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Adalberto Gomes2abf67c9 a3ac 4519 ac50 fba7308fecfb

A câmara de vereadores do município de Olho d´Água do Casado, Sertão de Alagoas, foi alvo da ação de vândalos durante a madrugada do último sábado (23). O prédio do poder legislativo localizado no centro da cidade foi depredado, indíviduos não identificados teriam arremessados paralelepípedos  na porta de acesso que ficou totalmente destruída da Câmara Municipal de Vereadores Severino Vieira Souza. 

A Guarda Civil Municipal e Policiais do Grupamento de Polícia Militar (GPM) foi acionada para o local, porém os responsáveis pela depredação do orgão publico teriam se evadido do local.  Não se sabe o que tenha motivo a depredação. Moradores relataram que  teriam visto, minutos antes da ação, três indivíduos nas imediações da câmara.

Um Boletim de Ocorrência (B.O) foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia Civil sediada no município de Delmiro Gouveia. A câmara municipal não dispõe de câmeras de segurança, no entanto, imagens de câmeras do sistema de vigilância eletrônica  de uma casa vizinha será analisada pela polícia no intuito de identificar os autores do delito. 

Lula recorre para que pedido de liberdade vá à 2ª Turma do STF

Advogados do ex-presidente argumentam que Fachin agiu de forma ‘arbitrária’, sem amparo em normas legais ou no regimento interno da Corte

↑ Lula em Maceió, durante sua caravana pelo Nordeste, em agosto de 2017 (Foto: Sandro Lima)

A defesa do Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou na noite desta quarta-feira (27) com novo recurso, dessa vez uma reclamação constitucional, contra a decisão do ministro Edson Fachin que remeteu o mais recente pedido de liberdade do ex-presidente para julgamento do plenário da Corte.

Os advogados de Lula argumentam que Fachin agiu de forma “arbitrária”, sem amparo em normas legais ou no regimento interno do Supremo Tribunal Federal (STF), ao remeter o caso ao plenário, numa manobra para evitar que o ex-presidente fosse solto pela Segunda Turma.

Na peça, a defesa quer que a nova reclamação seja julgada por um dos outros ministros integrantes da Segunda Turma – Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Os advogados pedem que seja concedida uma liminar (decisão provisória) dando liberdade a Lula enquanto o caso não é apreciado na Segunda Turma, e não no plenário.

PEDIDO PREJUDICADO

O pedido de liberdade estava marcado para ser julgado na sessão de terça-feira da Segunda Turma do STF, a última antes do recesso de julho do Judiciário. O colegiado é, a princípio, o responsável por julgar ações penais contra pessoas que não sejam o presidente da República ou do Congresso, por exemplo.

O caso foi retirado de pauta por decisão de Fachin, que julgou o pedido de liberdade prejudicado após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negar, na última sexta-feira (22), seguimento ao recurso extraordinário, destinado ao STF, contra a condenação a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex no Guarujá (SP).

Segundo a defesa, que se amparou em reportagens e análises de veículos de comunicação “abertamente antagônicos” ao ex-presidente, “teria havido intenção deliberada em remeter o processo do reclamante [Lula] para apreciação por outro órgão colegiado ante o temor de que o resultado do julgamento por seu juiz natural, a Segunda Turma, pudesse conduzir a resultado que lhe fosse favorável — situação aparentemente indesejada pelo relator [Fachin]”.

“Por que somente os processos envolvendo o Reclamante são remetidos ao Plenário, embora veiculem argumentos enfrentados — e por vezes acolhidos — em outros casos pela 2ª. Turma, o juiz natural?”, indagaram os advogados na reclamação protocolada na noite de quarta-feira.

DIRCEU SOLTO

A nova reclamação de Lula foi protocolada após a Segunda Turma do STF ter mandado soltar o ex-ministro José Dirceu, na mesma sessão em que o pedido de liberdade de Lula seria julgado.

Dirceu foi solto, por 3 votos a 1, tendo como justificativa a mesma argumentação manejada pela defesa de Lula, de que o recurso extraordinário contra a condenação, a ser porventura analisado pelo STF, possui argumentos plausíveis, motivo pelo qual a prisão para execução de pena após condenação em segunda instância não poderia se dar de forma automática.

Votaram nesse sentindo, concedendo a Dirceu a aguardar o julgamento do recurso extraordinário em liberdade, os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Somente Fachin voltou em contrário. O ministro Celso de Mello não participou da sessão.

Fonte: Agência Brasil

Desembargador Washington Luiz reassume funções no TJ/AL após decisão do CNJ

Termo de reassunção de funções foi assinado na tarde desta quinta-feira (28)

↑ Washington Luiz assinou termo de reassunção de funções, acompanhado do presidente em exercício do TJAL, Celyrio Adamastor, e do diretor-geral Alexandre Sodré (Foto: Caio Loureiro / Dicom do Tribunal de Justiça de Alagoas)

O desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas reassumiu suas funções no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), nesta quinta-feira (28), após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Washington Luiz integrará a Câmara Criminal da Corte alagoana. O juiz Maurílio da Silva Ferraz, que substituiu o desembargador no TJ/AL, deverá retornar à 15ª Vara Cível de Maceió (Fazenda Municipal).

O termo de reassunção de funções foi assinado por Washington Luiz, pelo presidente em exercício do Tribunal, desembargador Celyrio Adamastor, e pelo diretor-geral do TJAL, Alexandre Sodré. Juízes, assessores e familiares participaram da solenidade.

Fonte: Dicom do Tribunal de Justiça de Alagoas

"Vai faltar gás de cozinha no Brasil", alertam petroleiros

 

Em texto publicado no seu site nesta segunda (25), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) chama a atenção para a possibilidade de faltar gás de cozinha em algumas regiões do país. Segundo a entidade, a decisão da Petrobras de reduzir a produção em suas refinarias pode levar ao desabastecimento. 

Arquivo/Agência Brasil
  
No texto, a FUP lembra que, em 2014, a produção das refinarias do país bateu recorde, o que gerou um aumento no processamento do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha. Ao contrário do que faz a política atual, a estratégia era a de reduzir as importações de derivados através da gestão integrada do sistema de abastecimento. 

"Na gestão do entreguista Mishell Temer, a partir de 2016, a lógica foi invertida. Agora a ordem é reduzir o processamento das cargas das refinarias para comprar do mercado estrangeiro o que o país tem tecnologia e capacidade para produzir nacionalmente", critica a nota.

Segundo a FUP, esta nova política já tem reflexos negativos dentro das casas dos brasileiros. Nas últimas semanas, sites regionais têm anunciado o desabastecimento de gás na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. O tema, contudo, não ganhou espaço no noticiário nacional. 

Em matéria na Tribuna do Norte, no último dia 20, o presidente do Sindicato dos Revendedores de GLP do RN, Francisco Alessandro Correia dos Santos, afirmou que 95% dos revendedores estavam sem gás. 

Ele propôs como solução aumentar a produção de GLP na Refinaria Potiguar Clara Camarão, da Petrobras, mas a estatal respondeu que o volume de vendas estaria dentro do contratado. O resultado da falta de abastecimento é sentido na pele pelos trabalhadores das revendedoras. No RN, pelos menos 40 deles já haviam sido demitidos. 

De acordo com o Instituto de Estudo Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), apesar da demanda do GLP ter aumentado, a produção nas refinarias vem diminuindo nessas regiões. 

“Pode-se supor que, mantendo a curva de produção com uma trajetória declinante, a diferença entre a demanda e a produção de GLP nessas regiões deve aumentar no próximo trimestre. Ou seja, a atual situação de desabastecimento observada em estados como Rio Grande do Norte, Recife, Paraíba e Santa Catarina tendem a se agravar no curto prazo, caso a Petrobras não retome a sua produção nessas localidades”, diz o instituto.

Para denunciar e combater a redução da operação das refinarias, os petroleiros estão organizando uma greve nacional. 

“Nossa greve não é para desabastecer o país, como está fazendo o governo Temer com essa política de desmonte que reduziu a carga das refinarias e elevou os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, obrigando milhões de brasileiros a voltarem a cozinhar com lenha e carvão. Nossa greve é para que as refinarias voltem a operar com carga máxima e a Petrobras possa voltar a cumprir a sua missão, que é abastecer o povo brasileiro, de norte a sul do país”, disse o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi.

Dados do IBGE divulgados em maio indicaram que mais 1,2 milhão de brasileiros deixaram de utilizar o gás de cozinha no ano passado. 

Leia a íntegra do comunicado divulgado no site da FUP:

Vai faltar gás de cozinha no Brasil

Um dos itens do programa de desinvestimento privatização da Petrobrás é a redução das cargas nas refinarias, o que influencia diretamente o abastecimento do GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha.

Em 2014, a produção das Refinarias do país bateu recorde, chegando a refinar uma carga de 2,1 milhões de barris de petróleo por dia de acordo com o portal da Petrobrás. O que, consequentemente, gerou um aumento no processamento do GLP.

Ao contrário desta política do governo Dilma, em 2014, que visava a redução das importações de derivados através da gestão integrada do sistema de abastecimento, na gestão do entreguista Mishell Temer, a partir de 2016, a lógica foi invertida. Agora a ordem é reduzir o processamento das cargas das refinarias para comprar do mercado estrangeiro o que o país tem tecnologia e capacidade para produzir nacionalmente.

E esta nova política está refletindo principalmente dentro das casas dos nordestinos, como foi denunciado pelo INEEP na última quinta-feira, 21. De acordo como Instituto, a pesar da demanda do GLP na região ter aumentado, a produção nas refinarias vem diminuindo. "Portanto, pode-se supor que, mantendo a curva de produção com uma trajetória declinante, a diferença entre a demanda e a produção de GLP nessas regiões deve aumentar no próximo trimestre. Ou seja, a atual situação de desabastecimento observada em estados como Rio Grande do Norte, Recife, Paraíba e Santa Catarina tendem a se agravar no curto prazo, caso a Petrobrás não retome a sua produção nessas localidades" (Leia aqui).

Entendendo que o Brasil passa por um período de golpe contra os direitos dos trabalhadores e a população mais empobrecida, os petroleiros estão organizando uma greve nacional para abastecer o país. De acordo com o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, a intenção é fazer com que as refinarias, que estão operando com menos da metade da capacidade, voltem a operar com carga máxima. "Nossa greve não é para desabastecer o país, como está fazendo o governo Temer com essa política de desmonte que reduziu a carga das refinarias e elevou os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, obrigando milhões de brasileiros a voltarem a cozinhar com lenha e carvão. Nossa greve é para que as refinarias voltem a operar com carga máxima e a Petrobrás possa voltar a cumprir a sua missão, que é abastecer o povo brasileiro, de norte a sul do país".


 Do Portal Vermelho

 
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Dependência de crack leva 90% dos bebês à adoção no centro de SP

 

Situação de rua e dependência química fazem com que muitas mulheres abandonem ou percam a guarda de seus filhos. Metade dos bebês é acolhida por familiares e a outra metade é adotada

Arquivo EBC
 O problema com drogas da mãe biológica não costuma atrapalhar na adoção dos bebês O problema com drogas da mãe biológica não costuma atrapalhar na adoção dos bebês
Em torno de 90% dos bebês colocados para adoção na região central de São Paulo são filhos de mães dependentes de crack e em situação de rua. Segundo a juíza Cristina Ribeiro Leite, responsável pela Vara da Infância e Juventude que atua no centro da capital paulista, muitas dessas mães são conhecidas no território e já ficaram grávidas várias vezes.

“É comum termos mães com sete ou dez gestações. Muitas não sabem dizer onde estão os filhos e nem os nomes deles”, afirma a juíza. Ela lembra ter atuado recentemente num caso em que a mãe estava na 17ª gestação.

De acordo com a juíza Cristina Leite, a recorrência com as mães envolvidas com crack deve-se ao fato de elas não aceitarem medidas contraceptivas na esperança de estar em melhores condições na próxima gestação e, então, conseguir criar o filho. “’Eu ainda vou ser mãe um dia’, elas dizem, mas na prática não conseguem”, explica a juíza. “Temos essa realidade bastante dura.”

Os bebês colocados para adoção na área de abrangência da Vara da Infância Central provêm, em sua maioria, de partos ocorridos na Santa Casa de Misericórdia, no Hospital das Clínicas ou mesmo nas ruas, dentro de ambulância ou viatura policial. A situação é sempre dramática.

“Muitas estão tão perdidas que não conseguem dar relato sobre a família, não conseguem sequer dar o prenome de uma avó que talvez pudesse acolher aquela criança. A gente sempre prioriza retornar a criança para a mãe ou alguém da família”, explica a juíza.

A realidade, entretanto, é outra. Segundo Cristina Leite, são raros os casos em que a mãe consegue se recuperar e ficar com o filho recém nascido. As chances são maiores com mães que estão há pouco tempo em situação de rua ou em dependência do crack ainda não muito longa e, assim, aderem aos encaminhamentos da assistência social. “Às vezes consegue se reestruturar e até desacolher o filho, mas em muitos casos não temos informações da família e a mãe se evade da maternidade sem sequer apresentar documento”, diz Cristina.

Ela explica que há casos em que o hospital, ao verificar que a situação da mãe “é muito ruim”, pode não liberar o bebê. Por outro lado, afirma também haver situações em que a mãe foge devido à crise de abstinência. A situação, na prática, é complexa. Segundo a juíza, o direito da mãe é soberano e se ela decide doar a criança, mas depois se arrepende e volta atrás, sua vontade será respeitada. No entanto, esses casos são muito difíceis.

“Se mudar de ideia, em nenhuma hipótese o poder Judiciário vai contra essa vontade, a menos que exista risco para o bebê, como uma mãe usuária de crack ou moradora de rua, entre outras condições. Essa criança, no caso, vai ser acolhida, independente da vontade da mãe”, destaca Cristina Leite.

Saudáveis

Ao contrário do que o senso comum muitas vezes imagina, quase 100% dos bebês nascidos de mães usuárias de crack são saudáveis, apesar da mãe ter usado a droga durante a gestação e não ter feito exames pré-natal. A juíza salienta que o poder público e o Judiciário só colocam para adoção aquelas crianças em que, após os meses iniciais de vida, não se vislumbra nenhuma possibilidade de encontro com alguém da família. “A gente tenta não deixar que elas cresçam nos abrigos”, pondera.

A lista de casais dispostos a adotar um bebê recém nascido é grande, mesmo para aqueles com o perfil da mãe biológica usuária de crack. Na Vara da Infância e Juventude da região central, atualmente há mais de 40 casais na fila da adoção. “Esses bebês não têm nenhuma rejeição. Os casais que vêm se habilitar já sabem dessa realidade. Se o casal rejeitar uma criança filha de uma mãe da drogadição do crack, ele não vai conseguir adotar. São raros os bebês que vêm de outra forma. Às vezes tem uma mãe que vem fazer uma entrega voluntária, por já ter muitos filhos e não conseguir criar mais um”, explica Cristina Leite.

O problema, de acordo com a juíza, é a adoção de crianças mais crescidas, as chamadas “adoções tardias”. “Temos um número grande de crianças que já estão destituídas do poder familiar, prontas para a adoção, com 8, 9, 10 ou 11 anos de idade, mas não há pretendentes para essa faixa etária.” Quanto maior a idade da criança ou do adolescente, mais remota é a possibilidade de adoção.

Somente na região central de São Paulo há 19 serviços de acolhida. No total, atualmente há 275 crianças e adolescentes acolhidos, com idade entre zero e 17 anos. Os bebês com idade entre zero e três anos costumam ficar pouco tempo e são rapidamente adotados. Entre os outros há adolescentes com HIV que antes ninguém adotava e cresceram ou irmãos que a Justiça procura manter juntos para não separar.

A juíza diz ser difícil estimar se o número de bebês filhos de mães usuárias de crack tem crescido nos últimos anos, considerando que o problema social com a droga é uma realidade em São Paulo há quase duas décadas. Diz que há semanas em que se acolhe dois ou três bebês, enquanto em outras apenas um ou nenhum. Ela estima que, entre os bebês acolhidos com esse perfil, em metade dos casos se consegue recolocá-lo na família e a outra metade é adotada.

Amparo
Cristina Leite é enfática ao dizer que o objetivo da Vara da Infância é amparar a criança. “Se ela está em situação de risco, nós temos que tomar uma medida. Nossa tentativa de fazer a rede (de assistência social) trabalhar para que a família seja inserida, é sempre sob o ângulo da criança, se ela vai ter um ambiente saudável ou não”, explica.

Para ela, o ideal seria a existência de um serviço de acompanhamento e acolhimento dessas mães, embora ela mesma destaque que é difícil criar o vínculo com mães desse perfil. “Muitas têm três ou quatro filhos acolhidos, estão grávidas e fogem, porque não querem que o novo filho seja também acolhido, que é o que vai acabar acontecendo. Ao invés delas pedirem ajuda, elas fogem do Estado.”

A juíza imagina um local onde as mães que acabaram de dar à luz pudessem ficar com seus filhos e recebessem acompanhamento e atenção. “São mães que muitas vezes nem sabem cuidar do filho, não conseguem dar um banho, mal conseguem comer. Ainda que ela queira tentar se desintoxicar e sair da droga, é muito difícil. Se para uma mãe que tem toda a estrutura já é difícil dar o primeiro banho, para uma mãe que se vê na rua, sozinha, que estrutura ela tem?”, questiona. “É um trabalho de formiguinha. Não adianta esperar por essas mães, precisamos ir até elas e tentar acolhê-las um pouco antes de dar à luz.”

Ela pondera que os dados oficiais dizem não haver bebês na Cracolândia, apenas adolescentes, mas os relatos indicam o contrário. “A gente está todo dia vendo, é nossa realidade, por onde transitamos. Está aí, para todos verem”, conclui, sem meias-palavras para descrever o cotidiano da maior cidade do país.

Fonte: Rede Brasil Atual

 
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A cada três dias uma mulher entrega recém-nascido para adoção

 

De acordo com um levantamento realizado pela Folha de S.Paulo, a cada três dias uma mulher vai à Justiça para entregar um bebê a adoção e os principais motivos para essa decisão são: gravidez após estupro e sem acesso a aborto legal, ausência ou abandono do pai da criança e a falta de suporte familiar e de condições financeiras. 

Por Verônica Lugarini

Agência Brasil
Os principais motivos para a entrega do bebê para adoção são: gravidez após estupro e sem acesso a aborto legal, ausência ou abandono do pai da criança e a falta de suporte familiar e de condições financeiras.Os principais motivos para a entrega do bebê para adoção são: gravidez após estupro e sem acesso a aborto legal, ausência ou abandono do pai da criança e a falta de suporte familiar e de condições financeiras.
Toda mulher brasileira tem o direito a chamada entrega legal ou voluntária, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas pouco divulgada. A partir dela a mãe tem a alternativa de colocar o bebê para adoção em caso de incapacidade de criá-lo. 

No Brasil, essa entrega acontece a cada três dias por uma mãe que se sente desamparada e busca apoio da Justiça para entregar seu bebê ainda em gestação ou já nascido para adoção, foi o que apontou um levantamento feito pela Folha a partir de consulta a tribunais. 

Desde janeiro de 2017 até maio deste ano foram ao menos 203 casos no país —um a cada 2,5 dias. Todavia, o número de entrega para adoção pode ser ainda maior, já que de 27 tribunais consultados, apenas 11 enviaram informações ao jornal. 

Mas o que chama ainda mais atenção nesta situação são os motivos pelos quais as mães decidem entregar os recém-nascidos, principalmente gravidez após estupro e sem acesso a aborto legal, ausência ou abandono do pai da criança e falta de suporte familiar e de condições financeiras. Além da gravidez não planejada e falta de desejo de exercer a maternidade.
É notório que esse cenário poderia ser revertido se houvesse a maior proteção das mulheres por parte do Estado brasileiro. Muitas delas são abandonadas pelo pai da criança e ficam com toda a responsabilidade de criar sozinha um recém-nascido. 

A falta de suporte do Estado já uma realidade e, novamente, dados comprovam tal fato. De acordo com informações consolidadas pela Fundação Abrinq, a mortalidade infantil cresceu 11% entre 2015 e 2016. Esse número é reflexo da ausência ou da deterioração de programas de proteção ao recém-nascido e da política econômica brasileira que opta por cortar investimentos essenciais, como na área da saúde, em prol de um controle de gastos que impacta diretamente nos avanços sociais conquistados. 

Essa austeridade econômica se intensificou durante o governo Michel Temer com a aprovação do teto dos gastos – que congela os investimentos públicos até 2036. Lembrando que estudos já indicam que com teto dos gastos, o Brasil deve ter 20 mil mortes a mais de crianças.

Todo esse quadro é agravado por uma política e por parlamentares conservadores. Enquanto outros países, inclusive vizinhos como a Argentina, avançam na legalização do aborto, no Brasil projetos de lei tentam restringir ainda mais o direito ao aborto legal. É o caso de dois Projetos de Lei, um que propõe tornar a prática crime hediondo (PL 7.443/2006) e outro conhecido como o Estatuto do Nascituro que tornaria o aborto em caso de estupro ilegal.

Enquanto essas pautas avançam no Congresso, a realidade brasileira comprova estatisticamente que as mulheres são vítimas da continuidade da legalização do aborto, principalmente as mais pobres. A cada dois dias o aborto inseguro mata uma brasileira e é a quinta causa de morte materna.

Tudo isso contribui para um quadro de desalento entre as mães brasileiras, que diante de um futuro incerto com o aumento da pobreza, abandono do pai da criança e da impossibilidade de realizar um aborto legal, opta por entregar o bebê para adoção. 

E o que deveria ser realizado com segurança e sigilo, já que a entrega para adoção é assegurada como um direito, não acontece. Muitas dessas mulheres sofrem um forte preconceito ao manifestarem o desejo da entrega, inclusive dos próprios profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento. Isso foi o que apontou Walter Gomes, supervisor de adoção da Vara de Infância e Juventude de Brasília ao jornal.

Frequentemente elas são tratadas como indignas ou merecedoras de cadeia. Já dentro do ambiente hospitalar, muitas mães não têm o sigilo garantido, explicou Walter Gomes.


Do Portal Vermelho

Feminicídio cresce no país, apesar de aumento de ações no Judiciário

 

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado na semana passada que avaliou a questão do feminicídio a partir do tratamento dado pelo Judiciário a estes crimes constatou que os casos de assassinatos de mulheres aumentaram 8,8% durante um período de 10 anos (de 2003 a 2013).

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Casos de feminicídio aumentaram 15,5% em uma década, passando de 4030 ocorrências em 2006 para 4645 em 2016Casos de feminicídio aumentaram 15,5% em uma década, passando de 4030 ocorrências em 2006 para 4645 em 2016
O número tem se mantido alto, mesmo com a criação de novas varas especializadas na aplicação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340). Conforme avaliação da maior parte destes processos, o principal perfil das vítimas continua sendo o mesmo: de mulheres negras, com idade entre 18 a 30 anos.

Mas a pior constatação do trabalho, intitulado O Poder Judiciário na Aplicação da Lei Maria da Penha é de que os tribunais não estão dando conta de atender toda a demanda relacionada a estes casos. Dos 10,7 mil processos em tramitação sobre o tema no ano passado, os magistrados só chegaram a dar perto de 5 mil sentenças.

O número é bem maior que o de 2016, que foi de cerca de 2 mil sentenças. Mesmo assim, mostra que mais da metade das ações continuam sem ter chegado ao fim.

Quando o recorte é feito a partir de números do ano passado, o percentual de crimes contra mulheres é ainda maior. Segundo o último Atlas da Violência – estudo elaborado conjuntamente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) –, os casos de feminicídio aumentaram 15,5% em uma década, passando de 4030 ocorrências em 2006 para 4645, em 2016.

Para a socióloga Adriana Mota, integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e da Organização e Defesa dos Direitos e Bens Comuns (Abong) os dados não surpreendem, sobretudo, em relação ao perfil que envolve a mulher negra, infelizmente um dado antigo na sociedade brasileira.

“Temos uma hipótese de que quanto mais grave é a violência, mais preta é a cor da pele dessa mulher. Os principais casos observados de lesão dolosa e estupro, por exemplo, têm como vítimas em todo o Brasil, em sua maior parte, mulheres negras”, afirma. De acordo com ela, “existe uma interseção, no país, entre machismo e racismo”.

Na avaliação de Adriana, em geral a Justiça não é um lugar de conforto para as mulheres. E os julgamentos de crimes, a seu ver, têm tradição de demorarem anos para acontecer, como evidenciam os casos mais famosos, como o da socialite Ângela Diniz, na década de 1970.

Apesar de reconhecer os esforços dos tribunais e do Judiciário como um todo para melhorar a situação, a representante da AMB e da Abong acredita que parte dessa estrutura se dá porque, nos judiciários estaduais há, ainda, “um espaço racista, machista e classista, mesmo tentando melhorar”.

O trabalho do CNJ, elaborado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias do órgão, apresenta uma análise do quadro a partir de informações dos tribunais de Justiça. E constata que o volume de processos em tramitação é maior que a capacidade da Justiça de julgar os responsáveis por estes crimes.

Conforme o levantamento, a responsabilização criminal dos assassinos produziu 1.287 novos processos em 2016 e mais que o dobro no ano passado: 2.643 casos. Já em relação ao número de processos em tramitação, estes foram mais de 1,4 milhão no ano passado (ou 1.448.716 processos no total, referentes à violência doméstica e familiar). O que equivale, proporcionalmente, a 13,8 mil processos abertos a cada mil brasileiras.

Medidas protetivas

Dentro da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha, de combate à violência doméstica e familiar de todo o tipo contra as mulheres, não apenas o feminicídio) varas diversas concederam, no ano passado, 236.641 medidas protetivas, número maior do que o de 2016, quando foram concedidas 194 mil medidas.

Os estados que registraram maior crescimento de medidas foram Goiás, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. 

Entre as medidas protetivas de urgência previstas na legislação estão a suspensão de porte de armas do agressor, proibição de se aproximar ou manter contato com a vítima de agressão e, ainda, restrição judicial a visitas aos filhos.

“A resposta do Poder Judiciário aos casos de violência doméstica contra a mulher tem sido mais eficaz”, afirma a presidenta do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, apesar de o estudo mostrar o volume de casos pendentes. 

“O Estado, que assumiu a responsabilidade de fazer a justiça no sentido humano, no plano do Estado-Juiz, tem que dar espaço para que essas pessoas falem, para que possamos dar a oportunidade da sociedade contribuir com as mudanças e também mudar a estrutura estatal que garanta que haja punição”, observa a magistrada.

Crime hediondo

O feminicídio passou a ser tipificado como crime hediondo em 2015, quando a Lei 13.104 normatizou o tema. “Apesar dos números altos, temos de nos perguntar se estes índices não estão sendo altos pelo fato de na última década ter havido maior preocupação no combate à violência contra a mulher do que nas anteriores, o que por si só já é bastante positivo”, ressalta a socióloga Betina Vasquez, que elabora estudo sobre o tema para a Universidade de Brasília (UnB).

“Se por um lado há um grande número de ações nos tribunais, temos que lembrar que antes a grande maioria destas mulheres nem sequer tinha coragem de ir até uma delegacia denunciar seus agressores. Contar que foi agredida, acima de tudo, era vergonhoso para muitas delas”, diz Betina.

“A medida protetiva é muito importante para impedir mortes. A celeridade das ações é um fator de respaldo para que outras mulheres possam fazer denúncias e se sintam encorajadas a isso. A mulher precisa estar empoderada, segura”, afirma a assistente social Conceição Santos. Conceição atua no Instituto Maria da Penha, criado pela farmacêutica cearense que ficou paraplégica em razão de agressões sofridas do marido e deu nome à legislação.

Embora a agressão física praticada no ambiente doméstico seja a mais conhecida, a Lei 13.104 define violência doméstica e familiar como qualquer prática de violência contra a mulher, seja esta física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, tais como ameaçar, constranger, humilhar, perseguir, insultar, chantagear e ridicularizar. Obrigar a companheira à relação sexual, por meio de intimidação ou uso da força, também está contido no mesmo artigo da lei.

A diretora da União Brasileira de Mulheres (UBM), Natália Gonçalves, também avalia o resultado do trabalho do CNJ como uma percepção do que há anos se vê na vida real das cidades, mesmo diante das muitas redes de proteção e política social implantadas na última década.

“Ainda temos a mulher pobre, que tem filhos, depende do marido para viver, não tem para onde ir se deixá-lo e vive uma série de outras situações que a impedem de procurar uma prevenção ou fazer uma denúncia por ter sido vítima de violência”, conta.

De acordo com Natália, apesar de toda a melhoria dos últimos anos, continua sendo tortuoso o caminho das mulheres com piores condições socioeconômicas para registrar ocorrência contra seus agressores. “Ela vai numa delegacia, de lá precisa ir no Instituto Médico Legal (IML) e aguardar para ser aberto o processo. A não ser que esteja correndo risco de morte, tem que esperar todos os trâmites para ter a devida proteção em caráter imediato”, ressalta.

“E estamos falando de mulheres que em sua maior parte não têm empregos, dependem dos maridos, não possuem apoio por parte de famílias. Há toda uma conjuntura por parte desse perfil de mulheres e negras, que no final das contas é só a ponta do iceberg”, revela.

Natália destaca que a Lei Maria da Penha até tem buscado uma rede integrada de proteção que passa pelas áreas de saúde, segurança pública, assistência social e Justiça, mas acha que é preciso atuar mais na prevenção. “Porque se deixarmos para atuar só no combate, ninguém vai dar conta”,alerta. Os números do Judiciário já mostram isso.

Por Hylda Cavalcanti, na Rede Brasil Atual

Jandira: Desigualdade não se combate com tiros que tombam adolescentes

 

 

O último e desolador momento que restou à mãe do estudante Marcos Vinicius, de 14 anos, foi a pergunta do jovem ensanguentado no chão de terra da favela da Maré: “Eles não viram que eu estava com roupa da escola, mamãe?”

Por Jandira Feghali*, no Viomundo
 

 

MAURO PIMENTEL/AFP  

Baleado por um tiro de fuzil a caminho do CIEP na comunidade, Marcos teve finalizado sonhos e a chance de construir sua vida.

Foi enterrado em meio ao sofrimento e revolta de uma população vulnerável e cotidianamente presente nos noticiários policiais pelas frequentes perdas de seus filhos, mulheres e homens, meninas e meninos, em geral pretas e pretos jovens e transformados em números frios de uma estatística crescente no Rio de Janeiro.

Mas algumas mortes “da Maré” repercutem muito e fazem deste tema a violência, algo assustador.

A violência urbana ou a violência política.

Marcos e Marielle.

Vila Vintém agora grita por Guilherme.

Rocinha, Alemão, e tantas outras favelas gritam pelos seus e suas.

E continua o nosso ruidoso questionamento: Até quando?

Como uma ação conjunta da polícia civil e do Exército, com helicópteros em rasantes e dando disparos numa área escolar, podem deixar o Governo do Rio e suas corporações incólumes?

É preciso investigação séria e célere sobre a responsabilidade da morte do estudante.

Pois em plena intervenção federal, junto da gestão Pezão e do MDB para conter a violência no Rio de Janeiro, vemos a marca das ações: improviso, sem planejamento inteligente, desprezo pela vida dos civis inocentes.

A camisa de Marcos com o brasão da rede estadual manchada de seu sangue é a prova disso.

Não é de hoje que alertamos que a intervenção em andamento no Rio não é solução para a grave crise de segurança experimentada no estado.

E quem está pagando com a vida o preço disso tudo é principalmente a parcela de sempre do povo.

A já discriminada em todas as dimensões da vida.

Os considerados e tratados como sub-cidadãos e eliminados na guerra contra os pobres. Barbárie!

É preciso denunciar sistematicamente o desgoverno que só pensa em congelar investimentos, entregar nossas riquezas, sequestrar direitos e futuro e enterrar, sem dó, nossos jovens.

Nos palácios do Planalto e Guanabara, os responsáveis maiores!

De acordo com dados do último Atlas da Violência, publicação do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública , a taxa de homicídios no Brasil atingiu marca nunca antes vista.

Chegamos a 30 homicídios por 100 mil habitantes.

O texto sugere uma reflexão acerca do que chamam de “verdadeira crise civilizatória”.

Os dados falam por si.

Nosso estado e seus jovens clamam por políticas públicas de segurança há tempos.

Os remendos apresentados só têm agravado a situação e, se por um lado, parte da população apoiava a intervenção federal, a maioria já entendeu que não trará solução.

Seu planejamento, só agora, quatro meses depois, foi apresentado à sociedade.

Vários são os desafios nesta área, mas são necessários investimentos em políticas públicas e uma capacitação nos três níveis de governo que permita a integração dos sistemas de inteligência e investigação, para maior eficiência e menor risco das ações.

Mas não nos esqueçamos que a desigualdade é mãe fervorosa da violência que massacra nossos jovens e lhes nega a oportunidade de um desenvolvimento pleno ou mesmo de viver.

E desigualdade não se combate com tanques nas ruas ou tiros que tombam crianças e adolescentes. 

*Jandira Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição

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Faleceu na madrugada desta segunda-feira (25), o jovem Márcio Tavares, 20 anos, que estava internado em um hospital da capital Maceió. Márcio foi baleado com vários disparos de arma de fogo na porta de sua residência, no Povoado Areia Branca, município de Santana do Ipanema, Sertão de Alagoas, quando estava usando seu aparelho celular, no dia 07 de junho, o individuo que efetuou os disparos não foi identificado e encontra-se foragido. 

Gravemente ferida, a vítima deu entrada no Hospital Dr Clodolfo Rodrigues de Melo, em Santana do Ipanema, e posteriormente foi transferida para um hospital não revelado em Maceió. Internado praticamente há um mês, nesta segunda-feira, Márcio não resistiu após sofrer uma parada cardíaca. 

Crimes digitais: o que são, como denunciar e quais leis tipificam como crime?

Todas as pessoas que são atingidas podem recorrer à Justiça para garantir o seu direito de reparação

↑ Lei dos Crimes Cibernéticos (12.737/2012), conhecida como Lei Carolina Dieckmann, que tipifica atos como invadir computadores, violar dados de usuários ou "derrubar" sites.

Publicar ofensas em redes sociais não se confunde com o direito à liberdade de expressão. A falsa sensação de anonimato tem levado centenas de internautas publicarem conteúdos ofensivos de todo tipo para milhares de pessoas, famosas ou não.

Sem contar os casos de roubos de senhas, de sequestro de servidores, invasão de páginas e outros cybercrimes. Todas as pessoas que são atingidas podem recorrer à Justiça para garantir o seu direito de reparação. Apesar de ser um assunto relativamente novo, a legislação tem avançado com textos específicos para cada propósito.

Legislação

Duas leis que tipificam os crimes na internet foram sancionadas em 2012, alterando o Código Penal e instituindo penas para crimes como invasão de computadores, disseminação de vírus ou códigos para roubo de senhas, o uso de dados de cartões de crédito e de débito sem autorização do titular.

A primeira delas é a Lei dos Crimes Cibernéticos (12.737/2012), conhecida como Lei Carolina Dieckmann, que tipifica  atos como invadir computadores, violar dados de usuários ou “derrubar” sites. Apesar de ganhar espaço na mídia com o caso da atriz, o texto já era reivindicado pelo sistema financeiro diante do grande volume de golpes e roubos de senhas pela internet.

Os crimes menos graves, como “invasão de dispositivo informático”, podem ser punidos com prisão de três meses a um ano e multa. Condutas mais danosas, como obter, pela invasão, conteúdo de “comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas” podem ter pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa.

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O mesmo ocorre se o delito envolver a divulgação, comercialização ou transmissão a terceiros, por meio de venda ou repasse gratuito, do material obtido com a invasão da privacidade. Nesse caso, a pena poderá ser aumentada em um a dois terços. Já a Lei 12.735/12 tipifica condutas realizadas mediante uso de sistema eletrônico, digitais ou similares que sejam praticadas contra sistemas informatizados. Essa é a lei que determina a instalação de delegacias especializadas.

Marco Civil

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) foi sancionado em 2014 e regula os direitos e deveres dos internautas. Ele protege os dados pessoais e a privacidade dos usuários. Dessa forma, somente mediante ordem judicial pode haver quebra de dados e informações particulares existentes em sites ou redes sociais.

Uma das grandes inovações diz respeito a retirada de conteúdos do ar. Antes de sua entrada em vigor, não havia uma regra clara sobre este procedimento. A partir de então, a retirada de conteúdos do ar só será feita mediante ordem judicial, com exceção dos casos de “pornografia de vingança”.

Pessoas vítimas de violações da intimidade podem solicitar a retirada de conteúdo, de forma direta, aos sites ou serviços que hospedem este conteúdo.

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Competência jurídica

O Marco Civil da Internet também determinou que os Juizados Especiais são os responsáveis pela decisão sobre a ilegalidade ou não dos conteúdos. Isto se aplica aos casos de ofensa à honra ou injúria, que serão tratados da mesma forma como ocorre fora da rede mundial de computadores.

A fixação da competência independe do local do provedor de acesso ao mundo virtual, sendo considerado o lugar da consumação do delito, nos termos do artigo 70 do Código de Processo Penal. Já nos casos de crimes como violação de privacidade ou atos que atinjam bens, interesse ou serviço da União ou de suas empresas autárquicas ou públicas, a competência é da Justiça Federal, assim como crimes previstos em convenções internacionais (tráfico, tortura, moeda falsa e outros).

 Denuncie

Em casos de publicações homofóbicas, xenofóbicas, discriminação racial, apologia ao nazismo e pornografia infantil é possível realizar uma denúncia anônima e acompanhar o andamento da investigação. Para fazer a denúncia, acesse o site Safernet (http://new.safernet.org.br/denuncie), identifique o tipo de conteúdo ofensivo e informe o link para a publicação.

O Safernet é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, com foco na promoção dos Direito Humanos. Eles têm parceria com diversos órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral Federal, além de empresas como o Google, Facebook e o Twitter.

 

Fonte: Agência CNJ de Notícias 

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