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Brasil ainda não enfrentou o pior da pandemia, afirma OMS

 

Agência diz que coronavírus ainda cresce com velocidade progressiva no país. Dr Marcos Boulos acredita que região metropolitana de São Paulo começa a reduzir velocidade da curva de contágio, mas muitos estados ainda verão explosão de casos.

 

O diretor-executivo da OMS e o infectologista brasileiro Marcos Boulos

O pior lado da pandemia de coronavírus ainda vai chegar ao Brasil, afirmou nesta segunda (1º) o diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan. Ele também não ousou prever quando este momento vai chegar.

Em entrevista ao portal Vermelho, o infectologista Marcos Boulos, que faz parte da força tarefa do Governo do Estado de São Paulo, comentou a preocupação da OMS, ressaltando que o Brasil está longe da cobertura da pandemia, porque começou bem depois da Europa. Ele calcula em dois meses e meio, três meses depois.

Mesmo assim, ele acredita que podemos estar chegando ao pico na região metropolitana de São Paulo. “Mas no país como um todo, começou bem depois, pois o início foi em São Paulo. Nós estivemos quase um mês à frente da maioria dos estados do Brasil, excetuando o Rio de Janeiro. Assim, estamos atingindo o pico, e vamos reverter gradativamente, mas muito lentamente”, diz ele.

Ryan também afirmou que a situação da pandemia na América do Sul está “longe de ser estável”, e que não acredita que a região tenha chegado ao pico da pandemia. Ele pediu solidariedade aos países da região, alertando os países que já estão com uma situação mais estável, que a segurança desses países mais pobres afeta a todos, pois o espectro do vírus continua a viajar pelo mundo.

Outro aspecto que justifica a percepção da OMS, na opinião de Boulos, a ponto dela falar em ajuda humanitária dos países ricos, é que, diferente da Europa, o Brasil [assim como a maioria dos países latino-americanos] “é muito mais pobre, com grandes bolsões de pobreza, de periferias onde as pessoas nem têm onde viver, não dá pra fazer confinamento. Isso de certa maneira agrava muito a situação”.

“Obviamente, se eles querem abrir fronteiras, não vão conseguir que os países da América Latina deixe de visitá-los”, analisa Boulos. Em sua opinião, não houve epidemias completas em muitos desses países, com um número pequeno de pessoas infectadas, até pelas quarentenas que promoveram. Por isso mesmo, são países sempre sujeitos à reinfecção e à reintrodução do vírus. O ideal para todos os países ricos é que eles fiquem próximos da remissão e voltem à normalidade.

“Embora os números não sejam exponenciais em alguns países”, diz o diretor da OMS, “estamos vendo um aumento progressivo diário dos casos. Ninguém está seguro até todos estarem seguros. Precisamos mostrar solidariedade aos países das Américas Central e do Sul, da mesma forma que fizemos com países de outras regiões. Estamos juntos e ninguém fica para trás”.

Ryan disse que o Brasil – além de outros países da América Central e do Sul – está entre aqueles que apresentam os maiores aumentos diários de casos da doença, sendo transmitido sem controle.

De acordo com o infectologista brasileiro, era de se esperar que o Brasil fosse epicentro da doença. “Porque nós estávamos no verão, eles estavam no inverno, a pleno vapor das doenças respiratórias. No país como um todo, vamos ter ainda uma situação muito difícil. Com momentos diferentes da evolução da epidemia”.

“Claramente, a situação em alguns países sul-americanos está longe da estabilidade. Houve um crescimento rápido dos casos e os sistemas de saúde estão sob pressão”, declarou o diretor-executivo. Ryan ainda afirmou que o pico do contágio se aproxima, mas “no momento não é possível prever quando chegará”.

Ele explicou que o Brasil e outros países ainda são ameaçados pelo vírus, que  pode causar um colapso em seus sistemas de saúde. 

Atualmente, o Brasil já ultrapassa rapidamente os 500 mil casos notificados de covid-19, perto do total de 30 mil mortos, sendo que, na semana passada, o país teve quatro dias seguidos com mais de mil óbitos diários.

Dos 10 países que reportaram mais casos nesse período, afirmou Ryan, cinco estavam nas Américas: Brasil, Estados Unidos, Peru, Chile e México. “Os países que tiveram os maiores aumentos, entretanto, foram Brasil, Colômbia, Chile, Peru, México, Bolívia”, disse.

Países com mais casos reportados à OMS entre 31/05 e 01/06

PAÍS CASOS
Brasil 33.274
Estados Unidos 17.962
Rússia 9.035
Índia 8.392
Peru 7.386
Chile 4.830
Paquistão 2.964
México 2.885
Bangladesh 2.545
Irã 2.516

Fonte: OMS

“E nós estamos vendo um aumento progressivo de casos diariamente em vários países diferentes”, completou Ryan. “Os países têm tido que trabalhar muito, muito duro para entender a escala de infecção, mas, também, os sistemas de saúde estão começando a ficar sob pressão em toda a região”.

O diretor de emergências demonstrou preocupação em particular com o Haiti, “por causa da fraqueza inerente no sistema [de saúde]”, disse. “Existem outros países nas Américas em que os sistemas de saúde também são fracos”.

Ele pontuou, ainda, que há respostas diferentes à pandemia em cada país da região.

“Nós vemos muito bons exemplos de países que têm uma abordagem do governo inteiro, da sociedade inteira, baseada na ciência, e vemos em outras situações uma falta e uma fraqueza nisso”, disse.

“Há muitas semanas, o mundo estava muito preocupado com o que aconteceria no sul da Ásia ou na África, e, até certo ponto, a situação nesses dois cenários ainda é difícil, mas é estável. Claramente, a situação em muitos países da América do Sul está longe de ser estável. Houve um aumento rápido de casos e aqueles sistemas [de saúde] estão sofrendo cada vez mais pressão”, declarou.

Ele também falou de fatores como a pobreza urbana contribuírem para que a região seja a principal zona de transmissão do vírus hoje.

“Eu certamente descreveria que a América Central e a do Sul, em particular, com muita certeza se tornaram zonas de transmissão desse vírus hoje. E eu não acredito que chegamos ao pico dessa transmissão. E, neste momento, eu não posso prever quando vamos chegar”, completou.

“Mas o que nós precisamos, sim, fazer é mostrar solidariedade aos países da América Central e do Sul. Precisamos ficar com eles, fornecer o apoio que pudermos para ajudá-los a superar esse vírus, como fizemos coletivamente para países em outras regiões. Esse é o momento de ficarmos juntos e não deixar ninguém para trás”, disse.

Taxa de câmbio é termômetro da febre econômica brasileira

 

Pandemia e insegurança política desvalorizam, ainda mais, a moeda brasileira. Segundo o economista Alex Ferreira, taxa de juros (Selic) baixa e inflação controlada não são suficientes para evitar desconfiança de investidores

 

O câmbio do Real afetado pela pandemia

Os efeitos da pandemia na economia são de forte impacto, mesmo com o Brasil ainda não tendo chegado ao pico da curva epidêmica. As incertezas geradas pela covid-19 e pela insegurança política no Brasil têm trazido problemas para a economia do País. Reflexo disso é a desvalorização constante do real. Aliás, a moeda brasileira é a que mais se desvaloriza no mundo. 

O professor da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP e especialista em câmbio, Alex Ferreira, em entrevista à Rádio USP, usou a metáfora da saúde para tentar explicar o que está acontecendo. “A taxa de câmbio serve como um termômetro especial que mede a saúde relativa da economia brasileira. A febre seria o descompasso entre a demanda e a oferta de divisas no mercado de câmbio.”

Na primeira quinzena de maio, essa desvalorização chegou a níveis históricos. O dólar turismo foi vendido a R$ 6,43. O euro chegou a mais de R$ 7 e a libra, a moeda inglesa, foi negociada a mais de R$ 8. Um recorde de queda ante as três moedas estrangeiras.

Este é um mercado especial porque negocia a moeda nacional vis-a-vis a moeda estrangeira. Se se quer entender as razões pelas quais o real tem subido mais rápido do que outras moedas, é preciso entender quais são os fatores que estão afetando a oferta e a demanda de moeda estrangeira.

No longo prazo, existem dois principais: a expectativa de crescimento da economia brasileira e a inflação junto a seus parceiros comerciais. No curto prazo tem a relação risco e retorno dos ativos brasileiros, como o retorno imediato da Selic ou da Bolsa de Valores.

A inflação é controlada, já o crescimento aponta para uma queda de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, tem caído e atingiu seu ponto mais baixo este mês, quando chegou a 3% ao ano.

Cabo de guerra entre poderes

Mesmo assim, os riscos para o investidor estrangeiro no País têm aumentado e isso interfere no câmbio. É a insegurança política em que há o risco de aumento descontrolado da dívida no Brasil.

O aumento do risco país evidencia esta preocupação com aumento do Credit Defaut Swap e do MB+. Entre fevereiro a maio, O MB+ subiu de 189 para 450 pontos. “Isso significa que houve uma mudança na percepção dos investidores internacionais de que o Brasil talvez não honre seus compromissos”, explica ele.

“Por outro lado, a possibilidade de políticas populistas e oportunistas, o cabo de guerra entre os poderes, que têm capacidade de barrar reformas importantes, mostram a dificuldade de se agir com normalidade no período de pandemia”, analisa o professor Ferreira.

Para ele, a incapacidade de garantir as condições da população diante da necessidade de restrição da mobilidade diante da pandemia, também gera dúvidas sobre a capacidade do país de retomar a economia mais rápido.

O aumento da taxa de câmbio representa um aumento dos bens e serviços produzidos no exterior, em relação aos bens e serviços produzidos no Brasil. Com isso, o efeito é reduzir a demanda interna por bens estrangeiros e aumentar a demanda internacional por bens brasileiros. Isso vai ser limitado pelo impacto da pandemia nos parceiros comerciais internos.

Para Ferreira, há um limite na velocidade do aumento do cambio. Como o próprio Banco Central diz, dado pela volatilidade. Há também o aumento da taxa de câmbio impactando os objetivos do BC com a inflação, que no momento é bastante “benigno. O BC também pode usar sua base “bastante confortável de reservas” no momento atual, para conter a elevação, se desejar. “Mas a retórica do Banco Central é de controlar a volatilidade sem influenciar a tendência”.

SANTANA: Unidade de Síndrome Gripal realiza 84 atendimentos e notifica 54 pessoas em uma semana

SAÚDE

Por ASCOM Santana do Ipanema  0

 

 

APrefeitura Municipal de Santana do Ipanema, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, abriu na última segunda-feira (25) a Unidade de Atendimento de Síndrome Gripal lotada na UBS São José, dando início a segunda fase de seu Plano de Contingência em combate a COVID-19 causada pelo novo coronavírus.

A primeira fase no combate à transmissão do COVID começou no dia 19 de março com ações de promoção a prevenção para evitar a disseminação comunitária do vírus.

A Unidade de Atendimento de Síndrome Gripal funciona das 18h às 22h de segunda a sexta-feira e finais de semana das 8h às 17h. A unidade está equipada com sala de triagem e oximetria (verificação da saturação), consultório médico, consultório de enfermagem, sala com dois leitos para casos não tão graves, serviço de eletrocardiograma, farmácia e assistência farmacêutica, sala de isolamento com oxigenoterapia, lavatório de mãos externo e estrutura para os funcionários.

Brevemente a unidade contará com o serviço de tomografia computadorizada e laboratório terceirizados.

Na primeira semana de funcionamento, foram realizados 84 atendimentos, 54 notificações de casos suspeitos de Covid-19, sendo 7 com intervenção imediata. A dispensação dos medicamentos prescritos é realizada diretamente na Unidade após atendimento.

Todos os funcionários estão devidamente equipados e capacitados para o acolhimento do público.

A Prefeitura de Santana do Ipanema segue somando esforços no combate a disseminação do coronavírus no município.

Manifestação na Fernandes Lima: “Fora Bolsonaro: suas mãos estão sujas de sangue”

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Com o número de mortes por Covid-19 ultrapassando os 30 mil e pela lentidão em que a situação é tratada pelo presidente Jair Bolsonaro quanto a medidas de combate à propagação do novo coronavírus, o partido Unidade Popular (UP) realizou, nesta terça-feira (2), um ato de manifestação pedindo a saída do presidente da república e o apontando como principal responsável pelo crescimento dos óbitos.

Os manifestantes, de máscaras, se posicionaram na passarela do CEPA, na Avenida Fernandes Lima, com uma faixa “Fora Bolsonaro: suas mãos estão sujas de sangue”.

 
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Para Magno Francisco, presidente do partido em Alagoas, a luta pela saída de Bolsonaro é uma questão essencial para a manutenção da democracia.

"Bolsonaro não está preocupado com o nosso povo, que está morrendo pelo coronavírus e de fome. Debocha das vítimas e se nega a pagar o auxílio emergencial para todos que precisam. Preocupa-se apenas em acobertar seus filhos de serem investigados por corrupção e com os interesses dos ricos, que financiaram sua fraudulenta campanha de fake news. Por isso, é necessária a organização popular para derrotar esse fascista, antes que ele tente implantar uma nova ditadura militar no Brasil", afirmou o presidente da UP.

A manifestação foi realizada no período de grande fluxo da Fernandes Lima e contou com o apoio de grande parte dos motoristas e da população que passou pelo local.

 
 

Por que os negros brasileiros não se revoltam como os americanos?

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Saiu na Folha de São Paulo,em 29/05/2020 e o blog republica:

"Se você quer uma resposta simples, procure na pergunta. Brasileiro é brasileiro, americano é americano.
Mas acontece que negros de outros países também têm reagido às violências impostas a seu povo. Dos subúrbios de Paris ao bairro de Soweto, do hemisfério norte ao hemisfério sul, negros têm reagido.
Veja bem, a palavra violência ainda não entrou aqui.
Porque o mistério não é nem saber o motivo pelo qual os negros do Rio de Janeiro, por exemplo, não incendiaram a cidade inteira quando foi assassinada a menina Agatha, em setembro do ano passado.
O mistério não é saber porque os negros não reagiram de forma violenta.
O verdadeiro mistério é saber porque os negros sequer reagiram.
Voltemos à frase “acontece que negros de outros países também têm reagido às violências impostas a seu povo”. Taí. Mistério resolvido.
“Seu povo”.
O negro brasileiro é um negro único no mundo porque não se vê como um povo.
Não foi educado para se ver como um povo.
Não é educado para se ver como um povo.
O negro brasileiro foi programado para sequer se ver como negro.
Em 1835, na Bahia, os negros escravos islamitas planejaram um levante, a “Revolta dos Malês”. Tomar a capital Salvador matando quem estivesse na frente.
Educação. Como o judaísmo, o islamismo é uma fonte de educação fundamental (civilizou a Europa) e, principalmente, ensina um povo a se ver como um povo.
O negro brasileiro foi educado para cair no conto do vigário, na versão criada pela elite de que somos “um povo feito por muitos povos”.
Quem se alinha a esse estelionato demográfico, quem pensa que somos mesmo “um povo feito por muitos povos” são os brasileiros que pertecem às classes e raças privilegiadas.
O truque de convencer negros brasileiros de que somos uma grande e bela família diversa, tupis, cafuzos, loiros, negros. E, por isso, ninguém é tupi, nem cafuzo, nem loiro, nem negro. Somos a soma. Logo, negro, no Brasil, posto que aqui tentam nos conhecer de que não há raças, e sim amálgamas, não encontra nem a categoria “negro” para se ver.
E não se vendo, some.
Se em Londres a polícia assassinar uma menina Síria, a comunidade Síria, que se vê como povo, irá botar pra quebrar. Se uma menina rohingyas é estuprada num beco de Cox’s Bazar, na fronteira de Mianmar com Bangladesh, o povo rohingyas irá botar pra quebrar.
No Brasil, se uma menina da etnia negra é baleada nas costas o que vemos são dois meses de noticiários e hashtags.
O truque da deseducação do negro para não se entender como negro e, por consequência, não se entender como povo, como acontece com rohingyas, sírios, judeus e muçulmanos é tão perverso no Brasil que nossa identificação como povo se dá por vias de mercado.
Dispositivos que nos filiam, servindo de cortina de fumaça para vermos a que povo de fato pertencemos.
Exemplo 1 : Se um palmeirense é atacado por corintianos em uma estação de metro, “o povo corintiano” irá jurar vingança. Provavelmente, no confronto, vai gente preta matar gente preta.
Exemplo 2: Se um bandido de uma facção X for assassinado por outro, da facção Y, durante a tomada de uma boca de fumo, “O povo da facção X”, jurará vingança. E unidos, provavelmente veremos mais negros matando negros.
Fora do Brasil, negros são educados, desde criança, a se verem como negros. E todos os movimentos negros norte-americanos que partiram para o confronto, como os Panteras Negras, não o fizeram sem antes muitos estudar, ler livros sobre o assunto, produzir intelectuais robustos que os fizessem escapar da armadilha da “educação ocidental”.
O livro norte-americano “The Miseducation of the Negro”, “A deseducação do negro”, de Carter Woodson, escrito em 1933, é um dos faróis que não tivemos aqui. Apesar de aqui dançarmos até hoje as músicas do álbum “The Miseducation of Lauryn Hill”, onde a cantora fez questão de, na famosa capa do disco, ter imitado o design da capa do livro de 1933.
Seria como se o primeiro disco de Anita trouxesse na capa o geógrafo brasileiro negro Milton Santos.
Mas Anitta não tem culpa de nada. Ela, e você, não leram a fundamental obra de Carter Woodson. E ainda vêm dando sinais de despertar político. Não tem culpa. Nem ela, nem nenhum outro negro que não sabe que é negro, ou que não queria saber que é negro porque é algo que no Brasil dá trabalho, ou não se vê como parte de um povo que é antagonizado e excluído o tempo inteiro pelas etnias que detém o poder no país.
Nós negros brasileiros, fomos todos educados longe de nossa própria cultura e tradição e ligados às franjas da cultura do povo branco.
Todos os povos são lindos. Os brancos, os sírios, os rhohingyas, os judeus. Lindos todos. E todos se vêem cada um como um povo distinto. E não há pecado algum nisso.
Pelo contrário, ver-se como povo é a coisa mais linda que pode acontecer a um.
Como foi publicado aqui, na coluna de ontem, o que o povo preto quer não é nada que não seja dado a todos os outros.
O direito de respirar.
E, no caso do povo preto brasileiro, o direito de ver.
De se ver.'

A DESEDUCAÇÃO DO NEGRO
Preço R$ 40 (180 págs.)
Autor Carter G. Woodson
Editora Medu Neter

Justiça determina que fundação apague textos contra Zumbi dos Palmares

 

Artigos devem ser retirados dos canais de comunicação da Fundação Palmares sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil

 

Protesto contra o racismo

A Justiça determinou nesta sexta-feira (29) que a Fundação Palmares deve apagar imediatamente de seus canais de comunicação dois textos que foram publicados contra Zumbi dos Palmares. A decisão foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

A juíza Maria Cândida Carvalho Monteiro de Almeida, da 9ª Vara Federal Cível da SJDF​, determinou que os artigos “Zumbi e a Consciência Negra – Existem de Verdade?”, de Luiz Gustavo dos Santos Chrispino, e “A Narrativa Mística de Zumbi dos Palmares”, de Mayalu Felix, devem ser retirados, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil.

A juíza deferiu pedido de liminar apresentado pelas deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Áurea Carolina (PSOL-MG), e deputados Bira do Pindaré (PSB-MA) e Túlio Gadêlha (PDT-PE).

“Concluo, com base nessas considerações, que a permanência dos artigos questionados no sítio institucional da Fundação Cultural Palmares ameaça o patrimônio histórico-cultural brasileiro e viola o direito à identidade, ação e memória da comunidade negra e a sua garantia a condições adequadas para a preservação, expressão e desenvolvimento de sua identidade”, diz a decisão.

A Fundação Palmares, subordinada ao governo federal, é presidida por Sérgio Camargo, aliado do presidente Jair Bolsonaro e negacionista do racismo e da luta por políticas compensatórias à população negra. Camargo é crítico constante de Zumbi dos Palmares e adepto de um revisionismo histórico alinhado com seu viés ideológico.

Os passos do homem, as epidemias e pandemias

 

Muitas são as lições das pandemias. Somente um estado e sistemas de saúde fortes conseguem dar respostas mais adequadas a um impacto como a Covid-19.

 

 

Os sanitaristas, epidemiologistas e, mais recentemente, os infectologistas labutam com as epidemias e pandemias que possivelmente têm se tornado mais frequentes nos dias atuais. Estes fenômenos têm moldado o modo de vida da humanidade no seu caminhar pelo planeta Terra, induzindo a mudanças.

No passado mais remoto estima-se que tanto a epidemia de Peste Negra como a da Gripe Espanhola tenham matado 50 milhões de pessoas. A primeira, uma doença bacteriana transmitida por ratos, que refletia as condições sanitárias da época e a segunda uma doença viral de transmissão respiratória. Em ambas, a quarentena foi utilizada como forma de prevenção.

Belas obras da literatura clássica mundial se valeram das epidemias em suas narrativas, como o Diário de uma Peste – Daniel Defoe (1722), A Peste – Albert Camus (1947), o O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel Garcia Marques (1985), entre muitas outras.

Já neste século XXI, enfrentamos epidemias as mais diversas. Em 2012, tivemos uma grande epidemia de Dengue que foi a que mais me impressionou até então, por sua repercussão nos serviços de saúde. Em Itabuna, nan Bahia, presenciei o maior impacto na saúde pública que já tinha visto, com pacientes internados até na sala de mamografia, unidades de hidratação improvisadas e até hospital de campanha montado pelo Exército. Isto ocorreu também em outras cidades do Brasil ao longo dos anos.

Assistimos à decretação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de seis Emergências em Saúde Pública Mundial: H1N1 em 2009; Poliomielite em 2014; Ebola e Zika vírus ambos em 2016; Ebola em 2019 e Covid-19 em 2020. A decretação de emergência possibilita uma ação coordenada no enfrentamento da doença no mundo, o que reforça a importância de uma instituição como a OMS.

Das primeiras cinco emergências a que mais se disseminou e matou no mundo foi o H1N1. Um vírus de transmissão respiratória que não respeita fronteiras geográficas ou climáticas e que matou cerca de 200.000 pessoas. Embora estas sejam características também da Covid-19, a forma avassaladora com que esta chegou, mudou rápida e radicalmente a vida da humanidade.

Não temos uma referência histórica para avaliarmos as emergências globais, uma vez que elas são recentes, entretanto percebemos o surgimento de vários vírus novos, a maioria deles de origem animal que se adaptam ao homem – as zoonoses, em um espaço curto de tempo.

Os modos de vida atuais da humanidade como a globalização, o aumento da produção animal, o desmatamento e o aquecimento global, estão diretamente relacionados ao surgimento destas novas doenças e suas rápidas disseminações. O crescimento da população, os desmatamentos e as migrações causadas por guerras, miséria e fenômenos naturais, muitos como consequência do aquecimento global, aproximam cada vez mais os homens entre si e este dos animais, facilitando a transmissão dos vírus. Os vetores e as pessoas infectadas são facilmente transportados de uma ponta a outra do planeta por via aérea, terrestre e fluvial.

Arte: Lincoln Xavier

Muitas são as lições das pandemias. Somente um estado e sistemas de saúde fortes conseguem dar respostas mais adequadas a um impacto como a Covid-19. No Brasil a existência do SUS tem conseguido minimizar as drásticas consequências da pandemia e assim mesmo de forma desigual entre os Estados. Outras medidas como o distanciamento social e a renda para os mais vulneráveis estão sendo muito dificultadas pelo governo eleito no Brasil que tem nas suas premissas o estado mínimo. A importância do voto em projetos inclusivos e não discriminatórios é outra lição que pode ser tirada deste momento.

Revelou-se muito claramente com esta última pandemia a catástrofe de uma sociedade extremamente desigual e das formas de vida que escolhemos ao longo do tempo: o consumo desenfreado e os meios de produção que desrespeitam a natureza.

Sem a menor dúvida precisamos de um mundo que proteja a mãe Terra e reverta as desigualdades imensas entre as pessoas e países, para não sucumbirmos enquanto espécie em outras catástrofes que virão.

Live: Joelma sorteia figurino em troca de doações para Instituição que atende pessoas carentes presente no Sertão de Alagoas; Veja vídeo

Reprodução/You TubeRs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=trueJoelma em sua live sorteia figurino em troca de doações para Instituição que atende famílias carentes presente no Sertão de Alagoas

Durante sua live na noite desta quarta-feira (27), a cantora Joelma sorteou um de seus figurinos usado em shows para internautas que fizeram doações usando um dos códigos QR cold exibidos na live em seu canal no You Tube. A live intitulada ''Joelma em casa'' durou pouco mais de 4 horas, a cantora contou com as doações financeiras dos internautas para a Instituição ''Amigos do Bem'' presente na região Nordeste e no Sertão do Estado de Alagoas.

A instituição contemplada com as doações, Amigos do Bem, é iniciativa de um grupo de amigos liderados por Alcione Albanesi, que levava às famílias do sertão nordestino roupas, alimentos, atendimento médico e odontológico, entre outras coisas, tornou-se um trabalho de transformação, com inúmeros projetos educacionais e autossustentáveis que hoje movimentam a vida de mais de 75 mil pessoas nos estados de Alagoas, Ceará e Pernambuco. Os Amigos do Bem atuam em diversas áreas afim de promover uma transformação efetiva na vida de milhares de pessoas atendidas.

 
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Em Alagoas, a Instituição está presente no município de São José da Tapera, Sertão, com uma unidade no Povoado Torrões, zona rural do município. Joelma contou com a participação de suas duas filhas na live que a ajudaram a realizar o sorteio do figurino pelo perfil oficial da cantora no Instagram: joelmareal

Cada internauta poderia doar o valor de R$ 10 reais na Live de Joelma e concorrer ao figurino da cantora. A live teve mais de 1 milhão de acessos no You Tube.

Veja o vídeo:

Fonte: Minutosertao.com.br

Sábado, 16 Mai 2020 18:50

Cultura: O inferno é o egocentrismo

Escrito por

O inferno é o egocentrismo

 

Há 40 anos morria em Paris, aos 75, o grande Jean-Paul Sartre, companheiro da Simone de Beauvoir.

 

Diferentemente de Foucault, que no fim da vida viria a namorar o neoliberalismo (segundo documentou Daniel Zamora Vargas, professor assistente da Universidade Livre de Bruxelas), Sartre declarou que o “marxismo é a “filosofia insuperável de nosso tempo”, admitindo que o existencialismo era uma ideologia dentro do marxismo. “Enquanto interrogação sobre a práxis, a filosofia é ao mesmo tempo uma interrogação sobre o homem, quer dizer, sobre o sujeito totalizador da história”.

Em 1973, lembra o Zamora Vargas, Sartre fundou o jornal radical Libération, que hoje nem se dignou a lembrar o fato. Au contraire, publicou uma longa entrevista com o senador conservador dos Républicains, Bruno Retailleau, defensor da cloroquina…

Homem público, corajoso, defensor da liberdade como poucos (“Estamos condenados a ser livres”), Sartre foi acompanhado por 50 mil pessoas no seu féretro.

Sartre costuma ser lembrado por uma frase dúbia pinçada de sua peça de teatro Huis Clos (Entre Quatro Paredes), “l’enfer c’est les autres”, como se os outros fossem infernais, e não você mesmo, voltado apenas pro seu próprio umbigo. Como esclareceu Sartre numa entrevista a John Gerassi, em dezembro de 1971, “o inferno é a atomização, a incomunicabilidade, o egocentrismo, a sede de poder, de riquezas, de glória. O paraíso, ao contrário, é muito simples – e muito duro: consiste em cuidar dos outros. E isso não é possível de maneira regular a não ser no seio de uma coletividade.

Há 40 anos morria em Paris, aos 75, o grande Jean-Paul Sartre, companheiro da Simone de Beauvoir.
Jean Paul Sarte e Simone de Beauvoir

Ah, que saudade da época, ali por volta de 1973, em que eu, adolescente pré-marxista, morando em Anápolis, Goiás, ia a Brasília  e passava numa livraria da 102 Sul, Ao Livro Técnico, para comprar a última edição dos Temps Modernes, a revista que o Sartre fundou com esse nome, inspirado no filme do Charles Chaplin.

Que tempos aqueles, em que alguns dos nossos companheiros e companheiras, como o Hamilton Pereira, eram seviciados nas prisões apenas por semear esperanças. E elas brotavam aqui e ali, contrariando a ordem dos gafanhotos!  

Fonte: Brasiliários

AUTOR

Pandemia avança nas periferias e pode ser um massacre para pobres

 

Ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro lamenta a vulnerabilidade dos moradores de bairros mais pobres e o acesso desigual ao atendimento médico

 

 

Periferia - Léu Britto_ Dicampanha Foto Coletivo

O Ministério da Saúde reconheceu que os casos de Covid-19 seguirão crescendo e que não há perspectiva no momento de estabilização ou redução do avanço da doença.

A pandemia do coronavírus no Brasil agora vai chegando à fase da pauperização. Além da interiorização para as cidades de menor porte, a doença arrasa as periferias das metrópoles brasileiras, onde crescem não apenas os casos, mas as mortes decorrentes do Covid-19.

Em São Paulo, os 20 distritos mais pobres registraram aumento médio de 170% das mortes em rês semanas e acumularam 1.279 dos 4.874 óbitos ocorridos em toda a cidade até o último sábado (8). Apenas Marsilac, no extremo sul da cidade, não teve crescimento superior a 100% nos registros.

Esses bairros também são os que possuem menos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com um máximo de oito para cada 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 30 para cada 100 mil. Na capital paulista, 60% dos leitos de UTI estão concentrados em três distritos: Sé, Vila Mariana e Pinheiros, os dois últimos, de classes média e alta.

“Semanalmente o número de mortos, tanto confirmados quanto suspeitos, vocês veem que começa na zona central da cidade, mas vai aumentando muito na periferia, Brasilândia, Grajaú, Sapopemba, Cidade Tiradentes, mostrando o quanto isso está se disseminando na periferia e isso se concentra nas áreas que temos favela na cidade de São Paulo”, disse o prefeito Bruno Covas em coletiva no começo do mês.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro manifestou preocupação com a situação. “É a efetiva ‘periferização’ das mortes de Covid-19, revelando toda vulnerabilidade da nossa população e a gravidade do quadro”, lamentou Chioro, médico sanitarista que comandou a pasta da Saúde entre 2014 e 2015, no governo Dilma.

Segundo o ex-ministro, os moradores de periferias são pessoas que vivem com piores condições sanitárias e têm estrutura habitacional muito mais frágil para poder fazer o isolamento preventivo ou quando houver casos na própria família. “Não têm condições, às vezes, de acesso a produtos de higiene, material de limpeza de roupas, poder separar talheres, roupas de cama. Às vezes dormem na mesma cama e, portanto, potencializa o processo de disseminação da doença”, detalha Chioro.

Para o médico infectologista e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo Gerson Salvador, o crescimento do número de mortes em bairros de periferia evidencia a desigualdade não apenas social, mas também na assistência à saúde.

“A gente está vendo o número de mortos crescendo desproporcionalmente nos bairros mais pobres. Isso reflete uma iniquidade de acesso à saúde”, critica Salvador, lembrando que as regiões periféricas têm um contingente de pessoas que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A gente sabe que outras doenças de transmissão respiratória, por exemplo a tuberculose, acometem de maneira desproporcional as pessoas que vivem na rua, em cortiços e em favelas”, observa. “O risco de transmissão da Covid-19 em pessoas que vivem nessas condições vai ser maior. A falta de assistência e as condições de vida acabam resultando num número desproporcional de mortes na população mais pobre”, aponta o médico.

PT Nacional

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