O avanço da Covid-19 atingiu em cheio os jovens brasileiros. O medo da infecção, o desemprego, a dificuldade de adaptação ao ensino virtual e até o aumento da depressão tornaram-se marcas comuns entre indivíduos de 15 a 29 anos, conforme levantamento “Juventudes e a pandemia do coronavírus”, lançado nesta segunda-feira.
As conclusões da pesquisa trazem aspectos preocupantes. Sete em cada dez jovens relataram piora no estado emocional durante a pandemia, 28% pensam em não voltar à escola quando acabar o distanciamento social e metade cogita desistir do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Entre os raros pontos positivos está a valorização da ciência e da saúde. Na opinião de 96%, é importante descobrir uma vacina que combata a Covid-19. Outros 85% querem ter acesso a testes que confirmem imunidade ao vírus. Os jovens esperam, ainda, que as restrições estabelecidas em tempos de distanciamento social sirvam como aprendizado de que é possível investir em trabalho remoto – o que pode gerar novos empregos para quem mora afastado dos grandes centros urbanos.
A pesquisa foi promovida pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), em parceria com a rede Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial. Foram entrevistados, com um questionário on-line, 33.688 jovens de todas as regiões do País, entre 15 e 31 de maio.
“É a maior geração de jovens da História do país. Serão eles os responsáveis por produzir, na segunda metade do século, um país mais próspero e menos desigual”, diz Marcus Barão, vice-presidente do Conjuve.
“Mesmo antes da pandemia, esta camada da sociedade já se deparava com uma série de desafios, como uma taxa de desemprego de 27% – o dobro da vista entre adultos. Agora, há o desafio de encarar a educação interrompida e a perda da renda familiar.”
Barão avalia que, mesmo diante das dificuldades em casa e no trabalho, a juventude “não está parada” e se engaja em ações sociais. Segundo Rosalina Soares, gerente de Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho, 40% dos jovens entrevistados ou de suas famílias já haviam solicitado auxílio emergencial à época do levantamento.
Além de deixar as contas familiares no vermelho, o coronavírus também abalou o relacionamento entre jovens e instituições de ensino. Seis a cada dez jovens consideram que escolas e faculdades devem priorizar atividades que os ajudem a lidar com as emoções.
“A Base Nacional Comum Curricular estabelece que o conhecimento dialogue com a vida. Os jovens estão pedindo um conteúdo que os ajude a lidar com a pandemia, porque estão emocionalmente cansados”, explica Rosalina. “A evasão escolar é uma ameaça real. Um dos aspectos que faz o jovem abandonar os estudos é quando ele perde o vínculo com o educador e a turma – e isso está ocorrendo durante a quarentena.”
Embora reconheça que o sistema educacional precisará se reinventar para dialogar melhor com os estudantes, Rosalina considera que os professores sairão valorizados depois da pandemia, já que o conhecimento científico é dado como fundamental para o combate ao coronavírus. Por outro lado, entre os entrevistados que pretendiam fazer o Enem, 67% não estão conseguindo estudar para o exame desde que as aulas foram suspensas – e 49% já pensaram em desistir da prova.
Medeiros defende que o exame seja adiado para maio de 2021, data já aventada pelo Ministério da Educação. Em sua opinião, desde o encerramento das aulas presenciais, as ferramentas disponíveis de preparação para a prova tornaram-se ainda mais desiguais. Muitos alunos estão sem acesso à internet, não podendo, assim, assistir aulas e praticar exercícios.
Câmara aprova texto-base de projeto defendido por Bolsonaro que muda Código de Trânsito
Projeto foi alvo de críticas de parlamentares, por considerarem que flexibiliza regras de trânsito em um país já marcado por altos índices de acidentes
ACâmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira o texto principal de projeto do Poder Executivo que modifica o Código de Trânsito Brasileiro, com um placar folgado de 353 votos a 125.
Entregue ao Congresso pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro em 2019, o projeto foi alvo de críticas de parlamentares da oposição, por considerarem que flexibiliza as regras de trânsito em um país já marcado por altos índices de acidentes.
Na tentativa de adiar a votação, a oposição defendeu que a Casa deveria se debruçar sobre matérias voltadas ao combate à Covid-19. Foram apresentados requerimentos de retirada de pauta e de adiamento da discussão, todos rejeitados.
O texto aprovado na forma de um substitutivo do deputado Juscelino Filho (DEM-MA) aumenta a validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para dez anos e vincula a suspensão do direito de dirigir por pontos à gravidade da infração, segundo a Agência Câmara.
A atual validade da CNH de 5 anos fica mantida para condutores com mais de 50 anos, mas foi estendida pelo projeto para 10 anos àqueles com idade inferior a 50 anos.
A exigência de renovação a cada três anos passa a ser apenas para motoristas a partir de 70 anos, e não mais a partir dos 65 anos, ainda segundo a agência de notícias.
O texto, que ainda pode ser alterado decorrer da análise de emendas a serem votadas separadamente, prevê ainda a renovação a cada 5 anos para os que exercem a atividade remunerada de condutores.
Os Correios avisam em comunicado que e-mails enviados por “Sedex Brasil” ou “Financeiro Correios” vêm se espalhando nos últimos meses como isca para golpes de phishing. Também existem perfis falsos em redes sociais com o nome “Suporte Correios” que prometem ajuda para encomendas a serem entregues, em meio ao aumento de compras pela internet durante a pandemia da COVID-19, causada pelo novo coronavírus.
Segundo a estatal, muitos e-mails falsos são disparados por contas de nomes como Imprensa Correios, Sedex Brasil, Financeiro Correios e Correios Brasil; as mensagens alegam ter informações sobre tentativas de entrega de encomendas, mas podem tentar roubar dados do usuário. “Trata-se de spam, com links contendo vírus ou agentes maliciosos”, ela afirma.
Além disso, existem perfis falsos que costumam usar o nome Suporte Correios de forma a obter informações de clientes desavisados. A empresa não menciona em que rede social isso acontece, mas como você pode ver abaixo, é algo bem frequente no Instagram.
Essas contas têm poucos seguidores e algumas não possuem nenhuma publicação no feed. Ainda assim, elas poderiam ser uma forma de exibir anúncios falsos no Instagram; golpistas também usam o Nubank e o Caixa Auxílio Emergencial como isca.
Correios recomendam canais oficiais para contato
A pandemia levou mais pessoas a comprarem através da internet e gerou uma demanda maior por serviços de encomenda. E, desde março, os Correios adotaram mudanças no procedimento de entrega de objetos para evitar o contágio da COVID-19. Isso levou a queixas sobre demora e extravios; a estatal virou alvo de uma investigação do Procon-RJ por causa disso.
Golpistas se aproveitam dessa situação para prometer ajuda a quem está esperando por uma encomenda. Mas, em comunicado, a empresa diz que “não envia mensagens eletrônicas sem prévia autorização do cliente e não dá permissão para que terceiros o façam em seu nome”. Por isso, ela recomenda apagar e-mails suspeitos que pareçam ter vindo dos Correios.
Os perfis falsos são monitorados nas redes sociais e em outros ambientes digitais: “quando identificada esse tipo de violação, a estatal toma as medidas cabíveis, conforme o caso, e as reporta às autoridades de segurança da informação, quando necessário”.
Os Correios têm perfis oficiais no Facebook (@correios), Instagram (@correiosoficial) e Twitter (@correiosbr) que são verificados, ou seja, têm um selo azul ao lado do nome. A empresa também está presente no LinkedIn (@correios) e no YouTube (@correiosoficial). Também é possível entrar em contato por telefone ou por chat.
Mourão se apresenta como alternativa para substituir Bolsonaro
Ao propor o "fim da polarização entre os extremos", o vice-presidente piscou para as elites nacionais, que estão constrangidas com o governo Bolsonaro, mas sonham com um Brasil sem Lula e sem PT
Aentrevista desta segunda-feira do vice-presidente Hamilton Mourão para a CNN foi o movimento mais explícito de sua “campanha presidencial”. Ao criticar o ambiente nacional de “instabilidade emocional coletiva”, sugerir “afastar os extremos” e “reunir o centro” ele piscou claramente para as elites nacionais, que estão constrangidas com o governo extremista de Jair Bolsonaro, com seus escândalos e suas rachadinhas, mas ainda sonham com um Brasil sem Lula e sem Partido dos Trabalhadores.
Desde a prisão de Fabrício Queiroz e do caso Frederick Wassef, advogado/lobista que o escondia em sua casa em Atibaia (SP), os militares têm evitado qualquer gesto de rompimento público com Jair Bolsonaro, mas também foram comedidos em suas manifestações de apoio. Não conspiram abertamente, mas sabem que o bolsonarismo sofreu um duro revés e talvez tenha sido ferido de morte.
Neste clima de fim de festa, com um Brasil mergulhado em crise econômica e sanitária, todos sabem que mais dois anos e meio de desgoverno seriam desastrosos para o país. É por isso que tanto se fala em saídas como impeachment, cassação da chapa na TSE, hipótese que Mourão evidentemente rechaça, e até mesmo renúncia.
Fragilizado por suas evidentes ligações com as milícias, Bolsonaro já não tem mais força para um autogolpe, o que também foi explicitado por Mourão na entrevista à CNN, de forma diplomática. “Em primeiro lugar, o presidente não tem o anseio mínimo de fazer uma ruptura institucional no nosso país, porque as instituições estão bem. O que há, no nosso país, é uma instabilidade emocional. As pessoas estão muito desacerbadas nas suas ideias, nas suas discussões. As Forças Armadas estão afastadas de qualquer ação dessa natureza, mas tenho que deixar claro que o presidente não tem essa visão em momento nenhum”, afirmou.
Sobre sua “plataforma de governo”, Mourão fez questão de retratá-la como o projeto central da burguesia nacional. “Meu anseio é que a gente consiga afastar os extremos dessa polarização, tanto a direita mais extremada quanto o pessoal da esquerda mais extremada, e conseguir reunir o centro, que é a grande massa, daqueles que conseguem sentar em uma mesa e, mesmo tendo ideias discordantes, conseguem chegar a um senso comum. Acho que, se a gente conseguir fazer isso daqui pra frente, nós teremos muito sucesso”, disse ele.
Na entrevista, Mourão negou existir qualquer pensamento sobre assumir a Presidência da República. “Nem passa pela minha cabeça. O nosso presidente se chama Jair Messias Bolsonaro. Seu primeiro governo vai até 2022 e se assim o povo brasileiro quiser, ele pode continuar até 2026”, disse ele. É óbvio, no entanto, que ele não poderia ter dito nada diferente disso. O essencial de sua fala foi a proposta de “afastar os extremos” e não há ninguém mais extremista no Brasil do que o próprio Bolsonaro.
Passageiros vestidos com máscaras e malas com rodas chegaram ao aeroporto principal de Madri, enquanto os franceses cruzavam a fronteira para comprar álcool e tabaco por um preço mais barato hoje (21), depois que a Espanha já abriu suas fronteiras para a maioria dos países europeus e acabará o estado de emergência imposto para conter o novo coronavírus.
As fronteiras espanholas estão agora abertas a todos os países da União Europeia, exceto Portugal, bem como a membros do espaço Schengen fora da região e ao Reino Unido, em um impulso muito necessário à indústria do turismo do país, que representa mais de 12% de sua economia.
Os turistas britânicos poderão entrar sem ter de passar por quarentena, anunciou o ministro das Relações Exteriores do governo no sábado (20), embora continuem sujeitos a 14 dias de isolamento após o retorno.
Os espanhóis também foram autorizados a circular livremente pelo país a partir de hoje e muitos devem visitar amigos, familiares e segundas residências em outras regiões. Desde 14 de março, a população espanhola teve que permanecer sem sair de seus estados.
A população ainda precisará usar máscaras em espaços públicos quando as medidas de distanciamento social não puderem ser respeitadas.
No Aeroporto Internacional Adolfo Suárez Madri-Barajas, havia uma sensação palpável de alívio para os passageiros, muitos dos quais viajavam para ver seus entes queridos depois de meses separados.
“Minha situação é um pouco complicada porque minha esposa mora na Itália e eu moro na Espanha, então não nos vemos há quatro meses”, disse Alberto Bos, que estava viajando para Milão.
Todos os passageiros que chegarem terão sua temperatura medida, eles serão solicitados a indicar de onde vêm e a relatar seu paradeiro na Espanha, caso precisem ser localizados.
A fronteira da Espanha com o país vizinho, Portugal, será reaberta em 1º de julho.
“É muito estranho, porque não estamos mais acostumados a viajar”, disse Martina, uma turista italiana que foi uma das primeiras a chegar à Espanha em um voo de Bergamo.
Os adesivos no piso do saguão de chegada garantiam que os que aguardavam passageiros cumprissem as medidas sociais de distanciamento.
Muitos servidores públicos país afora se cadastraram para receber o Auxílio Emergencial de R$ 600 pagos pela União, como ajuda financeira durante a pandemia da Covid-19. Contudo, ainda não é preciso determinar quantos estão recebendo o recurso irregularmente. Em Alagoas, por exemplo, após a Superintendência Regional da Controladoria-Geral da União (CGU) detectar mais de três mil casos suspeitos há mais de 15 dias, um ofício foi expedido às prefeituras para que enviassem suas relações de servidores para cruzamento de dados. Até o fim desta semana, apenas 22 deles responderam à solicitação. Oitenta não enviaram a relação de seus servidores.
No Estado, segundo a CGU, foram efetuados mais de 2,4 mil pagamentos irregulares, com quase 1.800 servidores da esfera estadual e 640, alusivos aos municípios de Maceió e Palmeira dos Índios, apontando para um montante de mais de R$ 1,7 milhão depositado. O superintendente da CGU em Alagoas, Moacir Rodrigues, não quer precisar números, uma vez que a checagem dos Cadastros de Pessoas Físicas (CPFs) ainda foi finalizada. Contudo, dos mais três mil casos suspeitos – nomes ligados à Prefeitura de Maceió, de União dos Palmares e do Governo do Estado – já detectados, ele acredita que 90% receberam o Auxílio de forma irregular. A CGU solicitou as listas de servidores às prefeituras para poder conferir os CPFs e eliminar os homônimos.
“Não vou precisar número porque queremos ter o cuidado da checagem sobre isso. Além do que, há servidores que estavam no cadastro do Bolsa Família e o Governo Federal enviou o recurso automaticamente. Esses não cometeram delito algum. Agora, os que forneceram dados falsos, terão de devolver o dinheiro e poderão responder a ações administrativas, civis e penais”, explica Moacir Rodrigues.
Ainda de acordo com o superintendente da CGU em Alagoas, após o cruzamento dos dados entre os que receberam o Auxílio Emergencial e servidores que agiram de má-fé, as informações serão passadas às prefeituras – ou às esferas as quais o funcionário público é ligado –, para que se adotem as medidas cabíveis.
“As prefeituras é que dirão que tipo de medida cabe àquele servidor que cometeu o delito, se será multa, suspensão ou mesmo a perda do status de servidor. Caso nada seja feito, o gestor poderá ser responsabilizado”, explica. “Também após o cruzamento dos dados, encaminharemos as informações ao Ministério Público Federal [MPF], que vai avaliar e decidir se abre ou não processos penais contra aqueles que cometeram o crime de fornecer informações falsas para receber indevidamente o Auxílio Emergencial”, completa Moacir Rodrigues.
Controladoria vai acionar cada prefeito para solicitar quadro de funcionários
O superintendente da Controladoria-Geral da União em Alagoas (CGU/AL), Moacir Rodrigues ressalta que o trabalho para cruzar os dados está sendo realizado em parceria com o Ministério Público de Contas (MPC) de Alagoas. “Estamos montando uma força-tarefa”, comenta. Ainda segundo Moacir Rodrigues, não é possível afirmar má-fé dos prefeitos que não responderam à solicitação da lista de servidores.
“Muitos estão com os e-mails desatualizados. Tem prefeitura que o e-mail sequer é institucionalizado e a cada gestão isso é alterado. Por isso, vamos telefonar para cada um dos prefeitos e solicitar a lista”, diz. “Daí, não tenho como apontar um prazo para que este trabalho de cruzamento dos dados esteja finalizado”, completa o superintendente da CGU em Alagoas.
PRAZO ULTRAPASSADO
Após a identificação de possível irregularidade no pagamento do Auxílio Emergencial a servidores dos municípios de Maceió, Palmeira dos Índios e do Estado de Alagoas, o Ministério Público de Contas e a CGU-AL expediram ofício circular destinado aos prefeitos. Os gestores municipais tinham até o dia 15 de junho para enviarem as informações solicitadas, ou seja, a relação de seus respectivos servidores públicos efetivos, comissionados, temporários, função de confiança, e titulares de mandato eletivo, com vistas à realização do cruzamento relativamente a todos servidores dos municípios de Alagoas.
Inicialmente, análise do cruzamento das folhas de pagamento apenas dos municípios de Maceió e Palmeira dos Índios, assim como do Estado de Alagoas com o cadastro do Auxílio Emergencial, identificou 2.126 contemplados, totalizando o montante de R$ 1.542.000,00. Esses resultados serão encaminhados para os respectivos entes com a recomendação de confirmação e adoção das medidas cabíveis, em especial, o ressarcimento dos valores no caso de comprovação de recebimento irregular.
MAIS DIFICULDADES
Desde que o governo modificou a forma de pagamento do auxílio emergencial, com a criação da conta poupança social digital, várias pessoas que receberam a primeira parcela não estão conseguindo acessar o dinheiro da segunda. Na maioria, são microempreendedores individuais (MEI), cadastrados no Cadastro Único (CadÚnico) e autônomos que indicaram uma conta já existente para receber o auxílio emergencial. Uma olhada nos sites de reclamação e também no do próprio aplicativo Caixa Tem, necessário para transferir o dinheiro ou pagar boletos, mostra as falhas da nova modalidade de pagamento, que está obrigando as pessoas a irem às agências.
Os exemplos são variados. Desde quem tentou se cadastrar no aplicativo e descobriu que alguém já tinha feito isso em seu lugar, até quem pagou boletos e não teve as contas saldadas.
No país inteiro, mais de 300 mil casos estão sob investigação
A Controladoria-Geral da União (CGU), em Brasília, já identificou 317.163 funcionários públicos que receberam o Auxílio Emergencial irregularmente. Segundo o órgão, no total, foram pagos R$ 222,987 milhões a estes funcionários públicos federais, estaduais e municipais. Os números foram divulgados na quinta-feira (18).
Entre os servidores federais, de acordo com a CGU em Brasília, foram feitos 7.236 pagamentos funcionários com vínculo ativo no Sistema Integrado de Administração de Pessoal (Siape). Foram identificados pagamentos a 17.551 militares da União, dentre ativos, inativos e pensionistas. Já entre servidores estaduais e municipais, foram identificados 292.376 pagamentos entre ativos, inativos e pensionistas.
Em nota, o órgão ressalta que a quantidade de pagamentos é maior que de beneficiários porque houve quem recebesse duas parcelas do Auxílio Emergencial no mês de maio.
“É possível que os servidores não tenham feito solicitação para o seu recebimento, mas que tenham sido incluídos como beneficiários do Auxílio Emergencial de forma automática por estarem no Cadastro Único para programas sociais ou por serem beneficiários do Programa Bolsa Família. Há ainda a possibilidade de que o CPF tenha sido inserido como solicitante do auxílio de forma indevida por outra pessoa e não necessariamente pelo próprio servidor”, afirmou a CGU em nota.
ACOMPANHAMENTO
A CGU também está monitorando, em parceria com o Ministério da Cidadania, o pagamento irregular do benefício a pessoas que não teriam o direito de receber. É o caso, por exemplo, de cerca de 74 mil sócios em empresas. A pasta também interceptou o pagamento para 86 mil pessoas físicas que doaram mais de R$ 10 mil nas últimas eleições. Proprietários de veículos de mais de R$ 60 mil também foram identificados nos cruzamentos feitos pelo governo, além de pessoas que possuem domicílio fiscal no exterior e também se cadastraram para receber o auxílio, o que é vedado.
“Em conjunto com o Ministério da Cidadania, a gente vem cortando esses benefícios para evitar a saída de recursos”, disse Rosário. Segundo o ministro, o trabalho de monitoramento está em andamento e ainda não é possível determinar o número final de pessoas que possam ter se cadastrado de forma irregular no programa.
Ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz estava em um imóvel de Frederick Wassef, advogado do parlamentar, e foi levado para unidade da Polícia Civil no Centro da capital paulista, onde deverá passar por exame de corpo de delito. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do estado do Rio de Janeiro. Investigadores apuram um esquema de corrupção que aconteceu na Assembleia Legislativa do Rio – o parlamentar era deputado estadual.
De acordo com um relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), foram identificadas operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj. As investigações apontaram que o dinheiro usado para pagar funcionários na Alerj voltava para os próprios deputados estaduais.
O Coaf identificou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, que ocorre entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.
Os beneficiários do auxílio emergencial que identificaram saques, transferências bancárias ou pagamentos de contas e boletos realizados por terceiros sem o seu consentimento, que precisam se dirigir à sede da Polícia Federal de Alagoas para fazer o registro da ocorrência.
Segundo a assessoria de Comunicação da PF as pessoas que foram lesadas devem se dirigir apenas à agência da Caixa Econômica Federal para iniciar o processo de contestação de movimentação em conta e receber eventual ressarcimento.
As informações desse processo de contestação serão oportunamente compartilhadas com a Polícia Federal para fins de investigação de eventuais crimes ocorridos. Caso haja necessidade de esclarecimentos adicionais, a Polícia Federal entrará em contato com o beneficiário através dos dados informados no processo de contestação realizado pela CAIXA.
Esse procedimento, além de evitar deslocamentos desnecessários e aglomerações para o registro de notícia crime, preserva o tempo e a saúde dos beneficiários, além de não causar nenhum prejuízo às investigações, uma vez que as informações necessárias para identificação dos autores de eventual conduta criminosa serão compartilhadas entre a CAIXA e a Polícia Federal.
Opresidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (15) que continuará enviando hidroxicloroquina ao Brasil mesmo após a principal autoridade de vigilância sanitária estadunidense revogar a autorização emergencial para o uso do medicamento no tratamento de coronavírus.
Em coletiva de imprensa, perguntado se EUA continuariam a enviar o remédio ao Brasil e outros países, Trump respondeu que “sim”. “Eu não posso reclamar, eu tomei por duas semanas e ainda estou aqui”, afirmou.
A FDA (Food and Drugs Administration), agência que atua como a Anvisa nos EUA, revogou a permissão de emergência para o uso de hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. Em documento divulgado nesta segunda-feira, a FDA diz que “não é mais razoável acreditar que as formulações orais de hidroxicloroquina e de cloroquina podem ser eficazes”.
Na coletiva, o presidente declarou que “não sabia” sobre o relatório da FDA. “Muita gente me diz que isso poderia salvar vidas”, completou Trump.
No fim de maio, os EUA anunciaram o envio de 2 milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil. Nesta época, pesquisadores e entidades médicas, incluindo a Organização Mundial de Saúde, já alertavam que não há comprovação sobre a eficácia do medicamento contra o coronavírus.
Foto: Reprodução/internetGovernador Renan Filho durante coletiva online
O governador Renan Filho apresentou, na manhã desta segunda-feira (15), um balanço dos atendimentos realizados no Hospital Metropolitano durante os 30 primeiros dias que em realizou o acolhimento de pacientes com Covid-19 em Alagoas e confirmou que vai entregar hoje o protocolo sanitário que estabelece regras permitindo o retorno de algumas atividades no estado.
Segundo ele, o que será executado dentro do protocolo é um distanciamento social controlado e não uma flexibilização. “Vamos testar as possibilidades para que gradativamente e responsavelmente a gente possa analisar isso. Tem sido importante o papel dos MPS e certamente vamos construir um caminho que possa contar com apoio de todos. A gente precisa conversar com todos para que a gente encontre o melhor caminho”, disse Renan sobre o questionamento feito pelo MPF e MPE.
O governador afirmou ainda que mesmo a aplicação desse distanciamento social controlado, o estado vai continuar testando e avaliando a curva da doença, para que se necessário, o isolamento total possa ser adotado novamente. “Se isso ocorrer o estado vai verificar quais são as ferramentas para controladamente é evoluir”, completou ele.
30 dias de Atendimento no Hospital Metropolitano
Durante os primeiros 30 dias de funcionamento, o Hospital Metropolitano atendeu 303 pessoas, sendo 157 receberam alta média, 108 permanecem internados e dois foram transferidos. Além disso, o governo ainda com a disponibilidade de mais de 10 novas UTIs no Hospital Veredas.
“Hoje, 30 dias de entrega do hospital metropolitano. Viemos agradecer a cada um que está na frente do combate ao coronavírus. Já são mais de 100 dias de pandemia e estamos trabalhando diariamente. Esse mês salvaremos mais vidas e criaremos condições necessárias para salvar a vida dos alagoanos”, reforçou Renan.
Segundo a pesquisa da Universidade de Pelotas, 10% da população em Maceió já possui anticorpos, o que significa que já foram 100 mil pessoas contaminadas. "Mas como se a gente só identificou 20 mil casos? Algumas pessoas podem perguntar isso. Nós temos crescido o número de testes e mais pessoas confirmadas vão aparecer. Há uma redução de demanda por leitos hospitalares e redução no número de mortes", assegurou ele.
O governador detalhou que o cenário da pandemia vem mudando em Alagoas quando é perceptível que o número de casos estão caindo em Maceió e crescendo em algumas cidades do interior, o que vem aumentando a demanda hospitalar.
O Hospital em Porto Calvo deve ser inaugurado nos próximos dias e vai ajudar ao governo a fazer essa expansão dos atendimentos no interior. “Vou ligar para o ministro da saúde e dizer que precisamos de respiradores para o Hospital do Norte, já que os outros foram utilizados nos outros hospitais".
Aativista Sara Winter, apoiadora do presidente Jair Bolsonaro e integrante do grupo 300 do Brasil, foi presa na manhã desta segunda-feira 15, em Brasília. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o mandado de prisão foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal.
Sarah é uma das investigadas no inquérito das fake news comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Após ter sido alvo de busca e apreensão, a ativista publicou um vídeo em suas redes sociais ameaçando Moraes e outros ministros do STF.
Em seguida o grupo liderado por Sara realizou um protesto em frente a Suprema Corte utilizando símbolos de supremacistas brancos e neonazistas. Neste final de semana, o “300 pelo Brasil” atirou fogos de artifícios contra o prédio do STF.
No país, 60 milhões de pessoas receberão até R$ 1.045
Opagamento do saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) começará no fim de junho e irá até o meio de novembro. As datas serão organizadas de acordo com o mês de nascimento dos beneficiados. De acordo com a estimativa da Caixa, 60 milhões de pessoas receberão, cada uma, R$ 1.045 em todo o país.
O cronograma foi anunciado hoje (13) em entrevista coletiva virtual concedida pelo presidente do banco, Pedro Guimarães. O anúncio havia sido feito em abril pele equipe econômica do Site da Caixa.
Os saques poderão ser feitos em postos de autoatendimento da Caixa e em lotéricas. Também será possível a partir desta data realizar transferências para outras contas da Caixa ou de outros bancos. Guimarães argumentou que o impedimento da transferência logo quando do envio do crédito visou evitar aglomerações de pessoa que repassavam o dinheiro para outras contas e iam retirá-lo.
Calendários
>> Para crédito em conta
>> Disponível para saques e transferências
Perguntado sobre o tempo para início do pagamento, o presidente da Caixa justificou o cronograma pela necessidade de planejar os procedimentos. “Em nenhum momento se falou em pagar todos na segunda-feira. O que se falou com começar o calendário e o pagamento. Estamos fazendo de forma digital de forma mais acelerada do que o saque imediato. Vamos começar no dia 29 porque precisamos abrir as contas digitais, que são 60 milhões e você não abre isso da noite para o dia. É uma base de dados muito grande”, afirmou.
Todos com saldo de FGTS têm direito ao benefício. Contudo, há um limite para o saque. Se a pessoa tem menos do que R$ 1045 de saldo, poderá apenas retirar o que estiver na sua conta. Quem não desejar receber o recurso deve notificar este desejo por meio do App do FGTS, até 10 dias antes do crédito. Se o correntista não fizer nada e não mexer no dinheiro, ele será devolvido à conta do FGTS após o fim de novembro.
A conta poupança digital aberta não envolve a cobrança de tarifa. Mas a movimentação nela tem o limite de até R$ 5 mil. No total, serão movimentados R$ 37,8 bilhões na disponibilização dos recursos para o saque emergencial.
CNBB age para evitar ruptura após ala católica oferecer apoio a Bolsonaro
Por Felipe Frazão
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou uma reunião emergencial para contornar o acirramento de divergências políticas e evitar uma ruptura no clero. O encontro, na terça-feira, dia 9, foi convocado após o Estadão revelar a oferta de apoio ao governo Jair Bolsonaro, vinda de dirigentes rádios e TVs de inspiração católica. Em troca, padres e leigos pediram ao presidente a ampliação do alcance de suas redes de radiodifusão, além de verbas, na forma de publicidade estatal.
O chamado para a reunião episcopal partiu do presidente da CNBB, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, e do bispo referencial da Pastoral da Comunicação, Dom Joaquim Mol. Eles conversaram, frente a frente, pela internet, com os bispos das dioceses cujos sacerdotes haviam participado da audiência com Bolsonaro: Campinas, Curitiba, Goiânia e São Paulo. Na conversa, “olho no olho”, descrita como “límpida e sincera”, mais uma vez surgiram manifestações divergentes, indício do potencial de conflito no episcopado, mas os bispos tentaram superar os desentendimentos, segundo fontes.
Os padres fizerem chegar à CNBB que não esperavam tamanha reação e que foram alvos de insultos nas redes sociais. Temiam ter suas atividades prejudicadas. A tensão aumentou depois das manifestações de repúdio emanadas por diversos segmentos do clero, entre eles a própria conferência. De perfil moderado, d. Walmor agiu apaziguar as animosidades.
O bispo de Itacoatiara (AM), Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, foi um dos que cobrou publicamente punição aos envolvidos. Ele disse ter reagido com as seguintes palavras ao tomar conhecimento do teor da conversa entre sacerdotes e Bolsonaro: “Vergonhoso. Mercenários”. Para o prelado, os padres se “venderam” ao governo e fizeram da fé católica um “mercado”, ao pedir dinheiro e prometer apoio ao governo. “Espero que os padres desobedientes sejam religiosamente corrigidos, se retratem ou que se tomem outras providências”, escreveu d. Ionilton, vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra.
O descontentamento no clero agravou-se no início desta semana, quando o arcebispo de Curitiba (PR), Dom José Antônio Peruzzo, contrariou publicamente a CNBB, ao defender os pedidos do padre Reginaldo Manzotti, um ícone pop da Igreja, a Bolsonaro. Em nome de todas as redes católicas, Manzotti cobrou do presidente a ampliação e mais agilidade nas autorizações de funcionamento de rádios e TVs ligadas à Igreja, as quais, segundo o sacerdote, desejavam “caminhar junto” ao governo. Ele pediu para apresentar uma proposta de comunicação “isenta e positiva” e destacou que Bolsonaro sabe o peso da “mídia negativa”. Por meio de nota, a conferência classificou o teor da conversa presidencial como “barganha” e se dissera “indignada”. Para d. Peruzzo, a CNBB foi “infeliz e “detrativa”.
Dom Peruzzo argumentou que, mesmo em ambientes coesos e harmônicos, ocorrem mal entendidos. “As amarguras fazem parte dos ambientes mais nobres e o perdão também. A reconciliação é parte da fé que professamos”, disse, em um programa de rádio e TV do padre Manzotti, na quarta-feira, 10. “Embora irmãos vivam a fraternidade, às vezes surgem diferenças e divergências. Não foi conflito, foram diferenças marcadas por mal entendidos involuntários. Há quem queira dizer que há rupturas internas na CNBB. Não houve nada disso.”
Os bispos cogitaram passar a submeter ao crivo da CNBB os convites para audiências no governo, mas desistiram de impor um aval porque a conferência não possui autoridade eclesial para enquadrar os controladores das rádios e TVs de inspiração católica – nem sequer as dioceses, hierarquicamente subordinadas ao Vaticano. Coube ao arcebispo de Curitiba relevar a proposta de intervenção no diálogo de religiosos católicos com o governo. “Houve até algumas proposições quando surgirem convites dessa natureza de que conversemos para evitar mal entendidos, mas não há, por parte da CNBB, muito menos do setor de comunicações (Pascom), qualquer intenção de neutralizar, restringir ou criar resistências à atuação das TVs católicas e rádios. E essas também não estão em linha de ruptura com a CNBB, nem de longe”, disse.
Alas
Apesar de os bispos terem pedido desculpas de lado a lado, o assunto pode não estar ainda pacificado. Setores da Igreja têm se manifestado de forma antagônica entre si. No mesmo dia da reunião dos bispos, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, a Conferência Nacional dos Institutos Seculares e o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara expressaram “total e irrestrita” concordância com a CNBB.
“Repudiamos, veementemente, qualquer atividade religiosa que ousa comercializar a fé, principalmente quando eventuais negócios se realizam com promotores de políticas que produzem a morte (necropolítica)”, escreveram os colegiados. “Consideramos melhor uma Igreja pobre e verdadeira do que preocupada em negociações de verbas publicitárias e outorgas de concessão pública.” As quatros entidades afirmaram “não reconhecer” a representatividade da Frente Parlamentar Católica na Câmara dos Deputados, que intermediou a videoconferência com o Palácio do Planalto.
A cúpula da frente é formada pelos deputados Francisco Jr (PSD-GO), Eros Biondini (PROS-MG) e Diego Garcia(Podemos-PR), todos da base governista e ícones do Ministério Fé e Política da Renovação Carismática Católica, um movimento de leigos conservadores que tomou posições historicamente opostas aos progressistas do clero. A RCC disse não possuir “tendências político-partidárias” e afirmou que não teve interesses apresentados na reunião presidencial. O movimento afirma que os deputados “agem em nome próprio”.
“Qualquer alusão a uma desvinculação da RCC com a CNBB é um absurdo e não coaduna minimamente com a verdade”, disse a renovação, em nota. Os deputados também negaram divergências com a CNBB e argumentaram que o apoio ao presidente não foi “condicionado” ao atendimento das demandas religiosas.
Já as solicitações do padre Eduardo Dougherty, da TV Século21, um jesuíta precursor da renovação carismática no País, fizeram a Província dos Jesuítas do Brasil lamentar o ocorrido. Ele apelou pela emissão de um passaporte e pediu ao governo que o recebesse para apresentar tecnologias e investidores estrangeiros. A entidade afirmou não estar institucionalmente representada e que o padre Eduardo participou por “interesse próprio”.
A Comunidade Aliança de Misericórdia disse que seu fundador, padre João Henrique Porcu, expressou-se sobre conteúdo “espiritual”. O padre sugeriu ao presidente que fosse mais atuante na Igreja e afirmou que ambos enfrentam “batalhas” comuns. Ele foi o único religioso a não levar demandas explícitas ao presidente.
As maiores taxas de desmatamento da última década na Amazônia foram registradas no ano passado. Mas 2020 pode ser ainda pior. Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indica que há uma área desmatada de pelo menos 4.500 quilômetros quadrados que pode ser queimada este ano. Quatro estados concentram 88% dessa área: Pará (com 42%) dos 4,5 mil km2, Mato Grosso (23%), Rondônia (13%) e Amazonas (10%). “Se tudo virar fumaça, a região pode enfrentar estado de calamidade pública na saúde devido a sobreposição de queimadas com pandemia de Covid-19, o que sobrecarregará ainda mais a rede saúde já em colapso nos atendimentos à população”, diz o estudo.
“Coibir as queimadas e o desmatamento neste ano, além de uma ação de proteção ambiental, é também uma medida de saúde”, afirma um dos autores do estudo, o pesquisador Paulo Moutinho, doutor em Ecologia e membro do Ipam. A preocupação reflete os dados do ano passado, quando os municípios que mais queimaram na Amazônia viram o ar ficar 53% mais poluído, em média, em relação a 2018.
Moutinho destaca que “uma não ação dos poderes públicos na prevenção do desmatamento e das queimadas poderá representar perdas de vidas humanas para além das previstas com a pandemia”. “Precaução é a palavra chave agora”, conclui Moutinho.
“Durante a temporada de fogo, extensas áreas da Amazônia têm qualidade do ar pior que no centro da cidade de São Paulo devido às queimadas. Isso tem forte efeito na saúde, especialmente em crianças e idosos, que são as populações mais vulneráveis”, explicou o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), que colaborou com o trabalho.
“Como a poluição das queimadas viaja por milhares de quilômetros, comunidades isoladas de índios respiram esta atmosfera insalubre, que é muito acima dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde”.
Paulo Moutinho, durante debate em Manaus promovido pela Amazônia Real
(Foto: Alberto César Araújo/2017)
O estudo do Ipam indica que cerca de 45% da área desmatada em 2019 ainda não foi queimada A área geográfica é equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Para a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar, que também assina a nota técnica do estudo, as autoridades ambientais precisam ser “muito assertivas” no combate ao desmatamento ilegal e às queimadas. “Se isso não acontecer, temos chances de ter uma pressão muito grande no sistema de saúde da Amazônia e levá-lo, de fato, ao colapso”, explica ela.
Mapa IPAM
O pesquisador Paulo Moutinho alerta para a possibilidade de um “desastre” nos sistemas de saúde se os desmatamentos e as queimadas não forem controlados a tempo. “Precaução é a palavra-chave agora”, aconselha Moutinho. Mas o problema é que os sinais dados pelo governo federal estimula, na ponta, a destruição florestal. Em 22 de abril, em reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, o próprio ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que é preciso aproveitar a pandemia para “passar a boiada”.
Pelos cálculos dos cientistas, se o ritmo acelerado de desmatamento continuar nos próximos meses, um total de quase 9 mil quilômetros quadrados poderá virar cinzas, já que a época mais intensa de derrubada e queima se inicia agora, com a chegada do período seco na região. “Se pelo menos metade dessas áreas queimarem, teremos um cenário pior do que o que tivemos ano passado”, acrescenta o documento.
Mapa do desmatamento elaborado pelo IPAM
Queimadas sobem 38% no Acre
Queimadas no Acre em setembro de 2019
(Fotos: Katie Maehler / Mídia NINJA) [CC-BY-NC]
Os focos de calor, que são os dados capturados por satélite, já ultrapassam os registrados em 2019, no estado do Acre. Até segunda-feira (8), ocorreram 61 focos de queimadas, ante 44 no mesmo período de 2019 – um aumento de 38%. Pelos dados oficiais, o Acre registrou 6.802 focos de queimadas no ano passado. No mesmo ano, o número de queimadas urbanas foi de 6.867, segundo o Corpo de Bombeiros.
“Não sei o que é mais difícil o controle das queimadas ou da pandemia. Todos os anos nós passamos por dificuldades, mas a população continua queimando”, afirma o porta-voz do Corpo de Bombeiros do Acre, major Cláudio Falcão. Ele explica que só em Rio Branco, capital do estado, foram registrados 999 incêndios ambientais até domingo (7). No mesmo período do ano passado, o número era de 544, o que representa um aumento de 84%. Em todo o estado do Acre, já foram contabilizadas 1.086 queimadas urbanas.
“Infelizmente, temos registrados um aumento de queimadas urbanas e rurais. E isso faz com que o sistema de saúde se sobrecarregue ainda mais porque começam a aparecer doenças respiratórias. Vamos ter um problema muito sério”, prevê Falcão. Embora já exista um plano de contingência em curso, a pandemia fez com que ações presenciais e preventivas fossem retraídas por conta das restrições do isolamento social. “É preciso conscientização da população e intensificação dos órgãos de fiscalização para podermos diminuir essa situação”.
De acordo com o Laboratório de Geoprocessamento Aplicado ao Meio Ambiente da Universidade Federal do Acre (Ufac), em 2019 foram mais de 175 mil hectares queimados. Os municípios que mais queimaram foram Sena Madureira, Rio Branco, Feijó, Tarauacá e Brasiléia. Pelo menos 1.700 hectares foram afetados pelas queimadas ocorridas na região do Alto Acre. Inclusive parte importante dos incêndios florestais ocorreram na Resex Chico Mendes e Terras indígenas.
A lógica destrutiva das queimadas
Queimadas no Parna Jamanxim, em Novo Progresso, no Pará, em 24 de agosto de 2019
(Foto: Victor Moriyama/Greenpeace)
Na história da destruição florestal na Amazônia, após o desmatamento acontece uma queimada. “Ninguém vai gastar dinheiro para derrubar vários hectares de floresta para depois não usar essa área, mesmo que seja para especulação. Essa área vai ser queimada”, explica a pesquisadora Ane Alencar. Assim, sempre que a taxa de desmatamento cresce na Amazônia, há uma relação direta com o aumento de focos de calor. “Foi o que vimos acontecer em 2019 e, infelizmente, se nada for feito, é o que deveremos ver em 2020, já que a derrubada continua num ritmo elevado”, acrescenta a pesquisadora do Ipam, Ane Alencar.
Os 4.500 quilômetros quadrados apontados pelo Ipam equivalem a três vezes a área da cidade de São Paulo. De acordo com a Nota Técnica, a situação no Pará é a mais grave, pois concentra 42% do total desmatado no período analisado. Em seguida, vem o Mato Grosso, com 23%; Rondônia, com 13%; e Amazonas, com 10%.
As queimadas aumentam a quantidade de fumaça no ar, transportando material particulado fino, os chamados aerossóis. Nas áreas mais atingidas pelas nuvens poluidoras, há uma explosão de pacientes que procuram o atendimento médico com agravamento de doenças respiratórias. No entanto, desde março, os sistema de saúde estão sobrecarregados com os casos de covid-19, e três estados da Amazônia estão entre os que registram o maior número de casos da doença no Brasil.
Segundo o estudo, até o final de maio de 2020, o Brasil contabilizava 29.314 óbitos, sendo que 20% destes ocorreram na região Norte, que também registra a maior taxa de incidência (584,6) e de mortalidade (30,9) por 100 mil habitantes e, na época, contava com 107.752 casos confirmados, ou 20% do total nacional.
“No Amazonas, no Pará e em Mato Grosso, mais de 20% das pessoas moram em áreas que exigem um deslocamento de até quatro horas para chegar ao município mais próximo com condições de atendimento em casos graves de covid-19. As pequenas e médias cidades, se atingidas simultaneamente por fumaça das queimadas e infecções pelo novo coronavírus, tendem a não conseguir absorver a necessidade da população”, diz a nota técnica.
Áreas mais críticas
Trator em área de desmatamento ilegal em São Félix do Xingu, no Pará, em 2012
(Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
“É fundamental que o poder público, como os governos federal e estaduais, ajam de forma integrada. Nosso estudo, inclusive, indica onde estão essas áreas que foram derrubadas e não queimadas”, diz Paulo Moutinho. Para o Ipam, o monitoramento deve ser prioritário nos Estados do Acre, Pará e Amazonas, que possuem grandes áreas críticas.
No Pará, há “um arco de fogo que liga a região de Altamira e São Félix do Xingu, com destaque para as terras indígenas Itauna-Itatá, Apiterewa e Trincheira-Bacajá, e mais a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu”. O estudo aponta como áreas mais críticas a região ao longo da rodovia Transamazônica (BR-230) de Altamira a Rurópolis, com destaque para a Terra Indígena Cachoeira Seca, também faz parte das áreas críticas apontadas pelo Ipam, assim como Novo Progresso e Castelo dos Sonhos, com destaque para Floresta Nacional Jamanxim, e o Baixo Amazonas.
No Acre, os municípios ao redor de Rio Branco e ao longo das rodovias BR-364, com destaque para Bujari e Sena Madureira, e BR-317, nas cidades de Senador Guiomar, Capixaba e Xapuri, são os mais ameaçados pelas queimadas e incêndios florestais. E no Amazonas, o Ipam aponta como mais preocupantes os municípios localizados no sul do Estado, onde há forte pressão da agropecuária e retirada de madeira: Apuí e Nova Aripuanã, ao longo da Transamazônica, e Boca do Acre, na divisa com o Acre.
Caracaraí e Rorainópolis, no estado de Roraima, Colniza, Cotriguaçu, Aripuanã, Apiacás, Marcelândia, União do Sul e regiões a oeste do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, e a capital Porto Velho, em Rondônia, também estão ameaçadas pelas queimadas.
Alta no desmatamento em 2019
Desmatamento na TI Pirititi, em 2019
(Foto: Ibama)
Nesta terça-feira (9), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou a taxa de desmatamento do Prodes, que apontou uma alta de 34,4% na devastação da Floresta Amazônica entre o período de agosto de 2018 e julho de 2019 em comparação ao mesmo período de 2017 e 2018. Foram desmatados 10.129 quilômetros quadrados – a maior taxa desde o ano de 2008, que foi de 12.911 quilômetros quadrados.