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"Abrir a porta da igreja é fácil, mas precisamos aprender um novo estilo de vida", diz arcebispo e anuncia reabertura das igrejas

  • Gabriela Flores
  • 31/07/2020 17:27
  • Maceió

O Arcebispo Metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz Fernandes, por meio das redes sociais, divulgou nesta sexta-feira, dia 31, o Decreto de Reabertura das Igrejas. Conforme o documento, as celebrações e atividades religiosas com a presença física de fiéis serão retomadas a partir de 15 de agosto

A flexibilização das regras e retomada das atividades e serviços nos templos católicos foi elaborada com a participação de padres e diáconos, comentou Dom Antônio.

O arcebispo destacou que a pandemia da Covid-19 nos ensinou novas direções para construir um mundo melhor e termos atitudes inclusivas junto aos mais necessitados. No entanto lembrou que “abrir a porta da igreja é fácil, mas precisamos aprender um novo estilo de vida, e para isso estamos considerando as informações da OMS e da OIT.

O arcebispo recomendou que os fiéis sigam as recomendações dos protocolos do Governo do Estado quanto a evitar aglomerações, uso de máscara e os cuidados da saúde que devem ser tomados pelas pessoas que fazem parte do grupo de risco.

Entre as medidas adotadas está o distanciamento das pessoas nos assentos deve ter 1,5 metro ou mais, disponibilização de álcool em gel 70%, janelas e portas abertas além da limpeza dos objetos litúrgicos.

As igrejas devem colocar, na parta, em local visível, a capacidade máxima de fiéis por celebração e todas as medidas do protocolo de higienização.

As aulas e atividades da catequese de crianças e adultos ainda seguem suspensas.

Aprovada MP que tira obrigatoriedade de 200 dias letivos em 2020

 

23/07/2020, 20h25

O Senado aprovou a medida provisória (MP) 934/2020, que suspende a obrigatoriedade de 200 dias letivos no ano de 2020 devido à pandemia de coronavírus. No entanto, os sistemas escolares deverão cumprir a carga horária de 800 horas, tendo como alternativa o ensino remoto. O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), relator da MP, destacou que os governos devem garantir aos estudantes condições de acompanhar as aulas não presenciais. As informações são do repórter Rodrigo Resende, da Rádio Senado.

Fonte: Agência Senado

'Pagamento de 50% do 13º + salário de julho injetará cerca de R$ 5 milhões na economia', diz prefeita Christiane Bulhões

Pagamentos iniciam nesta terça-feira (28) e seguem um cronograma para evitar aglomerações nas agências bancárias
Por: Redação Sertão na Hora  
 
 Foto: Jean Souza

A prefeita de Santana do Ipanema, Christiane Bulhões, destacou que o pagamento de 50% do 13º junto do salário de julho injetará quase R$ 5 milhões na economia de Santana do Ipanema. A notícia foi divulgada pela chefe do executivo durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (28), no auditório da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) Campus Santana.

“Os funcionários receberão o mês [de julho] com um adicional de 50% do 13º salário, conforme nosso calendário. O pagamento injetará cerca de R$ 5 milhões na economia de Santana do Ipanema”, disse a prefeita.

 

Christiane Bulhões também destacou que os pagamentos iniciam nesta terça-feira pelas secretarias de secretarias de Gestão de Pessoas, Finanças, Meio Ambiente, Procuradoria e Controladoria.

Na quarta-feira (29), recebem os trabalhadores das secretarias de Infraestrutura, Governo, SMTT e Gabinete.

 

Quinta-feira (30) a folha será concluída com o pagamento dos servidores das secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social.

 

“Assim como o prefeito Isnaldo Bulhões, seguiremos honrando o pagamento em dia e cuidando com total dedicação dos nossos servidores e daqueles que mais precisam”, disse.

 

 

China versus EUA: um confronto que pode durar décadas

"A China e os Estados Unidos trilharão caminhos divergentes e opostos", escreve José Reinaldo Carvalho.

Foto: Reuters

A última semana foi marcada por uma escalada de conflitos entre os Estados Unidos e a China, desde o campo diplomático ao militar.

Por José Reinaldo Carvalho *

Na sexta-feira (24), a China determinou que os Estados Unidos encerrem as atividades de seu consulado na cidade de Chengdu. Foi uma atitude recíproca à ordem emitida pelo presidente Donald Trump para que o país asiático fechasse o Consulado Geral em Houston (Texas).

Como sempre, seguindo os princípios da prudência, bom senso e equilíbrio, o ministério chinês das Relações Exteriores, limitou-se a dizer que se tratava de uma contra medida “legítima e necessária” ao ato unilateral e injustificado de Washington, não falou em confronto e apelou a que os Estados Unidos revejam a política de hostilidade para evitar uma escalada de tensões. Expressou ainda o desejo de que as coisas voltem à normalidade e as relações percorram os caminhos do entendimento, ainda que cada um mantenha suas próprias visões e interesses.

Os episódios envolvendo os consulados de Houston e Chengdu fazem parte de uma escalada sem precedentes em meio à crescente tensão nas relações entre Washington e Pequim, que se deterioram devido à intensa guerra comercial e tecnológica, disputas sobre a administração da pandemia, ingerências nos assuntos internos chineses a partir da nova legislação de segurança para Hong Kong e posicionamentos militares envolvendo mobilização de belonaves na área do Mar do Sul da China, que podem ter desdobramentos estratégicos

As alegações de Trump para o fechamento do consulado chinês em Houston não encontram respaldo na realidade. O Departamento de Estado não conseguiu demonstrar que funcionários chineses tenham roubado dados da vacina americana. Tudo indica que as autoridades americanas laboram em erro e mais dia menos dia vai se tornar patente a obrigação de rever a decisão. A China participa ativamente da cooperação internacional na pesquisa e desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, com respaldo da Organização Mundial de Saúde e parcerias com países, entre eles o Brasil, via estado de São Paulo/Instituto Butantan. Os ensaios de algumas vacinas chinesas estão adiantados e em torno deles há grande expectativa no mundo.

Para além das estratégias diferentes – os EUA apostando no unilateralismo e perseguindo lucros, a China investindo na cooperação e prometendo tornar sua vacina bem público da humanidade – ficou patente uma disputa ideológica que tem a ver com interesses geopolíticos e cosmovisões distintas. Os Estados Unidos enveredaram pelo caminho da politização e estigmatização da pandemia, designando o novo coronavírus como “vírus chinês”, enquanto exibiam a vulnerabilidade do seu sistema sanitário, incapacidade para lidar com um problema complexo de saúde pública e o obscurantismo do inquilino da Casa Branca, que preferiu se eximir de responsabilidades adotando a postura negacionista. Os chineses, por seu turno, foram tempestivos, precisos, enérgicos e abrangentes no enfrentamento da pandemia, conseguindo contê-la em pouco tempo e enfrentando o problema com visão ampla. Combinaram a defesa dos seus interesses nacionais com ciência e visão política internacional baseada no multilateralismo.

Quanto ao Mar do Sul da China, tudo indica que será problema agudo nos próximos anos, e sobre Hong Kong a China mais uma vez deixou claro que se trata de um problema interno e rechaçou qualquer tipo de ingerência.

Paralelamente, o país asiático, que ocupa cada vez mais espaços econômicos e políticos com a assertividade de sua diplomacia, consegue dar novos passos em áreas sensíveis.

Sobre a delicada questão do Oriente Médio,o presidente Xi Jinping conversou por telefone com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas e reafirmou o engajamento na criação do Estado Palestino independente, com as fronteiras anteriores à expansão da ocupação israelense em 1967, em conformidade com o direito internacional e resoluções da ONU.

Relativamente à América Latina e Caribe, o chanceler chinês Wang Yi se comprometeu, durante uma videoconferência, a trabalhar com os países da região para enfrentar os múltiplos desafios apresentados pela Covid-19 e contribuir em conjunto para a recuperação econômica mundial.

A China apresentou na conferência propostas para avançar na cooperação com a América Latina, incluindo a ajuda mútua para salvaguardar a economia e a subsistência das pessoas, avanço da construção conjunta da iniciativa de comércio e investimentos em infraestrutura denominada Cinturão e Rota, além do fortalecimento da cooperação para melhorar o ambiente internacional.

Doravante, a China e os Estados Unidos trilharão caminhos divergentes e opostos. Tudo leva a crer que nas próximas décadas a rivalidade sino-americana estará no centro dos contenciosos internacionais. A China tem uma política de paz e desenvolvimento, o que requer contornar os conflitos com a superpotência do norte e evitar que se transformem em confrontação trágica. Mas objetivamente, será assertiva e defenderá seu lugar no mundo. Já os Estados Unidos tendem a reagir com violência no seu longo mas irreversível declínio.

 

*Jornalista, editor da página Resistência, membro do Comitê Central e da Comissão Política do PCdoB

 
As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Portal PCdoB
 
 

“Agora eu estou curado”, diz Raoni após tratar da saúde no Mato Grosso

 

A internação do cacique de 90 anos, considerado um dos maiores líderes indígenas do mundo, causou surpresa e repercutiu no Brasil e no exterior, principalmente devido à pandemia do coronavírus, mas Raoni testou negativo para a infecção

 

O cacique Kayapó regressou para sua aldeia Piaruçu, na Terra Indígena Capoto Jarina, em avião do governo do Mato Grosso (Foto de Patxon Metuktire)

“Agora eu estou curado”. Com essa frase o líder indígena Raoni Metuktire, de 90 anos, se despediu dos nove dias em que ficou internado em tratamento de saúde decorrente de problemas gastrointestinais e anemia. Ao receber a alta no sábado (25), o cacique Kayapó viajou da cidade, em avião do governo estadual, para sua aldeia Piaruçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, onde passa este domingo com seus familiares.

A internação do cacique de 90 anos, considerado um dos maiores líderes indígenas do mundo, causou surpresa e repercutiu no Brasil e no exterior, principalmente devido à pandemia do coronavírus, mas Raoni testou negativo para a infecção. Em coletiva, ainda no hospital Dois Pinheiros, onde o líder ficou internado, ele explicou o impacto de uma doença repentina e pediu respeito.

 “Queria falar para vocês que a doença chega a qualquer dia e ataca alguém da nossa família. Queria que todas as pessoas pensassem nisso, e poder gostar, amar… poder respeitar o outro, porque a gente não sabe o dia de amanhã, se nossos amigos vão ficar doentes. Isso que eu penso, que a gente deve estar juntos, porque doença não marca dia quando ela vem”, disse. 

Raoni apresentou sintomas de desidratação, anemia e fraqueza e foi internado, no dia 16 de julho, em um hospital do município de Colíder (MT), a 260 quilômetros do território Capoto-Jarina, na bacia do Rio Xingu. O quadro de saúde se agravou com os problemas gastrointestinais e uma hemorragia. O cacique foi removido para o hospital Dois Pinheiros, em Sinop (a 317 quilômetros do território). Na unidade de saúde, o exame de endoscopia digestiva alta apresentou duas úlceras em atividade. A liderança passou por transfusão de sangue para controlar o quadro de anemia.  “Quero agradecer a todos vocês que me apoiaram, que estão escutando todo dia sobre mim, sobre a minha saúde”, disse Raoni.

O neto Patxon, Raoni e os médicos do hospital em Sinop (Foto da Mídia Índia)

Durante a coletiva, o médico Douglas Yanai disse que o quadro de saúde de Raoni está controlado. “O quadro infeccioso já está praticamente debelado. A gente acredita que ele encontra condições de ir embora para a aldeia dele”, afirmou. 

Yanai ressaltou que o adoecimento do cacique foi uma mistura de acontecimentos, e também teve relação com a morte da esposa, Bekwykà Metuktire, no último dia 23 de junho. “[O falecimento] gerou esse quadro de tristeza profunda do cacique. Ele tem tido uma alimentação bastante regular por causa desse quadro de tristeza e se agravou com as úlceras que ele tem. Ele fez sangramento digestivo baixo, além de sangramento pelas úlceras que acabaram se agravando ao longo da semana”, explicou. 

O médico lembrou que Raoni chegou ao hospital num estágio bastante preocupante de saúde. “Um estado de quase choque. Ele estava bastante desidratado e apresentava uma anemia importante. Havia sim risco de morte para ele, porque era um quadro que inspira bastante cuidado”, observou ao acrescentar que foram feitas duas transfusões de sangue no líder dos Kayapó por causa das hemorragias. 

Cuidados com a nutrição

Raoni recebe alta (Foto Diego Souza/ Hospital Dois Pinheiros)

Mesmo na aldeia Piaruçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, o tratamento da saúde de Raoni vai continuar à distância, com um trabalho contínuo para melhorar o seu quadro nutricional. Segundo o médico Douglas Yanai, se houver necessidade o cacique será internado de novo. No momento, a equipe médica continua investigando o resultado de uma biópsia que apontou, preliminarmente, para uma “possível doença inflamatória intestinal”, disse o médicos. O exame será encaminhado para São Paulo para a confirmação do diagnóstico da equipe do hospital Dois Pinheiros. 

“Estabelecemos um canal direto de contato com a saúde indígena [Dsei] para que possamos ajudar a manejar esse quadro de saúde dele a distância e, claro, se a gente perceber que algum momento há necessidade que ele retorne , essa reavaliação será agendada, e se não houver condições de atendê-lo in loco, a gente traz ele aqui [hospital] para que se façam os exames necessários”, concluiu o médico Douglas Yanai. 

Assim que foi informado sobre a alta do cacique, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), colocou um avião à disposição para levar o grande líder de volta a sua aldeia. Raoni saiu do hospital por volta das 13h40 e foi direto para o aeroporto de Sinop. O embarque ocorreu por volta das 14h, com a chegada do cacique à sua aldeia as 16h deste sábado (25). 

“Ele já está lá na aldeia. Tomando todas as precauções, todas as medidas de segurança sanitária, e ele saiu do hospital direto para o aeroporto. Estamos todos felizes”, disse à Amazônia Real por áudio de Whatsapp o sobrinho-neto de Raoni, Patxon Metuktire. Nas últimas semanas, ele acompanhou o avô no hospital.

Aritana está internado com Covid-19

Líder Aritana Yawalapiti (Foto da AYA – Associação Yawalapiti -Awapá)

Mesmo com a alta do líder Raioni Metuktire, o movimento indígena continua apreensivo com internações de grandes lideranças. No dia 20 de julho foi transferido para um hospital de Goiânia (GO), o líder Aritana Yawalapiti, que tem 71 anos de idade. Eles está internado em tratamento de Covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular, cujo nome não foi divulgado para preservar o paciente.

Neste sábado (25),  em nota à imprensa, a organização Uma Gota no Oceano desmentiu uma notícia divulgada na imprensa nacional dando conta de que o cacique havia morrido. A informação, segundo a organização, foi prontamente desmentida pelo filho, Tapi Yawalapiti. Ele também informou que o estado atual de saúde do pai é estável.

“Estou muito triste e preocupado. Sei que todos querem saber notícias do meu pai e a informação é: ele está internado em quadro estável. Peço a todos os jornalistas que, ao divulgarem notícias sobre meu pai, entrem em contato conosco quando quiserem informações que nós passamos a informação correta. Não aceitamos que informações falsas sejam divulgadas”, advertiu Tapi Yawalapiti em trecho da nota. 

Neste domingo (26), o hospital onde Aritana está internado divulgou um boletim médico informando que “é gravíssimo o estado de saúde do paciente, que está contaminado pelo novo Coronavírus”.

O boletim médico disse também que Aritana “é do grupo de risco e está em UTI desde terça-feira, dia 21”. “O líder indígena foi transferido de Canarana, no Mato Grosso, e precisou do auxílio de 4 tanques de oxigênio para fazer a viagem, acompanhado de seu médico, o Dr. Celso Correia Batista”, disse o site do jornal Diário do Estado.

Aritana é uma das maiores e mais antigas lideranças do Alto Xingu, território que fica entre os estados do Mato Grosso e Pará. “Ele é um dos últimos falantes do idioma materno de seu povo, o Ywalapiti, mesmo nome da etnia. Além de guardar a memória de seu idioma tradicional, Aritana também fala português e outras quatro línguas indígenas. É um grande defensor da luta pela preservação e perpetuação da cultura de seu povo para as novas gerações”, disse a nota da Gota no Oceano.

O Xingu é o segundo território indígena mais contaminado pela Covid-19, conforme a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Já são 83 casos confirmados e seis mortes em decorrência do vírus, de acordo com o boletim epidemiológico da secretaria, divulgado na sexta-feira (25). 

Os indígenas Xavante são os mais atingidos pela pandemia no estado do Mato Grosso, com 313 casos e 30 mortes. Já A campanha “A’uwe tsari: S.O.S. Xavante”, que também monitora os casos da doença, registrou mais de 40 mortes na maior etnia do estado do Mato Grosso, com mais de 22 mil pessoas. 

Fonte: Amazônia Real

Fundeb aprovado: entidades celebram “vitória histórica da educação”

 

Projeto eleva investimentos da União no ensino público e mantém o piso de 70% para pagamento de professores e demais trabalhadores da Educação

 

Entidades ligadas à educação comemoraram a aprovação na Câmara Federal, em primeiro turno, do novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). O projeto – que teve como relatora a deputada Professora Dorinha (DEM-TO) – eleva os investimentos da União no ensino público e mantém o piso de 70% para pagamento de professores e demais trabalhadores da Educação.

Tão logo saiu o resultado expressivo pró-Fundeb – 499 votos a favor e apenas sete contrários –, a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) celebrou no Twitter: “Vitória Histórica da Educação! Câmara dos deputados aprova agora Novo Fundeb Permanente”. Segundo a entidade, “apesar do governo Bolsonaro e suas tentativas constantes de impedir a renovação do Fundeb, conquistamos uma aprovação ampla. #AprovaFundeb é realidade”.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) também comentou a conquista desta terça. “Mais uma vez uma demonstração prática de que a Educação é uma das pautas que mais mobilizam a sociedade e exercem pressão sobre o Governo Bolsonaro. Tsunami da Educação, #AdiaEnem e agora #AprovaFundeb, só pra usar alguns exemplos”, tuitou a entidade.

“Momento histórico! #NovoFundeb maior e mais redistributivo foi aprovado no 1º turno da @camaradeputados. Este avanço da PEC 15/2015 significa um financiamento educacional fortalecido e em benefício dos alunos mais pobres!”, avaliou a ONG Todos pela Educação.

“Este #NovoFundeb significa na prática: 7,3 milhões de alunos de redes de ensino mais pobres recebendo recursos adicionais; mais de 2.700 redes de ensino mais pobres recebendo mais recursos; sai de R$3,7 mil para R$5,7 mil o mínimo de investimento por aluno/ano entre 2020 e 2026.”, agregou a ONG.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) destacou o apoio do conjunto dos movimentos à luta em defesa do Fundeb. “A CTB, demais centrais sindicais, entidades de profissionais do ensino e de estudantes se mobilizaram junto à comunidade e aos parlamentares para garantir a vitória na votação”, afirmou a central, em matéria no Portal CTB. “O relatório apresentado por Dorinha é fruto da atuação de entidades da educação e muitos parlamentares vinculados ao tema. Foram realizadas mais de 100 audiências públicas para debatê-lo.”

Na opinião de Heleno Araújo, presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), é hora, agora, de atentar-se aos “próximos passos da mobilização”. Segundo ele, passada a aprovação do Fundeb na Câmara e com a PEC chegando aos senadores, “não podemos baixar a guarda”. O governo “pode tentar alterar” o projeto no Senado.

Novo Fundeb viabiliza piso nacional dos professores, afirma Dieese

 

Além de virar permanente, fundo terá aumento dos repasses da União e vinculação de 70% para o pagamento de profissionais da educação.

 

Câmara aprovou novo Fundeb, impondo derrota a Bolsonaro - Tânia Rêgo/Agência Brasil

O novo Fundeb amplia, gradativamente, de 10% para 23% os repasses da União. Além disso, estabelece uma subvinculação de, no mínimo, 70% do fundo para pagamento dos salários dos profissionais da educação. Como resultado, vai permitir que estados e municípios cumpram com a lei que regulamenta o piso salarial dos professores.

“É o reconhecimento que educação se faz com professores”, afirmou o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior. Em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta quinta-feira (23), ele lembrou que os professores recebem os menores salários entre as profissões com ensino superior.

Pela Lei 11.738/2008, que estabelece o piso do magistério, em 2020, nenhum professor do país pode receber remuneração inferior R$ 2.886,24, para jornada de quarenta horas semanais. No entanto, alguns estados e a maioria dos municípios não respeitam a legislação. Além da falta de recursos, a inexistência de punição também inibe o seu cumprimento.

O novo Fundeb foi aprovado na Câmara dos Deputados na última terça-feira (21), e ontem chegou ao Senado. Por outro lado, foi uma derrota para o governo Bolsonaro, que queria que os novos percentuais repassados pela União passassem a valer apenas a partir de 2022. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, também queria destinar parte dos recursos para a criação de um vale-creche que seria utilizado na rede particular.

CAQ

Outro fator que deve contribuir para a melhoria na qualidade da educação nos próximos anos, segundo Fausto, vai ser a inclusão na Constituição Federal do instrumento conhecido como Custo Aluno Qualidade (CAQ). Ou seja, graças a esse instrumento, previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), o valor mínimo investido por aluno deve subir, ano a ano, até 2026, dos atuais R$ 3.700 para R$ 5.700.

O diretor do Dieese ressaltou, ainda, a aprovação do novo Fundeb como uma política de Estado, que transpassa governos. Ele se originou a partir do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) criado em 1997, durante o governo Fernando Henrique. Posteriormente, em 2007, no governo Lula, foi ampliado para incluir os anos iniciais do ensino básico. Agora, deve se tornar permanente.

Além disso, Fausto também destacou o Fundeb como uma importante ferramenta para combater as desigualdades sociais e regionais do país. Segundo ele, o repasse da União “consegue colocar recursos nos municípios que mais precisam, nas escolas mais carentes”.

Fonte: Rede Brasil Atual

Leitos do Hospital Metropolitano são habilitados e passam a contar com recursos federais

Para mantê-los por 90 dias, Ministério da Saúde disponibilizou R$ 4,3 milhões destinados ao custeio das unidades do Tipo II Adulto - COVID-19

↑ (Foto: Agência Alagoas)

Ogovernador Renan Filho anunciou, nesta quarta-feira (22), em Brasília (DF), que os 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto Tipo II – COVID-19 do Hospital Metropolitano de Maceió foram habilitados pelo Ministério da Saúde. Para mantê-los por 90 dias em funcionamento, o governo federal disponibilizou R$ 4.320.000,00.

A habilitação pode ser prorrogada ou mesmo encerrada, caso termine a situação de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do novo coronavírus. “Isso significa dizer que governo federal passa a participar do custeio para a operação do Hospital Metropolitano durante a pandemia”, anunciou Renan Filho, em vídeo gravado em frente ao Ministério da Saúde, nesta manhã, e veiculado nas redes sociais.

O pedido de habilitação para o custeio dos leitos Covid-19 do Hospital Metropolitano foi feito pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Desde a inauguração, no dia 15 de maio, os leitos de UTI do Hospital Metropolitano de Maceió vinham sendo mantidos exclusivamente pelo Governo de Alagoas.

“Isso (a habilitação) é importante porque esses novos recursos que entram nos ajudam a prestar mais serviços ao cidadão de Alagoas. Você se lembra: tinha gente que, infelizmente, torcia contra a construção dos hospitais. Quando esses equipamentos ficaram prontos, disseram que o Estado não tinha condições de mantê-los; o Estado colocou tudo para funcionar e agora chega também o auxílio do governo federal”, recordou Renan Filho, que agradeceu ao governo federal pela contribuição.

Ele aproveitou a visita ao Ministério da Saúde para reforçar a importância da habilitação, já requisitada, dos leitos do Hospital Regional do Norte, em Porto Calvo, inaugurado no dia 6 de julho. Renan Filho tratou, ainda, da construção das Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) previstas para Maceió e Arapiraca.

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Fonte: Assessoria

Efeitos da pandemia podem afetar países em desenvolvimento por 10 anos

 

Crise do coronavírus causa desaceleração sem precedentes em investimentos, comércio e turismo das economias em desenvolvimento

 

A crise vivida pelos países em desenvolvimento é pior do que o pós-colapso do Lehman Brothers em 2008 – e seus impactos podem se estender por dez anos. Quando a pandemia de Covid-19 se espalhou pelo mundo, os investidores estrangeiros cortaram, praticamente da noite para o dia, o fornecimento de dinheiro às economias emergentes. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), só nas fases iniciais da pandemia, mais de US$ 100 bilhões em capital estrangeiro foram retirados desses países.

Trata-se de “uma crise como o mundo nunca viu antes, com recuperação incerta”, escreveu o FMI em junho, em suas perspectivas atualizadas para a economia global. Os países industrializados deverão perder um ou dois anos de crescimento econômico. Já as nações em desenvolvimento e emergentes estão ameaçados de uma década perdida: eis o cenário de horror pintado pelos peritos da organização.

De acordo com a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, nunca tantos países solicitaram assistência financeira à instituição ao mesmo tempo desde sua fundação, em 1945, numa evidência da gravidade da situação. Os gestores do FMI temem, acima de tudo, que uma crise longa do coronavírus leve o órgão a seus limites financeiros.

Para 2020, o Banco Mundial calcula um recuo econômico de 2,5% dos emergentes. Comparado ao retrocesso de cerca de 8% esperado nos países industrializados, nem parece tão ruim. Ainda assim, é a pior crise financeira para os emergentes desde os anos 1960. A fuga de capital desacelerou, e dados iniciais indicam que desde junho mais investimentos têm fluído para os países emergentes do que sido cancelados. Mas isso não se aplica a todas as economias afetadas pela crise do coronavírus.

Crescimento freado

Na Europa, a Rússia foi duramente atingida pela pandemia. Mas os analistas do IHS Markit predizem tempos especialmente difíceis para países como Montenegro, Bósnia-Herzegovina, Armênia, Turquia e Croácia. Em Montenegro, por exemplo, o turismo contribui para mais de 20% do produto interno bruto (PIB). Na Turquia, supera os 12%. Além disso, os turcos dependem fortemente de investimentos estrangeiros, tal como outros mercados emergentes.

No mundo todo, países como as Filipinas (com uma participação do turismo de 25% do PIB) ou a Tailândia (com pouco menos de 22%) são duramente atingidos. Mesmo economias gigantescas, como as da China e da Índia, com uma participação do turismo em seu desempenho econômico de 11% e 9%, são afetadas pelas restrições internacionais às viagens.

Antigas estrelas das economias emergentes, como Brasil e África do Sul, que há muitos anos brilhavam nos mercados financeiros como membros do Brics, já estavam gravemente atingidas em sua economia antes mesmo do coronavírus. O fato de a pandemia grassar com violência especial nessas nações agrava ainda mais o quadro.

Até agora, a pandemia custou menos vidas nos países mais pobres do sul da Ásia, América Latina e África do que nos países industrializados mais afetados. Mas para Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do FMI, o dano econômico será consideravelmente maior para eles. O especialista – que leciona na Universidade de Chicago – diz ter dor de estômago só de pensar no alto nível de endividamento das empresas nos mercados emergentes.

Muitas moedas de nações emergentes se desvalorizaram significativamente. Empresas com dívidas em euros e dólares devem, portanto, captar cada vez mais dinheiro em sua moeda local para pagar seus empréstimos. Não é de se espantar que economistas como Rajan alertem para o risco crescente de falências.

Há meses vêm caindo o comércio internacional de mercadorias, os investimentos estrangeiros diretos e o turismo. Para muitos mercados emergentes atingidos pela pandemia, será quase impossível recuperar essas perdas, escreveu Rajan em artigo encomendado pelo jornal Financial Times no início de julho.

Segundo o economista, para eles é praticamente impossível estabilizar suas contas com pacotes conjunturais bilionários e auxílios financeiros a consumidores e empresas. Além disso, muitos países emergentes não dispõem de um sistema nacional de saúde de âmbito nacional, impossibilitando uma reação efetiva a um grande surto de Covid-19.

 “Quanto mais tempo isso durar – e o aumento de infecções indica que o pior ainda está por vir –, mais empresas domésticas, mesmo as grandes e saudáveis, terão que pedir empréstimos para se manter à tona. Se os credores não fizerem concessões, muitas dessas empresas excessivamente endividadas não terão mais como se recuperar financeiramente quando o crescimento voltar e a demanda aumentar”, afirmou Rajan.

A crise do coronavírus afeta muitos mercados emergentes numa fase já difícil. Muito antes da pandemia, economistas do think tank londrino Capital Economics já proclamavam: “A era de ouro dos mercados emergentes acabou. Mais cedo ou mais tarde, a China terá que se preparar para taxas de crescimento de apenas 2% ao ano.”

Para as economias emergentes, o período desde a virada do milênio foi de taxas de crescimento extraordinariamente altas – que, no entanto, não poderão ser alcançadas em um futuro próximo, avaliam os especialistas. “O crescimento do PIB das economias emergentes cairá de uma média de 5,5% nas décadas de 2000 e 2010, para cerca de 3,5% em 2020-2040. Ainda será mais rápido do que no mundo desenvolvido, mas a renda dos mercados emergentes se equiparará mais lentamente do que antes à dos países mais desenvolvidos.”

América Latina

No primeiro trimestre de 2020, mesmo após a eclosão da pandemia, países como Chile, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Panamá conseguiram pôr títulos nos mercados financeiros internacionais sem adicionais de crise exorbitantes e em “condições razoavelmente boas”. É o que explica o especialista em economias emergentes José Antonio Ocampo, numa análise para o think tank Brookings Institution, sediado em Washington.

Agora os países mais afetados da América Latina terão que adiar os pagamentos sob a supervisão do Banco Mundial ou dos bancos regionais de desenvolvimento. Tudo para suportar melhor as consequências da pandemia, diz o economista, consultor de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas e professor da Universidade Columbia, em Nova York

A situação é muito mais grave para os fortemente endividados, como Argentina e Equador – países que, mesmo antes da crise, já precisavam muito mais do que uma prorrogação do prazo para o pagamento de suas dívidas públicas. Para Raghuram Rajan, os investidores internacionais de títulos governamentais e corporativos devem renunciar a parte de suas reivindicações perante as nações pobres e emergentes: “Os países mais industrializados não devem levar o resto do mundo à ruína por mero interesse próprio. O que acontece em outros lugares não ficará por lá.”

A ameaça de desemprego em massa nos países mais pobres levará à grandes ondas de emigração, adverte Rajan. No fim das contas, mais protecionismo nos países industrializados “desencadeia infinitas flotilhas de barcos de refugiados e caravanas de desesperados”.

Com informações da Deutsche Welle

Efeitos da pandemia podem afetar países em desenvolvimento por 10 anos

 

Crise do coronavírus causa desaceleração sem precedentes em investimentos, comércio e turismo das economias em desenvolvimento

 

A crise vivida pelos países em desenvolvimento é pior do que o pós-colapso do Lehman Brothers em 2008 – e seus impactos podem se estender por dez anos. Quando a pandemia de Covid-19 se espalhou pelo mundo, os investidores estrangeiros cortaram, praticamente da noite para o dia, o fornecimento de dinheiro às economias emergentes. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), só nas fases iniciais da pandemia, mais de US$ 100 bilhões em capital estrangeiro foram retirados desses países.

Trata-se de “uma crise como o mundo nunca viu antes, com recuperação incerta”, escreveu o FMI em junho, em suas perspectivas atualizadas para a economia global. Os países industrializados deverão perder um ou dois anos de crescimento econômico. Já as nações em desenvolvimento e emergentes estão ameaçados de uma década perdida: eis o cenário de horror pintado pelos peritos da organização.

De acordo com a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, nunca tantos países solicitaram assistência financeira à instituição ao mesmo tempo desde sua fundação, em 1945, numa evidência da gravidade da situação. Os gestores do FMI temem, acima de tudo, que uma crise longa do coronavírus leve o órgão a seus limites financeiros.

Para 2020, o Banco Mundial calcula um recuo econômico de 2,5% dos emergentes. Comparado ao retrocesso de cerca de 8% esperado nos países industrializados, nem parece tão ruim. Ainda assim, é a pior crise financeira para os emergentes desde os anos 1960. A fuga de capital desacelerou, e dados iniciais indicam que desde junho mais investimentos têm fluído para os países emergentes do que sido cancelados. Mas isso não se aplica a todas as economias afetadas pela crise do coronavírus.

Crescimento freado

Na Europa, a Rússia foi duramente atingida pela pandemia. Mas os analistas do IHS Markit predizem tempos especialmente difíceis para países como Montenegro, Bósnia-Herzegovina, Armênia, Turquia e Croácia. Em Montenegro, por exemplo, o turismo contribui para mais de 20% do produto interno bruto (PIB). Na Turquia, supera os 12%. Além disso, os turcos dependem fortemente de investimentos estrangeiros, tal como outros mercados emergentes.

No mundo todo, países como as Filipinas (com uma participação do turismo de 25% do PIB) ou a Tailândia (com pouco menos de 22%) são duramente atingidos. Mesmo economias gigantescas, como as da China e da Índia, com uma participação do turismo em seu desempenho econômico de 11% e 9%, são afetadas pelas restrições internacionais às viagens.

Antigas estrelas das economias emergentes, como Brasil e África do Sul, que há muitos anos brilhavam nos mercados financeiros como membros do Brics, já estavam gravemente atingidas em sua economia antes mesmo do coronavírus. O fato de a pandemia grassar com violência especial nessas nações agrava ainda mais o quadro.

Até agora, a pandemia custou menos vidas nos países mais pobres do sul da Ásia, América Latina e África do que nos países industrializados mais afetados. Mas para Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do FMI, o dano econômico será consideravelmente maior para eles. O especialista – que leciona na Universidade de Chicago – diz ter dor de estômago só de pensar no alto nível de endividamento das empresas nos mercados emergentes.

Muitas moedas de nações emergentes se desvalorizaram significativamente. Empresas com dívidas em euros e dólares devem, portanto, captar cada vez mais dinheiro em sua moeda local para pagar seus empréstimos. Não é de se espantar que economistas como Rajan alertem para o risco crescente de falências.

Há meses vêm caindo o comércio internacional de mercadorias, os investimentos estrangeiros diretos e o turismo. Para muitos mercados emergentes atingidos pela pandemia, será quase impossível recuperar essas perdas, escreveu Rajan em artigo encomendado pelo jornal Financial Times no início de julho.

Segundo o economista, para eles é praticamente impossível estabilizar suas contas com pacotes conjunturais bilionários e auxílios financeiros a consumidores e empresas. Além disso, muitos países emergentes não dispõem de um sistema nacional de saúde de âmbito nacional, impossibilitando uma reação efetiva a um grande surto de Covid-19.

 “Quanto mais tempo isso durar – e o aumento de infecções indica que o pior ainda está por vir –, mais empresas domésticas, mesmo as grandes e saudáveis, terão que pedir empréstimos para se manter à tona. Se os credores não fizerem concessões, muitas dessas empresas excessivamente endividadas não terão mais como se recuperar financeiramente quando o crescimento voltar e a demanda aumentar”, afirmou Rajan.

A crise do coronavírus afeta muitos mercados emergentes numa fase já difícil. Muito antes da pandemia, economistas do think tank londrino Capital Economics já proclamavam: “A era de ouro dos mercados emergentes acabou. Mais cedo ou mais tarde, a China terá que se preparar para taxas de crescimento de apenas 2% ao ano.”

Para as economias emergentes, o período desde a virada do milênio foi de taxas de crescimento extraordinariamente altas – que, no entanto, não poderão ser alcançadas em um futuro próximo, avaliam os especialistas. “O crescimento do PIB das economias emergentes cairá de uma média de 5,5% nas décadas de 2000 e 2010, para cerca de 3,5% em 2020-2040. Ainda será mais rápido do que no mundo desenvolvido, mas a renda dos mercados emergentes se equiparará mais lentamente do que antes à dos países mais desenvolvidos.”

América Latina

No primeiro trimestre de 2020, mesmo após a eclosão da pandemia, países como Chile, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Panamá conseguiram pôr títulos nos mercados financeiros internacionais sem adicionais de crise exorbitantes e em “condições razoavelmente boas”. É o que explica o especialista em economias emergentes José Antonio Ocampo, numa análise para o think tank Brookings Institution, sediado em Washington.

Agora os países mais afetados da América Latina terão que adiar os pagamentos sob a supervisão do Banco Mundial ou dos bancos regionais de desenvolvimento. Tudo para suportar melhor as consequências da pandemia, diz o economista, consultor de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas e professor da Universidade Columbia, em Nova York

A situação é muito mais grave para os fortemente endividados, como Argentina e Equador – países que, mesmo antes da crise, já precisavam muito mais do que uma prorrogação do prazo para o pagamento de suas dívidas públicas. Para Raghuram Rajan, os investidores internacionais de títulos governamentais e corporativos devem renunciar a parte de suas reivindicações perante as nações pobres e emergentes: “Os países mais industrializados não devem levar o resto do mundo à ruína por mero interesse próprio. O que acontece em outros lugares não ficará por lá.”

A ameaça de desemprego em massa nos países mais pobres levará à grandes ondas de emigração, adverte Rajan. No fim das contas, mais protecionismo nos países industrializados “desencadeia infinitas flotilhas de barcos de refugiados e caravanas de desesperados”.

Com informações da Deutsche Welle

Socorrer distribuidoras e privatizar Eletrobras elevará conta de luz

 

Consumidor pagará por empréstimos de distribuidoras por meio de encargo na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Já privatização deve aumentar custos de 17% a 20%.

 

Governo editou socorro para setor elétrico - Divulgação

Os governo federal vai onerar os consumidores com o pagamento do socorro ao setor elétrico, além de tornar a energia mais cara caso se concretizem os planos de privatização da Eletrobras. A avaliação é de Ikaro Chaves, diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel). Em entrevista ao Vermelho, Chaves falou sobre como as duas medidas impactarão na conta de luz dos consumidores comerciais e residenciais.

Ele explica que, no caso do socorro às distribuidoras de energia, as medidas editadas pelo governo federal – a Medida Provisória (MP) 950 e o Decreto 10.350, que a regulamentou – preveem concessão de crédito a essas empresas por meio do programa Conta-Covid. No entanto, quem vai pagar por esses empréstimos é o consumidor, por meio de encargo específico dentro da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

“O setor elétrico é dividido em três partes, geração, transmissão e distribuição. A pandemia causou uma redução do consumo de energia com o fechamento do comércio, escolas, restaurantes. Como houve uma redução, a distribuidora comprou uma quantidade de energia e não tem para quem vender. Se ela comprou energia e o cliente não vai consumir, problema dela, ela deveria arcar com o risco. Mas não foi o que o governo determinou”, diz Ikaro Chaves.

Ele ressalta que para evitar um ‘tarifaço’, o que seria impopular, houve a decisão de adiar o aumento para 2021 e dilui-lo ao longo do tempo. No entanto, ele ainda cairá no colo dos cidadãos.

“O governo autorizou as distribuidoras a repassarem os prejuízos que vão ter para os consumidores. Só que não vai ser feito de uma vez. Conseguiram uma linha de crédito para diluir esse prejuízo ao longo de cinco anos. O consumidor nunca é beneficiado. Está sobrando energia e o preço sobe.”

Encarecimento

Nos planos do governo, a privatização da Eletrobras também deve deixar a energia mais cara. Segundo Chaves, a projeção é de um impacto de 17% a 20%. Ele explica que um dos motivos é que com a privatização virá o fim do regime de cotas, instituído no governo Dilma Rousseff. Nele, a tarifa cobre apenas custos de operação e manutenção das usinas.

“É muito caro fazer hidrelétrica. Mas, depois que você construiu, a energia é relativamente barata porque não gasta combustível. Algumas usinas da Eletrobras são antigas e, na renovação de contrato, passaram a vender energia mais barata. A Eletrobras é a empresa que tem mais usinas nessa situação. Ao privatizar, essas usinas vão sair do regime de cotas e vender no regime de produção independente. Então essas usinas antigas, que já estão pagas, vão cobrar mais caro”, diz.

Segundo Ikaro Chaves, a outra razão para o encarecimento é um efeito natural da privatização. “Quando você privatiza, historicamente a energia aumenta. É um setor monopolista. Quanto mais usinas se constrói, mais energia vai ter e fica mais barata essa energia. Então, ela [geradora privada] não vai investir em usinas. A Eletrobras sempre atua nos leilões de energia para oferecer o melhor preço. Uma empresa com esse tamanho, pode mudar a regra do jogo”, afirma.

Chaves diz ainda que é “uma grande mentira” a afirmação do governo de que para manter a Eletrobras estatal seria necessário fazer aportes de valores elevados. “A Eletrobras não consome dinheiro do Estado. A Eletrobras paga. Nos últimos dois anos, deu lucro de R$ 24 bilhões. Como o governo é o maior acionista, ele recebe dividendos. Vai receber R$ 1,25 bilhão só este ano”.

Ele afirma também que desde o governo Michel Temer há uma opção política da Eletrobras por não investir. “A empresa não precisa de recurso do governo para investir. Tem hoje R$ 12 bilhões em caixa pronto para investir. Por que não investe? Porque não quer. Por uma escolha política do governo. O governo Temer e o governo Bolsonaro tomaram a decisão política de não investir”.

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