Por ASCOM Santana do Ipanema 15/03/2021 - 21h 23min Jean Souza0
Centro de Atendimento a Covid-19 vai receber mais 5 leitos de UTI e 10 clínicos.
Aprefeita Christiane Bulhões (MDB), usou as redes sociais para reiterar a notícia do governador Renan Filho (MDB), que no sábado (13), informou que o Centro de Atendimento a Covid-19 do Hospital Regional de Santana do Ipanema vai receber mais 5 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), além de 10 leitos clínicos.
Christiane Bulhões alertou que a situação continua muito delicada no Sertão, que está na bandeira vermelha até às 23h59min desta terça-feira (16). A chefe do executivo reforçou que segue trabalhando para conscientizar a população e ampliar a oferta de vagas nos leitos, e foi com muita alegria que recebeu a notícia do governador.
“Com a abertura de mais 15 leitos, O Centro de Atendimento terá um total de 45 leitos exclusivos para o tratamento da Covid-19. Como prefeita e médica, agradeço ao governador por todos os esforços que têm feito no combate a Covid-19 no Estado e ao deputado Federal Isnaldo Bulhões, pela parceria e apoio de sempre. Juntos vamos vencer essa pandemia”, disse a prefeita.
A previsão é de que até a próxima quinta-feira (18), os leitos estejam prontos para receber pacientes que necessitam do tratamento contra o novo coronavírus.
A apresentadora Waynne Alencar, deixa uma mensagem no fím do vídeo alertando sobre medidas de prevenção a Covid-19. “A notícia é boa, mas todas essas medidas não serão suficientes se não fizermos a nossa parte. O uso correto da máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social salvam vidas”.
O rio representa a vida e os lados opostos em como escolhemos viver.
De um lado se vive de maneira, triste, confusa, com raiva, sem brilho, repleto de frustrações e desanimo. Do o outro lado tem aqueles que apesar dos obstáculos conseguem atravessar esse rio e ressignifica suas dores e luta, continuam no rio, porém, agora sabem nadar.
Em algum momento todos nós tentamos atravessar esse rio pessoal, muitos desistirão após algumas tentativas frustradas, outros chegarão ao outro tão arrebentado que nem consegue enxergar sua vitória, já outros parecem ter mais facilidade em lidar com os obstáculos e por mais que tenham dificuldade seguem firmes e confiantes.
Em que momento você encontra agora? Já desistiu? Ou segue firme e confiante?
Todos nós temos marcas dolorosas, todos nós fomos negados, negligenciados, ignorados, abusados de alguma forma, e não amados em algum momento e em diferentes proporções. A única diferença é em como recebemos e qual o significado que damos a esses acontecimentos a ponto de reger a vida baseado” tão somente” nesse sofrimento.
As vezes o peso que carregamos na mochila da vida é pesado demais para algumas pessoas, vira um fardo impossível de sustentar.
É, eu sei. Nem sempre foi assim, você já teve muitos sonhos e aquele brilho no olhar e esbanjava sorrisos... Mas em algum momento uma chave virou e os acontecimentos naturais da jornada vão acontecendo, os gatilhos despertam o sofrimento ainda latente, a sua força foi escoando e tudo vai ficando sem sentido, como se estivesse perdido, procurando algo que nem sabe o que é...
O brilho dos olhos vai se apagando, já não ligamos para as novidades, já não acreditamos em amor, já nos acostumando com o “é assim mesmo”, “são coisas da vida”...
Para algumas pessoas o processo da vida é pesado demais, essas pessoas já não enxergam a beleza e o prazer de viver, e seguem como se estivesse cumprindo a sua penitencia aqui na terra, essa pessoa não vive mais, ela apenas existe.
Assim como zumbi, segue fazendo tudo aquilo que não queria fazer, estando onde não queria estar, falando o que não queria dizer, sentindo o que não queria sentir...
Alguns encontram saída em fantasiar outra realidade fugindo da sua, outras estão destinadas a olhar e apontar a vida do outro, assim consegue aliviar a dor ao perceber que tem outros vivendo igual ou em pior situação. E outros apenas sobrevivem dia após dia como se estivesse carregando uma tonelada de pedras nas costas. Apesar de ser um tanto dramático é também um tanto real. É só analisar:
O casamento e ruim, mas continua nele, o emprego é odiado mais continua nele, já não ama e nem é amado e acredita que deve assim mesmo, a distância dos filhos é justificada como coisa de adolescente, acostumou-se com a dificuldade financeira. Assumiu papeis que não sabem mais como sustentar, bebem para esquecer, depositam suas esperanças em festas e encontros...
Essas pessoas carregam uma nuvem negra sob suas cabeças e usam suas dores como uma muleta para continuar seguindo.
Tudo está ruim e não tem perspectiva de melhora, a reclamação é constante, a boca é caída com aquele semblante triste e nem amizades não tem mais.
Talvez você não seja essa pessoa, mas talvez convive com alguém assim. Acredite: não é culpa sua e você também não pode fazer nada além de orar por essa pessoa.
Não se trata de você, não é com você e você não pode salvar essa pessoa de si mesmo. Seria preciso querer ser salvo, enxergar que precisa de ajuda e quando esse momento chegar vai partir dela e não de você.
Se você notar alguém do seu lado muito mal humorado, é natural sentir que é com você e logo vem a culpo, e para esse sentimento não se prolongar é preciso enfrentar, então pergunta: eu fiz algo? Isso é comigo? Posso ajudar em alguma coisa? E a pessoa responde, não não é.... Há então se eu puder ajudar é só falar.
Se responsabilizar pelos próprios sentimentos é algo que ainda precisa ser aprendido.
Já para essa pessoa que carrega a nuvem sobre si, quando doer o bastante é possível que procure por mudanças, é necessário ressignificar os acontecimentos passados e seus sentimentos pra que a mochila fique mais leve... Pouco se fala, mais a felicidade também pode ser aprendida, mas só se reconhecermos que ela não está presente em nossa vida.
O tamanho da dor só sabe quem a sente, temos proporções diferentes. È preciso bem mais do que querer, então não julgue aquele que ainda permanece estático do outro lado do rio, você pode dizer que não sabe o que ela sente e como se sente, mais se precisar você estará lá.
Quando não souber o que fazer, só ame.
E como sempre, eu escrevi para mim e talvez faça algum sentido para você.
Por ASCOM Santana do Ipanema 13/03/2021 - 11h 12min Divulgação0
APrefeitura de Santana do Ipanema, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, criou o Disque Denúncia Covid-19. Um canal para receber todas as denúncias de violação das medidas restritivas para o enfrentamento do coronavírus (COVID-19), que estão no decreto Municipal nº 138.
Por meio do contato 920017780 o cidadão pode falar diretamente com a equipe da Vigilância Sanitária sobre os casos de aglomerações e outras irregularidades ocorridas no município, sejam no âmbito comercial ou social. O serviço também dispõe do aplicativo de mensagens Whatsapp.
Se preferir, o cidadão pode falar diretamente com a Polícia Militar do 7º Batalhão, por meio do número 996054020 (apenas ligação).
A população deve colaborar mantendo o distanciamento social, utilizando a máscara ao sair e fazendo o uso do álcool 70% ou higienização permanente das mãos para tentar conter a pandemia do novo coronavírus.
Os idosos maceioenses que procuraram o ponto de vacinação no estacionamento do Jaraguá neste domingo (14) encontraram uma aglomeração causada pela manifestação anunciada pelo vereador Leonardo Dias nas redes sociais.
O estacionamento do Jaraguá está sendo usado pela Secretaria Municipal de Saúde como um espaço drive-thru para dar fluxo à vacinação na capital e ampliar a imunização dos idosos.
Mas o que foi visto no local hoje foi um grande desrespeito às pessoas que saíram de suas casas cedo, enfrentaram filas e foram obrigadas a disputar o espaço com os manifestantes.
A vacinação foi ampliada para os dias de domingo pela Secretaria de Saúde devido à procura da população. Os manifestantes fizeram sua concentração no local, causando um tumulto e fazendo com que alguns idosos desistissem de tomar a vacina naquele momento.
“Foi um total desrespeito marcar uma manifestação em um local de vacinação e fazer a gente disputar uma vaga na fila com essas pessoas, que não estão em defesa da vida das pessoas, mas de um presidente que não se importa com quantos já morreram no país”, comentou um idoso.
A manifestação foi contra o fechamento dos estabelecimentos para controle da Covid-19, uma medida necessária para diminuir a infecção da doença.
Em imagens que circulam nas redes sociais é possível perceber a aglomeração causada pelo vereador e os seguidores do presidente Jair Bolsonaro, que não usaram máscaras nem respeitaram o distanciamento social.
“Fico muito triste em trazer minha mãe para tomar a vacina em domingo, por não ter tempo durante a semana, e encontrar pessoas que estão brincando com a vida. Pessoas que falam tanto em ajudar ao próximo, ajudar a população e o que estão fazendo é um ato desumano”, comentou outra pessoa que aguardava na fila.
Em postagem nas redes sociais, o prefeito JHC criticou a ação que atrapalhou a vacinação no Jaraguá:
(Imagem: Reprodução / Redes Sociais)
A assessoria do vereador emitiu nota oficial sobre o caso, confira abaixo na íntegra:
“NOTA OFICIAL
Ao contrário do que foi informado por alguns veículos de imprensa a respeito do ato em apoio ao Presidente e contra o Lockdown ocorrido no dia de hoje no estacionamento do Jaraguá, esclarece:
1. O vereador não foi o idealizador ou mesmo o organizador do ato.
2. Publicou os banners como cidadão, assim como centenas de pessoas o fizeram.
3. Somente tomou conhecimento que a vacinação ocorreria nesse domingo, quando os Movimentos já haviam convocado para o ato.
4. Esteve no local de concentração como cidadão. Não esteve no trio elétrico e sequer acompanhou a carreata.
5. Quando observou que o volume de carros estava mais alto do que o esperado pelos organizadores, entrou em contato com os agentes de trânsito e tentou minimizar o problema.”
Governo vai entregar mais 50 leitos para tratar pacientes com Covid-19 no Sertão de AL
Secretário Alexandre Ayres anunciou financiamento mensal em três municípios e garantiu 100% de equipamentos às unidades hospitalares locais
↑ Ao lado da prefeita de Delmiro Gouveia, Ziane Costa, Alexandre Ayres acompanhou a entrega de equipamentos para os novos leitos Covid (Foto: Thiago Duarte / Agência Alagoas)
Municípios da região do Sertão alagoano receberam, nessa sexta-feira (12), a visita técnica da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que garantiu às gestões a continuidade de investimentos no enfrentamento à pandemia da Covid-19. As visitas foram coordenadas pelo secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, com acompanhamento de prefeitos, secretários municipais e do secretário Executivo de Gestão Interna da Sesau, André Cabral.
Às gestões municipais em São José da Tapera, Delmiro Gouveia e Piranhas, o secretário da Saúde garantiu a abertura de mais 50 leitos nas cidades, 100% dos equipamentos necessários e financiamento mensal.
“Alagoas continua firme no combate à Covid-19. Os municípios estão estruturando a sua rede para continuar salvando vidas. Por orientação do governador Renan Filho, vamos financiar, todos os meses, os 50 leitos que serão entregues à população”, contextualizou o secretário.
São José da Tapera
A primeira parada ocorreu na cidade de São José da Tapera, localizada no médio Sertão. Durante a visita ao Hospital Municipal Ênio Ricardo Gomes, referência na região, o secretário Alexandre Ayres informou que o Governo de Alagoas vai assumir ala de tratamento de pacientes com a Covid-19.
“O Hospital Municipal em São José da Tapera é referência aqui na região no atendimento a pacientes com diversas comorbidades. E neste contínuo combate à Covid-19, o Governo pactuou, junto ao prefeito Jarbas Ricardo, que a Secretaria de Estado da Saúde assume toda a estrutura da ala Covid-19 na unidade. O envio de novos equipamentos hospitalares está assegurado para ampliar os serviços e o hospital continuar realizando este trabalho digno e atendendo cada vez melhor o alagoano”, informou o secretário Alexandre Ayres.
O prefeito Jarbas Ricardo destacou que o diálogo com a Sesau tem sido recorrente e as respostas do Governo são imediatas. “A parceria tem sido fundamental, sobretudo em um momento tão complicado. Sempre que mantemos o contato com o governador Renan Filho, conversas com o secretário Alexandre Ayres, o município tem recebido retorno. E este novo compromisso da Saúde nos ajuda a salvar vidas”, complementa.
Com o Governo de Alagoas fazendo a sua parte no enfrentamento à pandemia da Covid-19, o secretário Alexandre Ayres fez questão de fazer novos apelos à população para que sigam cumprindo as medidas de proteção, usando máscaras e evitando aglomerações. “Estamos aumentando a quantidade de leitos UTI e de enfermaria exclusivos para Covid-19, mas não podemos esquecer que as pessoas precisam fazer a sua parte”.
Delmiro Gouveia
O município de Delmiro Gouveia foi o segundo visitado. Na cidade, o secretário Alexandre Ayres esteve na UPA Dr. Ulysses Luna, ao lado da prefeita Ziane Costa e da secretária Municipal de Saúde, Geonice Peixoto. No município ele ampliou em mais dez leitos clínicos a estrutura para atender pacientes acometidos com a Covid-19.
Em seguida, o secretário visitou as obras do Hospital Regional do Alto Sertão, dialogou com representantes da construtora, e ressaltou que o próximo equipamento a ser entregue pelo Governo de Alagoas levará à população grandes benefícios, modernização da saúde e atendimento humanizado.
O hospital vai atender oito municípios da região e sua obra está orçada em R$ 32,8 milhões. A unidade terá capacidade para realizar 7.763 consultas e 7 mil exames de diagnóstico por mês. Além da população de Delmiro Gouveia, a unidade atenderá os habitantes de Piranhas, Inhapi, Água Branca, Olho D’Água do Casado, Mata Grande, Canapi e Pariconha, beneficiando uma população de 171.204 pessoas.
Piranhas
A última parada da visita técnica foi na cidade de Piranhas, mais precisamente na Unidade Mista Senador Arnon de Mello, onde também foram garantidos mais leitos exclusivos para tratar pessoas infectadas com a Covid-19.
Por ASCOM Santana do Ipanema 12/03/2021 - 22h 08min Jean Souza0
Acordo firmado permite a concessão de empréstimo consignado, mediante desconto em folha de pagamento
Aprefeita de Santana do Ipanema, Christiane Bulhões (MDB), assinou nesta quarta-feira (10), a renovação de um convênio entre Prefeitura e Caixa Econômica Federal que permite a concessão de empréstimo consignado, mediante desconto em folha de pagamento, para os servidores.
Participaram da solenidade o secretário de Gestão de Pessoas, Pádua Batista, os gerentes da Caixa em Santana, Jenisson Angelino e Cristiane Medeiros, além do assistente de varejo, Eduardo Malheiros.
Na oportunidade, foram tratados sobre os projetos desenvolvidos em parceria com a Caixa e o crescimento do município.
Por ASCOM Santana do Ipanema 12/03/2021 - 18h 45min Assessoria0
APrefeitura de Santana do Ipanema, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, entregou na última semana 50 próteses no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO). A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal através do programa Brasil Sorridente, sendo um grande investimento na saúde bucal de Santana do Ipanema.
As entregas asseguram melhoria na qualidade de vida das pessoas e resgatam o sorriso dos beneficiários, bem como a dignidade, uma vez que um simples mastigado é possível com a prótese.
No governo do saudoso prefeito Isnaldo Bulhões e da vice Christiane Bulhões, a Prefeitura fez o maior investimento na saúde bucal de Santana do Ipanema. Entre 2017 e 2020, foram entregues 954 próteses.
O Centro de Especialidades atende pacientes das Unidades de Saúde do município para tratamentos especializados nas seguintes áreas: Cirurgia Oral, Periodontia, Tratamento de Canal e Tratamento Odontológico.
A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal através do programa Brasil Sorridente.
Três tecnologias prontas para mudar os alimentos e o planeta
A agricultura vertical, a ciência de produzir produtos de origem animal sem animais e a agricultura de precisão podem promover redução da área de cultivo, independência da pecuária e aproveitamento máximo de insumos e área, reduzindo o impacto ambiental da produção e do trabalho, sem prejuízo para a segurança alimentar.
O impacto da agricultura no planeta é enorme e implacável. Aproximadamente 40% da superfície de área adequada da Terra é usada para cultivo e pastagem . O número de animais domésticos supera em muito as populações selvagens restantes. A cada dia, mais floresta primária cai contra uma maré de plantações e pastagens e a cada ano uma área tão grande quanto o Reino Unido é perdida. Se a humanidade deseja enfrentar a mudança climática, devemos reimaginar a agricultura.
A covid-19 também expôs fraquezas nos sistemas alimentares atuais . Cientistas agrícolas sabem há décadas que o trabalho agrícola pode ser explorador e difícil, então não deveria surpreender ninguém que os proprietários de fazendas tivessem problemas para importar mão de obra para manter as fazendas funcionando enquanto lutavam para garantir que os trabalhadores do setor alimentício ficassem livres do vírus.
Da mesma forma, cadeias de suprimento de alimentos “apenas o suficiente, na hora certa” são eficientes, mas oferecem pouca redundância. E empurrar terras agrícolas para a floresta conecta os humanos com reservatórios de vírus que – quando entram na população humana – são devastadores.
Para enfrentar esses desafios, as novas tecnologias prometem uma abordagem mais verde para a produção de alimentos e se concentram em uma produção mais baseada em plantas, durante todo o ano, local e intensiva. Bem feitas, três tecnologias – agricultura vertical, celular e de precisão – podem refazer a relação com a terra e os alimentos.
Fazenda em uma caixa
A agricultura vertical – a prática de cultivar alimentos em bandejas empilhadas – não é nova; inovadores têm cultivado plantações em ambientes fechados desde os tempos romanos . A novidade é a eficiência da iluminação LED e da robótica avançada que permitem que as fazendas verticais produzam 20 vezes mais alimentos com a mesma pegada do que é possível no campo.
Atualmente, a maioria das fazendas verticais produz apenas verduras, como alface, ervas e microgreens, porque são rápidas e lucrativas, mas dentro de cinco anos muito mais safras serão possíveis, pois o custo da iluminação continua caindo e a tecnologia se desenvolve .
Os ambientes controlados das fazendas verticais reduzem o uso de pesticidas e herbicidas, podem ser neutros em carbono e reciclam água. Para climas frios e quentes, onde a produção de lavouras tenras é difícil ou impossível, a agricultura vertical promete o fim das importações caras e ambientalmente intensivas, como frutas vermelhas, pequenas frutas e abacates de regiões como a Califórnia.
A agricultura celular , ou a ciência de produzir produtos de origem animal sem animais, anuncia mudanças ainda maiores. Só em 2020, centenas de milhões de dólares entraram no setor e, nos últimos meses, os primeiros produtos chegaram ao mercado.
Isso inclui o “sorvete” do Brave Robot que não envolve vacas e o lançamento limitado do “frango” do Eat Just que nunca foi estourado.
A agricultura de precisão é outra grande fronteira. Em breve, os tratores autônomos usarão os dados para plantar a semente certa no lugar certo e fornecer a cada planta a quantidade exata de fertilizante, reduzindo o consumo de energia, a poluição e o desperdício.
Em conjunto, a agricultura vertical, celular e de precisão deve nos permitir a capacidade de produzir mais alimentos com menos terra e com menos insumos. Idealmente, seremos capazes de produzir qualquer safra, em qualquer lugar, em qualquer época do ano, eliminando a necessidade de cadeias de suprimento longas, vulneráveis e com uso intensivo de energia.
A agricultura 2.0 está pronta?
Claro, essas tecnologias não são uma panacéia – nenhuma tecnologia é. Por um lado, embora essas tecnologias estejam amadurecendo rapidamente, elas não estão totalmente prontas para a implantação convencional. Muitos permanecem muito caros para fazendas de pequeno e médio porte e podem levar à consolidação de fazendas.
Alguns consumidores e teóricos de alimentos são cautelosos , perguntando-se por que não podemos produzir nossa comida da maneira que nossos bisavós faziam. Os críticos dessas tecnologias agrícolas clamam por uma agricultura agroecológica ou regenerativa que alcance a sustentabilidade por meio de fazendas diversificadas e em pequena escala que alimentam os consumidores locais . A agricultura regenerativa é muito promissora, mas não está claro se terá escala .
Podem as carnes cultivadas se tornarem comuns nos supermercados na próxima década?
Embora essas sejam considerações sérias, não existe uma abordagem única para a segurança alimentar. Por exemplo, fazendas alternativas em pequena escala com culturas mistas também sofrem com a escassez de mão de obra e normalmente produzem alimentos caros que estão além das possibilidades dos consumidores de baixa renda. Mas não precisa ser uma situação “ou / ou”. Existem vantagens e desvantagens em todas as abordagens e não podemos alcançar nossos objetivos climáticos e de segurança alimentar sem também abraçar a tecnologia agrícola .
Futuro esperançoso da agricultura
Ao tomar os melhores aspectos da agricultura alternativa (nomeadamente o compromisso com a sustentabilidade e nutrição), os melhores aspectos da agricultura convencional (a eficiência económica e a capacidade de escala) e novas tecnologias como as descritas acima, o mundo pode embarcar numa agricultura revolução que – quando combinada com políticas progressistas em torno do trabalho, nutrição, bem-estar animal e meio ambiente – produzirá alimentos abundantes enquanto reduz a pegada da agricultura no planeta.
Pepinos hidropônicos podem ser cultivados em ambientes internos com luzes LED.
As fazendas de circuito fechado usam poucos pesticidas, são eficientes em termos de solo e energia e reciclam a água. Eles podem permitir a produção local durante todo o ano, reduzir o trabalho manual repetitivo, melhorar os resultados ambientais e o bem-estar animal. Se essas instalações forem combinadas com uma boa política, então devemos ver as terras que não são necessárias para a agricultura serem devolvidas à natureza como parques ou refúgios de vida selvagem.
O mundo de hoje foi moldado por uma revolução agrícola que começou há dez mil anos. Esta próxima revolução será igualmente transformadora. A covid-19 pode ter colocado os problemas com nosso sistema alimentar na primeira página, mas a perspectiva de longo prazo para essa indústria antiga e vital é, em última análise, uma boa notícia.
Lenore Newman ocupa a cadeira de Pesquisa do Canadá, Segurança Alimentar e Meio Ambiente, Universidade de The Fraser Valley
Evan Fraser é diretor do Arrell Food Institute e professor do Departamento de Geografia, Meio Ambiente e Geomática da Universidade de Guelph
Astor Piazzolla, o criador que mudou o tango para sempre
O bandoneonista conseguiu criar uma voz própria, original e inconfundível, que não só renovou o gênero, mas também instalou nele a ideia de modernidade.
Hoje, 11 de março, Astor Piazzolla completaria 100 anos . Devido a essa forma inescrutável de persuasão que possuem os números redondos, a recorrência é um motivo válido para prestar atenção à sua obra, com força total, e para repassar sua história, neste ponto abundantemente explicada e retratada. Nesta azáfama, no seio deste “Ano Piazzolla” multiplicam-se as memórias e homenagens no mundo.
Vagamente sensual para ser popular e complexo o suficiente para superar as enormes barreiras de entretenimento, o trabalho de Piazzolla situa-se com todos os direitos entre os clássicos do século XX . Uma mistura intrigante de audácia e franqueza, alegria e melancolia, oralidade e escrita, a música do bandoneonista ainda é capaz de se assemelhar ao mundo ao seu redor. Sua obra chegou ao século XXI e circula há décadas por salas de concerto, festivais de jazz, boates e palcos das mais variadas camadas, sem deixar de ser, antes de tudo, um emblema sonoro daquela cidade, Buenos Aires, aquele que antes sabia engendrar o tango.
Tango que você fez errado
No final da década de 40, a parábola do tango começou a declinar. O gênero fundamentalmente dançante havia dado o seu melhor e no mercado de entretenimento local começava a penetrar propostas de outras formas de dança e música internacional. Mas a desaceleração tem a ver com uma certa estagnação do que na época haviam sido suas fórmulas de tango de maior sucesso. Nos anos 1950, a vacina BCG já existia, mas os milonguitas continuavam tossindo nas letras dos tangos muito parecidos, protegidos por um conservadorismo estético que, em seu anacronismo, acabava por exprimir uma moral pacata.
Piazzolla, que havia passado pela de Aníbal Troilo, era considerado arranjador nas orquestras de primeira linha – um tanto estranho, mas interessante. Até ter sua própria orquestra em 1946, com a qual, embora sem sucesso comercial, fez coisas como “Villeguita”, dedicada a seu amigo Enrique “Mono” Villegas.
Curioso, veemente, estudioso e provocador – nessa ordem -, Piazzolla atacou o cerne expressivo do tango, delimitando com lucidez os espaços úteis e os descartes, as luzes e as sombras de um gênero com o qual vai construir uma relação de amor e ódio. Na estratégia de entrar e sair continuamente do universo do tango e de suas circunstâncias, Piazzolla conseguiu fazer do tango um pano de fundo no qual sua música, sempre exposta a partir da palavra “Nuevo”, contrastasse . Embora aberto e enriquecido com novidades do jazz, traços sonoros de Bartok e Stravinsky e antiguidades de Bach, não parava de se medir com o tango e sua tradição. Aquele submundo ao qual Piazzolla definiu os limites de seu conservadorismo.
Ao fazer um tango fora do tango, Piazzolla conseguiu criar uma voz própria, original e inconfundível . Um estilo que acabou se definindo além da escrita, da execução, da forma de tocar. Dele e dos músicos que escolheu cuidadosamente. Além de escrever para o virtuosismo do solista, o compositor possibilitou uma dose significativa de improviso na execução, no fraseado, na respiração, no jogo com o tempo e outros manejos que vinham da tradição executiva do tango, e que Piazzolla adicionava como forma de manter o frescor, a tensão do inesperado. Além da atratividade de suas influências, da complexidade de seus esquemas composicionais, havia, acima de tudo, uma forma de interpretá-los. Lá sua música foi completada e lá ele recuperou o tango.
Aqui e lá
Astor Pantaleón Piazzolla nasceu em 11 de março de 1921 em Mar del Plata ; ele era o único filho de Vicente Piazzolla e Asunta Manetti. A partir daí, uma história de sua vida poderia começar a qualquer momento, pois para além da ordem cronológica, os marcos de sua existência convergem de forma vertiginosa e coerente em um mesmo ponto: uma ideia de superação da música.
A infância em Nova York, as aulas de bandoneon em que estudava Schumann e Bach, o encontro com Carlos Gardel – que lhe disse que tocava fueye “como um galego” -, o retorno a Mar del Plata na adolescência, a revelação do Elvino Vardaro sexteto pelo rádio, a ida para Buenos Aires aos 18 anos, a orquestra Troilo, o “concerto” para piano que mostrou a Arthur Rubinstein, a recomendação de estudar com Alberto Ginastera, a Sinfonia com dois bandoneons que lhe valeu a bolsa para estudar em Paris com Nadia Boulanger. Esses são alguns dos marcos preparatórios de alguém que a essa altura parecia um infiel ao tango .
Em Paris, apropriadamente, houve um de seus inúmeros primórdios. Piazzolla chegou à capital francesa na década de 1950 para estudar com Boulanger, uma das mais importantes pedagogas de seu tempo: aluna de Gabriel Fauré, amiga de Ravel e Stravisnky, na época escolhida pelos jovens compositores americanos (Aaron Copland , Leonard Bernstein, Philip Glass e, posteriormente, Quincy Jones), entre muitos outros. De Paris, junto com a recomendação de sua mestra para ele devotar-se à música – disse-lhe isso depois de ouvir sua versão de “Triunfante” – Piazzolla voltou a Buenos Aires com gravações de música própria , com músicos da Orquestra de Ópera de Paris, e Martial Solal e Lalo Schifrin alternando ao piano. Também com o fascínio pelo Tentet de Gerry Mulligan, onde, entre outros, tocou o trompetista Chet Baker.
Sob esses estímulos, em 1957 formou o Octeto Buenos Aires , com alguns dos músicos mais importantes do meio tango e além: Enrique Mario Francini e Hugo Baralis nos violinos, Atilio Stampone no piano, Leopoldo Federico como segundo bandoneon, Horacio Malvicino na guitarra elétrica, José Bragato no violoncelo e Juan Vasallo no contrabaixo. “Era preciso tirar o tango daquela monotonia que o envolvia , tanto harmônica quanto melódica, rítmica e estética. Foi um impulso irresistível priorizá-lo musicalmente e dar aos instrumentistas outras formas de brilho. Em duas palavras, faça tango excitar e não canse o intérprete e o ouvinte, sem deixar de ser tango, e faça-o, mais do que nunca, música ”, escreveu o próprio Piazzolla na contracapa de um dos dois discos do Octeto.
Além do tom desafiador das palavras, a provocação estava na música. Arranjos de tangos clássicos e novas canções explodiram a linha decariana que até então havia delimitado a modernidade do tango. Piazzolla fundou um novo território e foi condenado por parricídio. Mas a vida efêmera do octeto era inversamente proporcional à sua importância. Com a ideia de um grupo de solistas oriundos do jazz e também da música barroca, surgiu uma atitude que será fundamental para o vaivém vital entre a composição e a execução na música de Piazzolla.
A máquina expressiva
No final dos anos 1950, Piazzolla estava em Nova York. Teve uma ideia de jazz-tango da qual acabou desistindo , refutando que essa música pudesse ser incorporada à categoria “latina” – que na época significava congas e outros arreios fora da brancura de Buenos Aires. – muito menos dançante. De volta a Buenos Aires, formou o Quinteto Nuevo Tango , para muitos, em suas sucessivas formações, a máquina que melhor expressou a linguagem de Piazzolla.. Jaime Gosis ao piano, Szymsya Bajour ao violino, Kicho Díaz ao contrabaixo e Horacio Malvicino à guitarra constituíram o primeiro grupo, com o qual, entre outras coisas, gravou em 1961 a primeira versão de “Adiós Nonino”, que compôs em memória de seu pai. Depois de concluir a gravação do primeiro LP e gravar as partes de violino para a música do filme Quinto Ano Nacional , Bajour deixou o quinteto e partiu para Havana, contratado como concertino da Orquestra Sinfônica Nacional de Cuba nos primeiros anos da Revolução. Em seu lugar entrou Antonio Agri.
As estações (“Verão de Buenos Aires”, “Outono de Buenos Aires”, “Inverno de Buenos Aires” e “Primavera de Buenos Aires”), a Série de Anjos (“Introdução ao Anjo”, “Anjo Milonga”, “Morte do Anjo” e “Ressurreição do Ángel”), La Serie del Diablo (“Tango diablo”, “Vayamos al diablo” e “Romance del diablo”), bem como canções como “Revirado”, “Fracanapa”, “Calambre”, “ Buenos Aires hora cero ”,“ Decarísimo ”e“ Michelángelo ’70 ”foram, muitas em várias versões, o núcleo duro do repertório do quinteto. Ao longo de mais de duas décadas, os pianistas Osvaldo Manzi, Dante Amicarelli e Pablo Ziegler, os violinistas Antonio Agri e Fernando Suárez Paz, o violonista Oscar López Ruiz, o contrabaixista Héctor Console. Ele também tinha cantores, como Héctor De Rosas,ocasionalmente um Roberto Goyeneche a ponto de caramelo , com quem dividiu uma gravação ao vivo no Teatro Regina em 1982.
Em 1967, Piazzolla iniciou sua colaboração com o poeta Horacio Ferrer . No ano seguinte lançaram o primeiro fruto de seu trabalho conjunto, María de Buenos Aires , a “opereta” que hoje constitui um dos fracassos de maior sucesso da história da música argentina . O estilo de Ferrer, carregado de neologismos, imagens de um surrealismo prudente, psicodelia controlada e atualizações do lunfardo, foi a correspondência direta do estilo musical de Piazzolla, que encontrou em Amelita Baltar uma voz “aquosa” para esse modelo existencialista. Nessa linha chegariam logo “Balada para un loco” e “Chiquilín de Bachín”, canções que Baltar e Goyeneche gravaram praticamente ao mesmo tempo.
Com base no Quinteto Nuevo Tango, em 1971, Piazzolla acrescentou um segundo violino, viola, violoncelo e bateria, e formou o Ensemble 9 , em muitos aspectos um ponto de chegada e ao mesmo tempo a plataforma para um próximo salto. Já se foram as batalhas pela legitimidade de sua música: Piazzolla já era Piazzolla e estava em um ponto de onde não faria sentido voltar .
No conjunto – que entre outros era formado por José Bragato no violoncelo e os violinistas Antonio Agri e Hugo Baralis – estavam as marcas do Octeto e as do Quinteto, mas sobretudo muito do que será o futuro próximo do bandoneonista e o compositor que, arraigado em seu estilo, se permitiu texturas mais complexas e soluções formais um pouco mais amplas.
Essa ideia de diálogo entusiasta que trouxe do cool jazz , a harmonia modal e a politonalidade, referências à música barroca, estão no que muitos consideram um ponto alto da produção de Piazzolla, com páginas notáveis como o elegíaco “Vardarito”, “Onda 9 ”E“ Homenaje a Córdoba ”–a de“ El Cordobazo ”-, entre outras canções incluídas nos dois volumes de Música Popular Contemporânea da Cidade de Buenos Aires , álbuns lançados em 1972. Há também a primeira versão de” Tristeza de um duplo A “. Com o mesmo noneto gravou o que não era a coluna sonora de Último tango en París , o filme de Bernardo Bertolucci que acabou por ter música de Gato Barbieri.
Ardor elétrico
Em 1974, após se recuperar de um ataque cardíaco, Piazzolla se estabeleceu na Itália e formou um grupo com músicos europeus. Órgão Hammond, baixo elétrico, bateria e sintetizadores caracterizaram mais uma etapa do bandoneonista, que acabou envolto em um som internacional que, ao incorporar a eletrônica como emblema da modernidade, sacrificou muito daquele nervo prodigioso que na performance fez sua música era dele música.
O encontro com o saxofonista Gerry Mulligan , com quem gravou Meeting Cumbre , e Libertango , são exemplos dessa fase. Em 1975, após a morte de Aníbal Troilo, compôs a Suíte Troilean a e para a gravação chamou Antonio Agri. Ali se delineou o octeto eletrônico , que em uma de suas formações também teve Enrique Roizner na bateria, Adalberto Cevasco no baixo elétrico, Horacio Malvicino na guitarra, Juan Carlos Cirigliano no piano, Santiago Giacobbe no órgão elétrico, Daniel Piazzolla nos sintetizadores e na voz de José Ángel Trelles. Com uma certa proximidade conceitual ao jazz rock –particularmente a Emerson Like & Palmer, de quem era um admirador confesso–, Piazzolla construiu uma ponte para a cultura jovem . Naturalmente, foi criticado na Argentina. Seus detratores, agora em nome do tango, reivindicaram o Piazzolla do quinteto.
Na década de 1980, Piazzolla era um músico importante. Embora com o quinteto reconstruído ele já fosse um leitor de si mesmo , a dinâmica executiva de sua música permaneceu vertiginosa e envolvente. Ele tocou em todo o mundo, tinha seu próprio estilo e um público fiel. Compôs para o cinema, estreou obras para orquestra e tocou com a cantora italiana Milva, o vibrafonista Gary Burton, o cantor e compositor Georges Moustaki e o Quarteto Kronos, para quem escreveu em 1989 as Five Tango Sensations para cordas e bandoneon. Em 1983 tocou no Teatro Colón com a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires dirigida por Pedro Ignacio Calderón. Se ainda havia margem para discutir, aquele concerto histórico acabou fechando. Com o reconhecimento como Ilustre Cidadão de Buenos Aires, acabou fazendo as pazes com a cidade que era impossível entender sem aquela música fortemente associada a uma forma de tocá-la.
Em 1989, ele dissolveu o sexteto, que foi sua última formação. Em 5 de agosto de 1990, ele foi hospitalizado com um derrame em Paris. Uma semana depois foi transferido para Buenos Aires, onde faleceu, após longa agonia, em 4 de julho de 1992 .
Tango sim, tango não, Piazzolla foi passando o tempo escolhendo com cuidado as bordas por onde caminhar. Os elementos para criar um som original e inconfundível. No mundo, a de Piazzolla é a música de um músico argentino que, por mais ampla e inclusiva que seja, muitos hoje celebram como sua. Para os argentinos, apóstatas ou revolucionários, Astor foi antes de tudo quem mudou o tango. Nada menos. Ele separou o joio do trigo e estabeleceu novas categorias de valor. Ele não foi o único, é claro, porque sempre houve reformistas. Também no tango. Afinal, mudar de marcha costuma ser um aditivo comercial necessário para lubrificar as engrenagens da indústria do entretenimento. Mas Piazzolla foi mais longe. Não ficar parado era sua obsessão, para o qual ele fez tudo o que tinha que ser feito.
Cem anos após o seu nascimento, Piazzola encarna o triunfo do talento e da perseverança sobre a preguiça não muito inocente do estabelecido . Sentimental e poderoso, popular e com uma erudição leve mas categórica, sua obra sustenta a ideia de modernidade no tango para além da condição moral de sucesso. Sua música ainda soa fresca, reverbera na sensibilidade das gerações que estão por vir, sua herança se transforma e se multiplica. Assim, parece capaz de sobreviver, como Shakespeare disse de sua poesia, ao tempo, a guerras e tumultos. E se não, que outro Astor Piazzolla venha, se ele nasceu, para embaralhar e dar novamente.
No pior momento da pandemia, Brasil registra 10% das mortes no mundo
Boletim quinzenal da entidade reúne indicadores sobre a gravidade da crise: lotação das UTIs, manutenção do total de casos em patamares elevados e tendência de alta nos casos de SRAG.
Ponto de ônibus cheio em plena pandemia. Roberto Parizotti/FotosPublicas
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou nesta quinta-feira (11) que o Brasil vive o pior momento da pandemia. A entidade divulgou, em seu boletim quinzenal, que a avaliação é decorrente da piora da alta taxa de ocupação de leitos, tendência de alta nos casos de síndromes respiratórias, e alta participação do país no total de mortes causadas pela doença no mundo.
Um ano após a pandemia ser oficialmente reconhecida pela OMS como uma emergência global, o país acumula 10,3% das mortes que já foram notificadas no mundo por Covid, sendo que o Brasil tem apenas 3% da população do planeta.
“Os recordes de novos casos e óbitos vêm sendo superados diariamente, acompanhados por uma situação de colapso dos sistemas de saúde em grande parte dos estados e municípios”, aponta a nota divulgada pela Fiocruz.
Os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz, responsáveis pelo Boletim, observam que o Brasil nunca alcançou uma redução significativa de sua curva de transmissão.
Síndrome respiratória
No boletim, a Fiocruz também detalhou os dados do sistema InfoGripe, que monitora a incidência da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil. Segundo os pesquisadores, os dados mostram que os casos também estão em “níveis muito altos” em todos os estados, com maior destaque para as regiões Sul e Sudeste. Mais de 96% dos casos e 99,1% dos óbitos são em decorrência do novo coronavírus.
Lotação de UTIs
Na terça-feira (9), a fundação já havia divulgado uma edição extraordinária do boletim para tratar da lotação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) durante a pandemia de covid-19: segundo o documento, os índices de ocupação fazem 20 unidades da federação serem classificadas na “zona de alerta crítico” e 13 unidades têm 90% de ocupação.
Na classificação da Fiocruz, as taxas de ocupação são classificadas em zona de alerta crítico (vermelho) quando iguais ou superiores a 80%, em zona de alerta intermediário (amarelo) quando iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80%, e fora de zona de alerta (verde) quando inferiores a 60%.
Estados com mais de 90% de lotação de UTIs
“Na última semana, embora a saída do Pará da zona de alerta crítico para a zona intermediária, com a queda do indicador de 82% para 75%, possa deixar uma impressão visual de melhoria do quadro geral, é importante sublinhar que se observou exatamente o oposto, com crescimento do indicador em quase todos estados e no Distrito Federal e entrada na zona crítica dos estados de São Paulo e de Sergipe.” – nota da Fiocruz
Situação nas capitais
Vinte e cinco das 27 capitais do país estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos iguais ou superiores a 80%, sendo 15 delas superiores a 90%.
As outras duas capitais restantes estão com taxas superiores a 70%: Belém (75%) e Maceió (73%).