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Centrais e sindicatos enviam posição contrária à volta das atividades ao governador

Entidades manifestam realização de medidas durante a pandemia como fiscalização, proteção aos trabalhadores e apoio aos pequenos e médios empresários

↑ Comércio de Maceió durante a pandemia (Foto: Edilson Omena)

As centrais sindicais e sindicatos encaminharam documento ao Governador Renan Filho, informando-o sobre a posição contrária aos novos protocolos, anunciados pelo Governo de Alagoas, para retorno de atividades de diversos setores da economia, frente à pandemia do novo coronavírus e da Covid-19, como também pela ausência de medidas de proteção à classe trabalhadora. “Não há possibilidade de se propor redução no isolamento social neste momento”, revelam as entidades.

A CUT, CSP-Conlutas, CTB, Nova Central, Força Sindical e sindicatos destacam a curva em ascensão da pandemia em Alagoas, os óbitos causados pela infecção da Covid-19, leitos hospitalares e de UTI na Rede de Saúde insuficiente, além da testagem da população para o SARS-CoV-2 é ínfima no país. Ressalta que a curva de contaminação e infecção por COVID-19 está ascendente em Alagoas, propagando-se rapidamente nas periferias de Maceió e nas cidades do interior, atingindo a população com maior vulnerabilidade social.

As entidades solicitam a adoção de medidas, como a ampla divulgação junto à sociedade civil de estudo técnico-científico, que aborde os aspectos da saúde pública, a implantação de medidas anunciadas de apoio às empresas, especialmente, as pequenas e médias. Solicitam o diagnóstico sobre os impactos da crise econômica que já estava estabelecida e que se agravou com a pandemia, bem como a análise de trabalhos científicos já existentes, como o do Observatório de Enfrentamento a Covid-19, os quais devem subsidiar a organização de reuniões periódicas de debates e esclarecimentos entre o Comitê Científico, que assessora o Gabinete de Crise com as entidades da sociedade civil, em especial, o movimento sindical e movimentos populares.

Reivindicam a definição de protocolos para prevenção à pandemia e biossegurança nos ambientes de trabalho; fortalecimento da Vigilância Sanitária e dos órgãos e setores que fiscalizam as condições de saúde e segurança do trabalho; fiscalização e controle dos transportes coletivos em Alagoas, que já são precários e circulam com excesso de passageiros, provocando aglomerações.

“No que diz respeito à crise econômica agravada pela pandemia, e suas nefastas consequências para a classe trabalhadora, entendemos que há medidas viáveis políticas e econômicas, que devem ser adotadas tanto nas instâncias federal, estaduais, como municipais, para apoio aos trabalhadores e cadeias produtivas, entre estes apontamos: a suspensão do pagamento dos serviços da dívida pública federal e alocação de recursos para o enfrentamento da pandemia; estímulos monetários (redução de taxas de juros, outros); operações e financiamento de liquidez (empréstimos maiores com melhores condições, outros); estímulo fiscal, recursos para auxiliar a população mais vulnerável e proteger empregos, renúncia às metas fiscais pelo governo e liberações de novos recursos; suspensão das isenções e renúncias fiscais realizadas pelo Governo Estadual, auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública; utilização dos recursos do FECOEP para medidas de apoio emergencial aos trabalhadores, voltando-se para as cadeias produtivas onde predominam o trabalho precário, a baixa renda e demais fatores de vulnerabilidade social”, revelam.

Veja o documento enviado ao Governador:

Ao Governador de Alagoas Renan Filho

Maceió, 17 de junho de 2020.

Ao Excelentíssimo Governador do Estado de Alagoas, Sr. José Renan Vasconcelos Calheiros Filho

Assunto: Posicionamento do Movimento Sindical e Movimentos da Sociedade Civil sobre os procedimentos do Governo de Alagoas diante da Pandemia do novo Coronavírus (SARSCOV-2) em nosso estado.

Ao tempo em que cumprimentamos o Exmº Srº. Governador apresentamos os seguintes considerando:

1. Considerando a curva em ascensão da pandemia em Alagoas, registrada pelo SUS, com aumento de pacientes com testes positivos para novo coronavírus, e de óbitos causados pela infecção do COVID-19, verificada a cada divulgação de um novo Boletim Epidemiológico da pandemia no nosso Estado e os recordes de novos casos de pacientes infectados.

2. Considerando a diminuição expressiva de disponibilidade de leitos hospitalares e de UTI na Rede de Saúde, devido ao grande aumento de pessoas doentes internadas ocupando os leitos públicos e privados, criados para atender aos suspeitos e confirmados de COVID-19, incluindo leitos de UTI, leitos intermediários e enfermaria.

3. Considerando que a testagem da população para o SARS-CoV-2 é ínfima no país, com a pior taxa internacional entre os países mais afetados pela pandemia. Esse fato se repete em Alagoas, o que prejudica a mensuração correta de infectados, e esta grande subnotificação prejudica o dimensionamento da real e trágica realidade, assim como atrapalha o planejamento de ações para enfrentar a crescente gravidade da pandemia em nosso estado.

4. Considerando que cidades brasileiras onde recentemente foram implantadas as flexibilizações dos protocolos de prevenção e enfrentamento da pandemia, rapidamente vivenciaram a aceleração da propagação da infecção do COVID-19, em até três vezes o volume de casos, em poucos dias, e apresentam atualmente graves problemas de sobrecarga e colapso de serviços de saúde. E que esse retrocesso obrigou a urgente adoção de novas medidas mais rígidas para o comércio e empresas e o retorno aos protocolos adotados em meses anteriores.

5. Considerando que a referida curva de contaminação e infecção por COVID-19 está ascendente em Alagoas, propagando-se rapidamente nas periferias de Maceió e nas cidades do interior, atingindo a população com maior vulnerabilidade social;

Entendemos que não há possibilidade de se propor redução no isolamento social neste momento. E externamos formalmente o nosso posicionamento contrário aos novos protocolos anunciados pelo Governo de Alagoas, para retorno de atividades de diversos setores da economia, frente à pandemia do novo coronavírus e da COVID-19 e a ausência de medidas de proteção à classe trabalhadora.

Outrossim solicitamos do Governo do Estado de Alagoas a adoção das seguintes medidas:

I. Solicitamos a ampla divulgação junto à sociedade civil de estudo técnico-científico, que aborde os aspectos da saúde pública, com o conjunto de indicadores que permitam acompanhamento imediato das tendências da epidemia, sendo importante verificar tanto os registros confirmados de infecção por COVID-19, quanto os de Síndrome Respiratória Aguda, assim como a capacidade de atendimento do SUS a essa crescente demanda. Além destes dados de saúde pública é fundamental que sejam monitorados os dados de Assistência Social, tanto dos programas já existentes quanto o recente Auxílio Emergencial. E ainda a implantação de medidas anunciadas de apoio às empresas, especialmente pequenas e médias. É necessário ainda um diagnóstico sobre os impactos da crise econômica que já estava estabelecida e que se agravou com a pandemia, identificando as principais cadeias produtivas de Alagoas. A produção desses relatórios, diagnósticos, bem como a análise de trabalhos científicos já existentes como o do Observatório de Enfrentamento ao COVID-19, devem subsidiar a organização de reuniões periódicas de debates e esclarecimentos entre o Comitê Científico que assessora o Gabinete de Crise com as entidades da sociedade civil, em especial o movimento sindical e movimentos populares para que sejam debatidas as medidas adequadas para enfrentamento dos aspectos de saúde, seguridade social, assistência social, psicossociais e econômicos causados pela pandemia. Solicitamos que estas reuniões sejam semanais.

II – Em paralelo é necessário o planejamento para uma retomada segura das atividades econômicas e maior convívio social, para ser executado quando for comprovadamente possível, diante da posição das autoridades científicas e sanitárias. Reivindicamos que as medidas de segurança do trabalho para a nova realidade imposta pela pandemia sejam discutidas amplamente com as representações do Movimento Sindical e Movimentos Populares. Entre essas medidas desde já apresentamos algumas propostas e reivindicações:

A. Definição de protocolos para prevenção à pandemia e biossegurança nos ambientes de trabalho, atendendo às especificidades das áreas, e de acordo com o grau de risco daquela atividade. Esses protocolos devem ser definidos de forma técnica pelos órgãos competentes, com participação da representação sindical.

B. Obrigatoriedade de instalação de Comissões de Biossegurança nas empresas com maior número de trabalhadores contratados que atuarão em conjunto com CIPAs para instalação de novos procedimentos de segurança e prevenção de propagação do novo coronavírus.

C. Fortalecimento da Vigilância Sanitária e dos órgãos e setores que fiscalizam as condições de saúde e segurança do trabalho, para que seja desencadeada uma forte fiscalização das empresas que deverão adaptar-se a novas normas técnicas para garantir que os protocolos de prevenção à pandemia sejam adotados, exigindo-se a obrigatoriedade de EPIs, a adaptação dos espaços físicos, a implantação de rotinas de higienização e distanciamento, etc.

D. Fiscalização e controle dos transportes coletivos em Alagoas, que já são precários e circulam com excesso de passageiros, provocando aglomerações. As autoridades precisam abordar com urgência a situação dos transportes públicos, visto que medidas de segurança sanitária são fundamentais nos veículos, para reduzir e conter o contágio nesses ambientes, que certamente são muito estratégicos em se tratando de uma pandemia.

III – No que diz respeito à crise econômica agravada pela pandemia, e suas nefastas consequências para a classe trabalhadora, entendemos que há medidas viáveis políticas e econômicas, que devem ser adotadas tanto nas instâncias federal, estaduais, como municipais, para apoio aos trabalhadores e cadeias produtivas, entre estes apontamos:

A. Suspensão do pagamento dos serviços da dívida pública federal e alocação de recursos para o enfrentamento da pandemia;

B. Estímulos monetários (redução de taxas de juros, outros); operações e financiamento de liquidez (empréstimos maiores com melhores condições, outros); estímulo fiscal, recursos para auxiliar a população mais vulnerável e proteger empregos, renúncia às metas fiscais pelo governo e liberações de novos recursos;

C. Suspensão das isenções e renúncias fiscais realizadas pelo Governo Estadual, auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública;

D. Utilização dos recursos do FECOEP para medidas de apoio emergencial aos trabalhadores, voltando-se para as cadeias produtivas onde predominam o trabalho precário, a baixa renda e demais fatores de vulnerabilidade social;

E. No âmbito da política legislativa, priorizar a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, taxação do Capital improdutivo rentista, entre outras medidas de justiça tributária e busca de equilíbrio fiscal sem penalizar a classe trabalhadora em particular os segmentos de menor renda.

F. Ampliar a articulação entre bancada de parlamentares federais, estaduais e municipais, com os Executivos, Ministério Público, Judiciário, e a sociedade civil organizada, para que sejam planejadas e executadas novas medidas diante da complexidade de problemas que a pandemia agrava e traz à tona.

Pelo exposto, notificamos o seguinte, que a angústia dos efeitos da crise econômica aflige tanto aos empresários como aos/às trabalhadores/as, contudo, a defesa da saúde e da vida vem em primeiro lugar. Até porque a retomada da economia só será efetiva se tiver por base a recuperação da renda da classe trabalhadora, único meio seguro de promover a recuperação do consumo e da produção.

Infelizmente o avanço da pandemia é um fato em Alagoas, inclusive pelo não cumprimento das medidas decretadas de isolamento social, muito motivada pela omissão dos poderes quanto à sua efetivação, especialmente a ausência de medidas básicas, como por exemplo a regularidade do fornecimento de água potável encanada nas periferias urbanas e áreas rurais. Assim, recai, o peso da cobrança de responsabilidade aos agentes públicos pela inépcia diante da dramaticidade da pandemia.

Desde já, gratos pela atenção, contamos com o apoio de Vossa Excelência e renovamos os nossos elevados préstimos de estima e consideração.

Cordialmente,

CUT/AL – Central Única dos Trabalhadores

NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CSP Conlutas – Central Sindical e Popular FORÇA SINDICAL

FETAG/AL – Federação Dos Trabalhadores Rurais Na Agricultura

FETAN – Federação dos Trabalhadores da Administração e Serviços Públicos Municipais do Estado de Alagoas

FETAR – Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados de Alagoas

SASEAL – Sindicato Dos Assistentes Sociais De Alagoas

SEEB – Sindicato Dos Bancários De Alagoas.

SINEAL – Sindicato Dos Enfermeiros De Alagoas.

SINDACS – Sindicato Dos Agentes Comun. de Saúde/AL.

SINDVIGILANTES – Sindicato Dos Vigilantes De Alagoas.

SINTEAL – Sindicato Dos Trab. Em Educação De Alagoas.

SINTECT – Sindicato Dos Trabalhadores Correios E Telégrafos Em Alagoas.

STIEUA – Sindicato Dos Urbanitários De Alagoas.

SINDPREV – Sindicato Dos Trabalhadores Em Seguridade Social De Alagoas

SINDGUARDA – Sindicato Dos Guardas Civis Municipais De Maceió

SINDSPREF – Sindicato Dos Servidores Públicos Municipais De Maceió.

SINDSAÚDE – Sindicato Dos Servidores Da Saúde

SINSDAL – Sindicato Dos Servidores Do Detran/AL

SINDMETAL – Sind. Dos Metalúrgicos De Alagoas

SINDCONTAS – Sindicato Dos Trabalhadores Do Tribunal De Contas

SINTTRO – Sindicato Dos Trabalhadores Em Transporte Rodoviário Em Alagoas.

SINSUNCISAL – Sind. Serv. Púb. Da Universidade Estadual De Ciências Da Saúde De AL.

SINTESFAL – Sindicato Dos Trabalhadores Em Entidades Sindicais, Órgãos Classistas E Federações De Alagoas.

STICMAL – Sindicato Dos Trab. Nas Indústrias De Construção E Do Mobil. De Alagoas

SINDNUTAL – Sindicato Dos Nutricionistas De Alagoas

SINTIETFAL – Sindicato dos Servidores Públicos Federais da Educação Básica e Profissional no Estado de Alagoas

SINDIPETRO AL/SE – Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe

SINDJORNAL – Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas

SINTUFAL – Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas

ADUFAL – Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas

SINDJUS- Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal em Alagoas

CATT – Coletivo de Apoio às Trabalhadoras e Trabalhadores

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Fonte: Assessoria

 
 
 

Fiocruz firmará acordo para produção de vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford

Compromisso com a biofarmacêutica AstraZeneca, que detém licenciamento da vacina, foi assumido pelo Ministério da Saúde e a Casa Civil da Presidência da República, e permitirá transferência de tecnologia da vacina desenvolvida pela universidade

↑ (Foto: Josué Damacena/FioCruz)

AFundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmará acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. O acordo será resultado da cooperação entre o governo brasileiro e a biofarmacêutica, anunciado neste sábado (27/6) pelo Ministério da Saúde.

Trata-se de uma encomenda tecnológica em que a instituição adquire o produto antes do término dos ensaios clínicos previstos, em função do movimento global de mobilização e para aquisição de vacinas. O acordo com a biofarmacêutica prevê duas etapas de produção. A primeira consiste na produção de 30,4 milhões de doses antes do término dos ensaios clínicos, o que representaria 15% do quantitativo necessário para a população brasileira, ao custo de 127 milhões de dólares. O investimento inclui não apenas os lotes de vacinas, mas também a transferência de tecnologia para que a produção possa ser completamente internalizada e nacional.

“A produção dessa vacina é mais uma importante iniciativa da Fiocruz, que, combinada a outras ações, poderá contribuir para o enfrentamento da pandemia de Covid-19. Como instituição estratégica do Estado brasileiro, carregamos 120 anos de experiência e atuação na saúde pública. Num momento como esse, de emergência sanitária, já temos uma infraestrutura robusta e com capacidade produtiva para incorporar novas tecnologias e introduzir novas vacinas rapidamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso é resultado direto desse acúmulo e de todo o investimento que se fez na Fiocruz nos últimos anos, especialmente na atualização de seu parque tecnológico”, destaca a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

A expectativa da AstraZeneca é de que um primeiro lote, com 15,2 milhões de doses possa ser produzido até dezembro de 2020 e outro lote, com as 15,2 milhões de doses restantes possa ser entregue em janeiro de 2021. Após essa produção, ainda seriam necessárias etapas de registro e validação, antes de uma possível distribuição.

Nesse momento, a Fiocruz já teria capacidade de executar todo o processamento final da vacina, a partir do recebimento do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da AstraZeneca, contemplando as etapas de formulação, envase, rotulagem, embalagem e controle de qualidade. Em paralelo, a Fundação deverá fazer as adequações necessárias em suas instalações para incorporar a produção do IFA, de modo a se tornar autossuficiente em todas as fases do processo. A previsão é de que a incorporação completa do IFA possa ser concluída nos primeiros meses de 2021.

Ao término dos ensaios clínicos e com a eficácia da vacina comprovada, o acordo prevê uma segunda etapa, com a produção de mais 70 milhões de doses, ao preço de custo de 2,30 dólares por dose.

“Caso a vacina se mostre realmente eficaz, por sermos uma referência na região e termos larga capacidade produtiva, o acordo com a AstraZeneca ainda nos coloca a possibilidade de sermos responsáveis pelo fornecimento da vacina para a América Latina”, acrescenta a presidente da Fiocruz.

Por designação do Ministério da Saúde, como a instituição com capacidade de avaliar tecnologias, a Fiocruz vem realizando análises prospectivas de diversos projetos de vacinas que estão sendo desenvolvidos pelo mundo nos últimos meses, considerando também os riscos associados a cada uma delas.

“Nosso foco tem sido em vacinas em estágio mais avançado, com potencial tecnológico para atender às demandas do Ministério da Saúde e que utilizem plataformas que possam vir a ser reaproveitadas para outras emergências. A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford atende a esses critérios. Isso significa que, como não estamos apenas comprando os lotes de vacinas e sim internalizando a produção, caso ela não se mostre eficaz após os ensaios clínicos, ainda assim poderemos aproveitar essas novas plataformas tecnológicas adquiridas e aprimoradas para outras linhas de produção”, comenta o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger.

40 milhões de doses mensais

A Fiocruz tem capacidade de atuar imediatamente nas etapas de formulação e processamento final da vacina, por meio de seu Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) podendo chegar a produção de 40 milhões de doses mensais sem prejudicar qualquer outra linha de produção atual, considerando a estrutura já instalada e o aumento da produtividade, calculado por meio do estabelecimento de novos turnos de trabalho e do rearranjo das atividades produtivas.

Segundo o diretor de Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma, “o estabelecimento do acordo pelo governo brasileiro é fundamental para garantir a disponibilidade de doses para o país tão logo se chegue ao registro da vacina. E Bio-Manguinhos possui competência tecnológica e capacidade industrial para abastecer o SUS rapidamente e incorporar a tecnologia, de modo a garantir a soberania nacional em relação a este imunobiológico essencial para o combate à pandemia”.

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford foi desenvolvida através da plataforma tecnológica de vírus não replicante (a partir do adenovírus de chimpanzé, obtém-se um adenovírus geneticamente modificado, por meio da inserção do gene que codifica a proteína S do vírus SARS-COV-2). Embora seja baseada uma nova tecnologia, esta mesma plataforma já foi testada anteriormente para outras doenças, como por exemplo nos surtos de ebola e MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio causada por outro tipo de coronavírus), e é semelhante a outras plataformas de Bio-Manguinhos/Fiocruz, o que facilita a sua implantação em tempo reduzido.

Atualmente, a instituição atende às demandas do Programa Nacional de Imunização (PNI/MS) com o fornecimento de 7 vacinas, que imunizam contra 8 doenças – febre amarela, pneumonia, poliomielite, rotavírus, sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Vacina está em estudo no Brasil

Considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos projetos mais promissores até o momento, a vacina está em fase 3 dos ensaios clínicos, que é a última etapa de testes em seres humanos para determinar sua segurança e eficácia.

Estudos preliminares das fases 1 e 2 demonstraram que a vacina apresenta respostas imunológicas promissoras. Na fase 3, a vacina tem sido testada em diversos países. No Brasil, o protocolo prevê 2 mil participantes recrutados em São Paulo, pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp); e no Rio de Janeiro, pelo Instituto D’Or. O estudo avalia o chamado “esquema vacinal”: um grupo recebe uma dose da vacina e outro recebe duas doses, sendo a segunda dose administrada 4 semanas após a primeira. O estudo deve ser ampliado no Brasil para 5.000 participantes. Há uma expectativa de que já hajam resultados preliminares dessa fase em outubro ou novembro deste ano.

Especialistas avaliam que a realização de estudos clínicos no país será muito importante para determinar a eficácia da vacina na população brasileira.

“A população brasileira tem características próprias e temos avançado muito na pesquisa clínica. É importante testarmos as vacinas considerando tanto as variações genéticas da nossa população, como as variantes de vírus que têm circulado no país. Isso vai nos garantir uma segurança muito maior do que se tivéssemos incorporando uma vacina testada em outras condições e com outro perfil de população”, comenta Krieger.

Desenvolvimento de vacina nacional

A Fiocruz atua também em outras iniciativas na busca por um imunizante, como em seus dois projetos de desenvolvimento:

– Vacina sintética, com base em peptídeos antigênicos de células B e T – ou seja, com pequenas partes de proteínas do vírus capazes de induzir a produção de anticorpos específicos para defender o organismo contra agentes desconhecidos – neste caso, o Sars-CoV-2; e

– Vacina com a plataforma de subunidade (que utiliza somente fragmentos de antígenos capazes de estimular a melhor resposta imune), que testa diferentes construções da proteína S, a principal proteína para a ligação do vírus Sars-CoV-2 nas células do paciente, responsável pela geração de anticorpos protetores/neutralizantes.

Além disso, a Fiocruz está desenvolvendo uma vacina, que utiliza o vírus da influenza como vetor vacinal para gerar resposta imunológica. Com esse processo, uma das possibilidades é desenvolver uma vacina bivalente, que possa ser usada contra influenza e contra o novo coronavírus.

Essas ações dão materialidade ao papel estratégico da instituição pública no estabelecimento da autossuficiência nacional na produção de insumos para a saúde.

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Fonte: Agência Fiocruz

Justiça do Trabalho determina funcionamento do Comércio no dia 29 de junho

Decisão normaliza trabalho no setor produtivo nesta segunda-feira, 29 de junho, Dia de São Pedro.

↑ Comércio de Maceió (Foto: Assessoria Fecomércio AL)

AAssociação Comercial de Maceió informa que conquistou na Justiça do Trabalho nesta sexta-feira (26) decisão que normaliza o trabalho no setor produtivo nesta segunda-feira, 29 de junho, Dia de São Pedro.

A Presidente do TRT da 19ª Região, Desembargadora Anne Inojosa, acolheu o pedido liminar da ACM, destacando em sua fundamentação, que “não poderia ser estabelecido como feriados os dias 24 e 29 de junho, datas comemorativas estabelecidas pelas leis estaduais 5.508/93 (Dia de São João) e 5.509/93 (Dia de São Pedro), muito menos estes serem impostos à iniciativa privada”, conforme Lei Federal 9.093/95.

O mandado de segurança (n. 0000170-21.2020.5.19.0000) esclarece que esses feriados somente se aplicam aos Órgãos e Entidades da Administração Pública Estadual do Poder Executivo, como previsto no próprio Decreto Estadual 68.782/2019.

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Fonte: Assessoria

 
 
 

Ensino virtual é desafio para pais e alunos

Reclamações vão desde problemas de conexão à falta de habilidades com a tecnologia para entender o assunto

↑ Víctor de Oliveira se sente intimidado em interagir, mas tem correspondido aos desafios, segundo o pai (Foto: Edilson Omena)

Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a rotina escolar de crianças, adolescentes e adultos teve que ser mudada. No início, em Alagoas, a alternativa foi suspender as aulas. Depois, sem data para retomada das atividades presenciais, as aulas voltaram por meios remotos. No entanto, para grande parte dos alunos e pais não está sendo fácil.

Maria Lúcia Ricardo, mãe de Vinícius Ricardo, 13 anos, aluno do 7° ano de uma escola particular de Maceió, conta que o filho tem algumas dificuldades.

“A maioria dos segmentos teve que se reinventar. E por ser novidade, existem algumas dificuldades. As aulas remotas são desafios diários: é a aula que trava, é o barulho dos colegas ao perguntar ou responder algo para o professor, é a dificuldade de conseguir o acesso a aula – permissão para participar”, conta Maria Lúcia acrescentando que  os desafios também são enfrentados principalmente pelos pais, que devem conseguir transmitir de uma forma mais clara o conteúdo para os filhos, quando eles não conseguem assimilar na aula online.

A mãe de Vinícius diz ainda que ele reclama quando a aula trava e dificulta o entendimento do conteúdo. Assim como, quando tenta falar algo para o professor e não consegue ser ouvido, por conta dos outros colegas que também estão tentando falar.

Ela explica que entende que a escola vem buscando se adaptar a esse novo cenário e utiliza todas as ferramentas de comunicação possíveis.

“Há professores que possuem uma facilidade maior em transmitir o conteúdo e ser entendido, mesmo em tempos de aula remota. Por outro lado, há assuntos que, por si só, são mais densos e difíceis de serem transmitidos. O que seria mais fácil, se fosse ministrado presencialmente, e o aluno pudesse questionar o professor e levantar suas dúvidas. Nós pais devemos reconhecer que existe um esforço muito grande, por muitos professores, ao preparem videoaulas, uma vez que, muitos deles não tinham familiaridade com a tecnologia’’, diz.

Os pais de Víctor Silva de Oliveira, 11 anos, aluno do 6° ano de uma outra escola particular na capital, Adriana de Oliveira e Herrison Antônio de Oliveira também relatam as dificuldades. Para eles, seria a falta de disciplina de estudo e de intimidade com esse modelo de ensino-aprendizado.

“São vários problemas, desde a conexão à falta de habilidades tanto dos professores quanto dos alunos com esse novo meio. Não há parâmetros pra medir a eficiência dessa forma de ensino. As aulas são cansativas, maçantes, na opinião dele. Sente-se intimidado em interagir, não consegue se entusiasmar. É o outro lado da moeda. A internet costuma ser um meio de entretenimento mais do que aprendizado formal, propedêutico. Mas ele tem correspondido aos desafios. Falta só um pouco mais de entusiasmo’’, conta o pai.

Assim como Maria Lúcia, Henrisson e Adriana também avaliam que a escola e os professores estão tentando se adaptar. “Eles têm se esforçado muito. Mas há muito o que se fazer, principalmente ante a uma realidade tão inesperada. Mas estamos sossegados por acreditarmos no empenho e no compromisso da escola. Os professores parecem viver um dos maiores desafios profissionais. É o que se pode dizer: têm que se reinventar. Vivem a insegurança de produzir um trabalho para o qual não foram exatamente preparados. Mas são dedicados e comprometidos e isso é bom”.

“A palavra de ordem é reinventar’’, afirma coordenadora pedagógica

Para os professores,  a palavra de ordem é reinventar, disse a coordenadora pedagógica geral do Colégio Santíssimo Senhor, Polyana Alécio.  De fato,  muitos deles precisaram lidar com situações que não estavam acostumados, como gravar vídeos ou dar as aulas online. Mesmo com essa nova rotina de trabalho, estão atentos às novas tendências da educação.

Polyana Alécio pontua que o momento está sendo um grande desafio e pegou todos de surpresa. “Mudou radicalmente tudo o que tínhamos planejado para 2020. O colégio buscou e busca o tempo inteiro se reinventar e acompanhar, da melhor maneira possível todas as situações que envolvem este momento. A nossa maior preocupação é sempre com o desenvolvimento e o aprendizado de nossos alunos. Temos uma equipe preparada para atender os alunos e as famílias, da melhor maneira possível’’, ressalta.

Polyana diz ainda que, entre as dificuldades, a principal delas está ligada ao acesso dos alunos à tecnologia, ou mesmo à internet, mas as famílias estão dedicadas e buscando se adequar.  E relata que é extremamente importante, a parceria com as famílias, que têm tido papel fundamental em todo este processo, porque no momento, os professores se tornaram mediadores e os familiares estão em casa acompanhando cada passo dos alunos.

A profissional conta que no começo as dificuldades eram maiores, tanto para alunos e familiares quanto para os professores e toda a equipe, mas agora todos estão melhor adaptados e mais tranquilos.

“É uma situação atípica e precisamos, realmente, nos adaptar. Foi preciso modificarmos todo o planejamento para que as aulas remotas fossem adequadas a esta nova realidade e os alunos tivessem um melhor aproveitamento. A equipe pedagógica está sempre fazendo encontros para tratar sobre os ajustes do planejamento e esse novo formato. Os nossos alunos são tratados de maneira individualizada, quando necessário. É importante frisar que esse momento requer cuidados relacionados ao emocional e que estamos atentos aos nossos alunos, professores e familiares’’.

SINPRO

O Sindicato dos Professores de Alagoas (Sinpro-AL), diz que os desafios encontrados por todos os professores, instituição e alunos são inúmeros, desde a montagem da aula online até o contato direto com as plataformas utilizadas. E os profissionais estão com sobrecarga de trabalho.

“É um espaço que antes não era conhecido pelos docentes. Além disso, têm as dificuldades de cobranças. Muita gente quer que seja reproduzido o que seria em sala de aula presencial, e isso é impossível. Essas aulas estão de forma remota e as instituições estão fazendo o mais parecido possível com o presencial. Muitas dessas aulas ficam gravadas porque às vezes o aluno não consegue entrar no horário. Até porque têm os casos de ter dois ou mais irmãos em casa. Ou seja, é tudo muito novo’’, comenta o professor Fernando Cedrim, presidente em exercício do Simpro/AL.

Cedrim conta ainda que existe relatos de professores que estão mais ansiosos e que de fato aumentou a carga de horário. “Tem professor que está trabalhando o dobro e até o triplo do que trabalhava antes, porque o tempo para fazer o planejamento dessas aulas são maiores. Eles têm que preparar material escrito, online, vídeos – se gasta muito tempo. E muitas vezes em locais que não têm o silêncio necessário e as adequações. E muitas vezes os pais acompanham e sente as dificuldades também. Tudo foi feito de forma imediata. Algumas instituições passaram até um certo período, até conseguíamos fazer essa adequação. Os professores trabalham em seu horário, mas antes tinha professor tirando dúvidas 10h da noite, imagine? Ele tem que cumprir no horário que ele tinha na instituição, isso cessou um pouco, mas a sobrecarga ainda é grande’’.

O presidente diz que teme por conta da ansiedade que pode causar as doenças ocupacionais. “Os professores estão mais tensos. Muitas instituições fazem cobranças excessivas justamente por esse momento novo. Os pais não querem pagar a mensalidade, o que acaba prejudicando as escolas – que atrasam os docentes e vem a incerteza do emprego. É muito difícil. É um momento que todos têm que se unir e vencer esse momento para quando voltarmos conseguir ter o mínimo de prejuízos”.

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Fonte: Tribuna Independente / Texto: Lucas França

Caderneta agroecológica empodera mulheres da agricultura em Alagoas

Com quintais produtivos, elas ganham reconhecimento e elevam a autoestima com o instrumento político-pedagógico   

↑ Cadernetas foram inseridas nos municípios de alagoanos de Água Branca, Inhapi, Batalha e Arapiraca

Agricultoras familiares de pelo menos quatro municípios de Alagoas foram beneficiadas a partir da utilização de Cadernetas Agroecológicas, um instrumento político-pedagógico, que tem elevado à autoestima delas e gerado reconhecimento dentro e fora de casa. Este é um dos projetos apoiados pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) com a interligação do Programa Semear Internacional.

A ideia é bem simples, e tem gerado resultados surpreendentes no estado e no restante do país. Com uma caderneta de quatro colunas as mulheres brasileiras que trabalham na agricultura familiar, registram o quanto de sua produção é vendida, distribuída, trocada ou consumida.

A caderneta trouxe impactos positivos de longo alcance na vida de centenas de mulheres rurais, mudando a forma como elas e seus parceiros valorizam sua própria produção e até mesmo ajudando-os a se beneficiarem de políticas governamentais destinadas à agricultura familiar.

Para se ter uma ideia do avanço por meio do mecanismo, a coordenadora de Direito das Mulheres da ONG ActionAid no Brasil, Ana Paula Ferreira, ressalta que algumas delas até já passaram a emprestar dinheiro para o marido, após organizar a grana da venda dos produtos por meio das cadernetas.

Caderneta fortalece trabalho e conscientização da contribuição para a economia brasileira (Foto: Lianne Milton)

“Ao ter noção das suas produções, muitas mulheres conseguiram até aumentar a colheita, se dedicaram mais aos quintais e passaram a ser vistas como empreendedoras”, afirmou. “As cadernetas partem de um princípio muito simples, mas capaz de uma grande mudança na vida das pessoas”, observou Ana Paula.

“Muita gente imagina o feminismo como algo teórico. Mas não é. A caderneta agroecológica, por exemplo, é um método de valorizar o trabalho das mulheres, de formação e empoderamento”, emendou.

Ana ressaltou também que o patriarcado se adéqua a qualquer lugar, no entanto no meio rural é algo muito forte, que limita até o direito de ir e vir, primeiro pela questão do transporte, e depois porque os homens se colocam no direito de organizar a vida das mulheres, onde elas podem ir. “Ao se afirmarem como geradoras de renda, elas passam a poder negociar em casa o que será feito com o dinheiro”, finalizou.

Contribuição das mulheres não é apenas monetária

“Se antes, elas se consideravam donas de casa porque cuidavam da casa e dos quintais, mesmo que trabalhassem diariamente na lavoura, agora elas reconhecem e tem orgulho de dizer que são trabalhadoras”, explicou.

A pesquisa reforçou que o início da atuação das agricultoras e do trabalho em rede das várias organizações no Brasil por meio das Cadernetas, só foi possível, graças à execução de políticas públicas do Governo Federal, como a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e as chamadas de ATER Agroecologia.

CAPACITAÇÕES

Cláudia Yoná, – consultora em Desenvolvimento Rural Sustentável no estado de Alagoas, que participou da primeira etapa do intercâmbio em Recife e da segunda em Salvador, e posteriormente multiplicou as informações repassadas para 17 agentes de ATER, – explicou que a capacitação foi de fundamental importância.

“As Cadernetas Agroecológicas são instrumentos utilizados pelas agricultoras para o empoderamento da sua produção”, reforçou. “Fiz o intercâmbio e multipliquei com os agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural, agora, temos agricultoras familiares dos municípios alagoanos de Água Branca, Inhapi, Batalha, Arapiraca, utilizando o mecanismo a partir da capacitação que fizemos entre 2018 e janeiro de 2020”, salientou.

Na visão de Cláudia Yoná, a inovação se deve graças aos intercâmbios multiplicados pelos agentes de ATER do Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater/AL), que realizam um trabalho fundamental de acompanhamento do uso das Cadernetas Agroecológicas junto às agricultoras. “Esses agentes de ATER também têm a missão de acompanhar e monitorar esses mecanismos que geram reconhecimento e elevam a autoestima dessas mulheres rurais”, concluiu.

‘Vamos Subir a Serra’

Evento fortalece comercialização de produtos em comunidades quilombolas

Os eventos, estudos e disseminação de boas práticas acontecem no Brasil e em países da América Latina por meio da gerência de Cooperação Sul-Sul. Em Alagoas, um grande evento ocorreu em novembro de 2019, para apoiar ações de inclusão produtiva dos povos e comunidades tradicionais, nos mercados institucionais e privados. O “Vamos Subir a Serra” contou com a realização de um seminário para fortalecer as ações de comercialização dos produtos das comunidades quilombolas, com foco na agregação de valor quanto à origem, para 50 comunidades quilombolas.

Aline Martins, gerente de Gestão do Conhecimento do Programa Semear, explicou que a atuação é realizada exclusivamente para o auxílio no desenvolvimento dos seis projetos apoiados pelo FIDA no Brasil, ficando mais fácil definir o público das atividades e promover a melhor vivência para eles.

“Uma das metas do projeto é consolidar a data comemorativa ao dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, em um calendário de maior relevância nacional, com uma série de atividades específicas e inovadoras elaboradas para dar evidência ao episódio histórico da luta pela liberdade no solo sagrado do Quilombo dos Palmares”, mencionou.

Assim, a Secretaria Nacional de Agricultura Familiar e Cooperativismo, por meio do Departamento de Estruturação Produtiva e Superintendência Federal da Agricultura no estado de Alagoas contou com o apoio do Programa Semear Internacional para realizar este importante evento, contribuindo para geração de renda e acesso a informações de políticas públicas aos agricultores familiares tradicionais.

No dia 15 de novembro do mesmo ano foi realizado no evento um seminário sobre políticas públicas para comunidades quilombolas, na oportunidade o PSI compôs a mesa de debates e apresentou as ações voltadas para este público e sobre o trabalho desenvolvido no semiárido juntamente com os projetos apoiados pelo FIDA e apresentou o documentário “Rita Preta” que conta a história da comunidade quilombola do Talhado na Paraíba.

FORTALECIMENTO

Aline Martins reforçou que as atividades em torno da agricultura têm acontecido para fortalecer os sistemas agroecológicos, a auto-organização e autogestão das associações de agricultores e agricultoras familiares.

Segundo ela, entre os principais eixos do trabalho estão: agroecologia, tecnologias sociais, uso e reuso de águas, promoção da equidade de gênero, desenvolvimento rural sustentável, acesso a mercados públicos e privados, comercialização dos produtos, desigualdade entre as mulheres rurais, entre outros.

Semear realiza intercâmbios e seminários, além de eventos abertos ao público

Em quase três anos desta versão, o Programa Semear Internacional realizou diversos eventos, intercâmbios, seminários, formações, sistematização de experiências de sucesso e publicações em diversos segmentos, além de produção de materiais de comunicação social como vídeos para levar informação para os beneficiários do programa.

Em Alagoas, o FIDA atua por meio do Projeto Dom Helder Câmara II, um acordo de financiamento com o Governo Federal, tendo como objetivo contribuir para a melhoria sustentável das condições sociais e econômicas das famílias que vivem em condição de pobreza ou extrema pobreza no Semiárido. Atualmente 2.101 famílias são atendidas em 43 municípios, beneficiando 9.700 pessoas. A meta de atendimento do projeto no estado é de 3.768 famílias em 47 municípios.

Em sua segunda fase, o projeto está beneficiando agricultores dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe (Nordeste), Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste).

Técnicos da Emater apresentaram caderneta às mulheres do campo

Experientes, engenheiros agrônomos e técnicos de agropecuária foram escolhidos para conhecer o programa e serem capacitados para uma importante missão: apresentar as cadernetas agroecológicas às mulheres agricultoras participantes do Projeto Dom Elder Câmara, orientando-as no preenchimento e acompanhando-as no dia a dia da produção de suas lavouras.

Após aceitarem o convite para participar da capacitação sobre a utilidade e a importância das cadernetas agroecológicas para as mulheres que trabalham na agricultura familiar, Taciana Salvador, Gleice Pires, Rosângela Marcolino e Isaquiel Dias partiram rumo ao campo para multiplicar conhecimento, aplicar a caderneta, incentivar o empoderamento feminino e elevar a autoestima das mulheres agricultoras.

O ponto de partida foi à aplicação do questionário com a agricultora, uma espécie de entrevista sobre o produto que cultiva, a área da propriedade, a quantidade de membros da família, e outros pontos inerentes ao questionário. Tudo foi abordado na primeira visita, quando as mulheres também foram apresentadas a caderneta agroecológica e receberam todas as orientações para começar a preenchê-la.

Engenheira agrônoma Taciana Salvador aplica questionário com Dona Aparecida, agricultora beneficiada (Foto: Arquivo Pessoal)

Embora cada profissional acompanhe uma agricultora diferente nessa orientação constante, em municípios distintos de Alagoas, os relatos são semelhantes: todos destacam a importância do preenchimento da caderneta não só para a mulher agricultora, mas também para toda a família, e ainda ressaltam a diferença que uma ferramenta “tão simples” faz na organização financeira familiar.

Na caderneta, a agricultora anota todos os produtos que vende, consome, troca e doa, com suas respectivas quantidades e valores unitários e totais. No final do mês, elas enviam os dados para os técnicos que as acompanha, que por sua vez, fazem a tabulação e a consolidação dos números. O programa tem a previsão de duração de 12 meses, com possibilidade de prorrogação.

“Elas registram tudo na caderneta, mesmo aquilo que é consumido pela família, tudo é calculado como se fosse vendido. Dessa forma, as agricultoras têm a noção do quanto está sendo gasto e do quanto elas têm de lucro”, esclareceram os técnicos entrevistados pela reportagem.

Taciana de Lima Salvador é engenheira agrônoma, com mestrado e doutorado, e acompanha uma agricultora no município de Tanque D’Arca. Para ela, a caderneta mostra para as mulheres a importância que elas têm no sustento e na economia da família.

“Às vezes a mulher não tem noção da importância delas e não param pra pensar que tem uma participação grande na produção e no cultivo dos produtos agrícolas. A minha agricultora, dona Aparecida por exemplo, já ajudava o esposo e a filha, e agora ela contabiliza tudo como se fosse vender, para saber que tudo tem valor, até mesmo quando é feita uma doação”, explicou.

Agricultora Aparecida se diz feliz em participar do projeto da Caderneta agroecológica (Foto: Arquivo Pessoal)

A engenheira agrônoma destaca que a organização a partir da caderneta ajuda também no planejamento da produção dos alimentos cultivados. “Se no mês dona Aparecida colhe 10 molhos de coentro, por exemplo, com o registro das informações ela pode perceber que se investir mais em irrigação e num canteiro maior, ela vai produzir mais, vender mais e também doar mais”, pontuou Taciana Salvador, acrescentando que a caderneta agroecológica permite essa visão empreendedora que beneficia não só a mulher, mas toda a família.

Gleice Pires, que também é engenheira agrônoma, acompanha a agricultora Jaqueline, no município de Jacaré dos Homens, que trabalha com horticultura. Para Gleice, a caderneta agroecológica é importante para dar visibilidade às mulheres dentro da economia familiar. “A gente observa que a prática de fazer o registro não é comum, as famílias não adotam, mas é importante pra que tenham uma visão de tudo que eles produzem e o que isso representa em dinheiro e lucro no final do mês”, ressaltou. Na opinião da engenheira agrônoma, a caderneta é uma ferramenta importante de gerenciamento da renda familiar. “Agora ela [a agricultora] entende o compromisso de registrar as informações e reconhece que aquilo é o negócio da família”, salientou Gleice.

CAPACITAÇÃO

A engenheira agrônoma Rosângela Marcolino Duarte, que presta assistência técnica a uma agricultora no município de Delmiro Gouveia, contou que a capacitação da cartilha foi extremamente importante porque deu aos profissionais o direcionamento necessário para desempenharem o trabalho com as mulheres agricultoras que iam fazer parte do projeto da caderneta agroecológica.

“Achei a proposta muito boa. É um projeto bastante interessante e uma oportunidade muito boa para a agricultora fazer o acompanhamento da sua produção por meio das anotações e saber no final do mês quanto se está dando lucro ou está tendo prejuízo”, relatou Rosângela salientando que os agricultores não têm o hábito de fazer esse tipo de registro.

Rosângela contou ainda que o trabalho é bem interessante e que o foco são as mulheres rurais que já atuam na área da agroecologia. Segundo ela, o projeto foi bem aceito pelas participantes. “As mulheres que contatamos receberam muito bem o projeto, pois era uma oportunidade para elas fazerem o acompanhamento da sua produção e começarem a desenvolver esse hábito. Iniciamos a aplicação da caderneta em outubro de 2019 e hoje, elas são atuantes, anotam tudo e nós fazemos esse acompanhamento junto com essas agricultoras”.

Acompanhamento e orientações, além da caderneta

Isaquiel Dias, mais conhecido como Isaque, é técnico em agropecuária. Ele trabalha na Emater e acompanha duas agricultoras do município de Água Branca, na utilização da caderneta agroecológica. Mas além das orientações quanto ao registro de tudo o que é produzido mensalmente pelas agricultoras e seus familiares, destinado à venda, troca, doação e consumo, Isaque também acompanha e orienta de perto o plantio de cada produto cultivado.

Sempre que necessário ele está por perto e orienta no cultivo dos produtos desde a escolha da semente até a colheita, passando pela forma de irrigação. Antes da pandemia do novo coronavírus se instalar em terras alagoanas e o Governo do Estado decretar o isolamento social, o acompanhamento quinzenal vinha sendo feito de forma presencial, mas agora, com a ajuda da tecnologia, o acompanhamento e as orientações são realizadas por meio de um aplicativo de mensagens onde ele tira as dúvidas e está sempre em contato. Todos os técnicos têm utilizado esse recursos para continuarem acompanhando as agricultoras dando a elas todo o suporte necessário.

Técnico Isaquiel Dias também orienta o dia a dia da plantação que acompanha (Foto: Isaquiel Dias – Arquivo Pessoal)

A pandemia também dificultou a venda dos produtos, o que antes era comercializado nas feiras livres, hoje o foco maior são as vendas porta a porta na vizinhança. Alguns fazem uso do aplicativo de mensagem WhatApp para fechar suas vendas.

Isaque se sente feliz em poder ajudar aos agricultores da região e disse que a sensação é de dever cumprido. “A sensação é a de que estou fazendo a minha parte. A minha missão e fazer com que o outro tenha as orientações e as coloque em prática, e isso já é uma vitória”, declarou.

O técnico em agropecuária contou ainda que já incentivava os agricultores, de uma forma geral, a anotarem todas as informações referentes à colheita, porém, com a caderneta agroecológica criou-se um hábito e um compromisso das mulheres fazerem esse registro, o que ajuda na organização não só das finanças da família, mas também no plantio e na criação dos animais. Tudo é anotado como parte do processo da cadeia produtiva e com isso toda a família é beneficiada.

“Se tudo for anotado corretamente na caderneta, a agricultora pode analisar e programar o que vai plantar, quanto vai plantar, e isso vale também para os animais, uma vez que os agricultores podem observar, por exemplo, que na produção de ovos caipiras está na hora de tirar as galinhas velhas e colocar um lote novo, só com as informações registradas. Isso é muito importante e a caderneta ajuda nessa visão empreendedora, no negócio da família e todo mundo é beneficiado”, enfatizou.

Isaquiel Dias acompanha a Camila Gonzaga, uma produtora que está começando a cultivar os produtos agora, com o foco nas frutas e hortaliças. Outra produtora acompanhada por ele é dona Vilma Andrade, que tem uma propriedade bastante diversificada: plantação de feijão, hortaliças, criação de gado leiteiro para a fabricação de queijos artesanais, criação de galinhas caipiras para a produção ovos, dentre outros.

Segundo o Isaque, com o acompanhamento das cadernetas as mulheres fortes do campo, começaram a perceber que têm potencial para administrar as finanças, bem como a sua importância no negócio familiar.

FORÇA FEMININA

Agricultora comanda a produção de hortaliças e ajuda na renda familiar

Jaqueline comanda a produção agrícola da família (Foto: Arquivo Pessoal – Gleice Pires)

Jaqueline Barros da Silva mora no Povoado Garrote, no município de Jacaré dos Homens e há 10 anos trabalha como agricultora familiar no cultivo de hortaliças. É ela quem comanda toda a produção da sua propriedade. O esposo de Jaqueline trabalha fora e ela se orgulha de comandar o negócio da família e ajudar no sustento da casa.

Com a caderneta agroecológica, Jaqueline contou que tudo ficou mais fácil, que dá pra ter o controle do quanto se ganha no final do mês, já que antes, nada era anotado e por isso, não podia fazer essa análise. Agora, com a organização, as coisas ficaram melhores e impôs uma certa disciplina. A agricultora é acompanhada pela engenheira agrônoma Gleice Pires.

Para a Jaqueline, a caderneta visa mostrar as mulheres que o trabalho delas é importante, o que é muito gratificante. “Sinto-me feliz! Pra muitos a caderneta pode parecer pouco, mas pra mim faz a diferença. Com ela eu sei para onde foi o produto, o que foi vendido e consumido. Agora eu tenho essa noção”, declarou a agricultora acrescentando que com a organização da produção, já dá para complementar a renda mensal da família.

O projeto foi tão bem aceito e tem gerado bons resultados que a agricultora deseja que outras mulheres também sejam beneficiadas e se tornem mais empoderadas. “O projeto das cadernetas agroecológicas é importante, mostra o valor da mulher e o seu papel nesse processo todo. O que é bom para eu mostrar aos meus filhos que o trabalho na roça também é importante e gratificante. Hoje me sinto mais confiante, mais empoderada”, garantiu Jaqueline.

Jovem multiplica conhecimento com outros agricultores

Nascida e criada na roça, Camila Gonzaga Oliveira acumula vasta experiência na agricultura, mas somente há alguns meses, iniciou sua própria plantação de hortaliças e frutas. Antes, ela trabalhava de meeira com um tio e agora ela é dona do seu próprio negócio.

Paralelo ao Projeto da Caderneta Agroecológica, Camila foi contemplada com o programa Sertão Mulher, da Caixa Econômica Federal, que dá todo o suporte as agricultoras que trabalham com agroecologia. Mais uma forma de ajudar e valorizar as mulheres do campo. Para ela, a união dos dois projetos foi muito produtiva e proveitosa pra toda a família.

A caderneta agroecológica chegou na vida da Camila, no mesmo momento que ela iniciava sua primeira plantação e colheita das frutas. Com apenas 26 anos de idade, ela se sente bem mais empoderada, mais dona de si. Hoje, a agricultora já observa que os lucros aumentaram.

“A caderneta tem muita serventia pra mim e tem me ajudado bastante na organização do sítio, principalmente no controle dos gastos, o que a gente não tinha. Antes gastava mais e não via o lucro. Hoje, com tudo anotado, é possível fazermos uma análise de tudo que gastamos e ainda dá pra fazer uma poupança e guardar para reinvestirmos”, relatou Camila.

Camila passou os conhecimentos da caderneta agroecológica ao tio (Foto: Arquivo Pessoal)

O registro mensal na caderneta agroecológica de tudo que se vende, consome, troca ou é doado pela Camila e sua família deu tão certo que o tio dela, que tem mais de 20 anos de experiência na lavoura, gostou da ideia e logo copiou a sobrinha. Claro, coube a Camila repassar os ensinamentos do preenchimento da caderneta.

“Conversei com o meu tio sobre a caderneta e ele gostou da ideia. Ele também não tinha a noção do quanto tirava de dinheiro na feira e no final do mês não sabia quanto tinha apurado. Com a caderneta, ele já consegue fazer essa análise”, explicou Camila, lembrando que o foco das cadernetas são as mulheres agricultoras, mas ela reproduziu a caderneta e multiplicou o conhecimento com o tio. Afinal, conhecimento é bom quando você aprende e também ensina.

Camila fala com amor e orgulho dos produtos que cultiva em seu sítio, das frutas, dos animais. Sempre que ela precisa recorre ao Isaque (Isaquiel Dias), seu mentor no projeto das cadernetas, para tirar dúvidas. “Foi o Isaque que deu a ideia da gente fazer as mudas das frutas para também comercializar, já que precisamos decotar (podar) as fruteiras de tempos em tempos”, pontuou.

Propriedade rural serve de modelo para outros agricultores

A propriedade da família da agricultora Vilma Andrade dos Santos da Silva, no município de Água Branca, é uma Unidade de Demonstração que serve de modelo para outros agricultores da região. O sítio cultiva uma grande variedade de produtos que atrai tanto compradores quanto profissionais do campo que buscam aprimorar seus conhecimentos.

Dona Vilma é a responsável pelas anotações na caderneta agroecológica de tudo o que é produzido mensalmente nas suas terras e o destino de toda a produção: consumo, venda, troca e doação. Antes esse registro não era feito, mas agora ela consegue anotar tudo conforme as orientações do seu tutor, Isaquiel Dias. Quem ajuda a agricultora com os cálculos no final do mês é o filho Valdemir dos Santos da Silva.

“Minha mãe faz as anotações e eu ajudo com os cálculos no final do mês. Agora, com a caderneta temos a noção do que sai e do que entra no final do mês, com o balanço geral da produção. Também podemos planejar melhor as plantações, pois antes ficávamos meio ‘perdidos’. Foi uma mudança fascinante!”, declarou o jovem rapaz que é técnico em agropecuária e estudante de Ciências Biológicas.

Dona Vilma é a responsável por anotar todos os dados da produção mensal das terras da família (Foto: Arquivo Pessoal)

Valdemir contou que o lucro da família também aumentou após a aplicação da caderneta, e que agora toda a produção do sítio é controlada. Além de hortaliças, feijão, frutas eles criam gado de leite para a fabricação de queijos que são produzidos pela dona Vilma, e também criam galinhas de capoeira para a produção e venda de ovos caipiras. Tudo fresquinho e livre de fertilizantes, agrotóxicos ou outro produto químico.

Com o trabalho que a família da Dona Vilma já vinha desenvolvendo e com a ajuda da caderneta que trouxe uma melhor organização administrativa e financeira, a propriedade se tornou ponto de visitação de agricultores da região que querem aprimorar suas técnicas e conhecimentos, e de escolas vizinhas que buscam promover a interação entre os estudantes e a natureza.

“A gente sente orgulho porque não fazemos nosso trabalho para mostrar aos outros, mas e é muito gratificante poder compartilhar nosso dia a dia com os agricultores que estão começando suas plantações e vêm aqui saber como estamos trabalhando na roça e na criação dos animais. Com os alunos da mesma forma, eles vêm aqui para aprender mais sobre a importância do meio ambiente, ter um contato maior com a natureza e isso é muito bom”, contou o jovem informando que, com a pandemia, as visitas foram suspensas.

A família também tem orgulho de colher outros frutos. É que Valdemir cursa o 7º período de Ciências Biológicas numa faculdade particular e tudo é custeado pelos produtos cultivados por eles, principalmente pela produção dos ovos caipiras. Parte da venda dos produtos é destinada aos estudos do jovem amante da natureza.

“Pra toda a minha família é um orgulho muito grande ver um filho se formando numa faculdade particular, custeada com parte do lucro de tudo o que é produzido na nossa propriedade. Isso dá muito orgulho!”, enfatizou Valdemir.

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Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Ana Paula Omena / Andrezza Tavares

STF acolhe ação do PCdoB em defesa do salário dos servidores

 

O Tribunal concluiu, nesta quarta-feira (24), o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2238, ajuizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) juntamente com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB)

 

O dispositivo declarado inconstitucional é o parágrafo 2º do artigo 23. O dispositivo faculta a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga horária, caso sejam ultrapassados os limites definidos na lei para despesas com pessoal nas diversas esferas do poder público. Para a maioria dos ministros, a possibilidade de redução fere o princípio da irredutibilidade salarial.

“Considero uma vitória dos servidores, pois diante de tantos retrocessos, precisamos lutar pela preservação de direitos e de salários, sobretudo nesses tempos em que o governo persegue o funcionalismo público”, afirmou a líder do PCdoB, Perpétua Almeida (AC).

Perpétua lembrou ainda a participação do então deputado da legenda Sérgio Miranda (MG) na fundamentação da Ação Direta de Inconstitucionalidade. “Essa vitória também é do nosso saudoso Sérgio Miranda. Um grande estudioso do orçamento e que teve papel relevante na fundamentação dessa ADI. Considero que a decisão do Supremo deve ser comemorada e é um tributo a este parlamentar que liderava nossa bancada naquela época”, destacou.

Votos

O julgamento teve início em fevereiro de 2019 e foi suspenso em agosto, para aguardar o voto do ministro Celso de Mello. Na ocasião, não foi alcançada a maioria necessária à declaração de inconstitucionalidade das regras questionadas.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pela improcedência da ação, por entender possível a redução da jornada e do salário. Seguiram seu voto os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, propôs um voto médio, no sentido de que a medida só poderia ser aplicada depois de adotadas outras medidas previstas na Constituição Federal, como a redução de cargos comissionados.

O ministro Edson Fachin abriu a divergência, por entender que não cabe flexibilizar o mandamento constitucional da irredutibilidade de salários para gerar alternativas menos onerosas ao Estado.

A ministra Rosa Weber e os ministros Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, e Marco Aurélio votaram no mesmo sentido. A ministra Cármen Lúcia acompanhou em parte a divergência, ao entender que é possível reduzir a jornada de trabalho, mas não o vencimento do servidor.

Conclusão

Na sessão desta quarta-feira, o decano, ministro Celso de Mello, se alinhou à corrente aberta pelo ministro Edson Fachin no sentido da violação ao princípio da irredutibilidade dos salários prevista na Constituição.

Com o voto do ministro, a Corte confirmou decisão liminar deferida na ação e declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 2º do artigo 23 da Lei de Responsabilidade Fiscal e de parte do parágrafo 1º do mesmo artigo, de modo a obstar interpretação de que é possível reduzir os vencimentos de função ou de cargo provido.

O colegiado, também por decisão majoritária, julgou inconstitucional o parágrafo 3º do artigo 9º da LRF, que autorizava o Poder Executivo a restringir de forma unilateral o repasse de recursos aos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública. O voto de desempate do ministro Celso de Mello seguiu o do relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, no sentido de que a permissão ofende o princípio da separação de Poderes e a autonomia financeira do Judiciário.

Com informações do STF

Pandemia afetou o emocional de 70% dos jovens; 28% podem largar escola

 

Levantamento ouviu mais de 33 mil entrevistados de 15 a 29 anos

 

O avanço da Covid-19 atingiu em cheio os jovens brasileiros. O medo da infecção, o desemprego, a dificuldade de adaptação ao ensino virtual e até o aumento da depressão tornaram-se marcas comuns entre indivíduos de 15 a 29 anos, conforme levantamento “Juventudes e a pandemia do coronavírus”, lançado nesta segunda-feira.

As conclusões da pesquisa trazem aspectos preocupantes. Sete em cada dez jovens relataram piora no estado emocional durante a pandemia, 28% pensam em não voltar à escola quando acabar o distanciamento social e metade cogita desistir do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Entre os raros pontos positivos está a valorização da ciência e da saúde. Na opinião de 96%, é importante descobrir uma vacina que combata a Covid-19. Outros 85% querem ter acesso a testes que confirmem imunidade ao vírus. Os jovens esperam, ainda, que as restrições estabelecidas em tempos de distanciamento social sirvam como aprendizado de que é possível investir em trabalho remoto – o que pode gerar novos empregos para quem mora afastado dos grandes centros urbanos.

A pesquisa foi promovida pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), em parceria com a rede Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial. Foram entrevistados, com um questionário on-line, 33.688 jovens de todas as regiões do País, entre 15 e 31 de maio.

“É a maior geração de jovens da História do país. Serão eles os responsáveis por produzir, na segunda metade do século, um país mais próspero e menos desigual”, diz Marcus Barão, vice-presidente do Conjuve.

“Mesmo antes da pandemia, esta camada da sociedade já se deparava com uma série de desafios, como uma taxa de desemprego de 27% – o dobro da vista entre adultos. Agora, há o desafio de encarar a educação interrompida e a perda da renda familiar.”

Barão avalia que, mesmo diante das dificuldades em casa e no trabalho, a juventude “não está parada” e se engaja em ações sociais.  Segundo Rosalina Soares, gerente de Pesquisa e Avaliação da Fundação Roberto Marinho, 40% dos jovens entrevistados ou de suas famílias já haviam solicitado auxílio emergencial à época do levantamento.

Além de deixar as contas familiares no vermelho, o coronavírus também abalou o relacionamento entre jovens e instituições de ensino. Seis a cada dez jovens consideram que escolas e faculdades devem priorizar atividades que os ajudem a lidar com as emoções.

“A Base Nacional Comum Curricular estabelece que o conhecimento dialogue com a vida. Os jovens estão pedindo um conteúdo que os ajude a lidar com a pandemia, porque estão emocionalmente cansados”, explica Rosalina. “A evasão escolar é uma ameaça real. Um dos aspectos que faz o jovem abandonar os estudos é quando ele perde o vínculo com o educador e a turma – e isso está ocorrendo durante a quarentena.”

Embora reconheça que o sistema educacional precisará se reinventar para dialogar melhor com os estudantes, Rosalina considera que os professores sairão valorizados depois da pandemia, já que o conhecimento científico é dado como fundamental para o combate ao coronavírus. Por outro lado, entre os entrevistados que pretendiam fazer o Enem, 67% não estão conseguindo estudar para o exame desde que as aulas foram suspensas – e 49% já pensaram em desistir da prova.

Medeiros defende que o exame seja adiado para maio de 2021, data já aventada pelo Ministério da Educação. Em sua opinião, desde o encerramento das aulas presenciais, as ferramentas disponíveis de preparação para a prova tornaram-se ainda mais desiguais. Muitos alunos estão sem acesso à internet, não podendo, assim, assistir aulas e praticar exercícios.

Com informações do jornal O Globo

Secretário da Saúde alerta para crescimento de casos de Covid-19 no interior de Alagoas

Central de Triagem de Arapiraca teve nas últimas 24 horas quase 400 atendimentos

↑ Alexandre Ayres destaca que casos da Covid-19 estão aumentando no interior (Foto: Igor Nascimento / Agência Alagoas)

Ocrescimento contínuo de casos da Covid-19 nos municípios do interior de Alagoas está chamando, cada vez mais, a atenção da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Este foi um dos assuntos tratados pelo secretário da Saúde, Alexandre Ayres, durante coletiva de imprensa on-line no início da noite de quinta-feira (25).

“Quando analisamos diariamente o boletim epidemiológico, observamos um distensionamento dos atendimentos em Maceió e na região metropolitana e o consequente crescimento dos casos no interior do estado. Essa situação é demonstrada pela diminuição do fluxo nas Centrais de Triagem, tanto do Benedito Bentes quanto do Ginásio do Sesi, no Trapiche, que são balizadores importantes para esta observação. Em Maceió, os atendimentos nas centrais ocorrem normalmente, mas com uma quantidade menor de pessoas”, destacou o secretário.

Segundo dados da Central de Triagem de Arapiraca, nas últimas 24 horas ocorreram quase 400 atendimentos, com 290 testes rápidos realizados. Mais de 110 pessoas testaram positivo para Covid-19, enquanto 176 tiveram resultado negativo.

Ao final da coletiva, o secretário Alexandre Ayres informou que na próxima semana o Governo de Alagoas entregará à população mais um hospital com leitos exclusivos para o tratamento da Covid-19. Trata-se do Hospital Regional do Norte, com 50 leitos clínicos e 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender os pacientes do município de Porto Calvo e região.

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Fonte: Agência Alagoas / Texto: Nigel Santana

Matriz de risco, reabertura dos segmentos e isolamento social; confira o que você precisa saber

Foto: Secom MaceióRs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=trueBloqueio da orla de Maceió devido à pandemia do novo coronavírus.

Quer saber mais sobre a possível reabertura dos setores produtivos? O Cada Minuto separou as principais dúvidas dos internautas. Confira abaixo:

O que é a matriz de risco?

É um documento que serve como um norte para reabertura em cinco fases dos setores produtivos. A possibilidade de evolução de uma fase para outra vai depender de avaliações semanais.

A reabertura vai acontecer a partir do dia 1º de julho?

De acordo com o governador Renan Filho, a tendência é que se reabra, mas não é certeza. Afinal, depende de uma nova avaliação a ser feita ao final da atual semana epidemiológica. Caso se mantenha o atual cenário, o governador acredita na reabertura.

Para a transição de uma fase para a outra, o que serão considerados?

  1. Capacidade Hospitalar Instalada: Taxa de ocupação de leitos com respiradores; taxa de ocupação de leitos gerais; e oferta de leitos com respiradores por 100 mil habitantes.
  2. Evolução dos óbitos por semana epidemiológica: Óbitos por semana epidemiológica e taxa de letalidade.
  3. Taxa de crescimento da Covid-19: Número de casos ativos/número de casos recuperados.

O isolamento social pode voltar?

Sim! Se os casos voltarem a subir, o governador disse que há possibilidade de restabelecer as medidas de isolamento.

O que abre na fase laranja?

  • todos os setores autorizados na Fase Vermelha;
  • lojas ou estabelecimentos de rua com até 400 m² (quatrocentos metros quadrados);
  • salões de beleza e barbearias;
  • templos, igrejas e demais instituições religiosas, funcionando com 30% (trinta por cento de sua capacidade.

O que abre na fase amarela?

  • todos os setores autorizados nas Fases Vermelha e Laranja;
  • lojas ou estabelecimentos de rua acima de 400 m² (quatrocentos metros quadrados);
  • shoppings centers, galerias, centros comerciais e estabelecimentos congêneres;
  • templos, igrejas e demais instituições religiosas, funcionando com 50% (cinquenta por cento)de sua capacidade;
  • bares e restaurantes, funcionando com 50% (cinquenta por cento) de sua capacidade;
  • transporte intermunicipal e turístico, funcionando com 50% (cinquenta por cento) de sua capacidade.

O que abre na fase azul?

  • todos os setores autorizados nas Fases Vermelha, Laranja e Amarela;
  • cinemas, teatro e museu, funcionando com 33% (trinta e três por cento) de sua capacidade;
  • academias, clubes e centro de ginástica, funcionando com 50% (cinquenta por cento) de sua capacidade;
  • bares e restaurantes, funcionando com 75% (setenta e cinco por cento) de sua capacidade;
  • templos, igrejas e demais instituições religiosas, funcionando com 75% (setenta e cinco por cento) de sua capacidade;
  • transporte intermunicipal e turístico, funcionando com 75% (setenta e cinco por cento) de sua capacidade.

O que abre na fase verde?

  • todos os setores autorizados nas Fases Vermelha, Laranja, Amarela e Azul de forma integral;
  • aulas presenciais na rede pública e privada de ensino;
  • serviço público do Poder Executivo Estadual de forma presencial;
  • cinemas, teatro, museu e eventos sociais.
  •  
 

Polícia Civil alerta sobre golpe do falso sequestro; veja dicas de delegado

Foto: Ascom PCRs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=truedelegado José Carlos André, coordenador da Seção Antissequestro, da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic),

O delegado José Carlos André, coordenador da Seção Antissequestro, da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), faz um alerto em relação ao um golpe já praticado em Alagoas e que reapareceu durante a pandemia do Covid-19: o do falso sequestro. A Deic já registrou e está investigando, pelo menos, quatro casos ocorridos no estado desde o mês maio.

O delegado José Carlos revela que as vítimas, geralmente idosos, recebem a informação de que um parente foi sequestrado e é necessário que seja feito um pagamento para que essa pessoa seja liberada.

Conforme já foi apurado, os criminosos ligam geralmente no final da madrugada, início da manhã, quando as pessoas normalmente estão dormindo, e dizem que estão com um parente, na maioria filho ou neto, que está em cativeiro e que querem dinheiro. “No desespero e sem conseguir contato com os parentes, as pessoas acreditam e ficam desesperadas, não prestam atenção nas informações que são passadas, e infelizmente caindo em um golpe desses", explica o delegado.

Segundo José Carlos, o golpe voltou com outra etapa, que é a participação de um suposto taxista para recolher o dinheiro. "Agora, há também a participação de um suposto taxista, que passa na casa da vítima para recolher o dinheiro do pagamento para a 'liberação' do parente que estaria sequestrado", diz o delegado.

A polícia orienta que os parentes conversem com os idosos que moram sozinhos para que eles não atendam a ligações de números desconhecidos ou não identificados durante a madrugada e tentar contato com os parentes por qualquer outro meio.

"A gente pede que filhos e netos orientem os idosos, em especial aqueles que moram sozinhos a não atenderem essas ligações durante a madrugada, e se atender e o assunto for sequestro, que a pessoa esteja atenta, tente desligar para checar se o parente está bem", diz o delegado.

A Polícia Civil pede que, se alguém tiver alguma informação sobre esse tipo de golpe, que informe através do disque denúncia, no número 181, ou procure a Deic.

*com Ascom PC

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