Por ASCOM Santana do Ipanema 28/02/2021 - 10h 15min Jean Souza
Aprefeita de Santana do Ipanema, Christiane Bulhões (MDB), participou nesta quarta-feira (24), de uma reunião com o Secretário de Estado da Educação, Fábio Guedes para apresentar as demandas de Santana do Ipanema buscando o fortalecimento da educação. O encontro contou com as presenças da secretária municipal de Educação, Andréa Brandão e a gerente da 6ª Gerência Regional de Ensino (6ª GERE), Marta Tavares.
Dentre as demandas, foram discutidos a volta às aulas, aquisição de novos ônibus escolares e um caminhão baú para merendas, construção de novas creches e reforma do Ginásio de Esportes Cônego Luíz Cirilo Silva e do muro do Complexo Educacional, entes dois últimos que foram afetados pelas enchentes e precisam ser reparados.
Christiane Bulhões destacou a importância da parceria entre Governo do Estado e Prefeitura para fortalecimento da educação de Santana do Ipanema e falou que a reunião foi muito produtiva.
Fábio Guedes lembrou que Santana do Ipanema é um dos importantes polos de desenvolvimento do Sertão alagoano e a rede de ensino tem uma grande abrangência na região. O secretário ainda se comprometeu em recuperar as estruturas que foram afetadas pelas enchentes que causaram grandes transtornos na cidade.
Em reunião, Ayres defende redução de voos entre estados e instalação de barreiras sanitárias
Daniel Paulino*
01/03/2021 08:39
Maceió
Foto: Carla CletoAlexandre Ayres
Durante uma videoconferência realizada na noite deste domingo (28), entre os gestores de saúde dos estados do Brasil, o secretário de Saúde de Alagoas, Alexandre Ayres, que esteve presente na reunião, defendeu algumas medidas para que venham a ser discutidas, visando a tentativa de frear a contaminação do novo coronavírus.
Em suas redes sociais, Ayres disse que defendeu que possa haver uma diminuição de voos entre os estados e a instalação de barreiras sanitárias nas divisas entre as unidades federativas.
O último boletim epidemiológico emitido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), deste domingo (28), confirmou mais dez mortes em território alagoano. Com isso, Alagoas tem 2.999 óbitos por Covid-19.
O boletim destacou ainda que há 11.514 casos em investigação laboratorial, sendo esses, pacientes que procuraram as unidades de saúde com sintomas da Covid-19, realizaram o exame e aguardam o resultado.
Nas últimas 24 horas, 680 novos casos de Covid-19 foram registrados. Dessa forma, o estado tem um total de 131.746 casos confirmados do novo coronavírus até o momento, dos quais 2.930 estão em isolamento domiciliar. Outros 125.307 pacientes já finalizaram o período de isolamento, não apresentam mais sintomas e, portanto, estão recuperados da doença.
Na última semana, o governador Renan Filho (MDB) disse que não pensa - no momento - em fechar o comércio em Alagoas por causa dos casos da covid-19, mas fez um apelo à sociedade. Ainda segundo Renan, apesar dos casos da covid-19 e da nova variante, o Estado não está pensando em promover novos fechamentos.
“Mas precisamos saber que estamos vivendo numa pandemia e que ela precisa ser controlada na ação individual de cada um, e o Estado precisa atender quem adoece. É preciso que cada pessoa faça sua parte. Que os donos de estabelecimentos cuidem dos seus funcionários, que as pessoas não aglomerem ou façam festas”, disse Renan.
Empresário sertanejo que estava desaparecido foi morto por dono de lava jato que teria pego dinheiro emprestado com a vítima
Redação/Cada Minuto
28/02/2021 02:25
Polícia
O empresário de Olho D’Água das Flores, Gilmário Alencar, que estava desaparecido desde a última quarta-feira (24), foi encontrado morto. A informação foi divulgada na manhã deste sábado (27), pela Delegacia Especial de Investigação e Captura (Deic). Três suspeitos do crime foram presos e outro morreu durante um confronto com a polícia.
De acordo com informações policiais, Gilmário foi estrangulado até a morte, teve o corpo foi queimado e foi encontrado totalmente carbonizado. Ele era dono de uma funerária em Olho d'Água das Flores, Sertão de Alagoas.
O delegado da Deic, Gustavo Xavier, informou que o crime foi planejado pelo proprietário de um lava jato, que teve ajuda do genro e de dois funcionários. O dono lava jato e o genro deviam à vítima R$ 10mil e R$ 8 mil, respectivamente. Gilmário vinha cobrando a ambos o pagamento das dívidas. A intenção inicial do grupo era sequestrar a vítima e pedir um resgate à família.
Ainda segundo a polícia, no dia 24 de fevereiro, Gilmário foi rendido no lava jato por um dos funcionários do estabelecimento, que estava armado com uma espingarda calibre 12. O empresário foi morto por estrangulamento momentos após ter sido rendido e o corpo foi levado para dentro do escritório do local. Ele teria ido ao lava jato para fazer um serviço no veículo e cobrar o pagamento da dívida.
Com o empresário morto, os criminosos planejavam manter o plano inicial e pedir um resgate a família, mas desistiram da ideia, ao perceberem que a polícia já estava investigando o caso. Eles enviaram uma mensagem para os familiares, pelo celular de Gilmário, pedindo que a polícia não fosse acionada.
“Eles mataram para roubar a vítima, inclusive pediam o pagamento de um resgate, o que não progrediu, por perceberam que a polícia estava diligenciando. Não sabemos se o empresário estava com quantia em dinheiro no momento em que foi abordado”, disse o delegado Gustavo Xavier.
O veículo do empresário, uma Hilux SW4, foi levado para Arapiraca e abandonado em um posto de combustíveis, com o intuito de simular um sequestro e confundir a polícia. Após deixar o carro da vítima, o dono do lava jato foi e o genro voltaram para Olho D’Água das Flores em outro automóvel.
Médico alerta população para aumento de casos de Covid-19 no Sertão alagoano; veja vídeo
Redação - Fonte: CadaMinuto
27/02/2021 16:50
Municípios
Foto: ReproduçãoMédico Jacob Medeiros alertou população em vídeo divulgado nas redes sociais.
Com o aumento do número de casos de Covid-19 em Alagoas, inclusive no Sertão. O crescimento da taxa de ocupação de leitos preocupa os profissionais de saúde. Com o intuito de alertar a população, o médico Jacob Medeiros, que atende no município de Santana do Ipanema, usou as redes sociais para fazer um aos moradores da região.
Medeiros ressaltou a importância de a população manter as medidas necessárias para evitar a contaminação pelo coronavírus, enfatizou que os cuidados devem ser redobrados e lembrou o número de mortes diárias no estado.
"A pandemia está em um crescimento preocupante. Aqui em Alagoas, mais de 10 pessoas estão perdendo suas vidas diariamente. [...] fiquem em casa e só saiam em caso de extrema necessidade. Usem máscaras de forma adequada e usem álcool em gel o tempo inteiro", pediu o médico.
Jacob Mendonça, que é clínico geral, também citou os números estão aumentando na cidade sertaneja, “Em Santana do Ipanema os casos tem aumentado assustadoramente", frisou.
Veja o vídeo:
De acordo com a Secretaria de Saúde de Santana do Ipanema, o município tem um total de 2.756 casos confirmados da Covid-19. Há 104 casos suspeitos e 43 óbitos, conforme o boletim divulgado nesta sexta-feira (26).
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) apontam que tanto os leitos clínicos, quanto os de UTI do Hospital Clodolfo Rodrigues, em Santana do Ipanema, estão com 90% de ocupação. Dos 10 leitos de UTI, 9 estão com pacientes e dos 18 leitos clínicos, 18 estão ocupados.
Os casos e mortes de covid-19 nos Estados Unidos (EUA) caíram 30% na última semana em comparação com a semana anterior, e a maioria dos países sul-americanos registra queda em novos casos, mas serão necessários meses até que as vacinas afetem a taxa de infecções, disse a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) na quarta-feira (24).
A diretora da Opas, Carissa Etienne, fez um apelo aos governos e fabricantes para acelerar a entrega de vacinas na região, onde 1 milhão de pessoas adoeceram e 34 mil morreram nos últimos sete dias.
Até esta semana, 78 milhões de pessoas foram vacinadas nas Américas, a grande maioria na América do Norte, e apenas 13 milhões na América Latina e Caribe, disse ela.
“Isso não é suficiente e não é aceitável”, declarou Etienne, em entrevista coletiva virtual, de Washington.
Para a diretora, um sinal de esperança é oferecido pelo consórcio Covax, liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Gavi para fornecer acesso equitativo às vacinas, com centenas de milhares de doses para serem entregues nas próximas semanas aos países que se inscreveram no programa.
A queda nos casos nas Américas foi, em grande parte, impulsionada pela redução de novas infecções nos Estados Unidos, como resultado de medidas de saúde pública mais rígidas, com maior adesão do público e melhor coordenação na vacinação.
Um ano após o início da pandemia, quase 50 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus nas Américas, ou o equivalente a quase toda a população da Colômbia, de acordo com a Opas.
“Embora os meios de comunicação estejam relatando grandes quedas nos casos de covid-19, quero enfatizar que certamente não estamos fora de perigo”, afirmou Carissa.
Odebate em torno da mudança do nome da Praça Dandara dos Palmares foi retomado na última semana. Depois da mobilização do movimento negro, posicionamento contrário do Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) e veto do prefeito JHC, o Projeto de Lei que propõe a mudança do nome da Praça Dandara dos Palmares para Praça Nossa Senhora da Rosa Mística voltou a ser tema na Câmara Municipal e na sociedade civil.
O vereador Leonardo Dias afirmou que pretende derrubar o veto do gestor. “Tenho conversado com o município e com algumas lideranças do movimento negro tentando que a gente chegue no denominador comum. A comunidade da região que é a beneficiária da praça sempre a reconheceu como Rosa Mística”, explicou o parlamentar.
Dias garante que não pretende tumultuar. “Eu voto pela derrubada do veto, mas isso não quer dizer que eu vá fazer um motim aqui dentro pra derrubar. Cada um faz o que a sua consciência disser”.
Em nota divulgada na última quinta-feira (25), mais de 60 lideranças do movimento negro denunciaram a articulação feita pelo Vereador.
“É inaceitável essa postura de imposição de poder, confirmando o racismo estrutural e institucional. Queremos respeito ao patrimônio histórico-cultural por toda luta e resistência contra a escravidão que Dandara representa, sendo uma líder emblemática do Quilombo dos Palmares. Cabe ressaltar que estamos buscando garantir nossos direitos e a preservação da nossa história”, defende o movimento em um trecho da nota.
O parlamentar reage e nega que se trata de uma questão de raça. “Até porque mudança de rua acontece o tempo inteiro, e ninguém avalia se é branco ou se é negro na hora de mudar a rua”. Ele argumenta alegando que não há mais motivo para “esse tipo de comportamento”.
“Não dá pra transformar isso numa guerra religiosa, ou guerra de raças, isso já passou, está superado há muito tempo. Não interessa ficar fomentando essas brigas desnecessárias”.
A praça se chama Dandara Palmares desde a sanção da Lei Municipal nº 4.423/95 e desde a sua criação, há quase 26 anos, vem sendo palco de encontros e manifestações afro-brasileiras. Mas em dezembro de 2019, após uma reforma, a prefeitura inaugurou utilizando o nome de Nossa Senhora da Rosa Mística. Já fazendo valer o projeto de lei que não havia sido sancionado.
Antes de o projeto ser vetado pelo prefeito, em janeiro deste ano, o MP/AL considerou a lei uma “agressão aos patrimônios histórico e cultural” não somente alagoano, mas brasileiro. O promotor Jorge Dória ressaltou o estado laico.
“Sabemos que essa é uma questão delicada porque envolve nomes ligados a religiões diferentes. No entanto, o Brasil é um país laico e, em razão disso, todas os credos precisam ser respeitados. Professemos a nossa fé sem atingir a do outro. É isso que o Ministério Público defende”, argumentou o representante do MP/AL.
Leonardo Dias discorda. Ele reafirma que não é preconceito de tirar o nome, mas insiste em transferir a praça que está há 25 anos no local. “Acho que deveria ter um espaço maior e com mais identidade do movimento negro. A região do centro pesqueiro é uma área bem maior, perto do mar, onde poderiam ser colocados monumentos referentes à cultura negra, espaço para capoeira, roda. Maior visibilidade para o movimento negro. Não entendo que seja racismo, qualquer coisa nesse sentido não”.
Movimento Negro se mobiliza para manter nome de liderança histórica
Salete Bernardo, coordenadora do Fórum Afro e representante do movimento negro no Conselho Municipal de Cultura, manifesta a disposição da sociedade civil em se mobilizar. Segundo ela, os movimentos ficaram sabendo da tentativa de retomar o projeto através da vereadora Teca Nelma, que se posicionou contrária e convocou uma reunião com as lideranças.
Desde o veto do prefeito, o movimento se tranquilizou, e foi pego de surpresa com a nova investida. “A gente sabe que isso é racismo, perseguição à nossa cultura. Só temos 5 praças: a Dandara, a Ganga Zumba – que deixou de ser praça e virou passeio ciclístico, a Praça Zumbi dos Palmares, a 13 de maio e a Moleque Namorador”, relatou.
Ela alerta para a gravidade, já que a Dandara é a única referência feminina. “Não é só uma pauta do movimento negro, é feminista também. É o apagamento da história das mulheres. Como se Dandara não representasse nada, e ela foi resistência, luta! Ela lutou pelo seu local”.
O movimento está buscando diálogo com todos os parlamentares para garantir apoio e impedir a aprovação da lei. Segundo ela, já estão posicionados contra a mudança, além de Teca Nelma, a Olívia Tenório, o Valmir Gomes e João Catunda. “Vamos falar com os 24”, finalizou Salete.
A liderança explica que o Fórum foi lançado recentemente para ajudar a organizar a luta das entidades do movimento negro. São mais de 70 entidades que atuam de forma independente e unificam a luta mas geral do movimento negro. De acordo com a coordenadora, o MP/AL foi provocado por uma ação do Instituto Negro de Alagoas (Ineg), que faz parte do Fórum.
No dia 27 de janeiro, o Fórum esteve reunido com a presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), Mirian Monte. “Apresentamos um projeto para ocupar a praça. Vamos promover uma agenda. No dia 12 de março vamos encerrar a semana da mulher na praça”.
Também está sendo articulada, através da vereadora Teca Nelma, uma audiência pública na Câmara Municipal para debater o tema.
Fechado desde 2015, após um incêndio, o Museu da Língua Portuguesa será reinaugurado no dia 17 de julho de 2021. Praticamente reconstruído, o museu agora terá conexão direta com a Estação da Luz.
Na parte expositiva, 80% do conteúdo foi reformulado. Além da exposição permanente, o Museu da Língua Portuguesa vai trazer em sua reabertura a mostra temporária Língua Solta, composta por uma série de objetos artísticos dos campos da arte popular e contemporânea, que ancoram seus significados no uso das palavras e relacionam a língua portuguesa a obras de arte.
“São novas vivências, novas experiências, novos conteúdos. Temos uma interação da área do museu com a estação da Luz, ou seja, as pessoas não precisarão mais da estação para entrar no museu. Há um espaço novo muito interessante que é um mirante aos pés da torre do relógio com uma vista belíssima tanto do centro velho de São Paulo quanto do Parque da Luz, onde teremos atividades culturais e um café. Será uma experiência totalmente nova”, explicou o secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão.
Sem entrar em detalhes, o secretário disse que duas das experiências que existiam antes e que eram muito populares, continuarão no museu, e as outras virão com conteúdos bem diferenciados, mas com atualizações tecnológicas. “Não vou contar porque é surpresa, queremos que o público se surpreenda, seja reencontrando aquilo de que gostava seja vendo conteúdos inteiramente novos, mas com o perfil interativo, estimulante, instigante e tecnológico do museu, mantido”, falou.
Na exposição temporária Língua Solta os visitantes encontrarão desde obras de arte de nomes da cultura brasileira até objetos que podem ser definidos como de arte vernacular, espontânea feita pelo povo sem pretensão de ser arte. “São quadros, esculturas, instalações e objetos todos referentes de alguma maneira à língua portuguesa. A ideia é ver como a língua foi retratada na produção artística, seja a deliberada ou a espontânea”.
Ao todo foram investidos R$ 84 milhões do governo estadual, iniciativa privada e seguradora. Toda a obra foi finalizada, resta apenas o término da iluminação externa do edifício.
A inauguração do prédio foi adiada por conta da pandemia do novo coronavírus, mas já é possível acompanhar a programação e fazer visitas especiais para alunos de escolas públicas. Segundo Leitão, a reabertura será feita com todos os protocolos de segurança para prevenção da covid-19, tal qual já está sendo executado nos outros museus.
“A visitação obedecerá aos protocolos que estiverem vigentes na época. Tomaremos todas as precauções para que a visitação seja uma atividade segura tanto para o público quanto para os frequentadores. Nós já temos experiências vitoriosas em todos os nossos demais museus como a Pinacoteca, o Museu de Arte Sacra, o MIS e vários outros. Nós reabrimos todos em outubro do ano passado, temos seguido à risca os protocolos e não tivemos nenhum problema até agora”, finalizou.
Leitão informou que toda a obra foi realizada com atenção para segurança, justamente para evitar que ocorram novos incidentes. Houve ainda melhorias na acessibilidade.
Uma remessa de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) suficiente para produzir 12,2 milhões de doses de vacina contra a covid-19 chegou hoje (27) ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão/Tom Jobim).
O material veio em um avião procedente da China e será encaminhado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda hoje.
O produto será processado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que produzirá os mais de 12 milhões de doses de vacina AstraZeneca/Oxford.
Esse é o segundo lote de IFA que chega para a Fiocruz. Em 6 de fevereiro, já havia chegado um lote suficiente para produzir 2,8 milhões de doses, que ainda estão sendo processados pela Fiocruz.
Os 15 milhões de doses serão entregues ao Programa Nacional de Imunizações, para serem posteriormente distribuídos para os estados e municípios.
Até junho, a Fiocruz estima receber lotes de IFA suficiente para produzir 100,4 milhões doses de vacina.
Além do IFA, a Fiocruz também recebeu 4 milhões de doses prontas da vacina AstraZeneca/Oxford e deve receber mais 8 milhões nos próximos meses.
Os estados de Pernambuco e de Piauí estabeleceram toque de recolher e a capital da Bahia, Salvador, determinou o fechamento de praias na tentativa de conter o avanço do novo coronavírus.
Em Pernambuco, o governo do estado decretou toque de recolher em 63 municípios das gerências regionais de Saúde de Limoeiro, de Caruaru e de Ouricuri, localizadas no agreste e sertão pernambucano. de sexta-feira (26) até o dia 10 de março. Todas as atividades econômicas e sociais estão proibidas das 20h até as 5h durante a semana, e das 17h às 5h nos finais de semana.
O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, justificou a medida pela aceleração de casos de covid-19 nessas cidades e pela superlotação dos hospitais.
No Piauí, um novo decreto instituiu toque de recolher a partir desta quarta-feira (24) em todo o estado das 23 h às 5 h até o dia 4 de março, ficando proibida a circulação de pessoas em espaços e vias públicas. Nos finais de semana devem funcionar somente atividades essenciais. O governador Wellington Dias afirmou que, se for preciso, vai endurecer as restrições nos próximos dias.
Em Salvador, o prefeito Bruno Reis, determinou o fechamento das praias e dos clubes da capital baiana a partir desta quarta-feira. A proibição vai até o dia 2 de março e tapumes devem impedir a circulação de pessoas nas praias do Rio Vermelho, Amaralina e também na Barra. Agentes e viaturas vão patrulhar quase 60 quilômetros de litoral. O prefeito disse que o sistema de saúde está à beira do colapso.
Câncer bucal: Metade dos pacientes morre em menos de dois anos do diagnóstico em Alagoas
Situação crítica acende alerta e profissionais se engajam em projeto para mudar realidade
↑ Câncer de boca pode afetar língua, lábios e o interior da cavidade oral (Foto: Cortesia/Ilustração)
Em Alagoas mais de 85% dos casos de câncer de boca são diagnosticados em estágios tardios da doença, isso porque, além da falta de informação de pacientes quando o problema é identificado, eles passam até oito meses para iniciar o tratamento no estado. Para mudar essa realidade, profissionais da saúde, professores e alunos de uma universidade se engajaram num projeto para aumentar as chances de cura da enfermidade.
A coordenadora do Mestrado Profissional de Pesquisa em Saúde do Centro Universitário (Cesmac), professora doutora Sonia Ferreira, diz que a situação é absurda nos dias de hoje, ela afirma que a metade das pessoas diagnosticadas com câncer de boca morre em menos de dois anos após o diagnóstico em Alagoas. “Na boca… Basta abri-la, o dentista ou qualquer pessoa identifica, não precisa ter grandes coisas. Fica difícil imaginar que uma lesão tão fácil de notar leve a óbito”, frisou.
Sonia Ferreira explicou que estudos comprovam que a demora no diagnóstico se deve a três fatores: dificuldade do paciente em procurar atendimento; acesso para seguir o tratamento; e o próprio Sistema Único de Saúde (SUS). Ela diz também que a maioria dos pacientes, em 85% dos casos não sabe nem ler e nem escrever. “O trabalho de identificação é importantíssimo, quando ficamos sabendo, que as pessoas diagnosticadas, eram analfabetas, tratamos de providenciar cartilhas ilustrativas (desenhos) para orientar mais facilmente”, destacou.
“Muitos pacientes nunca foram ao dentista”, frisa professora Sonia Ferreira (Foto: Sandro Lima)
Pesquisas chamam a atenção quando se trata da doença epidemiológica. De acordo com a professora doutora, grande parte dos pacientes é idoso, com até 80 anos de idade. E que muitas vezes, segundo ela, nunca tinham ido ao dentista na vida, além de fumarem desde os 10 anos de idade e chegarem com a lesão em estágio muito avançado da doença.
Outro aspecto dito pela especialista diz respeito também à dependência do álcool, doença paralela ao câncer bucal. Conforme Sonia Ferreira, a hipótese é de que o álcool faz uma analgesia na ferida, tendo em vista, que, o câncer pode começar com uma simples ferida na boca, que pode ser confundida, por exemplo, com uma afta, um trauma de prótese, entre outros.
Foto: Cortesia
“Quando o álcool já não dá mais conta da dor, e a doença está em estágio avançado, é que os pacientes na maioria homens e do interior do estado procuram atendimento”, afirmou.
Uma mulher de 52 anos, que aceitou conversar com a reportagem, porém em troca do anonimato, convive com um câncer de boca há 2 anos. Ela contou que a ferida veio mascarada de uma afta na língua, que passou pomada e tomou medicamentos por cerca de três meses e nada de sarar. A mulher que estava acompanhada da filha mais nova numa consulta de retorno após as sessões de radioterapia no Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), disse que procurou um dentista e o profissional pediu que fosse feita uma biopsia.
“A biopsia foi feita no Centro Odontológico da Ufal e dois meses após a descoberta foram feitos novos exames, e quatro meses depois começou a radioterapia. Após isso foi marcada a cirurgia da língua, que só aconteceu no ano passado, depois fiz mais outra no pescoço. Se não fosse tão demorado a minha chance de cura aumentaria”, disse a paciente que mudou sua rotina após a doença.
“Parei de fazer radioterapia, mas venho sentindo muitas dores; fiz uns exames e estou trazendo de volta para saber o que houve talvez o câncer tenha progredido”, lamentou. A mulher deixou de trabalhar e busca pela fé em Deus superar o momento vivido.
Outra mulher que não quis se identificar, alegando que muitos não sabem que ela tem câncer de boca, disse que as consequências das cirurgias foram muitas cicatrizes e deformações no rosto e pescoço. “Nós somos guerreiros. Faz três anos que fiz a cirurgia. Tenho muita dificuldade de falar, me alimento só pela sonda e nem água eu engulo”, revelou.
HPV é uma das principais causas do câncer de orofaringe
A professora Sonia Ferreira também chamou a atenção para o HPV genital, uma das principais causas do câncer de orofaringe – pequeno espaço da cavidade bucal compreendida entre a raiz da língua, o palato mole e a epiglote. Conforme ela, uma parcela da população é de jovens, que não estão dentro do fator de risco, mas que estão sendo acometidos pela doença no Brasil.
Em Alagoas, Sonia revelou que há pacientes mulheres na faixa etária de 30 anos, que nunca beberam e fumaram, mas estão com câncer de orofaringe. “Como em Maceió não temos como confirmar, a gente suspeita que tenha sido infecção por HPV. Sendo também mais difícil de diagnosticar por está mais escondido. Quando a gente descobre está na metástase. Porque muitas vezes o paciente tem a lesão, porém não sente dificuldade de engolir, falar, nada…”, observou.
“Uma parcela de pessoas está sendo acometida pela infecção do HPV – papiloma vírus pela orofaringe que também é o maior causador do câncer de útero, e que para isso, já temos vacina aplicada nas adolescentes”, lembrou.
REALIDADE TERRÍVEL
Sonia Ferreira reforçou que a realidade da doença em Alagoas é preocupante e terrível, já que além da metade dos pacientes morrerem em menos de dois anos do diagnóstico, 85% são diagnosticados em estágio tardio, e muitos quando não veem a óbito, desenvolvem um segundo tumor em, no máximo, cinco anos. “Então, o prognóstico é muito ruim. Por isso, temos que intensificar ações e qualificar os profissionais”, alertou.
Ela explicou que quando o paciente chega aos estágios 1 e 2 ainda passa por cirurgia, porém no mais avançado é necessário fazer quimioterapia, radioterapia e tentar a cirurgia, entretanto salientou que terá morbidade e mortalidade maiores.
LINHA DE PESQUISA
Em função deste índice, o Centro Universitário de Maceió (Cesmac) trabalha com uma linha de pesquisa com câncer de boca, que vem se desenvolvendo por meio de financiamentos levando a cartilha ilustrativa citada pela professora para quase todos os municípios do estado de Alagoas.
Ela explicou que num segundo momento, foi feito também um DVD informando aos dentistas como era a lesão, como se correlacionava com o histopatológico, e agora, a professora Sonia mencionou que o projeto ficou bem maior. “Eu e Vanessa Santos que trabalhamos nessa área, estamos convidando os dentistas para a dissertação de mestrado da médica oncologista Andrea Tatiane, e nessa parceria promovendo cursos de qualificação para os profissionais dentistas de todo o estado, já vamos para o terceiro módulo, em junho teremos dois momentos, sendo um em Maceió, que abrange a macrorregião 1, e outro em Arapiraca com a macrorregião 2”. “O trabalho é voltado para o diagnóstico precoce mostrando como identificar as lesões de início, o tratamento e manejo do paciente oncológico”, detalhou.
Equipe leva qualificação para os dentistas em Alagoas (Foto: Sandro Lima)
De acordo com a professora, o trabalho é de ‘formiguinha’ na intenção de que todos os dentistas da rede SUS (Sistema Único de Saúde), Atenção Básica e Atendimento Regular sejam treinados. Em média são 700 profissionais a cada evento.
“O estudo tem outra perna, ou seja, a gente quer aumentar o diagnóstico precoce, porque nós temos uma dificuldade grande de acesso, embora tenha a lei que diz que após o diagnóstico deve-se iniciar o tratamento, a gente sabe que não funciona em Alagoas”, lamentou Sonia Ferreira. “Atendendo o SUS de forma geral fazendo cirurgias de cabeça e pescoço não chegamos nem a quatro profissionais. Então, o que acontece, a gente faz o diagnóstico precoce, porém se leva oito meses para achar o tratamento”, revelou.
Foto: Cortesia
“Imagine, em oito meses do diagnosticado, o paciente de estágio 1 já passou para 2, ou de 2 para 4, ou de 1 para 3. Aqui no estado temos essa dificuldade, por isso que estamos fazendo projetos há mais de 10 anos, trabalhando para melhorar o diagnóstico e assistência ao paciente enfermo. Já fizemos muita coisa, fórum interdisciplinar, visitas e rastreamento de câncer em todo o estado, e agora estamos trabalhando com a informação tanto com pacientes quanto com profissionais”, mencionou.
Um dos eventos grandiosos que Sonia Ferreira colocou é o 45º Congresso Brasileiro de Estomatologia e Patologia Oral (http://www.estomatologia.com.br/congresso-sobep2019?l=programacao), que acontece na capital alagoana, de 17 a 19 de julho, realizado pela Sociedade Brasileira de Estomatologia – SOBEP, cujo encontro a tem como presidente. “Estamos preparando programação científica rica com mais de 50 profissionais de destaque, nacionais e sete deles internacionais”, avisou.
Conforme a professora, o congresso ocorre pela primeira vez em Maceió, como reflexo de todos os estudos e pesquisas que o Cesmac tem desenvolvido, trazendo visibilidade em suas produções. Ela também trabalha no PAM Salgadinho no Serviço de Estamatologia do Cesmac, que proporciona o acontecimento.
“A parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) se dá pelo meu trabalho, mas também por todo o apoio das coordenações de saúde bucal do município e estado, bem como a Coordenação de Doenças Crônicas do município. Trabalho no Centro de Apoio à Pacientes com HIV-Aids e tenho um espaço aberto dentro desse programa para fazer esse serviço, então o munícipio proporciona condições para que aconteça. O Cesmac é primordial, faço todas as radiografias dos pacientes e exames histopatológico, dando apoio a esses eventos”, mencionou.
“Infelizmente nós não temos dentro de Maceió um espaço para que possibilite tudo que estamos querendo fazer”, enfatizou em tom de tristeza. “E no Cesmac existe um auditório e sala invertida que juntos comportam mais de 300 pessoas, então estamos procurando e espero mudar a realidade, é um sofrimento grande, contando você não acredita. Talvez precisa visitar mais vezes, e é essa provocação que estamos fazendo aos dentistas por isso estamos batendo tanto na tecla da qualificação”, explicou a professora.
Diagnóstico precoce é o caminho
Segundo a coordenadora de Saúde Bucal do Estado de Alagoas, Lourdes Mota, o diagnóstico precoce é o caminho para que se possa atuar de maneira efetiva no controle da doença. “Essa é a razão do curso, da pesquisa e da qualificação, proporcionar exatamente um atendimento cada vez mais qualificado para que o paciente seja diagnosticado precocemente”, afirmou.
Para Andreia Barboza, gerente de Atenção às Doenças Crônicas da Secretaria Municipal de Saúde, Maceió atua com cinco doenças preconizadas pelo Ministério da Saúde para que todos os governos possam dar uma maior atenção nesses casos, causando maior adoecimento na população, dentre elas o Câncer. Andreia destaca ainda a importante parceria estabelecida com a academia, como é o caso do Cesmac. “Quando falamos em câncer, qualificação profissional, entender o caminho do paciente, entre outras questões, o Cesmac é um forte aliado nesse processo”.
“É angustiante porque a gente faz o diagnóstico e passam meses para iniciar o tratamento. Temos uma lista de pacientes que ligamos para saber se foi para o médico, se foi tratar. Tenho uma auxiliar no PAM Salgadinho que é um anjo, ela mesma marca pelo Cora (Complexo Regulador de Maceió), encaminha para o paciente vir. Mas são pacientes de origem pobre, do interior, que não sabem se quer pegar um carro. São poucas as cidades que dispõe de alguém fazendo esse tipo de trabalho”, comentou.
Gerência de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) promove mutirão para detectar casos de câncer bucal (Foto: Ascom SMS)
Ela ressalta que apenas 10% dos alagoanos tenham plano de saúde, uma mudança de realidade que deveria acontecer rapidamente. “A triagem oncológica melhorou muito pelo SUS, o paciente até faz, mas quando volta se for cirúrgico esse enfermo terá muita dificuldade de acesso. Atualmente existe uma cirurgiã de cabeça e pescoço que faz cirurgias na boca, tireoide, orofaringe, tudo que tiver nessa região está sob responsabilidade dela, ou seja, não somente câncer de boca”.
“Então, tem uma lista de espera de no mínimo seis meses, de pendendo do estágio aquele paciente não aguenta esperar. Dai vem outro problema que é um leito com UTI, que dê suporte e nós não temos. Muitos hospitais não atendem pelo SUS, fora que uma cirurgia dessas se passa o dia todo para ganhar R$ 300, quem quer?”, indagou angustiada durante entrevista.
Para Sonia Ferreira a única saída é treinar os dentistas para visitar as residências e diagnosticar a doença o quanto antes. “É neste sentido que iremos mudar esse índice tão crítico. Tenho profissional que hoje é do A.C. Camargo, a intenção é treinar para espalhar as pessoas e resolver a situação, mas precisa de uma ação pública eficaz, o paciente tem a dificuldade de entrar para iniciar o tratamento, mas também tem a dificuldade de sair. Quando chega no último cuidado, que são aqueles paliativos, ele também não tem, e morre em casa na maioria das vezes. O paciente de câncer de cabeça e pescoço é muito desassistido, agora quando ele vai para a radioterapia ou quimioterapia, por exemplo, tem chance”, salientou.
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A professora diz ainda que tem paciente vivo há 10 anos que passou somente pela radioterapia. “O caminho é a precisão da orientação do tratamento correto para aquele paciente em particular e mais profissional. Estávamos até bem, mas quando o dinheiro não chega vão embora, não ficam em Alagoas”, frisou a dificuldade.
“Não é igual ao câncer de útero, mas as pessoas com câncer de boca estão sub diagnosticadas, maltratadas e assim aumenta o problema, mas estamos na luta para ensinar. E é uma coisa nossa, voluntária, não é o governo”, concluiu.
Prevenção pode diminuir casos da doença em até 25% até 2025
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que a prevenção é fundamental para diminuir os casos da doença em até 25% até 2025. O câncer de boca acometeu cerca de 14,7 mil pessoas no Brasil só no ano de 2018, sendo 11,2 mil em homens e 3,5 mil em mulheres. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Ainda de acordo com o Instituto mais de 5 mil mortes foram registradas em 2018 por câncer de boca. Os números expressivos resultam em pacientes que muitas vezes ignoram os fatores de risco, como o autoexame.
Um estudo atual, feito com orientação da bióloga e geneticista do A.C. Camargo e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, apontou que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%.
O levantamento mostrou ainda que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo HPV em todo mundo. Também de acordo com pesquisas feitas entre homens norte-americanos, mexicanos e brasileiros, ao menos 2% da população adulta tem o vírus HPV e não apresenta nenhum sintoma.
Já em outra pesquisa, comandada por Kowalski, os médicos detectaram que 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos eram em portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.