de Netanyahu emitiu um comunicado afirmando que a anexação continuará a ser discutida com a administração dos EUA. “Nos próximos dias haverá mais discussões”, diz a nota divulgada. Por seu lado, o ministro dos Assuntos Sociais, Ofir Akunis, disse que Israel anexará partes da Cisjordânia ainda este mês, mas só depois de ter o sinal verde do presidente dos EUA. A anexação “só acontecerá depois de uma declaração de Trump”, disse o ministro.

Existem sinais de que a atual administração dos EUA hesita na declaração desse apoio oficial que Netanyahu procura. Os EUA defrontam-se com vários problemas internos e receios de que esse passo prejudique uma hipotética reeleição de Trump em novembro.

Entretanto, alguns firmes aliados dos EUA e de Israel deixaram clara sua oposição à anexação. O parlamento alemão aprovou uma resolução em que apela ao governo de Merkel para que “expresse ao governo israelense nossas preocupações e a nossa exigência urgente de que trave a anexação de partes da Margem Ocidental [ocupada] e a expansão contínua dos colonatos, que viola o direito internacional”.

Por seu lado, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, alertou para as consequências de uma anexação israelense dos territórios palestinos, que será uma “violação do direito internacional” e “porá em causa os parâmetros para a resolução do conflito”.

*Com base em texto da Abril, com alterações

Total de 10,3 mil indígenas infectados é maior que 3 países vizinhos

 

Número da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) é maior que o da Secretaria de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde. Servidores do Governo Federal e frigoríficos foram responsáveis por entrada do vírus nas aldeias.

 

 

Foto: Mídia Ninja

O Brasil tem 10,3 mil casos confirmados de covid-19 entre indígenas, segundo dados contabilizados nesta quinta-feira (2) pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O número é maior que o total de casos do Uruguai (947), Paraguai (2303) e Venezuela (6062), somados. A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, apresenta um número menor: 6,8 mil confirmados até esta quarta-feira (1º), que equivalem a 66% do levantamento feito pela entidade.

As mortes devido à covid-19 também apresentam divergência entre o informado pela sociedade civil e pelo governo. A comissão da Apib, que conta com entidades ligadas às comunidades indígenas, diz que são 408 mortos. Eles dizem que a Sesai listou 251 óbitos, mas no site da secretaria do ministério consta o número 158, que equivale a 38,7% do total contado pela Apib.

Ainda segundo as entidades, a Sesai não tem feito o atendimento e o registro dos indígenas infectados em contexto urbano. A Apib diz que “repudia a medida e exige a revogação da medida para que todos os indígenas sejam atendidos”.

A comissão dos povos explica que faz uma coleta de dados independente e descentralizada com a ajuda das diversas organizações que compõem a base da Apib. Nesse cálculo, também estão incluídas as bases da Sesai e das secretarias municipais e estaduais. Segundo o relatório, médicos, agentes da Sesai, e militares do Exército foram os introdutores do Sars-Cov2, o novo coronavírus, nas aldeias, inclusive as mais isoladas da Amazônia. No Centro-Oeste e Sul do país, funcionários indígenas de frigoríficos levaram o vírus para suas aldeias. Muitos se infectaram tentando buscar o auxílio emergencial nas cidades, além do contato com garimpeiros e desmatadores que invadem os territórios indígenas.

A Apib tem o Comitê Nacional pela Vida e Memória dos Povos Indígenas, formado por organizações ligadas diretamente às aldeias e ativistas de proteção aos índios. Os números de casos e mortes por covid-19 apresentados são maiores porque incluem povos de territórios tradicionais em áreas urbanas e rurais, segundo a organização.

Números crescem

Gráfico com números levantados até 25 de junho já revela a curva ascendente sem platô

Independente da base de dados, os números avançam em curva ascendente sem sinais de achatamento. Em 1º de junho, a Apib contabilizava 1,8 mil infectados em povos indígenasOs números da Sesai estavam em 1,3 mil casos confirmados. Ambos os registros tiveram um acréscimo perto de 500% em apenas um mês.

O povo Xavante foi o mais afetado na última semana, de acordo com a Apib. Entre 25 de junho e 2 de julho, foram 31 mortes. O primeiro caso na comunidade foi registrado em 9 de maio, com um crescimento de 158% apenas nos últimos sete dias. Nesta quarta-feira (1º), três índios da etnia morreram em decorrência da covid-19, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá.

O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), Clarêncio Urepariwe, explicou que, na cultura Xavante, a família evita divulgar imagens dos mortos para que não fiquem lembranças e saudade.

Variação do número de mortes coletados pela Apib/Sesai

Cinco vezes pior

Além do que dizem os números de governo e entidades, um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelou que a prevalência do vírus Sars-Cov-2 entre a população indígena urbana (5,4%) é cinco vezes à encontrada na população branca (1,1%).

O estudo divulgado nesta quinta-feira avaliou apenas moradores de cidades brasileiras e não entrevistou indígenas que vivem em aldeias. Pretos e pardos também apresentaram maior proporção de testes positivos que brancos, respectivamente 2,5% e 3,1%.

Para calcular essa relação entre os grupos, a equipe de pesquisadores considerou uma amostra de 89.397 pessoas submetidas a testes sorológicos – que identificam a presença de anticorpos para a covid-19 –, entrevistadas durante as três fases do estudo Epicovid19 em 133 cidades.

Prevalência da Covid em populações

Cor da pele Testados Positivos
Branca 32.383 372 (1,1%)
Parda 40.088 1.237 (3,1%)
Preta 11.304 282 (2,5%)
Amarela 2.446 52 (2,1%)
Indígena 1.217 66 (5,4%)

Fonte: UFPEL

O que diz o governo

Na única coletiva a respeito da saúde indígena diante da pandemia de covid-19, o governo federal disse que a Sesai monitora cerca de 750 mil aldeados e que há um milhão de indígenas no país – ou seja, 250 mil vivem em áreas urbanas.

Segundo a secretária-executiva do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Tatiana Alvarenga, os indígenas fora das aldeias “não deixaram de ser cobertos pelas ações”.

Marcelo Xavier, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), disse no início de junho que foi feito um investimento de R$ 20,7 milhões de recursos emergenciais em ações de combate à pandemia. Ele lista, entre as medidas, entrega de cestas básicas e implementação de barreiras sanitárias contra a entrada nas terras indígenas.

Além disso, Robson Santos, secretário da Sesai, diz que o órgão tem como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas, compostos por postos de saúde dentro das aldeias indígenas. “A Sesai presta atenção primária dentro das terras indígenas”, explica.

Com informações do G1 e da Apib

Argentina faz controle de gafanhotos e diminui nuvem que se aproxima do Brasil

No fim de semana, governo do país vizinho encontrou a localização dos gafanhotos e começou a aplicação de inseticidas. Praga está a pouco mais de 100 km do Brasil e do Uruguai

↑ Governo da Argentina começou trabalho para controlar a população de gafanhotos — Foto: Confederação Rural da Argentina/Divulgação

Técnicos da Argentina começaram nesse fim de semana o controle da nuvem de gafanhotos que está passando pelo país e que se aproxima do Brasil e do Uruguai.

De acordo com o último boletim do Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agro-Alimentar (Senasa), a nuvem está localizada a 55 km na cidade de Curuzú Cuatiá, dentro da província de Corriente, e a pouco mais de 100 km do território brasileiro e do uruguaio. No sábado (27), equipes avaliaram os resultados da pulverização de inseticidas realizadas na tarde do dia anterior. Segundo a Confederação Rural da Argentina (CRA), que atua em conjunto com o Senasa, essa medida reduziu em 15% a quantidade de insetos.

Já no domingo (28), foram realizadas aplicações em terra de defensivos agrícolas contra a nuvem, o que deve diminuir ainda mais a concentração dos insetos. No início desta semana, técnicos argentinos monitorando o deslocamento da nuvem de gafanhotos e o tamanho da população após as medidas de controle.

Brasil monitora

Segundo o Grupo Técnico de Gafanhotos do Comitê de Sanidade Vegetal (Cosave), uma reunião para analisar a situação foi realizada no fim da última semana com participação de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai.

O Ministério da Agricultura brasileiro afirmou que o monitoramento feito pelo governo indica que “até o momento, estão mantidas as previsões sobre a rota da nuvem de gafanhotos, que não entrou em território brasileiro”.

“De acordo com os dados meteorológicos para a Região Sul do Brasil, previstos para os próximos dias, é pouco provável – até o presente momento – que a nuvem avance em território nacional. Caso isso ocorra, será feito um monitoramento interno para o acompanhamento da evolução do evento.”

Segundo um relatório do Ministério da Agricultura da Argentina, a espécie de gafanhoto que avança na América do Sul, chamada Schistocerca cancellata, causou danos severos à produção do país nos anos 1960 e é considerada uma “praga pouco conhecida”.

Novos ataques do inseto voltaram a ser relatados no país vizinho somente em 2015 e se repetiram em 2017 e 2019. Os argentinos afirmam que o inseto não traz nenhum risco aos humanos nem é vetor de doenças. No Brasil, de acordo o Ministério da Agricultura, esses gafanhotos estão no país desde o século 19 e causaram grandes perdas às lavouras de arroz na região Sul nas décadas de 1930 e 1940. Mas as nuvens não se formam desde então.

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Fonte: G1

PRF apreende diversas mercadorias sem nota fiscal no Sertão de Alagoas

Caminhoneiro apresentou notas fiscais de quantidades bem inferiores ao que tinha no veículo

↑ (Foto: Ascom PRF/AL)

Diversas mercadorias sem nota fiscal foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na noite de terça-feira (30). O flagrante ocorreu durante fiscalização no km 26 da BR–423, município de Canapi/AL.

Passava das 19 horas quando uma equipe fiscalizava em frente à Unidade Operacional (UOP) do Carié, zona rural de Canapi, e deu ordem de parada a um caminhão transportando uma volumosa quantidade de mercadoria. Ao verificar documentos pessoais e do veículo, os policiais solicitaram a documentação da carga, para a qual o condutor apresentou 27 notas fiscais que descreviam produtos diversos de vestuário, cosméticos e tecidos. Apesar dos documentos constarem no sistema da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais (Sefaz/MG), a quantidade era muito inferior ao que estava sendo transportado.

Após busca dentro do caminhão, os PRFs encontraram caixas contendo biscoitos e outras mercadorias para as quais não havia documento fiscal. Questionado, o condutor de 38 anos confessou ter conhecimento da irregularidade e que já havia realizado transportes do tipo. Ele informou que carregou os produtos em Nova Serrana/MG, para entregar em Recife/PE, João Pessoa/PB, Natal/RN e outras localidades.

Diante dos fatos, o caminhão – junto ao material apreendido – foi encaminhado à Sefaz/AL para verificação da carga e valores. Devido à quantidade de produtos, o auditor fiscal afirmou que precisaria escoltar o veículo até a sua base, posto fiscal de Delmiro Gouveia/AL, para realizar a conferência e contagem da carga.

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Fonte: Ascom PRF/AL

Ameaçadas de despejo, famílias acampadas fazem doação de alimentos em Alagoas

Ação de solidariedade acontece nesta terça-feira e denuncia a ameaça de despejo em Atalaia

↑ Foto: Reprodução

As mais de 150 famílias do acampamento Marielle Vive, em Atalaia, Zona da Mata de Alagoas, realizam hoje (30) uma ação de solidariedade na região. Em denúncia à ameaça de despejo de quem vive a área, os camponeses e camponesas devem doar uma série de alimentos produzidos no acampamento para as famílias do município.

O acampamento Marielle Vive tem sofrido uma série de ameaças por parte de supostos arrendatários da Fazenda Santa Tereza, pertencente ao empresário e ex-deputado federal João Lyra (PSD), que já teve falência decretada e contabiliza uma dívida de R$ 2,1 bilhões a credores, governo federal, estadual e a ex-funcionários.

A ordem de despejo que preocupa as famílias acampadas vem no período de pandemia, que fragiliza ainda mais a vida dos agricultores e agricultoras que vivem no acampamento e ameaça a destruição das roças produzidas pelo acampamento no último período.

A ação de solidariedade que ocorre essa manhã tem como objetivo dialogar com a sociedade sobre a ameaça que as famílias estão sofrendo com a ordem de despejo, mas também de apresentar concretamente os frutos da luta pela terra a partir da produção de alimentos.

Grande parte das 150 famílias acampadas são antigos trabalhadores e trabalhadoras da Usina do Grupo João Lyra, que já foi considerado um dos deputados federais mais ricos do país, no comando de cinco usinas de cana-de-açúcar em Alagoas e em Minas Gerais. Hoje, João Lyra conta com quase 300 ações judiciais que, em sua maioria, são frutos de ações trabalhistas.

Ameaças permanentes

No dia 28 de maio as famílias acampadas registraram Boletim de Ocorrência em denúncia às ameaças que estavam sofrendo por supostos arrendatários da Fazenda. De acordo com os acampados e acampadas, parte das lavouras do acampamento foi destruída e, na manhã do dia 27 de junho, pistoleiros dispararam tiros na área para amedrontar os Sem Terra.

Segundo os acampados e acampadas, as ameaças partem de capangas do ex-tesoureiro da Assembleia Legislativa de Alagoas e do ex-deputado estadual Nailton Felizardo, um dos envolvidos no desvio de recurso público descoberto pela “Operação Taturana”, em 2007.

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Fonte: Assessoria

A direita se une na privatização da água, por Altamiro Borges

 

 

“Na votação no Senado, os bolsonaristas se uniram aos tucanos e demos, tidos como oposição centrista”

 

(Foto: Reprodução)

O Senado aprovou na quarta-feira (24) o projeto do novo marco regulatório do saneamento básico – que incentiva, na prática, a privatização criminosa desse setor essencial. O texto, que teve a relatoria do senador-lobista Tasso Jereissati (PSDB-CE), recebeu 65 votos favoráveis e 13 contrários.

Usando como desculpa a tragédia da Covid, o projeto de lei foi aprovado às pressas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), apelou pela retirada dos destaques e pelo fim dos debates. O rentista Paulo Guedes, czar da Economia do laranjal bolsonariano, festejou a celeridade do golpe privatista.

A união dos adoradores do “deus-mercado”

O projeto de privatização da água e do saneamento juntou quem estava separado diante do “capetão”. Na votação no Senado, os bolsonaristas se uniram aos tucanos e demos, tidos como oposição centrista. A TV Globo abrandou suas críticas ao governo e aplaudiu a medida ultraneoliberal. Tudo pelo deus-mercado!

Os mesmos que prometeram que as “reformas” trabalhista e previdenciária salvariam a economia – iludindo os midiotas –, agora juram que o projeto resolverá o problema do saneamento e gerará empregos no país. O general Luiz Ramos, ministro-servil do capitão, garante que ele criará um milhão de vagas em cinco anos.

Atualmente, 34 milhões de brasileiros não têm água tratada e 45% dos 208 milhões de habitantes do país não possuem tratamento de esgoto. Mas esse quadro dramático não será resolvido com a privatização do setor. A iniciativa privada visa o lucro e não tem qualquer compromisso com o bem-estar da sociedade.

A entrega do filé mignon à gula empresarial

Como alerta o blogueiro Fernando Brito, no artigo “privatização às pressas fede”, a concessão de serviços de água e esgoto às empresas privadas já é permitida no Brasil pela Lei nº 11.445, de janeiro de 2007. O que o atual projeto faz é doar a parte lucrativa, o filé mignon, para a gula empresarial.

“A nova legislação traz de diferente exatamente isso: obriga que áreas já atendidas por entes públicos (que são 94% das concessões atuais) e que são as mais lucrativas, pois quase independem de custos de ampliação, tenham operação leiloada a empresas privadas”, registra o editor do blog Tijolaço.

Fernando Brito ainda ironiza: “Ou você acha mesmo que o que está atraindo tantos apetites é implantar adutoras, troncos coletores, estações de tratamento e toda a infraestrutura que o saneamento demanda e que, pela sua natureza, é investimento que só se pagará em 15 ou 20 anos?”

Passando a boiada da privatização da água

Já Luis Nassif destaca no site GGN que “a nova lei do saneamento permite passar a boiada da privatização da água”. Ele alerta para o artigo do projeto que diz que “as outorgas de recursos hídricos atualmente detidas pelas empresas estaduais poderão ser segregadas ou transferidas” para o setor privado.

Para ele, o “projeto institui a figura esdrúxula da ‘empresa produtora de água’, um personagem diferente da empresa que cuidará do saneamento”. Como enfatiza, “nas próximas décadas, a água será a mais importante commodity do planeta” e esse bem que existe em abundância no Brasil não pode ser privado!

No mesmo rumo, Amauri Pollachi publica um longo estudo no site Outras Palavras no qual comprova que “a ampla e irrestrita privatização do setor não vai melhorar a gestão e trazer os investimentos necessários à universalização dos serviços de água e esgoto”. Ele cita várias experiências trágicas – no mundo e no Brasil.

A experiência trágica de Manaus

Um caso triste é da capital do Amazonas. “Manaus, após 20 anos de gestão privada, tem 12,5% de coleta de esgotos e mais de 600 mil pessoas sem acesso à água. O Instituto Trata Brasil coloca o saneamento de Manaus – 6° maior município brasileiro – em 96º lugar entre os 100 maiores municípios do país”.

“Não por acaso, as regiões da cidade mais assoladas pela Covid-19 são as mais desassistidas em saneamento básico. Este estudo também aponta que as dez melhores cidades são operadas por autarquias ou empresas públicas e apresentam indicadores elevadíssimos de atendimento.

Países reestatizam os serviços de água e esgoto

Amauri Pollachi ainda repercute pesquisa publicada em maio de 2020 pelo Instituto Transnacional (TNI), sediado na Holanda. Ela mostra que 1.408 municípios de 58 países, nos cinco continentes, reestatizaram seus serviços, sendo que 312 municípios na área de água e/ou esgoto de 36 países entre os anos de 2000 e 2019. 
Há casos emblemáticos na Alemanha, EUA, Canadá, Espanha e França, “país onde 152 municípios, inclusive Paris, sede das duas maiores multinacionais que atuam no setor, tiveram os serviços remunicipalizados”.

“A reestatização deveu-se: às falsas promessas dos operadores privados; à prevalência do interesse do lucro sobre o interesse das comunidades; ao não cumprimento das metas contratuais de investimentos e expansão e universalização principalmente das áreas periféricas e mais carentes; aos aumentos abusivos de tarifas; e a deficiência dos órgãos reguladores para garantir regras contratuais, impedir aumento abusivo das tarifas e punir as empresas”.

Com mais de 100 dias de isolamento, crédito segue sem chegar à ponta

 

Ações para destravar recursos foram insuficientes e deixaram microempresas de fora. Governo promete resolver, mas bancos vão colaborar?

 

 

Passados mais de 100 dias desde o início das medidas de isolamento no país, o governo Bolsonaro ainda não foi capaz de fazer recursos chegarem às mãos das empresas via crédito. As micro e pequenas empresas, em especial, enfrentam dificuldades de sobrevivência. Pressionado, o governo federal tem lançado novas medidas, mas há dúvidas se elas bastarão para resolver o problema.

A Medida Provisória (MP) 975, por exemplo, prevê um fundo garantidor que o governo turbinou com R$ 20 bilhões. O governo também fez uma alteração no Fundo Garantidor de Operações (FGO) do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) ampliando a garantia do empréstimo com recursos do FGO de 85% para 100%.

Além disso, na terça-feira (23) o Banco Central anunciou medidas com potencial de destravar R$ 270 bilhões em crédito, segundo a instituição. Entre elas, o uso de imóvel já financiado para fazer novo empréstimo.

Outra medida consiste em liberar valores dos depósitos compulsórios para os bancos, desde que eles tenham feito empréstimos de capital de giro para empresas com até R$ 50 milhões anuais de faturamento. Os depósitos compulsórios são um mínimo de dinheiro dos bancos que tem que ficar retido no Banco Central para dar segurança ao sistema financeiro. As instituições que fizerem empréstimos a pequenos negócios poderão deduzir esses valores dos depósitos no Banco Central.

Se as ações serão efetivas, ainda que tardias, dependerá dos bancos. Por mais que o governo dê garantias e incentivos, são eles os intermediários e quem, em última instância, tomam a decisão sobre liberar ou não os recursos.

Augusto Vasconcelos, presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, afirma que as instituições têm endurecido muito as exigências. “Existe muita burocracia nessa questão. Exigem que [a empresa] esteja regular em tudo, não tenha dívidas. Em um momento de pandemia, essas exigências deveriam ser flexibilizadas”, defende.

A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Perpétua Almeida (AC), também critica a burocracia e afirma que o governo deveria cobrar dos bancos. “O governo de fato não está colocando o dinheiro à disposição e a burocracia tem sido muito grande para as empresas terem acesso aos recursos. Para mim, há uma ineficiência total do governo na relação com os bancos, do Ministério da Economia. O que os bancos estão fazendo com esses recursos, estão aplicando?”, questiona.

Em entrevista ao Vermelho em maio, quando a questão do crédito já era um problema, o economista Guilherme Mello, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que, em situações de crise como a atual, os bancos privados preferem reter dinheiro a guardar títulos – como as carteiras de empréstimos – e por isso as exigências para liberar crédito crescem muito. “É muito difícil obrigar o banco privado a fazer o que ele não quer”, explicou, na época, defendendo como solução capitalizar os bancos públicos.

Reclamação geral

Proprietário de uma microempresa de aluguel de equipamentos de som em São Paulo, André Omote afirma que a reclamação é geral entre colegas do mesmo ramo com quem conversa.

“Participo de um grupo com empresários desse ramo no Brasil inteiro, são 257 pessoas. Não vou dizer que todos tentaram, mas 100% dos que tentaram [pedir crédito] não conseguiram. O efeito da pandemia no nosso setor é catastrófico, pois é um setor ligado a eventos, à cultura”, comenta.

“A gente tem a impressão de que os bancos, principalmente os privados, não têm interesse em oferecer. O que Itaú fez assim que começou a crise foi me oferecer um empréstimo de 4% ao mês, em época de crise. Você vai fazer juros sobre juros, dá mais de 100% ao ano”, afirma.

O empresário diz que, até agora, tem recorrido a suas reservas mas que inevitavelmente chegará o momento em que precisará de crédito. “Estou há três meses sem receber absolutamente nada”, diz.

Desprezo pelos pequenos

Os que acabam sofrendo mais na pandemia são os micro e pequenos empresários, que têm menos reservas para queimar. Muitos viram seu faturamento cair a zero com as medidas de isolamento. Desde o início da crise, as empresas menores têm sido negligenciadas pelas políticas governamentais.

A Medida Provisória (MP) 944 liberou crédito para empresas arcarem com suas folhas de pagamento, mas somente as que têm receita bruta anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões anuais. Jair Bolsonaro sancionou a lei que cria o Pronampe, programa de crédito para micro e pequenas empresas, somente três meses após a aprovação no Congresso Nacional, e vetou dispositivos que poderiam facilitar a vida dos empresários, como a carência de 8 meses.

A MP 975, medida mais recente, mais uma vez deixou as microempresas à margem ao incluir no programa, que vai garantir os empréstimos protocolados até 31 de dezembro de 2020 no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), somente as empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões.

Em vídeo da reunião ministerial do governo realizada em 22 de abril, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou claro o que pensa das empresas pequenas, que são as maiores empregadoras do país. “Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”, afirmou.

Emendas

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da MP 944 na quinta-feira (25) e deve analisar os destaques na próxima terça-feira (30). A MP 975 também deve ser votada nos próximos dias, segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ambas receberam muitas emendas, que podem resultar em melhores condições de crédito. Há, inclusive, emendas propondo a inclusão dos microempresários nos programas emergenciais previstos nas duas medidas provisórias.

No caso da MP 975, deputados da bancada do PSOL estão entre os que pediram modificação no texto para inclusão das microempresas. Para a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna (RS), este segmento deveria ser prioridade nas políticas de governo.

“Ao contrário do que pensa o Paulo Guedes, que diz que o Brasil vai perder dinheiro salvando empresas pequenininhas, nós achamos que essas empresas devem ter prioridade na focalização do acesso a políticas de crédito, justamente por serem as que enfrentam maiores dificuldades de acesso ao mercado. Vale lembrar que Bolsonaro e Guedes destinaram mais de R$ 1 trilhão para a liquidez dos bancos. É urgente inverter essa pirâmide para reduzir o risco das empresas falirem e salvar empregos”, afirmou.

Movimentos de moradia denunciam à ONU remoções durante a pandemia

 

Desde março, 12 ações afetaram 2 mil famílias, diz documento

 

Segup realiza operação de policiamento de choque de reintegração de posse na cidade de Ananindeua no Pará- Foto Agencia Pará

Movimentos de moradia do estado de São Paulo enviaram uma denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a remoção de ocupações que tem ocorrido durante a pandemia do novo coronavírus.

Segundo a denúncia, foram pelo menos 12 ações que, desde março, afetaram 2 mil famílias. De acordo com a vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Graça Xavier, os relatos foram encaminhados ao relator da ONU para Moradia Adequada, Balakrishnan Rajagopal.

“O que temos visto no estado de São Paulo, na prática, é a continuidade e efetivação de remoções forçadas de populações, fazendo com que mulheres, em muitos casos, gestantes, homens, crianças, idosos, pessoas portadoras de deficiência e outras comorbidades fiquem expostos à violência da remoção e da falta de moradia, acrescida da exposição ao novo coronavírus”, enfatiza a denúncia.

Apelo

O documento chama a atenção para a necessidade de magistrados se sensibilizarem neste momento, evitando autorizar a remoção de famílias. “Diante da gravidade dessas remoções e das repercussões irreversíveis que provocam na vida dos atingidos, é urgente a sensibilização do Poder Judiciário, bem como dos demais órgãos do sistema de justiça, pela suspensão de todas as remoções”, diz a denúncia.

No texto enviado às Nações Unidas, os movimentos de moradia e entidades de defesa pedem ações efetivas do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para a suspensão de despejos e remoções coletivas no estado.

O Condepe enviou ofício ao TJSP chamando a  atenção para essa situação, e a Defensoria Pública estadual solicitou ao Conselho Superior da Magistratura do tribunal a suspensão do cumprimento de ordens de remoção durante a pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19. O pedido não foi aceito, e a argumentação dos defensores se tornou uma nota técnica, que pode ser usada para embasar as decisões dos magistrados, que continuam avaliando as situações caso a caso.

O documento endereçado à ONU tem como autores o Observatório de Remoções, a União dos Movimentos de Moradia de São Paulo e Ribeirão Preto, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, a Associação Rural Renascer da Estação Remanso dos Pequenos Agricultores de Araras, a Central de Movimentos Populares e o Movimento Sem Teto do Centro.

Ainda sob risco

De acordo com a denúncia, há pelo menos seis ocupações sob risco de despejo devido a ordens de reintegração de posse já emitidas. Na Avenida Rio Branco, no centro de São Paulo, 20 famílias temem ser mandadas para a rua por causa de uma dessas decisões judiciais. “A gente não quer ficar na rua com os nossos filhos”, afirma a desempregada, Janaína Xavier, uma das ocupantes do prédio.

Janaína conta que ocupou o imóvel  por não ter conseguido mais pagar o aluguel. A situação é a mesma de outras pessoas que estão no edifício. “Antes da pandemia, a gente já passava um pouco de dificuldade, por morar no centro e o aluguel ser caro, e a gente não ter muitas condições”, acrescenta Janaína, cuja situação agravou-se  com a perda de renda provocada pelas medidas de isolamento social.

Na decisão que determinou a remoção das famílias, o juiz Antonio Carlos Negreiros afirma que a ocupação coloca em risco os locatários do espaço térreo do edifício. “As condições de habitabilidade e segurança antes existentes” não podem ser preservadas “em uma situação de invasão generalizada do prédio por terceiros”, afirma o juiz.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que os os magistrados têm independência funcional para decidir de acordo com os documentos dos autos. “Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito”, enfatiza a nota.

“Não pode ocorrer nenhum tipo de direcionamento ou interferência da administração do TJSP na decisão dos juízes. Quando há discordância da decisão, cabe à parte a interposição dos recursos previstos na legislação vigente”, diz ainda a nota do tribunal.

Operação integrada apreende cerca de 9 mil aves sem nota fiscal em Alagoas

Irregularidade na carga foi constatada nos municípios de Maceió e Arapiraca

↑ As cargas foram interceptadas em Maceió e Arapiraca (Foto: Ascom BPRv)

Em operação conjunta, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL), Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal) e o Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) apreenderam, nessa sexta-feira (26), nove caminhões com cerca de 9 mil aves sem nota fiscal em Alagoas.

As cargas foram interceptadas em Maceió e Arapiraca. Oriundas de Pernambuco, não possuíam nenhuma certificação sanitária e, por isso, foram retidas, juntamente com os veículos. Já os motoristas foram autuados.

De acordo com o Superintendente Especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, ações como essa são de extrema importância, pois ajudam a combater o transporte de mercadorias com procedência duvidosa, evitam o desemprego e a falência do comércio alagoano, além de coibir a sonegação fiscal no Estado.

“O imposto não recolhido é prejuízo na saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.  O cidadão alagoano deve se conscientizar ao não consumo desses produtos, que podem causar danos a si mesmo e ainda lesar a concorrência leal no Estado”, alerta.

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Fonte: Assessoria

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